#05: Visibilidade Trans

Confira na capa do mês de fevereiro da Revista Friday, uma entrevista sobre os desafios de uma pessoa trans, com a ativista LGBT Rebecka de França.

INTERNET: Mudanças, tecnologia e Google+

Confira algumas mudanças que o google+ realizou para agradar os usuários.

Conexão Canadá: Vancity- The Journey begins

Camila Trama nos conta um pouco de seu intercâmbio em alguns lugares do Canadá.

CINEMA: Sassy Pants

Rebeldia, insatisfação e as paixões fazem parte do cotidiano de todos os adolescentes, confira a resenha do filme Sassy Pants.

VITRINE: O universo feminino de Isadora Almeida

Inspirada por ilustrações de moda, estamparia e coisas que vê por aí, conheça o trabalho da ilustradora mineira Isadora Almeida.

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11 de março de 2014

Íntimos e Carecas - Conheça Alessandro Martins


Alessandro e Claudia Regina (foto por Rodolpho Pajuaba)
Se não me falha a memória, conheci o Alessandro em 2011, graças a um encontro de tuiteiros de Curitiba. Na época me impressionou a tranquilidade, o desprendimento e a gentileza daquele cara que eu já gostava e admirava pela escrita inteligente e afiada.

Acabou que, depois disso, o contato ficou meio restrito aos eventos nos quais vi ele palestrar, mas, mesmo não sendo íntimos assim, é fato que a gente acaba se apegando às pessoas com quem convivemos digitalmente, né?

Eu gosto e respeito tanto o Ale, que quando tive curiosidade de conhecer uma Casa de Swing, adivinha para quem fui perguntar? (aliás, esta aventura eu vou explicar no post da próxima quinzena)

Hoje eu resolvi trazer um pouco desta pessoa linda para vocês e um convite descarado para assinar as cartas semanais do Ale. Tenho certeza que você vai ser solidário ao meu deslumbramento por este cara.

E o que raios isto está fazendo na coluna de sexo da Revista Friday?

Confia na Tia Kell e segue a leitura abaixo para entender este papo de ser íntimo do careca (ou mais ou menos isso). ;)




Quem é o Alessandro?
Durante um curso do qual participei, na hora das tradicionais apresentações, tive tempo para pensar sobre essa pergunta. Era um curso do meu amigo Alex Castro. 

E aí eu pensei que tem gente que se define pelo que faz. Não é o ideal, mas já é um começo. Hoje, eu mesmo não sei o que faço exatamente. Eu escrevo. Mas tenho certo pudor em me dizer escritor. Escrevo em blogs, no Facebook, no Twitter, na minha newsletter
Sou uma pessoa que escreve, se expressa através da escrita e busca um público para esses escritos. 

Sou uma espécie de artista, um cara meio exibido, que tem um ego grande mas que tenta mantê-lo bem domado e disciplinado. 
Que graça teria dizer que se tem controle sobre o ego quando ele mais parece um cavalo castrado, um pangaré? 

Enquanto as pessoas se apresentavam e eu prestava atenção ao que elas diziam, ao mesmo tempo, formulei uma resposta que, naquele momento me contentou: sou um cara que procura viver, extrair experiências interessantes da vida, chegar a conclusões sobre essas experiências, brincar com as ideias que isso traz e, assim, ter coisas muito pessoais, vivências, que compartilho com outras pessoas através dos meios que a internet proporciona. 

Se não fosse a internet, seria um outro meio. Nos últimos anos, tenho aprendido a arte do ator e penso que, no caso de um cataclismo, se perdermos a internet, as artes cênicas sejam um bom recurso para mim. 

Resumindo: sou um cara cujo trabalho é buscar experiências interessantes de vida para compartilhar com meus iguais ou com aqueles que gostariam de sê-lo.




Você é um grande defensor dos relacionamentos abertos. Como isto funciona na sua vida?
Atualmente defendo as alternativas de relacionamento afetivo. Nada errado com a monogamia em si. O problema é só se ver essa opção quando existem infinitas possibilidades. 

Hoje, certamente me relaciono com mais de uma mulher por vez. Isso não é segredo para elas. Elas, por sua vez, tem liberdade para compactuar com essa forma de relacionamento como preferirem. 

Ter um relacionamento não monogâmico, porém, não significa ter pouco caso pelo outro, ser irresponsável. Não somos assim com amigos - que, por natureza, temos vários. 

Por que seríamos irresponsáveis e descuidados com nossas parcerias afetivas? Durante os últimos dois anos, desde que me separei, venho desenvolvendo, aprendendo essa forma de me relacionar. 

Sempre busquei isso em todos os meus relacionamentos. Nesse período, já tive momento em que tive diversas parceiras e, inclusive, em alguns momentos chegamos a sair juntos. Já tive momentos em que fiquei sozinho, sem problemas também. 

Descobri que, para mim, o que funciona é não rotular de forma alguma o relacionamento - e mesmo chamá-lo de relacionamento já é rotular - porque aí ele tem a possibilidade de se desenvolver com sua própria e única dinâmica, sem as expectativas que os rótulos, que os enquadramentos causam. 

Não só palavras são rótulos, mas comportamentos também. Outra coisa que venho descobrindo na prática - porque em teoria eu já sabia - é que existem vários tipos de amor. 

Cada encontro é a possibilidade de entregar e receber algo totalmente diferente. Mais que surpreender aos outros, a liberdade que essa modalidade de se relacionar tem me permitido a oportunidade de eu surpreender a mim mesmo. E isso é algo extremamente íntimo de ser compartilhado.

E o ciúme?
O ciúme é algo que se instala. Na prática, se você evitar certos comportamentos ele não se instala. 
A melhor forma de evitar o ciúme? Não se relacione com ninguém. Mas acho que esse é um comportamento que ninguém quer evitar. 

Na teoria, é aceitar que a pessoa não te pertence, que você não controla as ações dela e muito menos os pensamentos. Na prática, isso é muito difícil de ser transformado em ação, em uma atitude. 

Eu acho que o ciúme começa a se instalar - e nos relacionamentos monogâmicos esse processo é especialmente rápido - quando o que eu chamo de dependências neuróticas mútuas começam a surgir. Os dois se amam, mas ali junto com aquilo um precisa do outro para preencher algum vazio emocional mal resolvido e o outro também.

Com o tempo, o amor pode se transformar em outra coisa, mas as dependências mútuas são as mesmas e talvez mais fortes, mais enraizadas. Como uma árvore que é esmagada por um parasita: o tronco está em pé, mas morto. 

O que mantém as coisas em pé é o parasita em volta, que esmagou a real razão de os dois um dia estarem juntos. 

Aí começam as cobranças porque um dá para o outro o que o completa na sua dependência e quer a retribuição. De minha parte, eu gosto que as pessoas com quem me relaciono se relacionem com outras pessoas e, se elas quiserem falar sobre isso, sou todo ouvidos. 
Me ajuda a entender que, na verdade, não tem nada demais e, se na dinâmica do relacionamento, outras coisas acontecerem e se transformarem será algo gradual, assimilável, sem medos ou traumas. Já aconteceu e foi bem bacana.


Alessandro e Claudia Regina (foto por Rodolpho Pajuaba)


Você é adepto da prática de algum fetichismo? Conte um pouco para nós da sua experiência.
Tenho vários fetiches mas não posso dizer que vivo isso como um estilo de vida. 

Desde menino olhar mulheres usando botas ou roupas justas me fascinou. Atraía meu olhar. Deve ser influência da Mulher Gato, do seriado da década de 60 ou algo assim. Isso acabou se desenvolvendo para eu gostar de mulheres más, poderosas, fodonas, usando botas, roupas de látex ou outro material colante e brilhante. 

Quem acompanha meu Facebook já deve ter visto eu compartilhando imagens assim. Recentemente fui a uma festa em São Paulo com a Claudia Regina e o Alex Castro e estávamos todos vestidos a caráter, com borracha, coleiras, mordaças e o que você puder imaginar. Foi muito legal. 

Muitos de meus relacionamentos têm essa pegada, mas não todos e não o tempo inteiro. 
Sou um cara que curte o casual também, o que nesse universo eles chamam de "baunilha". Gosto de ficar vendo seriado e comendo pipoca embaixo da coberta.


Recentemente você começou um projeto de newsletter. O que você tem de interessante a dizer para as pessoas?
O projeto da newsletter foi a forma mais direta que encontrei de chegar até as pessoas que estão interessadas no que eu tenho para dizer. Os blogs, por diversas razões que não cabe analisar agora, perderam essa característica. 

A newsletter vai até a caixa de entrada das pessoas. Isso é o mais próximo que podemos chegar delas pela internet. 

Todo o mundo abre o e-mail pelo menos uma vez por dia. O que eu tenho para dizer são coisas sinceras, pensamentos que realmente passam por minha cabeça enquanto a vida acontece. 

Não sou uma pessoa que esconde muita coisa - meu limite é quando a minha vida invade a privacidade alheia - então acho que essa transparência agrada as pessoas. Penso que ser assim é uma forma de atrair iguais. 

Acredito que a frase "a verdade vos libertará" tem mais a ver com a verdade que você diz do que com a que você ouve. 

Dizer a verdade, mostrar-se nu, como você é, com um mínimo de reservas é uma maneira de aproximar quem se identifica com você e perceber que ser quem você realmente é, embora difícil por não sabermos responder direito essa pergunta, não dói. 

Pelo contrário, como eu disse, liberta. 
Engraçado eu terminar assim, pois foi a pergunta que você fez no início.

Assine minha newsletter. Ela é incrível: http://alessandromartins.me/newsletter/

Por: (Kell Bonassoli)
De: (Curitiba - PR)
Email: (kellbonassoli@intravenosa.com.br)

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3 de dezembro de 2013

[+18] Underwater Love

Abyss of the Disheartened by Heather Landis


Desejei apenas brincar com todas aquelas cores. Lampejos róseos no branco pacífico de sua pele, as ondas castanhas derramadas nos seus ombros, os dedos desenhando contornos no vermelho macio de seus lábios. 

Ela repousa em meus braços sob a moldura perfeita de grama, céu e sol, acolhidos na sombra de uma árvore.

Abre seus olhos lentamente enquanto a pequena mão segura a minha sobre seu rosto. Beija a palma enquanto sorri com o olhar. Vira o corpo em concha, aninhando-se felina e torna a adormecer.

Dorme, meu amor. Dorme enquanto eu sonho acordado.

Sonho com nossa última noite. Uma noite deslizando sob a água, flutuando com leveza o seu corpo sobre o meu.

Noite sem nuvens, faiscando de estrelas e com a lua (perfeita) iluminando, clara e difusa, a piscina e as suas curvas.

Abyss of the Disheartened by Heather Landis


Penetrando entre as suas coxas, com suas pernas entrelaçadas em minha cintura, seu sorriso emoldurado pelos cabelos úmidos, a pele pálida reluzente. 

Você faz ideia do quanto fica linda com seus peitos semi ocultos na água?
Faz alguma ideia do quanto me torno um completo tolo num abraço seu?

E por ser tão tolo, tento te engolir inteira. Chupando e mordendo seus mamilos ao som de seus gritinhos contidos, sentindo que mesmo sob a água o seu ventre acolhe minha euforia toda.

As mãos enroscadas nos seus cabelos pressionando você para perto de mim, eu para dentro de você, nós para o sempre.
Nós.
Presos um ao outro.

Tão tolo. Devoto dos risos descontrolados de quando você goza para mim.

Dorme, meu amor. Dorme enquanto eu agradeço a sua presença.

Enquanto minha memória cria contrastes com a visão da sua pele ensolarada e entrecortada de folhas, desenhadas de sombras na sua perna, subindo pelo seu vestido de flores.

Enquanto contenho, por mais alguns minutos, o desejo te acordar com a língua e com os dentes.

 



Por: Kell Bonassoli
De: Curitiba - PR
Email: kellbonassoli@intravenosa.com.br

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20 de novembro de 2013

[+18] Rituais, situações improváveis e tentáculos

Hentai Ouji to Warawanai Neko (tem Hentai no nome, mas é um Seinen... )

Olá, navegante incauto!

Vou logo avisando que o papo aqui pode passar do nonsense para o bizarro em poucos parágrafos.

Ok, você foi avisado!

Pois então, minha gente. Se no artigo passado eu fiz um paralelo sobre ecchi ser o soft porn da animação japa, podemos então dizer que o hentai é o hardcore dos paranauês de olhos gigantes.

O termo hentai é usado por aqui para definir pornografias e perversões; lá no Japão, chamar alguém de hentai é o equivalente a "tarado" .

As origens do hentai tem uma história curiosa. Acredita-se que surgiram por inspiração nas formas de arte erótica que existiam no Japão desde o Período Tokugawa (1603-1868). Naquele tempo, as Ukiyo-e (uma espécie de xilogravura japonesa) retratavam diversos aspectos da cultura oriental e obviamente sexo e nudez estavam inclusos no pacote (e quando era sobre nudez, chamavam de Shunga).


Artist Kunisada II (attrib.) (1823-1880) Title "The Poem-Cloud" (given name) Date ca1840's/50's

As Shunga eram tão apreciadas e detalhadas que eram utilizadas como manuais para os jovens casais, sendo comumente ofertadas como presente de casamento para ser usado na lua de mel. (viu como eles eram modernosos já naqueles tempos?)


Artist Utamaro (KITAGAWA) (1753-1806) Title "Prelude to Desire -- #F" Date 1799; later printing c1880/90's

Com a restauração Meiji, a cultura ocidental passou a interferir no pensamento oriental e a arte erótica passou a ser mal vista, porém a pornografia continuou a existir no underground da civilização japa.

O hentai moderno voltou com tudo depois da II Guerra Mundial e não se sabe muito bem o motivo, mas até 1991 era proibido desenhar os pelos púbicos (vai entender, né?).

O traço do hentai é praticamente o mesmo dos outros animes não pornográficos e normalmente retrata alguns fetiches que para nós, ocidentais, parecem um tanto estranhos como é o caso das nekomimi (mulheres com corpo de gatos) e dos tão falados tentáculos (que é uma forma bizarra de um único ser ter um monte de pirocas em seu corpo)



O hentai obrigatório para quem gosta de perversões com certeza é Bible Black. 



Bible Black é famosa por ter muito sadomasoquismo, tortura, e uma professora bruxa que torna-se uma futanari (significa hermafrodita, ou seja, a mulher tem as duas ferramentas), alucinada por traçar todas as aluninhas da escola e que precisa de uma virgem para completar o ritual para que o demônio tome conta de seu corpo. (sério... se você ficou horrorizado com o ecchi em que o guerreiro conseguia forças mamando nos peitos das donzelas, nesse aqui você vai surtar... não assista)

óbvio que este é um vídeo sem as cenas de sexo... vá googlear, safadinho(a)


Se quiser começar por algo não tão agressivo, dê uma procurada nos seguintes títulos:


  • Discipline
  • Queen's Blade
  • Stainless Night
  • Tokyo Requiem

Por hoje é só, pessoal.
Comentem e aproveitem para me desejar feliz aniversário. :)



Por: Kell Bonassoli
De: Curitiba-PR
Email: kellbonassoli@intravenosa.com.br

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8 de outubro de 2013

[+18] A felicidade ao alcance da sua boca



"Foto: Divulgação seksrf.ru do curso A Arte do Sexo Oral "


É muito provável que você já tenha lido ou visto algo sobre esta escola russa em seu Facebook nas últimas semanas. A escola de Catherine Lyubimov ganhou destaque de forma jocosa pelas fotografias divulgadas de um de seus cursos "A Arte do Sexo Oral".



Como a maioria dos blogs a noticiarem eram blogs de humor, fiquei um pouco descrente quanto a veracidade da notícia e fui caçar as origens.

E não é que é absolutamente autêntica?


"Chupa!"



O Centro de Treinamento Cекс (sexo em russo) tem site, canal no youtube, twitter e página no facebook e não é apenas uma escola, mas uma rede com vários centros de treinamento com sede em Moscou, São Petesburgo, Samara e Chisinau.

Os cursos ensinam mulheres sobre psicologia comportamental, relacionamentos e as técnicas do sexo e, segundo o site, seu principal objetivo é divulgar o máximo de informações especializadas possíveis sobre sexo e áreas afins para o maior número possível de pessoas.


"(...) Garante apenas informação especializada e de confiança através de profissionais competentes e companheiros interessantes. É todo um mundo de conhecimento, segredos e opiniões sobre o mais importante. Esta é uma comunidade para compartilhar informações, compartilhar experiências úteis e encontrar pessoas com interesses semelhantes. Finalmente, é um projeto de pessoas inovadoras que estão livres para usar a tecnologia de comunicação moderna."

Catherine Lyubimov (Екатерина Любимова) é sexóloga e mentora chefe do centro de treinamento russo.




"A sexualidade, como um pássaro em uma gaiola pode ser bloqueado e pode ser liberado à vontade e desfrutar da liberdade de sentimentos e sensações." - Екатерина Любимова

Ainda sobre sexo oral, a página da escola tem um vídeo que ensina sobre as emoções e expressões faciais durante a chupada (tá em russo, mas dá para adivinhar ou pelo menos ter uma ideia do que a moça tá falando).

No vídeo, uma espiada nos bastidores de uma festa ^^




Além do curso de sexo oral, tem anal sem dor, arte tailandesa, técnicas de respiração e muito mais.

E não, meninos, eles não usam modelos reais, ok? É tudo de mentirinha.

Eu adorei a iniciativa. Acho que a mulher tem realmente que se conhecer e explorar as possibilidades de seu corpo para ser plena e se existe um curso com profissionais especializados e um ambiente divertido e sadio, não vejo razão para desgostar.

E já tem uma versão brasileira da coisa. Você pode fazer o curso de dois dias por ~apenas~ 500 dilmas.

Deixo-lhes a frase do célebre filósofo sexual:






Por: Kell Bonassoli
De: Curitiba-Paraná
Email: kellbonassoli@intravenosa.com.br

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24 de setembro de 2013

[+18] O traço sensual de Milo Manara



Se tem alguem que sabe desenhar mulher gostosa nos quadrinhos, este cara com certeza é Milo Manara

E não sou só eu quem acho isto não. Manara é considerado um dos melhores ilustradores eróticos (ainda vivos) do planeta.

(Milo Manara)
O italiano Maurílio Manara, que recentemente completou 68 anos  (12 de setembro de 1945), estudou artes durante sua adolescência em um Liceu particular, foi assistente de escultura do espanhol Miguel Berrocal , estudou arquitetura (na Faculdade de Veneza) e pintura antes de estrear no fumetti (os quadrinhos italianos). 

Seu primeiro trabalho foi a obra Genius, uma publicação erótica/noir/policial/sensual/obscura lançada em 1969, e daí em diante, passou a desenvolver seu estilo, criando uma expressividade única e facilmente reconhecida, sempre chamando muita atenção pelas mulheres extremamente sensuais e elegantes em cenários detalhados e incríveis.


(Milo Manara - Genius 9 P76)


Manara, ao desenhar mulheres, usa traços limpos e delicados. Ainda assim, suas personagens são voluptuosas, fortes, cheias de vida e erotismo. Suas criações habitam a tênue linha do "sexy sem ser vulgar": você olha uma de suas mulheres e você consegue desejá-la facilmente. Já seus monstros e criaturas fantásticas tem traços mais precisos e complexos.
Por ter estudado arquitetura, você percebe também um olhar aguçado quanto a detalhes estruturais.


(Dossiê Manara)


É um dos poucos italianos que caiu no gosto do público americano também. No mercado das comics, trabalhou com Neil Gaiman no primeiro capítulo de Sandman: Noites sem Fim, desenhou também um especial de X-Men para a Marvel e foi premiado no Eisner Awards de 2012 (correspondente ao Oscar dos quadrinhos) pela obra Verão Índio, produzida em parceria com Hugo Pratt.


(Verão Índio)

(Verão Índio)


Manara também trabalhou com Fellini (sim, o gênio do cinema que, pasme, já foi quadrinista também) e dentre outras parcerias, produziu Viagem a Tulum. Segundo Federico Fellini, Viagem a Tulum era um roteiro "infilmável" de uma obra totalmente onírica, mas por iniciativa e insistência de Milo, transforma o roteiro em um quadrinho com seu traço (a forma como isto ocorreu é encantadoramente contada na introdução da obra através de uma reportagem feita por Vincenzo Mollica, mas infelizmente a obra já está esgotada).



(Viagem a Tulum)

Aqui no Brasil, você encontrará facilmente muitas obras de Manara. Abaixo, destaquei algumas.

Para conhecer

(informações via Skoob)

El Gaucho
Edição: 1
Editora: Conrad
ISBN: 857616180X
Ano: 2006
Páginas: 144
Tradutor: Idalina Lopes

Sinopse:

Dois gênios absolutos dos quadrinhos italianos. Um capítulo fundamental na história da América do Sul. Costurando as memórias fragmentadas de um misterioso velho indígena, Hugo Pratt e seu ilustre discípulo Milo Manara criam uma trama de poder, traição, sexo, romance e luta por independência. Na virada do século XIX, a aliança entre a França de Napoleão e a Espanha ameaçava os interesses da Inglaterra, grande potência mundial. A invasão do então Vice-Reino do Prata surgia como opção estratégica aos ingleses, mas a manobra era arriscada. Em caso de êxito, uma aliança importante com os platinos nasceria; em caso de fracasso, a liga franco-espanhola se fortaleceria. O ímpeto do comodoro Sir Home Popham não aguardou uma decisão oficial e, com a promessa de libertar os colonos do jugo espanhol, ele decide tomar Buenos Aires. Mas enfrentaria ainda muitos outros obstáculos: a desconfiança dos locais, a resistência dos espanhóis e as intrigas internas entre os militares ingleses. Enquanto isso, a bordo de um navio de nome sugestivo, o Encounter, a jovem irlandesa Molly Malone e o tambor Tom Browne vivem um romance tórrido e impossível. Ela, como as outras garotas da embarcação, pertencem aos militares ingleses e estão à sua disposição para os mais diversos tipos de favores. Mas, junto com o corcunda Matthew e o contramestre Clagg, ela sonha fugir e ser finalmente livre em terras sul-americanas. Misturando realidade e ficção de forma única nos quadrinhos, El Gaucho registra um momento decisivo na independência da América. Com graça, bom humor e uma boa dose de belas garotas nuas, os mestres italianos contam uma história anônima, mas legítima, da Reconquista. E, no caminho, resgatam elementos tão fundamentais quanto ignorados sobre as tradição política da Argentina - como a mobilização de negros e indígenas para proteger Buenos Aires. Um momento em que as massas excluídas da colônia ocuparam pela primeira vez lugar de destaque na luta pela liberdade.

Clic
Edição: 1
Editora: Conrad
ISBN: 9788576164203
Ano: 2010
Páginas: 240
Tradutor: Idalina Lopes 

Sinopse:

Clic Edição Completa reúne os quatros volumes da série que trouxe fama e reconhecimento internacional ao mestre do erotismo Milo Manara. Nesta clássica obra do quadrinho europeu, acompanhamos as desventuras de Claudia Christiani, uma fina e recatada dama da alta sociedade. Sexualmente reprimida, ela é vítima das artimanhas do doutor Fez, seu admirador secreto e criador de um aparelho capaz de encher de luxúria até mesmo a mais fria das criaturas. O simples clicar de um botão desperta em Claudia uma insaciável libido, para assombro de todos à sua volta. Refém dessa invenção insólita, Claudia precisa enfrentar seus desejos mais íntimos, toda vez que o aparelho do doutor Fez é acionado. 


Bórgia
Edição: 2
Editora: Conrad
ISBN: 9788576164371
Ano: 2010
Páginas: 56
Tradutor: Paulo Zocchi

Sinopse:

Poder, conspiração política, luxúria, messianismo, esses são alguns dos ingredientes da série de quadrinhos Bórgia: uma espécie de biografia não autorizada da família que é tida como precursora dos Corleone e que expõs os pecados da igreja católica do final século XV. Uma fase que tinha mais escândalos que o governo de Richard Nixon ou de Fernando Collor. Uma época que o Vaticano certamente gostaria de apagar dos livros de história. Todos os atos praticados por Rodrigo Bórgia, e sua família, para se tornar o papa Alexandre VI estão na obra contada por um dos mais cerebrais roteiristas da Nona Arte da Europa, Alejandro Jodorowsky. A coleção, que está sendo lançada em julho no Brasil, conta com o traço do mestre das histórias em quadrinhos eróticos, Milo Manara, conhecido por retratar as mais belas mulheres em quadrinhos e autor de séries famosas em todo o mundo. (Bórgia é uma série com 04 volumes)


O Perfume do Invisível
Edição: 1
Editora: Conrad
ISBN: 9788576164586
Ano: 2011
Páginas: 112

Sinopse:

'Perfume do Invisível' é uma obra do quadrinista italiano Milo Manara inspirada em 'O Homem Invisível', escrito em 1881 pelo inglês H. G. Wells, e também inspirada na atriz Kim Basinger. Um cientista usa sua descoberta da invisibilidade não para conquistar a glória ou o mundo, mas para tentar se aproximar de Beatrice, seu amor de infância, agora uma bailarina famosa e cruel. No entanto, no caminho desse homem está Mel, a maliciosa assistente de Beatrice.






Kamasutra
Edição: 1
Editora: conrad
ISBN: 9788576164005
Ano: 2010
Páginas: 74
Tradutor: Idalina Lopes

Sinopse:

Parvati e Lulu correm um perigo mortal ao encontrar o espírito de Shiva, um legendário saxofonista, preso em um objeto bastante incomum: o cinto de Vatsyayana, feito pelo poderoso Prajapati com a pele do próprio pênis.

Sob a ameaça de Kali, a destruidora, as duas amigas deverão vencer quatro provas, colocando em prática as milenaris técnicas tântricas do Kama Sutra.
Este é o encontro do mestre dos quadrinhos eróticos com o clássico da literatura hindu mais lido em todo o mundo.
Ouse abrir a sua alma, o seu coração e o seu corpo para a mais excitante iniciação ao amor. Ouse abrir o Kama Sutra de Milo Manara.




Veja mais sobre as obras de Manara

Eu, particularmente, fiquei muito encantada com Bórgia. A série é rica em detalhes arquitetônicos, o background é muito bem desenhado e as cenas eróticas são perfeitas. (tem spank, beijo lésbico e outras perversões que amamos :P).  A impressão que temos é de que um painel gigante foi reduzido para caber na folha da graphic novel, tanto é o cuidado em desenhar todos os minúsculos personagens que apenas fazem parte do cenário, personagens que não representam impacto direto no roteiro e mesmo assim são magistralmente ilustrados. Outras vezes é como brincar de "Onde está o Wally", me divirto encontrando personagens transando no meio da multidão, por exemplo.

Eu poderia ficar páginas e mais páginas enumerando as qualidades de cada um dos trabalhos deste gênio, mas ao invés disto, deixo aqui o site oficial do cara (recheadinho de ilustrações) e recomendo fortemente que você fique alerta as promoções de publicações dele. Quando vir uma promoção, não pense, compre, pois é muito bom! 
Depois volte aqui para me contar se gostou.

Site oficial: http://www.milomanara.it/

Por: Kell Bonassoli
De: Curitiba - PR
Email: kellbonassoli@intravenosa.com.br

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10 de setembro de 2013

[+18] Tempo de tirar o atraso

Crédito da Imagem: sxc.hu by Brierley
É uma absoluta insanidade negar os instintos deste jeito. Um dia ainda mataria alguém.

Estava ficando ridícula aquela situação. Tão jovem, tão bonita e ainda assim não dava uma desde sei lá quando.


Mal lembrava como era estar com alguém (mentira, lembrava e se torturava diariamente com a lembrança do que já vivera e, além disso, fantasiava extrapolar suas vontades com cada estranho ou conhecido que passava pelo seu olhar).


Quase um ano. Como é que aguentou tanto tempo assim? Sabe aquele desenho animado em que o animal faminto vira um lobo e enxerga a presa como um franguinho assado? Pois é, ela estava deste jeito (se bem que o único frango assado da sua imaginação era aquele que se faz a dois... hummm).


O outro "frango assado" é muito melhor ;)


Queridos leitores, eis me aqui para ajudar na missão de tirar o atraso da Revista Friday.

Antes de falar de mim, quero contar como foi que cheguei. É rapidinho, juro.

Um amigo marcou meu nome em uma publicação do Facebook. Geralmente eu ignoro algumas notificações, mas esta, para minha surpresa, era um anúncio para lá de descolado, informando que a revista estava na maior secura: 330 dias sem sexo



Oh, céus, ninguém merece esta castidade forçada.
Nem mesmo uma entidade virtual deveria ficar tanto tempo sem esta delícia e muito menos vocês, humanos que por aqui transitam, não é mesmo?

E por que raios este amigo me marcou? É que existem alguns motivos que fazem as pessoas ligarem meu nome ao tema.

Acho que agora chegamos no ponto em que eu me apresento, né?

Olá, eu sou a Kellen Carolline Bonassoli, mais conhecida como Kell Bonassoli, curitibana, balzaca, nerdinha, tarada e a nova integrante do time de colunistas que escreverão sobre Sexo. Sou graduada em Letras, especialista em Psicopedagogia, apaixonada por tecnologia, podcast, blogs e sempre nutri grande prazer pela escrita e, é claro, pelo sexo.

Afinal, sexo é tudo de bom.

Participo de um outro projeto de escrita colaborativa, porém literário. No Intravenosa pratico a criação de contos eróticos e um podcast derivado destes mesmos contos.

O outro motivo para me ligarem ao tema deve-se ao que eu chamo de relação saudável com o sexo e que algumas pessoas chamam de desprendimento social. O fato é que eu não sei segurar a minha língua, sempre comento, expresso minhas opiniões e, muitas vezes, elas são um tanto soltas do padrãozinho de "certo e errado" ao qual a sociedade ainda está amarrada.

Falar de sexo é gostoso, imaginar sexo é um prazer e escrever por aqui, certamente, será um aspecto diferente para eu desenvolver, um relacionamento novo.

Não tenho nenhuma fórmula e minhas pautas não tem um método muito certinho. Decidi que poderia tratar desta coluna com o mesmo tesão com o qual lido com meus outros projetos e com a mesma naturalidade.

Esteja pronto para o inesperado. Um post pode ser resenha, o outro pode ser um desabafo, um relato ou uma curiosidade bizarra. De vez em quando posso falar sobre um filme erótico, sobre o mundo porn, sobre fetiche, sobre algumas dúvidas ou indignações que surgem no cotidiano, sobre arte, sobre saúde, sobre uma música e quem sabe até algum conto maroto. ;)

Bom, hoje foram apenas as preliminares. Segura mais um pouquinho que em 15 dias estou de volta.

E para não dizer que sou malvada, fica um vídeo bem delícia.
 


Por: Kell Bonassoli
De: Curitiba - PR
Email: kellbonassoli@intravenosa.com.br

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