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24 de dezembro de 2013

Dica: Sentimentos não são méritos

P.S.: Essa história é real, então só vou entregar o nome da garota.

Ana pagou boquete para o cara errado. É, talvez você também. E a Carol, a Luana também. A Monique ainda rebolou nas coxas do outro. Mas vamos nos ater a Ana. Porque por mais que não haja o certo e errado no sexo - vai por mim, tudo é válido, desde que não me faça fio-terra -, o amor carrega uma porção de valores que precisam coincidir com sua consciência, seu sentimento e, consecutivamente, sua sexualidade.

É que no início do ano, a Ana já viveu o final de filme de Sessão da Tarde: conheceu o rapaz certo, gostoso, barbudo, honesto, livre, de caráter e, pior, sensível. O príncipe encantado do século 21, mas de bermudas, chinelos e um anel de tucum. Quando ela já o viu pela primeira vez, percebeu suas virtudes. Veio o encanto, o beijo, dividirem o pão juntos, a rede e um violão no fim do luau. A paixão, a amizade, o tesão e a confiança. Em dias, já confidenciavam segredos, pois o sentimento era espontâneo. Ponto.


Percebe a sintonia e o clichê dos pares teen d'A Lagoa Azul e Malhação?

Quis dizer vírgula. Sabe quando tudo se mostra certo demais? Sabe quando você está de cara com aquela pessoa que já te fascina só de olhar? É muito clichê de Malhação, e já que nossa vida dura mais de uma temporada, ela preferiu o rumo do incerto. Por morarem longe, Ana pediu pra distância continuar. Em meses, conheceu um outro - o cara que ela pagou o boquete. Não que ele não fosse barbudo, de caráter, honesto e até gostoso. Aliás, diga-se de passagem, se fosse Ana, acharia esse outro mais gato. 

No entanto, a sintonia teve que ser construída. Não havia trilha sonora quando se viam, mas estavam juntos por questão de proximidade. Como entremeio de novela das seis, bem morno. Afinal, solteiros, precisavam estar juntos. Impossível não comparar o desempenho na cama entre os dois, o estilo de vida, até porque o novo se amarrava em tênis. Com o tempo, aceitaram-se a ponto de serem cúmplices da rotina. Em meses, dividiam o mesmo teto, o mesmo copo, a mesma cena. Uma relação perfeita de tesão com exceção de um detalhe.


Bem, na foto, até que parece que rola um clima entre eles. Convence?

Faltava para Ana aquela química, aquele sentimento que a fazia suscitar uma paixão avassaladora, um gostar demasiado da companhia em vez do medo da solidão, um apego gigantesco que fizesse arrepiar seu corpo e ainda por cima uma admiração e um humor inegável. Bem verdade que para uma relação, o necessário é apenas vontade. Mas sem ter aquele sentimento fazia com que ela e o agraciado pelo boquete diário não passavam de um casal de novela das sete, que nem Além do Horizonte, Sangue Bom e tantos outros pares insossos. O horário nobre foi quando ela marcou de se encontrar com o primeiro. 

Sim, o primeiro príncipe veio à cidade dela passar uns dias. Trocaram mensagens, agendaram encontros e ponto. Sobe a trilha. Lá vinha toda a emoção de novo em suas devidas proporções com o forasteiro. E por mais que ela relutasse em beijá-lo, e beijá-lo, e desconfiar que ele é mesmo seu príncipe, haviam problemas: a terceira ponta desse triângulo, a imensa admiração pelo príncipe e a vergonha de tê-lo feito esperar - junto ao misto de não saber o que era o certo. 


Diz pra mim quem não tem bons sentimentos no horário nobre?

Para Ana, era indescritível a boa sensação e, ao mesmo tempo, o incômodo de estar com alguém que gostasse dela a ponto dela não merecê-lo. Um sentimento absurdo de elevar um cara para a pausa dramática, levando a um break interminável. Daí vem a questão: quando se trata de relacionamentos, os sentimentos são valores imensuráveis. Eles são simplesmente. 

Eles não custam mais ou menos e, portanto, não são medidos, conquistados ou merecidos - só cultivados. A única coisa que você conquista das pessoas é atenção. E só. E se você quer um exemplo, tem esse de dentro de sua casa: quem, afinal, merece amor de mãe (ou tia, avó)? E quem merece amar o filho (ou sobrinho, ou neto)? Sentimentos simplesmente são.

Demorou para Ana ver o príncipe como alguém com sentimento superior, mas como príncipe homem, que sente o que sente. Talvez demore para você também, enquanto faz ou recebe boas chupetinhas. No fim desse ano, tudo voltou ao início para ela: solteira desde que teve uma DR feia com o terceiro a ponto de tirá-lo de casa (nem foi por causa do outro), agora espera conquistar a atenção do príncipe. E você, quem é a pessoa certa com quem tem vontade de cultivar sentimentos?

Quem sou? Antes que me perguntem, sou Lincoln Spada, 22 anos, repórter, pós-graduando em Educação Sexual, curto chupetinhas, mas quando fala de sentimento, não espero ser o seu cara errado. Ah, Feliz Natal!


Por: Lincoln Spada
De: Santos/SP
Email: lincoln.spada@gmail.com
Imagens: TV Globo/Divulgação

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12 de novembro de 2013

[+18] A arte mais que milenar do sexo


Bem, em diferentes épocas, o ato sexual foi retratado como pecado, sacrifício, produção de herdeiros e consumação da união de famílias. Vem de poucos séculos o conceito de que o sexo deve ser relacionado especificamente a quem você quer como companhia. No livro Educando para a Vida – Sexualidade e Saúde (1996), Vagner Lapate descreve a visão de certas civilizações sobre a sexualidade. Bora?

Faz uns três mil anos que os hebreus, como povo nômade, casavam-se jovens tendo o sexo justamente fosse para procriação. Assim, a civilização estaria em grande número para enfrentar as guerras. Por causa das condições precárias de saúde, era alto o índice de mortalidade infantil, o que incentivava o caráter reprodutivo do sexo. Com elementos que futuramente resultariam no judaísmo e cristianismo, a virgindade era valorizada ao extremo, até o matrimônio. Na época, era comum que as nações submetessem os estrangeiros vencidos em combates à exploração, portanto, o homem podia ter escravas.

Durante o mesmo período, os gregos mantinham a mesma visão sobre escravas. Junto a elas, estrangeiras e órfãs deveriam se sujeitar à prostituição. Muitas dessas mulheres eram servas de templos à Afrodite: ou seja, o programa sexual seria pago em nome da deusa. Como ritual, gregos concediam banquetes com direito ao bacanal em louvor a Dionísio. Em meio à cultura machista, o então governante Demóstenes escreveu no século 4 a.C.: “As prostitutas nós conservamos pelo prazer, as concubinas para cuidar da nossa pessoa e as esposas para nos proporcionar filhos legítimos e cuidar da nossa casa”. Sentiu o clima?



Europa: do templo para quatro paredes. Já a população do Império Romano até o século 3 d.C. percebia o casamento como uma obrigação (está bem, não muito diferente de hoje em dia). É que os solteiros deveriam pagar impostos ao governo. Naquela época, qualquer um podia escolher com quem se casar, desde com consentimento paterno. Com o Império Romano em franca expansão, concretiza-se a mulher como objeto: os rapazes podem comprar e escravizar as mulheres dos povos conquistados.

A partir do comportamento de alguns romanos aderirem ao Cristianismo e também a conversão do Imperador Constantino, em 323 d.C., a mentalidade da civilização romana mudava aos poucos. A cultura da Igreja Católica de condenar a luxúria, o adultério e a poligamia passou a ser refletida na Lei. O casamento civil deveria também ser válido para o religioso. Criou-se a moralidade cristã, a ponto do imperador punir o adúltero à morte. Séculos depois, durante as Cruzadas, em nome da honra, o romano podia aprisionar a mulher com o cinto de castidade ao irem à guerra.

L'amour Courtois ou amor cortesão foi uma denominação criada por poetas e nobres franceses na Idade Média, no fim do século 11. O conceito norteou a literatura e o teatro medieval – narrativas em que a relação exigia uma etiqueta, um respeito de ambos os parceiros, tornando o amor como um sentimento transcendental. Portanto, do século 15 para o século 16, a cultura da Renascença difundia que o sexo entre as pessoas poderia além de ser reprodutivo, proporcionar prazer.



Amor, I love you. A Europa, simultaneamente, sedia a Reforma Protestante, onde surgem igrejas que reforçam o pensamento de que os pais permitam que os filhos escolham seus próprios cônjuges em nome do amor, sendo os noivos responsáveis pelo casamento. Em consequência, a traição e a prostituição, antes inevitáveis, agora eram cada vez mais recriminadas pela sociedade.

De fato, o amor como estímulo sexual faz parte do dicionário apenas no final do século 18, quando nasce o Romantismo. Tratava-se de um movimento literário, político e social em busca da verdadeira identidade, da valorização individual e do sentimento. 

Logo, diante das constantes revoluções industriais e dos avanços nos estudos científicos e tecnológicos, o século 20 foi considerado como a Idade do Amor por Morton Hunt, em The Natural History of Love. Em nenhuma fase da História, houve tantos estudos e palavras para expressar esse sentimento. Com a evolução dos meios de transporte e comunicação, é possível a globalização. Hoje, os parceiros precisam ter os números do telefone antes de namorar, revistas ensinam o leitor a beijar, casais podem em um único dia se reencontrarem no aeroporto. 

@mor, é você? É, a tecnologia também transforma os conceitos acerca da sexualidade. Então na próxima quinzena, vamos navegar nessa rede de relacionamentos em que curtimos, compartilhamos e cutucamos uns aos outros. Como os meios digitais influenciam nas nossas relações é o tema do meu próximo texto.  





Quem sou? Antes que me perguntem, sou Lincoln Spada, 22 anos, repórter, pós-graduando em Educação Sexual e não compro dotes de noivas. O texto acima, de minha autoria, também foi publicado no projeto de jornal Lente Jovem, da Universidade Católica de Santos.


Por: Lincoln Spada
De: Santos/SP
Email: lincoln.spada@gmail.com
Imagens: Bolero, de Milo Manara

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17 de setembro de 2013

[+18] Mulher que não dá, voa (ou não)

Tem quem nem ligue para o jejum, tsc tsc.

A Revista Friday estava há 11 meses sem sexo. O cubatense Márcio de Abreu está há 17 anos sem sexo. A santista Heleine Carvalho de Souza está há 23 anos sem sexo. Ou melhor, ambos, que nem a famosa Catarina Migliorini, sequer deitaram com outra pessoa. Mas, afinal, qual o problema de viver sem sexo?
“Estou esperando encontrar alguém que me faça palpitar, sabe?”, estima Márcio. Claro que seus amigos estranham sua opção, “como se eu fosse um extraterrestre”, ri. No entanto, o jovem não se vê anormal pela sua decisão, até porque respeita a doutrina que segue - a linha neopentecostal da Cristo É Resposta.
Por sua vez, Heleine já namorou alguns rapazes, até noivou, mas deseja largar o celibato só após dizer o 'sim' na Igreja. Membro da Renovação Carismática - que também adota a linha pentecostal -, ela afirma que já teve momentos de sufoco para lidar com a libido. “Às vezes, a gente tem vontade de fazer sexo. Uma vontade muito forte”. Mas controla seu instinto, ou melhor, sua humanidade.
Sexo é natural. Humanidade porque o sexo sempre esteve ligado precocemente à nossa espécie - o prazer em dividir a intimidade com outro é realmente natural. Assim, será que ainda seguir a moralidade cristã (ou de qualquer outra religião monoteísta que prega a monogamia) é não ser natural? Claro que não, é só uma cultura distinta em que essas pessoas estão satisfeitas. Por que afinal nos incomoda saber que há pessoas que valorizam de uma forma mais radical as relações amorosas? Ou vai dizer que não riu com a declaração de algum desses virgens acima?
Tudo bem, tudo bem, também é natural se você estranhar (confesso que estranho bastante). Não se encane com isso. É uma questão cultural em que nossa geração valorize mais a independência, a liberdade e o amadurecimento individual, pessoal - todos conceitos que representam o sexo na hora em que aceitamos nos entregar para outra pessoa, seja na primeira, segunda ou enésima vez.
Até a Britney fez bandeira da virgindade. Mas foi o Andy quem se guardou aos 40.
Mas não se desespere: isso não significa que estejamos errados por não esperar até o casório. Talvez nem sejamos mais imaturos ao vincular o sexo com a relação tão rápido. Sequer que os virgens por mais tempo sejam completamente caretas por não transarem mais jovens. Também eles podem até ser mais imaturos ao não experimentarem outros relacionamentos.
Enfim, realmente o que isso significa é que, nesse caso, o sexo é visto por duas perspectivas diferentes. Aqueles que só querem intimidade com a pessoa certa, e aqueles que vão procurar (ou não) outras pessoas certas. E só. Então, independente de qual lado você está, já não estranhe mais... Porque o que vale na vida não é a data de quando sentirá o alguém gozar contigo. O que vale, é ter certeza de uma boa companhia na hora do sexo.
Ser virgem é moda? Apesar do sexo ser natural, por vezes, a virgindade se tornou tendência entre os nossos antepassados. Então na próxima quinzena, vou contar melhor sobre a origem desse valor que tanto enlouquece os genros e é exaltado pelos sogros ao longo dos séculos e séculos. Ah, e antes que pergunte sobre o título dessa postagem sobre "quem dá e quem não dá", a inspiração vem da canção abaixo...



Quem sou? Vixi, esqueci de me apresentar. Sou Lincoln Spada, 22 anos, repórter, pós-graduando em Educação Sexual e já dormi de conchinha.

Por: Lincoln Spada
De: Santos / SP
Email: lincoln.spada@gmail.com
Fotos: Reprodução 



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