12 de novembro de 2013

[+18] A arte mais que milenar do sexo


Bem, em diferentes épocas, o ato sexual foi retratado como pecado, sacrifício, produção de herdeiros e consumação da união de famílias. Vem de poucos séculos o conceito de que o sexo deve ser relacionado especificamente a quem você quer como companhia. No livro Educando para a Vida – Sexualidade e Saúde (1996), Vagner Lapate descreve a visão de certas civilizações sobre a sexualidade. Bora?

Faz uns três mil anos que os hebreus, como povo nômade, casavam-se jovens tendo o sexo justamente fosse para procriação. Assim, a civilização estaria em grande número para enfrentar as guerras. Por causa das condições precárias de saúde, era alto o índice de mortalidade infantil, o que incentivava o caráter reprodutivo do sexo. Com elementos que futuramente resultariam no judaísmo e cristianismo, a virgindade era valorizada ao extremo, até o matrimônio. Na época, era comum que as nações submetessem os estrangeiros vencidos em combates à exploração, portanto, o homem podia ter escravas.

Durante o mesmo período, os gregos mantinham a mesma visão sobre escravas. Junto a elas, estrangeiras e órfãs deveriam se sujeitar à prostituição. Muitas dessas mulheres eram servas de templos à Afrodite: ou seja, o programa sexual seria pago em nome da deusa. Como ritual, gregos concediam banquetes com direito ao bacanal em louvor a Dionísio. Em meio à cultura machista, o então governante Demóstenes escreveu no século 4 a.C.: “As prostitutas nós conservamos pelo prazer, as concubinas para cuidar da nossa pessoa e as esposas para nos proporcionar filhos legítimos e cuidar da nossa casa”. Sentiu o clima?



Europa: do templo para quatro paredes. Já a população do Império Romano até o século 3 d.C. percebia o casamento como uma obrigação (está bem, não muito diferente de hoje em dia). É que os solteiros deveriam pagar impostos ao governo. Naquela época, qualquer um podia escolher com quem se casar, desde com consentimento paterno. Com o Império Romano em franca expansão, concretiza-se a mulher como objeto: os rapazes podem comprar e escravizar as mulheres dos povos conquistados.

A partir do comportamento de alguns romanos aderirem ao Cristianismo e também a conversão do Imperador Constantino, em 323 d.C., a mentalidade da civilização romana mudava aos poucos. A cultura da Igreja Católica de condenar a luxúria, o adultério e a poligamia passou a ser refletida na Lei. O casamento civil deveria também ser válido para o religioso. Criou-se a moralidade cristã, a ponto do imperador punir o adúltero à morte. Séculos depois, durante as Cruzadas, em nome da honra, o romano podia aprisionar a mulher com o cinto de castidade ao irem à guerra.

L'amour Courtois ou amor cortesão foi uma denominação criada por poetas e nobres franceses na Idade Média, no fim do século 11. O conceito norteou a literatura e o teatro medieval – narrativas em que a relação exigia uma etiqueta, um respeito de ambos os parceiros, tornando o amor como um sentimento transcendental. Portanto, do século 15 para o século 16, a cultura da Renascença difundia que o sexo entre as pessoas poderia além de ser reprodutivo, proporcionar prazer.



Amor, I love you. A Europa, simultaneamente, sedia a Reforma Protestante, onde surgem igrejas que reforçam o pensamento de que os pais permitam que os filhos escolham seus próprios cônjuges em nome do amor, sendo os noivos responsáveis pelo casamento. Em consequência, a traição e a prostituição, antes inevitáveis, agora eram cada vez mais recriminadas pela sociedade.

De fato, o amor como estímulo sexual faz parte do dicionário apenas no final do século 18, quando nasce o Romantismo. Tratava-se de um movimento literário, político e social em busca da verdadeira identidade, da valorização individual e do sentimento. 

Logo, diante das constantes revoluções industriais e dos avanços nos estudos científicos e tecnológicos, o século 20 foi considerado como a Idade do Amor por Morton Hunt, em The Natural History of Love. Em nenhuma fase da História, houve tantos estudos e palavras para expressar esse sentimento. Com a evolução dos meios de transporte e comunicação, é possível a globalização. Hoje, os parceiros precisam ter os números do telefone antes de namorar, revistas ensinam o leitor a beijar, casais podem em um único dia se reencontrarem no aeroporto. 

@mor, é você? É, a tecnologia também transforma os conceitos acerca da sexualidade. Então na próxima quinzena, vamos navegar nessa rede de relacionamentos em que curtimos, compartilhamos e cutucamos uns aos outros. Como os meios digitais influenciam nas nossas relações é o tema do meu próximo texto.  





Quem sou? Antes que me perguntem, sou Lincoln Spada, 22 anos, repórter, pós-graduando em Educação Sexual e não compro dotes de noivas. O texto acima, de minha autoria, também foi publicado no projeto de jornal Lente Jovem, da Universidade Católica de Santos.


Por: Lincoln Spada
De: Santos/SP
Email: lincoln.spada@gmail.com
Imagens: Bolero, de Milo Manara

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