30 de novembro de 2013

Conexão Canadá: A melhor coisa é poder viajar

Intercâmbios são sempre enriquecedores. Em questão de cultura, é aprender pela vivência. Além disso, como pessoa também é um crescimento de dentro para fora, na alma. Conhecer gente de lugares diferentes, estar em contato com uma língua e costumes que diferem totalmente  da sua realidade é, inicialmente, um choque, mas absurdamente prazeroso. Pessoas quando procuram viajar para estudar fora atrás dessas experiências estão preocupadas com algumas questões básicas: a priori o local que ficarão, como já havia dito no post anterior, é muito importante! Mas o que é decisivo para que o intercâmbista se interesse pelo local e se identifique com ele é, além do clima, estilo da cidade, e se tem gente bonita porque  você não aguenta mais ver gente feia nesse Brasilzão de meu Deus, são as atividades, passeios e viagens que você pode desfrutar durante sua estadia.

Em Vancouver, especificamente,  tinha atividade até não poder mais. Decidi fazer desse post um relato das minhas experiências extracurriculares, hehehe. Bom, na escola que estudei essas atividades eram oferecidas, tinha data certinha para ir com a tchurminha de lá e era pago para a administração de lá mesmo. O legal é que como muita gente ia a escola conseguia uns descontinhos interessantes. Eu acabei não participando de todas as atividades porque o preço ficava um tanto quanto salgado. As atividades mudam dependendo da estação, os brasileiros que vão para Vancouver querendo ver neve, acabam se decepcionando. Em um ano que fiquei lá só caiu neve uma vez... tudo bem que foi bastante, mas não é um lugar que neva muito, por isso é interessante fazer as atividades mais caras no verão. Nas montanhas têm neve e a paisagem é muito mais bonita nessa época, fica a dica!

Grouse Mountain 

A primeira coisa que fiz de diferente logo nos primeiros meses foi ir para a montanha ver neve. Brasileiro tem uma coisa com neve, era nítido quem era brasileiro ou não lá pela cara de bobo olhando para aquele amontoado branquinho e por vezes experimentando dar uns lambiscos no gelo para ver se era real ok eu fiz isso. Grouse Mountain, “The peak of Vancouver”, é a montanha onde a galera ia para esquiar. Era possível até comprar um ticket anual para poder esquiar o ano todo, mucho loco! A montanha fica no lado norte de Vancouver e para ir para lá é preciso pegar um Seabus. SENSACIONAL!  É tipo uma balsa, só que um milhão de vezes melhor. Você ia na estação de metrô mesmo e tinha uma via para pegar o Seabus. Os preços das passagens dependiam da zona, pois quanto mais longe do centro mais caro.
Zone
Adult Price
Concession Price
1 Zone
$2.75
$1.75
2 Zone
$4
$2.75
3 Zone
$5.50
$3.75

Essa “balsa do futuro” saia a cada 15 minutos de manhã e a cada 30 minutos de noite. Chegando do outro lado de Vancouver tinha um terminal, e de lá pegamos um ônibus que levava até a montanha.  Eu cometi o erro de não esquiar achando que voltaria lá em outra situação, afinal ficaria um ano, mas acabei não voltando #chateada.  Mas valeu a pena pela guerra épica de bolas de neve.

Hiking/ Trilha

Medo de esbarrar com um bixinho desses Foto: Camila
Hiking (fazer trilha) é uma outra atividade que os canadenses apreciam muito, principalmente acompanhado de acampamento, ursos e marshmallows para assar. Existem muitos lugares que dá para fazer trilha. Vancouver é lindo porque é um lugar que tem tudo, montanhas, praias, muita área verde e uma cidade incrível. Mesmo com  a escola levando os alunos para esses lugares, eu recebi uma proposta muito interessante de uns amigos que iriam pegar a estrada para ir nessa montanha. Para ser sincera até hoje não sei o nome do lugar, eram umas duas horas da cidade de carro. Após receber a ligação me convidando, perguntei questões básicas como o que eu devo levar  e fui me preparar para esse momento inédito na minha vida. Pensem em uma pessoa que apesar de achar interessante esportes e atividades físicas faz um bom tempo que não pratica nada. Desde que tinha chego em Vancouver tudo o que fiz foi encher o bucho de pizza de 1 dólar o pedaço e agora era a hora de colocar o corpinho para funcionar. Água e alguns petisquinhos para segurar a barra. Alô? Mas então quantas horas dura essa caminhada? Quatro! Ah Quatro, tranquilo!! Duas horas para subir e duas para descer, dá para fazer numa boa. Camila, quatro horas só de subida. Não preciso dizer que quase morri, e que não sinto minhas pernas até hoje, mas valeu a pena.  O que mais me recordo era o começo todo animado e depois andando infinitamente naquela subida eterna, e ver mães fazendo caminhada com os filhos nas costas e com um monte de equipamento para acampar e eu me perguntando por quê eu tinha começado aquilo, depois de muito tempo subindo e subindo, morrendo de medo de ver um urso, me dar conta que não era nem metade do caminho a ser percorrido. Mas ao chegar lá em cima, vi o lago mais azul da minha vida, a paisagem era coisa de outro mundo.  As montanhas ao fundo aqueles pinheiros e um monte de esquilo andando nas pedras.  Valeu a pena!
Eu brisando na paisagem, hiking experience Canada
Tentando fazer amizades, nem me deu moral
Lago mais azul que já vi na vida no filter! Foto: Camila
Tem gente louca no mundo inteiro Foto: Camila 


Victoria - BC


Butchart Gardens- jardins lindos Victoria- CA Foto:Camila
Victoria é a capital da província Colúmbia Britânica. As pessoas normalmente faziam esse passeio em dois dias com a escola, mas meus amigos resolveram ir por conta própria e fazer um bate e volta e a viagem acabou saindo mais barata por conta disso.  Para chegar lá pegamos o Skytrain, que é o Metrô de lá, depois um ônibus e depois um Ferry boat gigante. Para chegar lá levou, mais ou menos, umas três horas e meia.
Prédio Parlamentar em Victoria - CA
Victoria tinha um estilo muito mais provinciano percebido pela arquitetura do prédio parlamentar. Uma das atrações  é o Butchart Gardens, um parque com muitas flores e jardins desenhados, realmente muito bonito.





Atlanta - GA

Beijú apaixonado

Após quase seis meses sem ver meu amado, depois de muita dor de cabeça conseguimos marcar de se encontrar em Atlanta nos EUA. O Ivan é jogador de futebol e iria para lá para um campeonato. Seria ótimo ver ele, mas com o campeonato ele estaria concentrado e a gente não iria poder se ver muito. Foram quatro semanas sem saber o que iria acontecer, um dia o campeonato estava de pé, no outro havia sido cancelado, no outro o dia iria mudar. Não sabíamos se enfim iriamos nos ver ou não, a saudade martelava forte, e alguma coisa nos fazia pensar que se não conseguíssemos nos ver, não conseguiríamos continuar naquele ritmo.  Ele já tinha comprado a passagem, e os pais dele também, para assistir aos jogos. Uma das sensações mais gostosas que tive na vida foi quando ele me ligou e disse que o campeonato havia sido cancelado, mas que ele iria mesmo assim. Comprei minha passagem correndo.  Depois de muita ansiedade, vê-lo de novo foi surreal, praticamente seis meses se passaram e eu só o via no Skype. Naquele instante era como se eu tivesse quebrado a tela do meu computador, quebrado os fusos horários, ele estava ali para ser abraçado, beijado,  não dava para acreditar. Essa sensação de surrealismo perdurou aquele dia inteiro. Foram muitos passeios que fizemos, fomos no museu do Martin Luther King, no aquário, no museu Mundo da Coca-Cola, no parque de diversão de montanhas-russas  Six – Flags,  fomos em uma balada.  Foi sem dúvida a melhor viagem que já fiz. Nada se compara a estar num lugar legal com a pessoa que se ama.


Hard Rock em Atlanta, matando a saudades Foto: Camila
Seattle - DC

Seattle em Whashington DC fica à mais ou menos três horas de Vancouver de ônibus. Estudantes vão lá principalmente pelas Outlets, eu fui para conhecer a cidade. A história da minha ida à Seattle foi meio trágica, a começar que eu fui sem nenhuma companhia, já que todos os meus amigos já tinham ido. Isso não me incomodou muito, queria ir de qualquer jeito. Essa seria minha última viagem antes de voltar para o Brasil. Eu tenho um problema organizacional sério, e apesar de todos os preparativos que fiz na noite anterior, deixei um detalhe importante escapar. No dia seguinte acordei cedinho e ainda estava escuro, peguei a Canadaline (Metrô) e fui para o centro onde pegaria o ônibus que me levaria para Seattle, toda meiga e abusada. Chegando lá fui para a Starbucks em frente ao ponto combinado pegar um latte para aquecer a alma enquanto esperava o ônibus. Chegando em Seattle o tempo estava meio nublado, mas nada abalaria minha viagem, me dirigi ao museu que visitaria seguindo o meu itinerariozinho montado no dia anterior. Para a minha surpresa o meu cartão não passou quando fui comprar o ticket, o atendente me sugeriu retirasse dinheiro de uma caixa que tinha numa rua ao lado, sim, eu não tinha dinheiro comigo, só o cartão. Tentativa número um:  o seu cartão está bloqueado. Impossível! Tentativa número dois, três, quatro.. maquinha 10 Camila 0. Voltei ao museu com cara de derrotada e disse que não estava conseguindo sacar. O moço viu minha carinha de chateada e deixou eu entrar de graça UHUL.  Mas a preocupação ainda batia na portinha do meu coração. Saindo do Museu ainda tinha um monte de coisas que queria fazer e precisava de dinheiro, só estava com o latte que tinha tomado antes de ir no estômago e o ônibus só voltaria dali cinco horas. Tentei em máquinas diferentes, tentei em um supermercado, tentei em todos os lugares e não, o seu cartão não vai passar hoje querida. Eu ainda estava sem celular e não conseguia contatar ninguém da casa que eu estava nem nenhum amigo, nem meu banco. QUEM PODERÁ ME AJUDAR??  O Ivan ( namorado) Colorado, é claro! E mais uma vez liguei chorando para ele me socorrer via Nextel, ai Ivan fofinho.  Ele ligou para o meu banco e explicou a situação e me ligou de novo explicando que eu deveria ligar no meu banco através de um telefone público porque eles não poderiam passar informações a mais ninguém. Ligando no banco fui aconselhada a da próxima vez que deixasse o país avisar para que o cartão não fosse bloqueado novamente, CABEÇÃO!  A moça, após confirmar que eu era realmente a dona do cartão, me deu vinte minutos para sacar tudo o que eu precisava antes de  ter o cartão bloqueado novamente. Assim consegui aproveitar o resto do passeio.
Parade de cheio de chicletes/Seattle Foto: Camila

Apesar de alguns perrengues tudo acabou dando certo! Ah que saudades de viver no  Canadá!

Por: Camila Trama
De: São Paulo - SP
Email: camila.trama@hotmail.com

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