Intercâmbios são sempre enriquecedores. Em questão de cultura, é
aprender pela vivência. Além disso, como pessoa também é um crescimento de
dentro para fora, na alma. Conhecer gente de lugares diferentes, estar em
contato com uma língua e costumes que diferem totalmente da sua realidade é, inicialmente, um choque,
mas absurdamente prazeroso. Pessoas quando procuram viajar para estudar fora
atrás dessas experiências estão preocupadas com algumas questões básicas: a priori o local que ficarão, como já havia dito no post anterior, é muito importante! Mas
o que é decisivo para que o intercâmbista se interesse pelo local e se
identifique com ele é, além do clima, estilo da cidade, e se tem gente bonita porque você não aguenta mais ver gente feia nesse
Brasilzão de meu Deus, são as atividades, passeios e viagens que você pode
desfrutar durante sua estadia.
Em Vancouver, especificamente,
tinha atividade até não poder mais. Decidi fazer desse post um relato
das minhas experiências extracurriculares, hehehe. Bom, na escola que estudei essas
atividades eram oferecidas, tinha data certinha para ir com a tchurminha de lá
e era pago para a administração de lá mesmo. O legal é que como muita gente ia
a escola conseguia uns descontinhos interessantes. Eu acabei não participando
de todas as atividades porque o preço ficava um tanto quanto salgado. As
atividades mudam dependendo da estação, os brasileiros que vão para Vancouver
querendo ver neve, acabam se decepcionando. Em um ano que fiquei lá só caiu
neve uma vez... tudo bem que foi bastante, mas não é um lugar que neva muito,
por isso é interessante fazer as atividades mais caras no verão. Nas montanhas
têm neve e a paisagem é muito mais bonita nessa época, fica a dica!
Grouse Mountain
A primeira coisa que fiz de diferente logo nos primeiros meses foi ir
para a montanha ver neve. Brasileiro tem uma coisa com neve, era nítido quem era brasileiro ou não lá pela
cara de bobo olhando para aquele amontoado branquinho e por vezes
experimentando dar uns lambiscos no gelo para ver se era real ok eu fiz isso.
Grouse Mountain, “The peak of Vancouver”, é a montanha onde a galera ia para
esquiar. Era possível até comprar um ticket anual para poder esquiar o ano
todo, mucho loco! A montanha fica no lado norte de Vancouver e para ir para lá
é preciso pegar um Seabus. SENSACIONAL!
É tipo uma balsa, só que um milhão de vezes melhor. Você ia na estação
de metrô mesmo e tinha uma via para pegar o Seabus. Os preços das passagens
dependiam da zona, pois quanto mais longe do centro mais caro.
Zone
|
Adult Price
|
Concession Price
|
1 Zone
|
$2.75
|
$1.75
|
2 Zone
|
$4
|
$2.75
|
3 Zone
|
$5.50
|
$3.75
|
Essa “balsa do futuro” saia a cada 15 minutos de manhã e a cada 30
minutos de noite. Chegando do outro lado de Vancouver tinha um terminal, e de lá
pegamos um ônibus que levava até a montanha. Eu cometi o erro de não esquiar achando que
voltaria lá em outra situação, afinal ficaria um ano, mas acabei não voltando
#chateada. Mas valeu a pena pela guerra
épica de bolas de neve.
Hiking/ Trilha
| Medo de esbarrar com um bixinho desses Foto: Camila |
Hiking (fazer trilha) é uma outra atividade que os canadenses apreciam
muito, principalmente acompanhado de acampamento, ursos e marshmallows para
assar. Existem muitos lugares que dá para fazer trilha. Vancouver é lindo
porque é um lugar que tem tudo, montanhas, praias, muita área verde e uma
cidade incrível. Mesmo com a escola
levando os alunos para esses lugares, eu recebi uma proposta muito interessante
de uns amigos que iriam pegar a estrada para ir nessa montanha. Para ser
sincera até hoje não sei o nome do lugar, eram umas duas horas da cidade de
carro. Após receber a ligação me convidando, perguntei questões básicas como o
que eu devo levar e fui me preparar para
esse momento inédito na minha vida. Pensem em uma pessoa que apesar de achar
interessante esportes e atividades físicas faz um bom tempo que não pratica
nada. Desde que tinha chego em Vancouver tudo o que fiz foi encher o bucho de
pizza de 1 dólar o pedaço e agora era a hora de colocar o corpinho para
funcionar. Água e alguns petisquinhos para segurar a barra. Alô? Mas então
quantas horas dura essa caminhada? Quatro! Ah Quatro, tranquilo!! Duas horas
para subir e duas para descer, dá para fazer numa boa. Camila, quatro horas só
de subida. Não preciso dizer que quase
morri, e que não sinto minhas pernas até hoje, mas valeu a pena. O que mais me recordo era o começo todo
animado e depois andando infinitamente naquela subida eterna, e ver mães
fazendo caminhada com os filhos nas costas e com um monte de equipamento para
acampar e eu me perguntando por quê eu tinha começado aquilo, depois de muito
tempo subindo e subindo, morrendo de medo de ver um urso, me dar conta que não
era nem metade do caminho a ser percorrido. Mas ao chegar lá em cima, vi o lago
mais azul da minha vida, a paisagem era coisa de outro mundo. As montanhas ao fundo aqueles pinheiros e um
monte de esquilo andando nas pedras.
Valeu a pena!
| Eu brisando na paisagem, hiking experience Canada |
| Tentando fazer amizades, nem me deu moral |
| Lago mais azul que já vi na vida no filter! Foto: Camila |
| Tem gente louca no mundo inteiro Foto: Camila |
Victoria - BC
| Butchart Gardens- jardins lindos Victoria- CA Foto:Camila |
Victoria é a capital da província Colúmbia Britânica. As pessoas
normalmente faziam esse passeio em dois dias com a escola, mas meus amigos
resolveram ir por conta própria e fazer um bate e volta e a viagem acabou saindo
mais barata por conta disso. Para chegar
lá pegamos o Skytrain, que é o Metrô de lá, depois um ônibus e depois um Ferry boat
gigante. Para chegar lá levou, mais ou menos, umas três horas e meia.
| Prédio Parlamentar em Victoria - CA |
Victoria tinha um estilo muito mais provinciano percebido pela
arquitetura do prédio parlamentar. Uma das atrações é o Butchart Gardens, um parque com muitas
flores e jardins desenhados, realmente muito bonito.
Atlanta - GA
| Beijú apaixonado |
| Hard Rock em Atlanta, matando a saudades Foto: Camila |
Seattle - DC
Seattle em Whashington DC fica à mais ou menos três horas de Vancouver
de ônibus. Estudantes vão lá principalmente pelas Outlets, eu fui para conhecer
a cidade. A história da minha ida à
Seattle foi meio trágica, a começar que eu fui sem nenhuma companhia, já que
todos os meus amigos já tinham ido. Isso não me incomodou muito, queria ir de
qualquer jeito. Essa seria minha última viagem antes de voltar para o Brasil.
Eu tenho um problema organizacional sério, e apesar de todos os preparativos
que fiz na noite anterior, deixei um detalhe importante escapar. No dia
seguinte acordei cedinho e ainda estava escuro, peguei a Canadaline (Metrô) e
fui para o centro onde pegaria o ônibus que me levaria para Seattle, toda meiga
e abusada. Chegando lá fui para a Starbucks em frente ao ponto combinado pegar
um latte para aquecer a alma enquanto esperava o ônibus. Chegando em Seattle o
tempo estava meio nublado, mas nada abalaria minha viagem, me dirigi ao museu
que visitaria seguindo o meu itinerariozinho montado no dia anterior. Para a
minha surpresa o meu cartão não passou quando fui comprar o ticket, o atendente
me sugeriu retirasse dinheiro de uma caixa que tinha numa rua ao lado, sim, eu
não tinha dinheiro comigo, só o cartão. Tentativa número um: o seu cartão está bloqueado. Impossível!
Tentativa número dois, três, quatro.. maquinha 10 Camila 0. Voltei ao museu com
cara de derrotada e disse que não estava conseguindo sacar. O moço viu minha
carinha de chateada e deixou eu entrar de graça UHUL. Mas a preocupação ainda batia na portinha do
meu coração. Saindo do Museu ainda tinha um monte de coisas que queria fazer e
precisava de dinheiro, só estava com o latte que tinha tomado antes de ir no
estômago e o ônibus só voltaria dali cinco horas. Tentei em máquinas
diferentes, tentei em um supermercado, tentei em todos os lugares e não, o seu
cartão não vai passar hoje querida. Eu ainda estava sem celular e não conseguia
contatar ninguém da casa que eu estava nem nenhum amigo, nem meu banco. QUEM
PODERÁ ME AJUDAR?? O Ivan ( namorado)
Colorado, é claro! E mais uma vez liguei chorando para ele me socorrer via
Nextel, ai Ivan fofinho. Ele ligou para
o meu banco e explicou a situação e me ligou de novo explicando que eu deveria
ligar no meu banco através de um telefone público porque eles não poderiam
passar informações a mais ninguém. Ligando no banco fui aconselhada a da
próxima vez que deixasse o país avisar para que o cartão não fosse bloqueado
novamente, CABEÇÃO! A moça, após
confirmar que eu era realmente a dona do cartão, me deu vinte minutos para
sacar tudo o que eu precisava antes de
ter o cartão bloqueado novamente. Assim consegui aproveitar o resto do
passeio.
![]() |
| Parade de cheio de chicletes/Seattle Foto: Camila |
Apesar de alguns perrengues tudo acabou dando certo! Ah que saudades de
viver no Canadá!
Por: Camila Trama
De: São Paulo - SP
Email: camila.trama@hotmail.com
















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