#05: Visibilidade Trans

Confira na capa do mês de fevereiro da Revista Friday, uma entrevista sobre os desafios de uma pessoa trans, com a ativista LGBT Rebecka de França.

INTERNET: Mudanças, tecnologia e Google+

Confira algumas mudanças que o google+ realizou para agradar os usuários.

Conexão Canadá: Vancity- The Journey begins

Camila Trama nos conta um pouco de seu intercâmbio em alguns lugares do Canadá.

CINEMA: Sassy Pants

Rebeldia, insatisfação e as paixões fazem parte do cotidiano de todos os adolescentes, confira a resenha do filme Sassy Pants.

VITRINE: O universo feminino de Isadora Almeida

Inspirada por ilustrações de moda, estamparia e coisas que vê por aí, conheça o trabalho da ilustradora mineira Isadora Almeida.

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1 de março de 2014

Conexão Califórnia: Memorial Day | México, aí vamos nós!

Ninguém nem se atenta ao significado do feriado Memorial Day, mas é uma das datas mais esperadas pelos americanos para aquele descanso prolongado. Destinos favoritos: L.A, Vegas e Arizona, mas no meu caso seria BEM diferente de tudo isso. Em um dia de aula pré-feriado, nosso professor de Business Law, Dana, fez uma enquete para saber qual seria o destino da galera. Ao questionar para o meu amigo Thomas, da Suécia, que eu cismava que era da Suíça, minha amiga Turca, Tugba, respondeu de prontidão: MÉXICO! A sala caiu na gargalhada e o Thomas aceitou sem hesitar e, como se não bastasse, ainda gritou: A Miami (apelido carinhoso que ganhei depois do festival cinco de mayo) também vai! Quem seria louca de recusar alguns dias no México?

San Diego faz divisa com Tijuana, no entanto, a faculdade não recomenda uma viagem por lá, pois o local é bastante perigoso! Minha amiga Tugba tinha uma amiga que havia conhecido em sua temporada em Londres, e morava em Ensenada, uma cidade depois de Tijuana, aparentemente mais tranquila. Já com destino fechado, compramos as passagens de ônibus, pegamos uma autorização com a UCSD para cruzar a fronteira e reservamos o hotel pela internet. Fizemos tudo da forma mais econômica.




Já em Tijuana, nós tínhamos que achar a empresa de ônibus que levava para Ensenada e, se não fosse o meu portunhol, não chegaríamos lá! O pessoal da fronteira NÃO fala inglês, foi tenso, mas conseguimos embarcar nesse carrossel, só que não! O ônibus não tinha ar condicionado, estava imundo e fedia demais! Nisso eu fui a viagem toda dura na poltrona fazendo de tudo para não encostar minha cabeça no banco! Minha amiga turca começou a rachar o bico ao ver minha situação e falou: você também está com medo de pegar piolho ou algo assim? Hahahaha. No fim das contas, foi engraçado as duas tentando sem sucesso achar uma posição na poltrona. Chegando lá, mais um obstáculo: onde fica o hotel? Falei com metade dos funcionários da rodoviária e NENHUM deles sabia onde era a rua e já pensei que tínhamos reservado um hotel fantasma!! O jeito foi olhar o mapa e, para nossa surpresa,  a rua ficava super perto de onde estávamos.

 A fachada do hotel não era muito parecida com a do site, mas nunca imaginei que poderia ficar muito pior quando entrasse. O quarto parecia um cortiço abandonado, sujo, encardido, tinha ‘sangue’ na cortina, agora vai da imaginação de cada um imaginar de onde tinha vindo este sangue hahaha. O banheiro então, “minha nossa senhora”, tinha um lodo ou sei lá o que não identificado na torneira do chuveiro, e eu já comecei a me coçar toda e falar que não dormiria ali nem em sonho! Os meus amigos também ficaram chocados e bateu maior desânimo! A solução foi ligar para a amiga da Tugba e pedir que ela nos resgatasse desse inferninho!

O recepcionista do hotel ainda tentou nos animar falando que tinha uma galera na piscina e, chegando lá, tinham 4 meninas e mais nada! Sem contar umas focas 'gritando' bem na beirada do nosso hotel, um desastre gente! Resolvemos ir pra praia, MAS ficava a uns 20 quarteirões de onde estávamos, uma tristeza só! Em meio a essa zica toda resolvemos comer alguma coisa e, PARA MIIIINHA ALEGRIIIIIIA, encontramos uma churrascaria brasileira! Pronto, comi, bebi caipirinha com pitu e 'côco loco’ e a noite foi sensacional! A Ariadne, amiga da Tugba, nos encontrou no restaurante e achou um novo hotel, na principal rua das festas e restaurantes da cidade a 'Calle Once' e foi só alegria a partir disso!! Vamos dizer que fiquei na Faria Lima ou Vl. Madalena do México!!!!

Nessa mesma noite, nós fomos a várias baladas diferentes! Lá funcionava assim: você entra na balada, pede sua bebida e já paga, fica o quanto quiser e vai embora! A única coisa ruim é ter que andar com dinheiro, eles não aceitam cartão! Mas fora isso, você pode migrar de bar em bar, de mesa em mesa e conhecer os diferentes ritmos ! Em uma das baladas mais top, a Lutz, estava vazio na sexta, só eu e meus amigos! Já no sábado, não tinha nem como andar lá! O pessoal é bem bonito, viu? As meninas fazem umas maquiagens sensacionais e os homens são bem estilo ‘Carlos Daniel’, me senti na novela A Usurpadora, Maria la del Barrio e por ai vai! hahahahahaha. Bebi a melhor tequila e Margarita da minha vida nesses lugares! A cerveja era boa também, melhor que da Califórnia, super recomendo a Tecate. Fomos também em um lugar chamado Gallery, onde tocava rock, mas o mais legal era  banda de uns meninos novinhos tocando música típica também!! Arrepiei!!!





No outro dia fomos conhecer a cidade, dar umas volta e depois ir para La Bufadora! De acordo com o Google, La Bufadora é um gêiser localizado na Península Puta Banda, na Baja Califórnia! No mundo só existem 2 desses e eu tive o prazer de conhecer! A natureza é mesmo incrível!!!!! Tipo, a pressão do ar em um buraco embaixo d'água faz com a água seja lançada a não sei quantos metros de altura, é animal!! Tomei um banho lá, mas já vale a experiência. Este lugar é cheio de lojinhas, espaços para comer, vale muito a pena conhecer! Acho que foi um dos momentos mais bonitos da minha vida!













O lugar é incrível, com pessoas receptivas, comida muito boa, bebida sensacional! Uma das viagens mais engraçadas e top que já fiz, apesar de todos os perrengues! Às vezes é bom fugir de roteiros turísticos e conhecer lugares como este. 



Aquele abraço!


Por: Mayara Camilo
De: São Paulo - SP


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22 de fevereiro de 2014

Conexão Califórnia: Cinco de mayo, aiaiaiaiaiiii…

Meu período de intercâmbio foi de março a setembro; logo, aproveitei o verão californiano e tive a oportunidade de ir num festival incrível: Cinco de Mayo, que acontece em Oldtown, naquele lugar que contei onde se concentram os melhores restaurantes mexicanos. Essa festa já rola desde 1983, acontece nos dias 4 e 5, e tem atração para todas as idades. Além dos restaurantes tradicionais da região, você se depara com uma imensidão de barraquinhas com comida típica, bebidas, artesanato e cultura mexicana por todos os lados. A alegria das danças, músicas contagiantes dos Mariachis (que me arrancaram lagriminhas de tão lindo) e um colorido mágico dos trajes, fez com que me sentisse em casa e que o sangue latino fervesse dentro de mim! Não só eu, mas meus amigos de Taiwan, Turquia, Suécia e até mesmo americanos entraram na dança e fizeram bonito. Uma festa regada a muita tequila, cerveja Corona e tchetchererê. Sim, Gustavo Lima e você, foi umas das músicas mais tocadas no festival.











Mas na segunda-feira, 6 de maio, ainda em clima de festa, nunca poderia imaginar o que me aguardava. Não acordei muito bem nesse dia, mas eu tinha gosto de ir para a faculdade e nem isso me faria ficar em casa. Além disso, eu tinha uma série de entrevistas para realizar por conta de um projeto de pesquisa. Assim que fui entrevistar uma professora, junto com a minha amiga indiana Neha, tive que sentar, pois o mal-estar veio muito forte. Nesse momento comecei a sentir cólicas muito fortes e, um professor que seria entrevistado logo em seguida, teve que me socorrer. Minha amiga Christina e Aya seguiram junto comigo para o Scripps Memorial Hospital, onde o atendimento foi de imediato. Em menos de 10 minutos eu já havia sido levada para uma sala, medicada, feito exame de sangue e lavada para uma série de outros exames. 

Eu fiquei pasma com a agilidade, eficiência, atenção e educação que recebi de TODOS profissionais de saúde. Com o passar do tempo, mais amigas minhas foram chegando no hospital para me distrair e tranquilizar enquanto o resultados dos exames não chegava. Como já era tarde e tinha aula cedo no outro dia, insisti para que fossem embora e que eu daria notícias se precisassem, mas no momento em que elas haviam deixado a sala, o médico entrou e disse logo de cara: você tem um cisto hemorrágico de 8 cm no ovário, não sabemos se está torcido com o seu ovário direito e faremos o possível para preservá-los.

Meu primeiro pensamento foi: FO***! Liguei na hora chorando para as minhas amigas voltarem, por que eu iria para o centro cirúrgico logo mais. Receber a notícia não foi a pior parte, mas sim ter que ligar para os meus pais no Brasil e falar que eu estava prestes a morrer, hahaha adoro um drama! Brincadeira a parte, eu tive que engolir o choro e falar da forma mais amena possível. Lembro que minha mãe pedia desesperada para adiar a cirurgia, mas não era possível, sem contar que ela ainda estava no processo de retirada de passaporte. Eu não tinha opção a não ser fazer a cirurgia e rezar para que tudo desse certo. Com todas essas histórias de erros médicos, que cortam a perna errada, extraem o órgão errado, eu ficava orientando o médico que o corte era do lado direito... hahahahahaha. Esses foram alguns dos resultados do meu medo, sem contar que já na mesa de cirurgia eu pedia insistentemente para o anestesista não me deixar morrer. Ele, muito carinhoso, sorriu e me dopou.

Depois de momentos de aflição, acordei com dois amigos meus no quarto, cantando Gangster Paradise (um dos hits da volta do festival cinco de mayo hahaha) e tirando fotos de mim, belamente descabelada e grogue na cama! Vai dizer que não é uma lembrança animal? Hahahaha. Para espanto de muitos, não atrasei nenhum trabalho ou lição de casa e em uma semana já estava indo normalmente para a faculdade. Um mês depois eu já estava caindo no samba, ainda que contra a orientação médica, que recomendou 6 meses de recuperação. 

Passado tudo isso começaram a chegar contas e mais contas do hospital, totalizando $ 39.000,00 dólares. Eu só tinha uma coisa na cabeça: fali meu pai! Mas achava tudo aquilo muito estranho, pois eu havia fechado junto com o meu curso o seguro saúde da faculdade, que dá cobertura 100% em casos como o meu. Depois de investigar, vi que era falta de comunicação entre o seguro saúde da faculdade e o hospital, que demorou alguns meses para ser resolvido por conta de análise dos serviços prestados pelo Scripps Memorial. 
Dica: nunca viagem sem um seguro saúde! Existem seguros aqui no Brasil, mas eu recomendo que você feche o seguro oferecido pela faculdade.

Aquele abraço!

Por: Mayara Camilo
De: São Paulo - SP


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15 de fevereiro de 2014

Conexão Califórnia: A primeira festinha a gente nunca esquece!

Brasileiro que é brasileiro adora uma comemoração e eu já estava com comichão para saber como seriam as de lá. A minha amiga de Taiwan, Christina, reuniu toda a galera para celebrar seu aniversário em um japonês (nhamiii) chamado Blue Fusion e depois partir para as bebidinhas em seu apê. Esse restaurante fica no estacionamento do UTC Mall, um shopping que batia cartão por ser do lado do condomínio Costa Verde e pertíssimo da faculdade. Vale a pena conferir as lojas com marcas super bacanas, praça de alimentação variada e também a pista de patinação no gelo.






A aniversariante optou pelo dress code preto e vermelho, e o mais divertido foi que todo mundo entrou no clima. Super recomendo esse restaurante com sistema a La carte, muito gostoso e com nomes dos pratos muito divertidos como: hot hot, ex-boyfriend, ex-girlfriend, entre tantos outros que renderam piadas ao longo do jantar. O mais interessante foi degustar comida japonesa ao lado das minhas amigas japonesas,  Aya e Naho, em que elas pediam as coisas mais excêntricas, explicavam os pratos e ainda se divertiam com as caras e bocas que fazia quando algo não caia muito bem! 






No apê da Christina iniciaram os trabalhos com muita vodka e suco de laranja! Sim, eles adoram essa mistura! O problema não é nem a mistura, são os sucos de laranja com gosto de remédio que estragam um pouco, mas a gente faz aquele esforço e se diverte. Não rola tanta música, o pessoal curte mesmo ficar trocando ideia ou fazendo algum tipo de brincadeira. No meu caso eu já logo lancei um arrocha e um samba hahaha. Ta aí a melhor oportunidade para conhecer gente nova e treinar o inglês. Dica importantíssima: falem inglês o tempo todo, mesmo que você esteja em uma roda com brasileiros. É falta de educação falar sua língua quando pessoas de outras nacionalidades estão no mesmo lugar, às vezes pode parecer uma fofoca ou insulto, então o melhor é praticar mesmo.

Minha segunda comemoração foi em um restaurante chinês. Existe um bairro em San Diego chamado Convoy e lá existe a maior concentração de restaurantes e mercados japoneses e chineses, é como se fosse o bairro da Liberdade. Esse encontro foi organizado pela minha amiga Christina junto com o Michael, nativo de Chicago, mas que havia mudado para SD por conta do emprego. Eles criaram um grupo chamado ‘San Diego International Club’, super organizado, com pessoas de todo lugar do mundo, de outros cursos da faculdade. Lembro que eles criaram etiquetas com o nome de todo mundo e faziam as pessoas trocarem constantemente de lugar para se conhecerem melhor. Interação e integração eram as palavras de ordem! O encontro foi sensacional, com direito a muitos sake bomb, cerveja japonesa, comida ULTRA apimentada! O Spicy House é um lugar muito gostoso para aqueles que encaram e curtem pimenta, acho digno conhecer um lugar desses e ter contato com diferentes culturas, esse é um dos maiores aprendizados de um intercambista.






Não deixe de ir em nada, nem que seja um convite para ir em uma sorveteria, o que importa é viver intensamente essa experiência. Aliás, isso me faz lembrar que lá os sorvetes são incrivelmente gostosos. As paradas obrigatórias são: Baskin n Robbins, com direito ao sorvete de bolacha Oreo e chocolate penaut butter Reese’s da Hershey’s. Cold Stone (igual a que temos aqui em Moema), localizado em La Jolla, pertinho da faculdade, Baked Bear, na minha praia querida Pacific Beach, com um sanduiche de sorvete, em que você escolhe cookie e o recheio de sorvete do sabor que quiser! Aproveitem para pedir o cheesecake de morango com cookies de m&m’s, dos deuses!

Outro lugar que vocês não podem deixar de ir é na Cheesecake Factory. Além da variedade de pratos incríveis, os melhores que já comi, você tem ao seu alcance o mundo encantado dos melhores cheesecakes! O preço é meio salgado e o lugar está sempre cheio, com fila de espera, mas prometo que será recompensador. 




Outro lugar bacana para comer fica em frente ao estacionamento do UTC Mall, em uma praça de alimentação super legal, onde tem o Sammy’s com as melhores opções de pizza e massa! Por último, para você que não vive sem comida brasileira, aliás faz uma falta danada, tem um restaurante gostosinho em Pacif Beach (vocês já perceberam que amo esse lugar, né?) chamado Latin Chef com direito ao nosso arroz e feijão de cada dia, brigadeiro, guaraná Antartica e açaí! Além disso, eles também servem comida peruana.





Esses são só alguns dos lugares que entraram de vez para minha lista de melhores lugares para comer na Califa! Se tiverem alguma dúvida, é só perguntar! ;)

Aquele abraço!


Por: Mayara Camilo
De: São Paulo - SP
Email: email, pode ser um pessoal

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8 de fevereiro de 2014

Conexão Califórnia: Peguei as malas e parti...

A despedida dos amigos foi bem do jeito que eu gosto: muita música sertaneja e alegria! 



Mas no aeroporto o bicho pegou e chorei  como uma criança! Fui  assim até a sala de embarque e só parei mesmo quando entrei no avião e fui acalmada pela Elizabeth. Ela era de Dallas, Texas, onde meu avião faria conexão; além disso, ela havia passado uma temporada no Brasil a negócios. O bom é que fui arranhando o meu inglês enferrujado e me distraindo na longa viagem de 8 horas! Dormi, acordei, fui ao banheiro umas 8 vezes, comi, dormi de novo, e a ansiedade a milhão estava me matando! O aeroporto de Dallas é sensacional, enorme e organizado. Graças a Deus que a Elizabeth me auxiliou com todos os processos da minha conexão e sou grata por toda ajuda dela nesses primeiros passos em terra estrangeira. 





Já no voo de 2 horas para San Diego, me sentei ao lado de Jessica, natural de Dallas, e que estava indo para o casamento de uma amiga. Do outro lado tinha a Amelia, uma argentina que iria visitar o avô em San José.  Senti que sofri bullying pela Amelia e tive o gostinho de como seria quando chegasse em San Diego, só por que não tinha o estereótipo de morena e ‘bunduda’ hahahahaha. Até quando as pessoas vão pensar que o Brasil só é feito de ‘bunda’?!

Ah, não contei para vocês, mas optei por ficar em casa de família! Quando você fecha o curso, existem várias agências de acomodação que oferecem opções como: hotel, que é  bem caro, mas o legal é que fica  perto da faculdade; tem também dormitório na faculdade, que você divide o quarto com mais uma ou duas pessoas desconhecidas, mas pelo menos está dentro do campus da faculdade. Uma das opções mais escolhidas pelos alunos estrangeiros é o condomínio conhecido como Costa Verde, que é como se fosse uma espécie de república e onde acontecem as famosas festas tipicamente americanas, aquelas  que aparecem nos filmes americanos, com copos vermelhos de papel e por aí vai!  Você chega a dividir um apartamento com sala, 2 quartos, banheiro, cozinha e ‘lavanderia’ com 3 à 4 pessoas desconhecidas, muitos deles alunos estrangeiros ou estudantes de outros Estados. Existem várias agências especializadas para qualquer tipo de acomodação, você pode pedir o contato para a faculdade e com certeza eles indicarão empresas de confiança.

Dividir o quarto ou apartamento é de fato a opção mais barata, porém optei por ficar 1 mês em uma casa de família e ver como seria minha adaptação. Lá eu tinha direito ao café da manhã e jantar, o que é bem bacana já que você passa praticamente o dia todo na faculdade. Minha host family eram o Joe, um senhor super simpático, já um pouco debilitado pelo peso, idade e péssimos hábitos do American Way of Life, enquanto sua mulher, Irene, uma típica italiana  (hahaha acho que não deve dizer isso também), super ativa, barulhenta e um pouco surda.



Mas antes mesmo de conhecê-los, as amigas da Irene, Mary e Fátima (não deve ser o nome dela, mas algo me diz que pode ser esse hahaha) foram me buscar no aeroporto, já que a Irene e Joe estavam trabalhando como guias de um grupo que haviam desembarcado de um cruzeiro em San Diego. Elas já eram bem velhinhas e me surpreendeu a Mary ainda dirigir! Lembro de encontrar a possível ‘Fátima’ e, ao sair do aeroporto, me peguei hipnotizada olhando para aquele céu azul. Um azul que jamais imaginei que pudesse existir, o meu tom de azul, pintado de liberdade. 

Elas me deixaram em casa, entregaram as chaves, mostraram o banheiro e meu quarto. Mary havia prometido me levar para jantar, então eu teria algumas horas para digerir tanta informação e novidade. Minha host family foi bem fofa e deixaram um recado de boas vindas na minha porta, aquilo pareceu um abraço apertado que eu estava precisando.



A primeira coisa que fiz? Abrir minha mala e chorar sem parar! Meu celular e computador já estavam praticamente sem bateria e é claro que eu não tinha o adaptador. Falei rapidamente com meus pais, irmão e minha cachorrinha Florzinha e fui jantar com a Mary. Pronto, meu sonho finalmente estava se realizando e não havia sensação melhor que aquela.




Eu fui com alguns dias de antecedência até para me habituar com o transporte, onde ficavam lugares estratégicos como farmácia, correio, supermercado, hospital, entre outros. Eu morava no bairro de Clairemont, uns quinze minutos do cruzamento da Balboa Avenue com a Genesee, onde ficava o meu ponto de ônibus. Esse bairro é bem família, meia hora da faculdade, super perto de Mission Bay onde você pode fazer canoagem, entre outras atividades aquáticas, e que estava coladinha da minha praia favorita, Pacific Beach. Depois eu conto melhor as histórias mais memoráveis destes lugares, mas já aviso que são paradas obrigatórias se for visitar San Diego.

Mas o que fazer nesses dias livres? Minha host mom me deu um mapa com todas as linhas de ônibus, me passou o valor do passe e disse os lugares que eu poderia visitar! Peguei minha coragem e parti hahahaha. Primeira parada: Oldtown! Para você que ama a cultura mexicana (assim como eu), sem dúvidas vai pirar quando chegar na parte mais ‘chicana’ de San Diego. Lá se concentra os melhores restaurantes, festivais e toda história de como SD se tornou parte da Califórnia! Tem uma espécie de museu misturado com comércio, com algumas reconstruções da época, pois muitas sofreram incêndio, retratando toda a história da revolução. Tem também uma casa assombrada para os corajosos, mas felizmente o meu lado medrosa não permitiu que fizesse esse tour macabro hahahaha! Vale muito a pena passar uma tarde lá, ou várias rs, e uma dica: almocem no restaurante Fred’s, peçam o combo 6, que são tipicamente 3 panquecas nos sabores carne, queijo e frango, além do arroz e feijão preto,  e bebam aquela Corona gelada com limão! Minhas lombrigas agradeceram! Hahahaha










Tentei ir pra Downtown nesse dia, no Trolley, uma espécie de trem , mas eu cheguei a descer  e não fazia ideia de como andar por lá, então resolvi voltar para casa e  ir com um amigo outro dia. 

Mas a espera acabou e o grande dia havia chegado! Lá estava eu indo pegar o 41 bus, ônibus que me levava pra praticamente todos os lugares. O mais engraçado é o que o mesmo frio na barriga que sentia ao ir pra escola no primário, eu senti na UCSD, mas posso dizer que ali, no ponto da Balboa com a Genesee, eu ia ter meu primeiro presente. Sentei no banquinho e haviam duas orientais do meu lado, e eu, muito inquieta, olhava para um lado e para o outro tentando puxar papo! Depois de muito pensar, puxei papo com a possível japonesa do meu lado esquerdo e, para a minha sorte, ela iria frequentar o mesmo curso que eu: Business Management. A Aya, 27 anos, natural do Japão, já estava há seis meses na California estudando inglês e conhecia muito bem o campus da faculdade e a parte do Extension, reservada apenas para alunos estrangeiros. Fui tagarelando com ela o caminho todo e já me sentia em casa. Acho que o meu lado Relações Públicas falou mais alto e “falei mais que a boca” 

Chegando na faculdade não foi diferente: conversei com todos, era só sorrisos, coloquei apelido nas pessoas, achei que fosse explodir de tanta felicidade... Pois é, coisas que só os brasileiros sabem fazer! A única que não me recepcionou muito bem foi a brasileira da minha sala, mas depois que a conheci de verdade vi que ela era super tímida e acabou se tornando uma das pessoas mais especiais e importantes nessa minha trajetória! Todo mundo tinha que sentar em duplas e apresentar o amigo e, obviamente, sentei com a Aya e aí que começaram as gozações por que nós falamos: ‘this is Aya and this is Maya’, tanto que pelo resto dos curso as pessoas se confundiam e riam desse primeiro dia! Lembro que depois de entregarem a lista de livros e cronograma de aulas, fizemos um tour pelo campus gigante. Nesse primeiro dia grudei na Christina, de Taiwan, Aya e Naho, do Japão, e a monitora queria nos matar, pois mais dávamos risadas do que acompanhávamos o resto do grupo. Desde esse dia, desse momento  inesquecível com pessoas que parecia que já conhecia de outras vidas, eu sabia que não estava sozinha e que tinha feito a melhor escolha!



 Aquele abraço! 


Por: Mayara Camilo
De: São Paulo - SP

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