8 de fevereiro de 2014

Conexão Califórnia: Peguei as malas e parti...

A despedida dos amigos foi bem do jeito que eu gosto: muita música sertaneja e alegria! 



Mas no aeroporto o bicho pegou e chorei  como uma criança! Fui  assim até a sala de embarque e só parei mesmo quando entrei no avião e fui acalmada pela Elizabeth. Ela era de Dallas, Texas, onde meu avião faria conexão; além disso, ela havia passado uma temporada no Brasil a negócios. O bom é que fui arranhando o meu inglês enferrujado e me distraindo na longa viagem de 8 horas! Dormi, acordei, fui ao banheiro umas 8 vezes, comi, dormi de novo, e a ansiedade a milhão estava me matando! O aeroporto de Dallas é sensacional, enorme e organizado. Graças a Deus que a Elizabeth me auxiliou com todos os processos da minha conexão e sou grata por toda ajuda dela nesses primeiros passos em terra estrangeira. 





Já no voo de 2 horas para San Diego, me sentei ao lado de Jessica, natural de Dallas, e que estava indo para o casamento de uma amiga. Do outro lado tinha a Amelia, uma argentina que iria visitar o avô em San José.  Senti que sofri bullying pela Amelia e tive o gostinho de como seria quando chegasse em San Diego, só por que não tinha o estereótipo de morena e ‘bunduda’ hahahahaha. Até quando as pessoas vão pensar que o Brasil só é feito de ‘bunda’?!

Ah, não contei para vocês, mas optei por ficar em casa de família! Quando você fecha o curso, existem várias agências de acomodação que oferecem opções como: hotel, que é  bem caro, mas o legal é que fica  perto da faculdade; tem também dormitório na faculdade, que você divide o quarto com mais uma ou duas pessoas desconhecidas, mas pelo menos está dentro do campus da faculdade. Uma das opções mais escolhidas pelos alunos estrangeiros é o condomínio conhecido como Costa Verde, que é como se fosse uma espécie de república e onde acontecem as famosas festas tipicamente americanas, aquelas  que aparecem nos filmes americanos, com copos vermelhos de papel e por aí vai!  Você chega a dividir um apartamento com sala, 2 quartos, banheiro, cozinha e ‘lavanderia’ com 3 à 4 pessoas desconhecidas, muitos deles alunos estrangeiros ou estudantes de outros Estados. Existem várias agências especializadas para qualquer tipo de acomodação, você pode pedir o contato para a faculdade e com certeza eles indicarão empresas de confiança.

Dividir o quarto ou apartamento é de fato a opção mais barata, porém optei por ficar 1 mês em uma casa de família e ver como seria minha adaptação. Lá eu tinha direito ao café da manhã e jantar, o que é bem bacana já que você passa praticamente o dia todo na faculdade. Minha host family eram o Joe, um senhor super simpático, já um pouco debilitado pelo peso, idade e péssimos hábitos do American Way of Life, enquanto sua mulher, Irene, uma típica italiana  (hahaha acho que não deve dizer isso também), super ativa, barulhenta e um pouco surda.



Mas antes mesmo de conhecê-los, as amigas da Irene, Mary e Fátima (não deve ser o nome dela, mas algo me diz que pode ser esse hahaha) foram me buscar no aeroporto, já que a Irene e Joe estavam trabalhando como guias de um grupo que haviam desembarcado de um cruzeiro em San Diego. Elas já eram bem velhinhas e me surpreendeu a Mary ainda dirigir! Lembro de encontrar a possível ‘Fátima’ e, ao sair do aeroporto, me peguei hipnotizada olhando para aquele céu azul. Um azul que jamais imaginei que pudesse existir, o meu tom de azul, pintado de liberdade. 

Elas me deixaram em casa, entregaram as chaves, mostraram o banheiro e meu quarto. Mary havia prometido me levar para jantar, então eu teria algumas horas para digerir tanta informação e novidade. Minha host family foi bem fofa e deixaram um recado de boas vindas na minha porta, aquilo pareceu um abraço apertado que eu estava precisando.



A primeira coisa que fiz? Abrir minha mala e chorar sem parar! Meu celular e computador já estavam praticamente sem bateria e é claro que eu não tinha o adaptador. Falei rapidamente com meus pais, irmão e minha cachorrinha Florzinha e fui jantar com a Mary. Pronto, meu sonho finalmente estava se realizando e não havia sensação melhor que aquela.




Eu fui com alguns dias de antecedência até para me habituar com o transporte, onde ficavam lugares estratégicos como farmácia, correio, supermercado, hospital, entre outros. Eu morava no bairro de Clairemont, uns quinze minutos do cruzamento da Balboa Avenue com a Genesee, onde ficava o meu ponto de ônibus. Esse bairro é bem família, meia hora da faculdade, super perto de Mission Bay onde você pode fazer canoagem, entre outras atividades aquáticas, e que estava coladinha da minha praia favorita, Pacific Beach. Depois eu conto melhor as histórias mais memoráveis destes lugares, mas já aviso que são paradas obrigatórias se for visitar San Diego.

Mas o que fazer nesses dias livres? Minha host mom me deu um mapa com todas as linhas de ônibus, me passou o valor do passe e disse os lugares que eu poderia visitar! Peguei minha coragem e parti hahahaha. Primeira parada: Oldtown! Para você que ama a cultura mexicana (assim como eu), sem dúvidas vai pirar quando chegar na parte mais ‘chicana’ de San Diego. Lá se concentra os melhores restaurantes, festivais e toda história de como SD se tornou parte da Califórnia! Tem uma espécie de museu misturado com comércio, com algumas reconstruções da época, pois muitas sofreram incêndio, retratando toda a história da revolução. Tem também uma casa assombrada para os corajosos, mas felizmente o meu lado medrosa não permitiu que fizesse esse tour macabro hahahaha! Vale muito a pena passar uma tarde lá, ou várias rs, e uma dica: almocem no restaurante Fred’s, peçam o combo 6, que são tipicamente 3 panquecas nos sabores carne, queijo e frango, além do arroz e feijão preto,  e bebam aquela Corona gelada com limão! Minhas lombrigas agradeceram! Hahahaha










Tentei ir pra Downtown nesse dia, no Trolley, uma espécie de trem , mas eu cheguei a descer  e não fazia ideia de como andar por lá, então resolvi voltar para casa e  ir com um amigo outro dia. 

Mas a espera acabou e o grande dia havia chegado! Lá estava eu indo pegar o 41 bus, ônibus que me levava pra praticamente todos os lugares. O mais engraçado é o que o mesmo frio na barriga que sentia ao ir pra escola no primário, eu senti na UCSD, mas posso dizer que ali, no ponto da Balboa com a Genesee, eu ia ter meu primeiro presente. Sentei no banquinho e haviam duas orientais do meu lado, e eu, muito inquieta, olhava para um lado e para o outro tentando puxar papo! Depois de muito pensar, puxei papo com a possível japonesa do meu lado esquerdo e, para a minha sorte, ela iria frequentar o mesmo curso que eu: Business Management. A Aya, 27 anos, natural do Japão, já estava há seis meses na California estudando inglês e conhecia muito bem o campus da faculdade e a parte do Extension, reservada apenas para alunos estrangeiros. Fui tagarelando com ela o caminho todo e já me sentia em casa. Acho que o meu lado Relações Públicas falou mais alto e “falei mais que a boca” 

Chegando na faculdade não foi diferente: conversei com todos, era só sorrisos, coloquei apelido nas pessoas, achei que fosse explodir de tanta felicidade... Pois é, coisas que só os brasileiros sabem fazer! A única que não me recepcionou muito bem foi a brasileira da minha sala, mas depois que a conheci de verdade vi que ela era super tímida e acabou se tornando uma das pessoas mais especiais e importantes nessa minha trajetória! Todo mundo tinha que sentar em duplas e apresentar o amigo e, obviamente, sentei com a Aya e aí que começaram as gozações por que nós falamos: ‘this is Aya and this is Maya’, tanto que pelo resto dos curso as pessoas se confundiam e riam desse primeiro dia! Lembro que depois de entregarem a lista de livros e cronograma de aulas, fizemos um tour pelo campus gigante. Nesse primeiro dia grudei na Christina, de Taiwan, Aya e Naho, do Japão, e a monitora queria nos matar, pois mais dávamos risadas do que acompanhávamos o resto do grupo. Desde esse dia, desse momento  inesquecível com pessoas que parecia que já conhecia de outras vidas, eu sabia que não estava sozinha e que tinha feito a melhor escolha!



 Aquele abraço! 


Por: Mayara Camilo
De: São Paulo - SP

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