(Imagem: Heitor Shewchenko)
A luz do sol
batia, na janela da cela dos presos na delegacia, de forma tão intensa que JB
foi obrigado a ter seu sono interrompido. Ele ainda estava tentando ajustar a
sua visão à luz local, quando foi chamado pelo policial.
- Ei, pop star,
o juiz está te esperando.
JB se levantou
lentamente, sua cabeça doía de uma forma intensa, mas mesmo assim, conseguiu se
manter de pé.
Apesar de ter
sido, mais uma vez, preso - dessa vez, por dirigir sem carteira de motorista e
sob o efeito de álcool e alguns entorpecentes proibidos -, JB não estava
preocupado, esse episódio seria apenas mais um entre tantos outros que também
haviam terminado em uma cadeia. Isso, praticamente, já fazia parte da sua
rotina de noitadas insanas.
Ao chegar ao
tribunal, acompanhado por policiais – que ao mesmo tempo em que acompanhavam o
delinquente até o tribunal, o protegiam do assédio de todos os jornalistas, que
já se encontravam a postos, em frente ao fórum, para conseguir pegar um
depoimento de JB sobre o fato criminoso que havia cometido -, JB foi colocado
sentado em uma cadeira em frente ao juiz.
Alguns minutos
depois, o juiz entrou no tribunal e sentou rapidamente em sua mesa. Após dar
uma leve batida no martelo, iniciou a leitura do resumo dos fatos:
- JB, 19 anos de
idade, foi encontrado dirigindo um veículo automotor, sem possuir carteira de
motorista, demonstrando sinais de embriaguez e sob o efeito de entorpecentes. O
senhor confirma as alegações, Sr. JB? – Olhando por cima dos óculos, o juiz lançou
um olhar de reprovação juntamente com um ar de total ausência de paciência.
Com um leve
sorriso no rosto, JB respondeu:
- Excelência,
confirmo, confirmo o que o senhor quiser... Pode pular para a parte do valor da
fiança que devo pagar, por favor?
O juiz tirou os
óculos e calmamente respondeu ao requerimento absurdo que acabara de ouvir:
- Meu caro,
creio que fiança, em seu caso, não seja mais uma opção. Tendo em vista os
inúmeros delitos que constam em sua ficha criminal, bem como, o fato do senhor
ainda não ter cidadania americana, creio que seu destino não está mais em
minhas mãos. Possuo aqui uma petição da Promotoria, na qual é requerida a
deportação do senhor de volta para o Canadá.
Súbito, JB se
levanta da cadeira e, vorazmente, inicia uma disparada de insultos ao juiz
misturados com toda a sua revolta ao que estava ouvindo naquele momento.
- Mas isso é um
absurdo! Você sabe quem eu sou? Quem você pensa que é para falar comigo desse
jeito? Quero meu advogado aqui AGORA!!!
- Meu caro,
creio que o senhor já esteja muito encrencado para ter mais uma condenação por
desacato à autoridade em sua ficha. É melhor o senhor se sentar, pois ainda
tenho muito o que lhe dizer. E ah, o seu advogado foi chamado, mas ele renunciou
a causa, como sua família teve dificuldades em encontrar alguém que quisesse
defendê-lo, o senhor será representado por um defensor público. – O juiz fez
uma pausa para tomar um pouco de água – Continuemos. Foi juntada à petição da
Procuradoria de Justiça um pedido da população para a efetivação da sua
deportação, que contém mais de 180 mil assinaturas até o momento...
JB não conseguia
acreditar em tudo o que ouvia e no momento em que tentou se manifestar,
novamente, foi prontamente interrompido pelo juiz que continuou a
atualizá-lo dos acontecimentos.
- ...Ocorre, senhor
JB, que recebemos do Consulado Canadense uma carta declarando que o senhor não
poderá mais retornar ao Canadá, tendo em vista que, após cometer tantos delitos
e demonstrar tanto desrespeito às leis de vários países, o senhor perdeu o seu
registro de nacionalidade canadense.
- Mas... Como?
Como assim? Eles não podem fazer isso! – JB começou a ter um ataque de
desespero, por não saber e não entender como tudo aquilo estava acontecendo
como ele. – Vocês são todos uns idiotas, babacas! Eu faço o que eu quiser, eu
tenho dinheiro! Vou para onde eu quiser, não preciso de vocês! Querem me
deportar? Me deportem então! Não preciso voltar pro Canadá, existem milhares de
lugares no mundo em que eu possa ir, seus idiotas!
Com um leve
sorriso no rosto, o juiz deixou que JB gritasse por algum tempo, depois o
interrompeu e se preparou para contar para ele a melhor parte de toda a
história.
- Aí é que o
senhor se engana, meu caro... Estão fazendo várias reclamações sobre você pelo
mundo inteiro, ocorre que nenhum país está querendo recebê-lo, com exceção de
um país...
- Ah, é? E que
país seria esse, Vossa Excelência? – Respondeu JB com o tom de deboche.
- Esse país, meu
caro, é aquele no qual você fez questão de anunciar para o mundo inteiro que
nunca mais colocaria seus pés por lá. Por acaso o senhor se recorda dessa sua
declaração?
De repente, o
sorriso debochado de JB sumiu de sua feição, ele sabia exatamente qual país no
qual o juiz estava se referindo e aquela notícia não o deixou nada contente.
Sentiu todo o calor de seu rosto sumir e se misturar com o frio que sentia em sua
barriga.
- É esse mesmo,
meu caro... – o juiz soltou um sorriso frouxo – É o Brasil, Baby.
Por: Mariana Cardoso Magalhães
De: Belo Horizonte - MG
Email: m.cardosomagalhaes@gmail.com
















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