#05: Visibilidade Trans

Confira na capa do mês de fevereiro da Revista Friday, uma entrevista sobre os desafios de uma pessoa trans, com a ativista LGBT Rebecka de França.

INTERNET: Mudanças, tecnologia e Google+

Confira algumas mudanças que o google+ realizou para agradar os usuários.

Conexão Canadá: Vancity- The Journey begins

Camila Trama nos conta um pouco de seu intercâmbio em alguns lugares do Canadá.

CINEMA: Sassy Pants

Rebeldia, insatisfação e as paixões fazem parte do cotidiano de todos os adolescentes, confira a resenha do filme Sassy Pants.

VITRINE: O universo feminino de Isadora Almeida

Inspirada por ilustrações de moda, estamparia e coisas que vê por aí, conheça o trabalho da ilustradora mineira Isadora Almeida.

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14 de março de 2014

Cinema "Eles Voltam"

Vencedor oficial na categoria de Melhor Longa de Ficção no Festival de Brasília, "Eles Voltam", dirigido por Marcelo Lordello, sensibiliza para o nosso cotidiano e disparidades sociais. 


Foto: Divulgação

Marcelo Lordello, o novo Cara: nascido em Brasília e radicado em Recife, começou a trabalhar com filmes ainda na faculdade, de forma amadora. 

Com o passar do tempo, e hoje trabalhando também com filmes publicitários, Lordello pode ser considerado um novo e promissor personagem do cinema brasileiro.


 Foto: Reprodução/Internet

Foto: Reprodução/Internet

Fugindo de esteriótipos e amarras de mercado, e buscando um viés seu, o diretor consegue imprimir a verdade que inspira o tema em cada cena de seus trabalhos, aparentemente sem pensar o que o público comprará, mas sim o que pode querer ver retratado, criando vínculos com o enredo.

Eles Voltam, le filme interessante: os irmãos Cris (Maria Lindíssima Luiza Fofa Tavares) e Peu (Georgio Bom Ator Kokkosi) viajam com seus pais por uma estrada de Pernambuco, e no meio do caminho são deixados na estrada. Eles, acreditando que os pais querem apenas assustá-los para que não briguem tanto, esperam horas até que voltem para os buscarem, mas isso não acontece. Peu vai buscar ajuda, mas também não volta. 


Foto: Divulgação

E é a partir desse ponto, que Cris, então convencida por um jovem desconhecido com o qual ela se assusta em um primeiro momento, começa sua peregrinação por redutos antes desconhecidos dela. O desfecho do que aconteceu para que os pais dos jovens os deixassem desprotegidos em um lugar desconhecido, que após certo tempo pode ser deduzido pelo público, traz a revolução discreta que a experiência causou na menina.

O Filme, e suas coisas de ideia e produção:  o longo prólogo é mantido de forma paralela aos sentimentos dos personagens que dele participam. Planos abertos, que demonstram o quão instáveis os irmãos estão ali, são sustentados por períodos longos sempre alinhados ao sentimento não exteriorizado de quem é focado. 

A sequência do filme revela situações com as quais Cris não está acostumada, como escassez de recursos, moradias precárias, contatos com pessoas com as quais ela em outra situação provavelmente não interagiria, e pobreza. As relações de poder e sociais são escancaradas a cada sequência.


Foto: Divulgação

Apesar de não percebermos desespero na menina, e vermos sim uma serenidade mesclada com preocupação de como voltar para casa, depreende-se de cada gesto sutil da acanhada Cris que mudanças estão acontecendo nela como pessoa. São esse movimentos, junto aos close, plano aberto, e gestos delicados da competente (e estreante) Maria Luiza, que dão as notas que embalam a ideia do filme: mostrar de forma abstrata as mudanças e evoluções acontecidas com um adolescente desamparado ali.

Marcelo Lordello apresenta o longa como uma realidade, graças a amigos que junto a ele abraçaram o projeto. Com uma verba de cerca de 47 mil reais, distribuída entre pessoas e materiais, o diretor arrisca e consegue de uma forma particular e sem as achismos do que o público irá querer, sair do circuito das mostras e salas de cinéfilos para o grande público. A distribuição do filme para as salas pode parecer acanhada, mas é uma alegria tê-lo perto com a arte e comprometimento que transbordam da tela.

Se alguma perto de ti estiver com Eles Voltam em cartaz, mais que sugiro!

Ficha:
Eles Voltam
De Marcelo Lordello 
Com Maria Luiza Tavares, Elayne de Moura e Georgio Kokkosi.
Drama - 2012 - 95 minutos - Brasil 


Beijinho de luz :)



Por: Bárbara Argenta
De: São Paulo - SP
Email: barbara.argenta@revistafriday.com

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7 de março de 2014

Cinema: "Caçadores de Obras-Primas"

George Clooney é um bom ator e uma grande estrela de cinema, mas as qualidades que fazem dele uma presença de tela tão atraente – seu carisma, seu toque light para a comédia, sua facilidade para gravitas – parecem abandoná-lo de imediato assim que ele pisa atrás de uma câmara. Os filmes que ele fez desde sua enérgica e criativa estreia com “Confissões de Uma Mente Perigosa” (que agora se parece com o trabalho de um diretor completamente diferente) foram imagens generosamente montadas, nostálgicas e de bom gosto, que lidavam com noções de honra e decência. Elas também têm sido bastante monótonas.

Foto: Reprodução/Internet
A vergonha de tudo isso é que Clooney tem um bom olho para uma grande história, ele simplesmente não tem a capacidade de realizá-la. Ele parecia ser o homem perfeito para fazer um screwball comedy (ou comédia maluca, como preferirem) dos anos 1930, mas a sua mão pesada na direção matou qualquer sentido de charme, humor ou diversão que poderia ter possuído, e Caçadores de Obras-Primas sofre um destino semelhante. Há muita promessa nesta história de soldados americanos sendo enviados para a Europa devastada pela guerra para salvar as grandes obras de arte que estão sendo sistematicamente destruídas ou roubadas por Hitler. Clooney define o filme como uma brincadeira no estilo “Onze Homens e um Segredo”, abrindo com uma elegante sequência de reunião de amigos, e nós introduz a um conjunto de artistas que parece nos prometer um bom tempo na poltrona.

Foto: Reprodução/Internet
George Clooney, Matt Damon, Bill Murray, Bob Balaban, John Goodman, Jean Dujardin e Hugh Bonneville estrelam como os soldados alistados para o serviço, com o britânico Dimitri Leonidas trazendo a idade média pra baixo e Cate Blanchett adicionando uma presença feminina insignificante. Os atores estão emparelhados em narrativas separadas que correm paralelas ao longo do filme, mas tudo o que fazem é sempre estranhamente suave e maçante. Damon e Blanchett fazem alguns gestos indiferentes acerca do romance entre os dois antes de, eventualmente, se deixarem levar, enquanto Bill Murray e Bob Balaban são configurados como uma dupla cômica que vive brigando, mas suas breves piadas são entregues com tão pouca faísca ou convicção, que é como se nós os observássemos em um ensaio inicial, lendo a primeira página.

Foto: Reprodução/Internet
Foto: Reprodução/Internet
Talvez o velho George esteja querendo nos dar a impressão de que o sentido de camaradagem que um filme como este nos propulsiona forma instantaneamente, através de grandes estrelas de cinema, algum tipo de alquimia. Ele não faz nenhum esforço para desenvolver esses personagens e suas relações anteriores com os outros através da narrativa; somos informados de que todos eles são tangencialmente ligados ao mundo da arte – curadores, restauradores, etc. – mas eles parecem ter pouco interesse ou perspectiva sobre as obras que estão procurando. Clooney mal nos dá toda a oportunidade de vê-lo por nós mesmos, a não ser alguns pares de close-ups apáticos e algumas breves cenas dos personagens de pé e totalmente mudos, na frente de qualquer obra intacta ou destruída. A única forma de arte em si que realmente conta no filme é através do tema central: se vale a pena arriscar a vida de um homem para salvar tais quadros. Uma pergunta que Clooney pede apenas via protuberâncias trabalhosas de narração, nunca realmente se envolvendo com ela de qualquer maneira que não seja a mais fácil.

Foto: Reprodução/Internet
Para falar a verdade, fácil é a melhor palavra para descrever Caçadores de Obras-Primas, e para descrever o trabalho de direção de George Clooney em geral. Ele faz uma pose séria, mas não faz nenhuma tentativa de se envolver com a complexidade ou a tragédia de seu assunto; ele está feliz em locomover sem esforço o filme junto à superfície das coisas, e permite que seus atores façam o mesmo. Isso possa talvez não ser um problema se você achou o filme envolvente e divertido de qualquer jeito, mas Caçadores de Obras-Primas é irregular e sisudo, com Clooney provando ser incapaz de infundir qualquer um dos momentos-chave com um sentimento de tensão ou excitação. Em particular, duas cenas me chamaram bastante a atenção: uma em que Goodman e Dujardin se encontram em apuros e que é encaminhada da forma mais frustrantemente inepta possível, e, mais tarde, outra cuidadosamente planejada e cômica em que um da equipe está em uma mina terrestre. Essas duas cenas possuem todo o seu potencial para o perigo e para o humor, mas são desperdiçadas por uma encenação e edição descuidadas que sugere que o velho George só quer tirá-las do caminho. O que pode ter o atraído para este projeto? É uma história de rachaduras, com certeza, mas não temos nenhum sentimento de paixão ou urgência de assisti-lo em si. Para um filme sobre o valor da arte, Caçadores de Obras-Primas é desconcertantemente ignorante.


Até mais ler.


Por: Pietro Tarantelli
De: São Paulo -SP
Email: tarantellipietro@gmail.com

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21 de fevereiro de 2014

Cinema: "12 Anos de Escravidão"

A habilidade de Steve McQueen como cineasta que privilegia a beleza das cenas nunca esteve em dúvida, mas em “12 Anos de Escravidão” ele casa essa habilidade com uma narrativa forte e a suporta com uma profundidade de emoção que está ausente em seu trabalho anterior, “Shame”.

Foto: Reprodução/Internet
O resultado é extraordinário. Ao relatar o conto de Solomon Northup, o diretor britânico pode construir seu filme com uma poderosa narrativa de redenção, ao mostrar as inúmeras formas em que a escravidão corrompe todos aqueles que se são contaminados por ela. Desta forma, “12 Anos de Escravidão” parece digno de comparação com “A Lista de Schindler”, de Steven Spielberg, encontrando no caminho um equilíbrio entre trazer um assunto doloroso para a atenção de um grande público, sem suavizar a crueldade da época. 

Foto: Reprodução/Internet
Foto: Reprodução/Internet
A abordagem de McQueen é inteligente e medida. Ele sabe que esse material exerce um poder inerente, e que tudo o que ele tem a fazer é torná-lo honesto e sem adorno. O filme se mantém em um silêncio latente por quase todo seu tempo de execução, até que, em uma cena de encerramento estilhaçada, toda essa raiva, dor e desespero finalmente transborda.

Foto: Reprodução/Internet
“12 Anos de Escravidão” é, sem dúvida nenhuma, um feito extraordinário, com uma narrativa impiedosa e uma força emocional cumulativa. Belo e devastador.


Até mais ler.


Por: Pietro Tarantelli
De: São Paulo - SP
Email: tarantellipietro@gmail.com

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16 de fevereiro de 2014

Cinema - "Ela"

Sem dúvida uma das melhores estreias que assisti nos últimos tempos. 

Divulgação - Internet

"Ela", do diretor Spike Jonze, usa uma linguagem simbólica e cheia de reentrâncias pra dissolver sua mensagem. Com Joaquin Phoenix no papel do solitário recém-separado, Theodore,  Amy Adams como a amiga de anos, Amy, e a voz do sistema operacional Samantha protagonista, Scarlett Johansson, "Ela" consegue permear os sentidos de quem senta para assistir.

A musa da atualidade, Scarlett Johansson, participa apenas como a voz do OS, mas sua entonação e emoção são o suficiente para dar vida ao sistema Samantha.

O roteiro gira em torno de Theodore, um solitário escritor que acaba de se separar de sua mulher, Catherine (Rooney Mara). Fascinado por tecnologia, o personagem adquire um sistema operacional supermoderno (Johanson), com uma programação avançadíssima de inteligência artificial, e acaba por envolver-se sentimentalmente com ela. Entretanto, as dificuldades desse relacionamento começam a aparecer, e ambos buscar uma forma racional de trabalhar com eles.


Reprodução - Internet

O longa, indicado ao Oscar na categoria de Melhor Filme, também concorre a Melhor Roteiro Original, Melhor Trilha Sonora, Melhor Canção Original, Melhor Direção de Arte... ufa, tá bom, né?


Reprodução - Internet

Mais do que o destaque para a fotografia do filme, pode-se dizer que são colocadas algumas situações limite ali, tanto no plano da arte, quanto as que transcendem para a compreensão da atual realidade. A tecnologia e o ser humano estão ali como reflexos das atuais conjunções, e de como vivemos - ou tendemos a viver em breve.

A questão do isolamento físico e compartilhamento de experiências virtuais é uma delas. A entrega do personagem principal é um antagonismo se colocado ao lado da realidade pela qual ele é cercado, onde poucas pessoas "reais" fazem parte do seu dia-a-dia. 

A percepção do outro (ou a falta dela) ser mais apurada por conhecer de fato o que se está observando ou é apenas uma junção de fatos expostos por nós nas plataformas digitais?

Reprodução - Internet

Limitações virtuais, extensões digitais do nosso corpo, afinal, o que é possível absorver dessa nossa realidade?

Acredito que mais do que trazer a tona discussões sobre a influência e participação da tecnologia e suas mídias em nossa vida, a criação desse longa é mais do que apenas uma comédia romântica de autoexame, mas sim um início de exercício no sentido de entender como afetar e ser afetado por bombardeios diários de tecnologia pode nos transformar. Ou ainda administrar nossa vida, invertendo assim os papeis.

É bacana também como diretor mostra as decepções e as encaixa com o ambiente no qual o personagem se encontra naquele momento, tanto humanas quanto virtuais...

Sou uma aficcionada pelo digital, e por isso falo com segurança: não é uma crítica, e sim um a abertura para outros afluentes que a arte nos possibilita visitar.

Baita filme. Mais que recomendado!

Beijos no coração. 


Por: Bárbara Argenta
De: São Paulo -SP
Email: barbara.argenta@revistafriday.com.br

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10 de fevereiro de 2014

Crônicaria de Bolso #7 - O pop star deportado


(Imagem: Heitor Shewchenko)

A luz do sol batia, na janela da cela dos presos na delegacia, de forma tão intensa que JB foi obrigado a ter seu sono interrompido. Ele ainda estava tentando ajustar a sua visão à luz local, quando foi chamado pelo policial.

- Ei, pop star, o juiz está te esperando.
JB se levantou lentamente, sua cabeça doía de uma forma intensa, mas mesmo assim, conseguiu se manter de pé.
Apesar de ter sido, mais uma vez, preso - dessa vez, por dirigir sem carteira de motorista e sob o efeito de álcool e alguns entorpecentes proibidos -, JB não estava preocupado, esse episódio seria apenas mais um entre tantos outros que também haviam terminado em uma cadeia. Isso, praticamente, já fazia parte da sua rotina de noitadas insanas.
Ao chegar ao tribunal, acompanhado por policiais – que ao mesmo tempo em que acompanhavam o delinquente até o tribunal, o protegiam do assédio de todos os jornalistas, que já se encontravam a postos, em frente ao fórum, para conseguir pegar um depoimento de JB sobre o fato criminoso que havia cometido -, JB foi colocado sentado em uma cadeira em frente ao juiz.
Alguns minutos depois, o juiz entrou no tribunal e sentou rapidamente em sua mesa. Após dar uma leve batida no martelo, iniciou a leitura do resumo dos fatos:
- JB, 19 anos de idade, foi encontrado dirigindo um veículo automotor, sem possuir carteira de motorista, demonstrando sinais de embriaguez e sob o efeito de entorpecentes. O senhor confirma as alegações, Sr. JB? – Olhando por cima dos óculos, o juiz lançou um olhar de reprovação juntamente com um ar de total ausência de paciência.
Com um leve sorriso no rosto, JB respondeu:
- Excelência, confirmo, confirmo o que o senhor quiser... Pode pular para a parte do valor da fiança que devo pagar, por favor?
O juiz tirou os óculos e calmamente respondeu ao requerimento absurdo que acabara de ouvir:
- Meu caro, creio que fiança, em seu caso, não seja mais uma opção. Tendo em vista os inúmeros delitos que constam em sua ficha criminal, bem como, o fato do senhor ainda não ter cidadania americana, creio que seu destino não está mais em minhas mãos. Possuo aqui uma petição da Promotoria, na qual é requerida a deportação do senhor de volta para o Canadá.
Súbito, JB se levanta da cadeira e, vorazmente, inicia uma disparada de insultos ao juiz misturados com toda a sua revolta ao que estava ouvindo naquele momento.
- Mas isso é um absurdo! Você sabe quem eu sou? Quem você pensa que é para falar comigo desse jeito? Quero meu advogado aqui AGORA!!!
- Meu caro, creio que o senhor já esteja muito encrencado para ter mais uma condenação por desacato à autoridade em sua ficha. É melhor o senhor se sentar, pois ainda tenho muito o que lhe dizer. E ah, o seu advogado foi chamado, mas ele renunciou a causa, como sua família teve dificuldades em encontrar alguém que quisesse defendê-lo, o senhor será representado por um defensor público. – O juiz fez uma pausa para tomar um pouco de água – Continuemos. Foi juntada à petição da Procuradoria de Justiça um pedido da população para a efetivação da sua deportação, que contém mais de 180 mil assinaturas até o momento...
JB não conseguia acreditar em tudo o que ouvia e no momento em que tentou se manifestar, novamente, foi prontamente interrompido pelo juiz que continuou a atualizá-lo dos acontecimentos.
- ...Ocorre, senhor JB, que recebemos do Consulado Canadense uma carta declarando que o senhor não poderá mais retornar ao Canadá, tendo em vista que, após cometer tantos delitos e demonstrar tanto desrespeito às leis de vários países, o senhor perdeu o seu registro de nacionalidade canadense.
- Mas... Como? Como assim? Eles não podem fazer isso! – JB começou a ter um ataque de desespero, por não saber e não entender como tudo aquilo estava acontecendo como ele. – Vocês são todos uns idiotas, babacas! Eu faço o que eu quiser, eu tenho dinheiro! Vou para onde eu quiser, não preciso de vocês! Querem me deportar? Me deportem então! Não preciso voltar pro Canadá, existem milhares de lugares no mundo em que eu possa ir, seus idiotas!
Com um leve sorriso no rosto, o juiz deixou que JB gritasse por algum tempo, depois o interrompeu e se preparou para contar para ele a melhor parte de toda a história.
- Aí é que o senhor se engana, meu caro... Estão fazendo várias reclamações sobre você pelo mundo inteiro, ocorre que nenhum país está querendo recebê-lo, com exceção de um país...
- Ah, é? E que país seria esse, Vossa Excelência? – Respondeu JB com o tom de deboche.
- Esse país, meu caro, é aquele no qual você fez questão de anunciar para o mundo inteiro que nunca mais colocaria seus pés por lá. Por acaso o senhor se recorda dessa sua declaração?
De repente, o sorriso debochado de JB sumiu de sua feição, ele sabia exatamente qual país no qual o juiz estava se referindo e aquela notícia não o deixou nada contente. Sentiu todo o calor de seu rosto sumir e se misturar com o frio que sentia em sua barriga.
- É esse mesmo, meu caro... – o juiz soltou um sorriso frouxo – É o Brasil, Baby. 

Por: Mariana Cardoso Magalhães
De: Belo Horizonte - MG
Email: m.cardosomagalhaes@gmail.com

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7 de fevereiro de 2014

Cinema: "Trapaça"

Todo mundo parece estar se divertindo muito em Trapaça, o novo filme de David O. Russel. Os atores - quase todos eles já trabalharam com o diretor no passado - tiveram papéis extravagantes que se estendem de forma surpreendente, e Russell lhes dá liberdade para se deixarem levar por esses personagens e correrem com eles.

Foto: Reprodução/Internet
O filme é vagamente baseado no chamado escândalo Abscam dos anos 1970, embora pareça que o interesse de Russell nesta história seja apenas intermitente. Trapaça se revela uma meditação sobre “role-playing”, uma homenagem carinhosa a uma era e, acima de tudo, uma vitrine para um grupo de atores que o diretor claramente adora. Essa devoção ao seu elenco permite que Russell produza alguns momentos maravilhosos, porém em detrimento ao efeito geral do filme.

Foto: Reprodução/Internet
Os atores parecem disfarçados. Como Irving Rosenfeld, um malandro de baixa renda aparentemente feliz em ser insignificante, Christian Bale é uma mistura de cabelinho esquisito e intestino pesado. Sua amante e parceira no crime é a bela Sydney Prosser (Amy Adams), que às vezes brinca com um sotaque Inglês tenso e traz uma sexualidade provocante ao seu desempenho, coisa que nunca vimos antes em Adams. Seu golpe bancário os coloca em contato com um homem do FBI chamado Richie DiMaso (Bradley Cooper), um agente ambicioso com um desonesto cabelinho crespo, que se perde nas possibilidades da operação policial, sempre em expansão, que ele trama. Todos esses personagens estão sempre tentando mudar, assumir uma nova persona, mas Trapaça continua empurrando-os em direções diferentes como a série de elaborados empregos do casal protagonista.

Foto: Reprodução/Internet
Foto: Reprodução/Internet
Histórias de vigaristas como esta muitas vezes me fazem pensar que o momento é fundamental. A narrativa precisa bloquear o espectador e nos manter viciados em cada turno da trama, mas também precisa se ​​encaixar como um relógio. Russell desconsidera essa noção enquanto divaga o golpe principal para entrar em algum momento cômico ou dramático com seus atores, o que dá um ritmo estranho – como um botão de parar/iniciar – e uma sensação de que ninguém tem muita certeza de que tipo de filme Trapaça está destinado a ser. O nível de detalhes na caracterização de Bale e Adams lança uma luz crua sobre Jennifer Lawrence, que se apresenta no inapropriado papel de esposa negligenciada de Irving e que nada pode fazer com um personagem tão mal concebido em um script. Russell gosta de armar cenas em uma excêntrica intensidade maníaca, mas o ritmo escapa por toda parte - especialmente na desesperadamente lenta hora de abertura – e o filme parece que poderia facilmente se perder por pelo menos vinte minutos num material estranho.

Foto: Reprodução/Internet

Claro que Trapaça não aspira ser mais do que uma forma de passar o tempo no cinema. O tímido cartão de abertura (“Algumas coisas mostradas aqui realmente aconteceram) e o bizarro detalhe da década de 70 devem rapidamente lhe dar uma pista para o fato de que o filme é uma espécie de brincadeira. Mas a minha decepção resultou mesmo do fato de que eu não me diverti tanto quanto senti que deveria – o meu prazer foi continuamente interrompido pela construção irregular do filme –, e que eu poderia ver momentos de potencial não realizados aqui. O estilo de Russell pode gerar um eletricidade legítima, mas ele muitas vezes parece feliz demais a frente de montagens definidas de músicas clássicas dos anos 70, sem a disciplina necessária para parar o filme a partir da sensação de inchaço e permitir que o enredo se afaste para o final. Tem ocorrido muita conversa a respeito de Trapaça ser um pouco mais do que um pastiche de Martin Scorsese, mas eu não o vejo dessa forma. Este é muito mais um filme de David O. Russell, e o único trabalho que parece uma pálida imitação do seu próprio autor.


Até mais ler.


Por: Pietro Tarantelli
De: São Paulo
Email: tarantellipietro@gmail.com

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24 de janeiro de 2014

Cinema: "O Lobo de Wall Street"

O Lobo de Wall Street funciona como um sucessor espiritual de Os Bons Companheiros e Casino - também de Martin Scorcese -, e, ao mesmo tempo como uma grande tarefa para esse aclamado diretor de 71 anos de idade: recuperar a energia das cenas que esses filmes fizeram há décadas.

Foto: Reprodução/Internet
Martin Scorsese ataca com uma ferocidade que é emocionante testemunhar. Este retrato da vida de excessos e da criminalidade de Jordan Belfort é um dos filmes mais audaciosos do diretor, três horas ricamente divertidas na companhia de personagens repelentes. O filme não condena explicitamente Belfort e seus amigos arrogantes pelo seu comportamento (na verdade, ele se alinha com o ponto-de- vista do corretor, com DiCaprio atuando como um narrador pouco confiável); ele simplesmente apresenta os seus estilos de vida decadentes, amorais para nós, e permite vislumbres das consequências para aqueles que foram vítimas desses homens repugnantes. 

Foto: Reprodução/Internet
Foto: Reprodução/Internet
Scorsese dispara em todos os cilindros aqui, com seu empolgado trabalho de câmera e sua ótima edição - sendo perfeitamente adequado para as desventuras movidas a drogas de Belfort. O Lobo de Wall Street também é, de alguma forma, o filme mais engraçado de 2013, com uma série de cenas divertidas realizadas por um elenco que claramente saboreia a oportunidade de se soltar desta forma.

Foto: Reprodução/Internet
Embora executado por três horas, O Lobo de Wall Street parece não conter dezenas de materiais estranhos, e quarenta anos depois de Caminhos Perigosos, é espantoso que o velho Martin ainda esteja fazendo filmes estimulantes, inquietantes e hilariantes como este.


Até mais ler.


Por: Pietro Tarantelli
De: São Paulo -SP
Email: tarantellipietro@gmail.com

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17 de janeiro de 2014

Cinema "Ninfomaníaca - Volume I"

Bueno, voltei! Para começar, desejo um tardio feliz 2014 de muita luz, muitas alegrias, muitas artes (ênfase para a sétima, por favor) e blá. 

O dinamarquês Lars von Trier, diretor, aborda o tema homônimo do título com densidade e nuances psíquicas claras. Divido em Joe jovem (Stacy Martin) e Joe agora.


Reprodução/Internet

 A história, dividida em capítulos, e em ordem de acontecimentos, é contada pela própria Joe (Charlotte Gainsbourg) para  Seligman (Stellan Skarsgard), que a encontra desacordada em um beco próximo à sua casa, e decide ajudar. Ao recuperar-se parcialmente da agressão, Joe inicia a narrativa desde sua juventude, tentando explicar o porquê de seu autojulgamento tão frio quanto o que ela faz no início sobre sua moral, com a frase "Eu sou uma pessoa ruim". Essa, dentre outras que fazem as vezes de carrascos de si mesma, é uma frase que insinua uma aceitação por ter sido agredida, como se ela fosse a responsável pelo que lhe acontece.

O primeiro volume é interrompido no momento em que ela fala para Seligman sobre o "não sentir mais nada" para Jerôme, que é (ou era, vai saber do volume II, né gente...) um cara sensual que ela deu uma zoada no início de sua vida ninfomaníaca, mas depois viu que podia ser legal e tals. 
 Reprodução/Internet

Reprodução/Internet

 A história é contada com características de Lars, como a acidez de comentários, e grafismos em momentos-chave para o roteiro. Esses insights são ilustrados e fixados como que para tornar claro e visível o subjetivo do sentimento
Reprodução/Internet


Reprodução/Internet

Não vejo o filme como um pornô mal feito, nem uma tal epopeia pornô, muito menos algo de mau gosto. Para mim, a intenção de Lars foi, mais uma vez, construir a personagem com densidade e afluentes para discussão, como o sentimento de culpa, o ser ninfomaníaca, a incompreensão do mundo, a rejeição do amor (até o encontrar...), e metáforas de luz que abraça o contexto.

A fotografia, de acordo com essa proposta pouco leve, vai ao encontro da trilha sonora que ficou show!

Participação de Uma Thurman fantástica! Ela entra e abala com graça (sim, de humor também) uma das cenas onde um tal Sr. H, decide que quer morar com a jovem Joe. Sério, muito bom.


Reprodução/Internet

Vale muito a pena assistir, e mais do que isso, tentar compreender realmente o que está sendo transmitido com a profundidade que a atriz se permite encarar a história.

Besitos de luz :)

ps: o início demorado do filme incomoda, e inquieta muita gente... se foi proposital? Imagina...
ps 2: problemas em ver bilolos pênis e periquitinhas vaginas? ou fique nu disso, ou não vá mesmo... sério. 



Por: Bárbara Argenta
De: São Paulo - SP
Email: barbara.argenta@revistafriday.com.br

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10 de janeiro de 2014

Cinema: "Um Estranho no Lago"

O filme Um Estranho no Lago tem como cenário um único local, à beira de um lago isolado, cercado por montanhas e florestas e povoado por homens nus, que ocasionalmente desaparecem juntos no meio dos arbustos.

Foto: Reprodução/Internet
Para os homens que passam os dias de sol nadando, tomando sol ou apenas desligando-se do mundo, o lugar parece ser o paraíso, mas o filme de Alain Guiraudie nos deixa conscientes de uma sensação persistente de perigo, seja por meio de relações sexuais desprotegidas com um estranho ou se apaixonando por um homem que pode ser um assassino. 

Foto: Reprodução/Internet
Com apenas um punhado de personagens e um único local, o cineasta francês entrega um thriller psicossexual que certamente deixaria Patrícia Highsmith ou Alfred Hitchcock orgulhosos. A cinematografia impressionante composta por Claire Mathon mantém uma distância da ação enquanto Guiraudie impõe um ritmo constante no filme, permitindo que a tensão se desloque sobre nós, até que - nos momentos finais de parar o coração - exerce um aperto indesejável.

Foto: Reprodução/Internet
Um Estranho no Lago é um filme de suspense incrivelmente realizado e com uma envolvente e perturbadora história de amor, um thriller erótico que realmente funciona em ambos os gêneros e também uma comédia muito engraçada de costumes sobre etiqueta em um cruzeiro, tendo o solitário Henri como um dos personagens mais carinhosamente patéticos do ano.


Recomendado!


Até mais ler. :)


Por: Pietro Tarantelli
De: São Paulo - SP
Email: tarantellipietro@gmail.com

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