#05: Visibilidade Trans

Confira na capa do mês de fevereiro da Revista Friday, uma entrevista sobre os desafios de uma pessoa trans, com a ativista LGBT Rebecka de França.

INTERNET: Mudanças, tecnologia e Google+

Confira algumas mudanças que o google+ realizou para agradar os usuários.

Conexão Canadá: Vancity- The Journey begins

Camila Trama nos conta um pouco de seu intercâmbio em alguns lugares do Canadá.

CINEMA: Sassy Pants

Rebeldia, insatisfação e as paixões fazem parte do cotidiano de todos os adolescentes, confira a resenha do filme Sassy Pants.

VITRINE: O universo feminino de Isadora Almeida

Inspirada por ilustrações de moda, estamparia e coisas que vê por aí, conheça o trabalho da ilustradora mineira Isadora Almeida.

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4 de março de 2014

NSFMPCA #31 - Quem vem pro Lolla (Parte I)




Black Holes and Revelations_Muse
Data de Lançamento:
 3 de Julho de 2006
Gravadora:
Helium 3 / Warner Bros.
Nota: 8,5/10

              

Nesse mês de março vamos usar as duas colunas de música para falar das bandas que vem ao Lollapalooza 2014 – o festival hipster que reúne, em um só lugar, a maior quantidade de garotas ruivas, coturnos Doc Martens e bandas que nem você, nem sua mãe, nem ninguém conhece – mas que todos são fãs incondicionais.
Por exemplo: na edição deste ano, além dos destaques, temos gente como Illya Kuriaki and the Valderramas (?), ou então o legendário FTAMPA (?????) ou então – plmdds esse não – CONE CREW DIRETORIA. Não sei se é o caso de “chamar os mulekes” ali da região de Interlagos, onde será o show. Mas eles não são tão bem-vindos assim no meio da hipsterama toda. 
De volta ao assunto, para evitar polêmicas, falaremos apenas dos principais: no primeiro dia, os britânicos do Muse ocuparão o palco principal. E, entre os seis discos deles, um deles merecia estar na prateleira de todos os fãs de rock. E é sobre ele que a gente vai descer a lenha agora.

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Eu tenho um passatempo muito divertido (ao menos pra mim) de comparar músicos com escritores: considero Bruce Springsteen como um escritor russo, cheio de dramas e descrições; o Aerosmith como um daqueles romances baratos para o público feminino; David Bowie com a ironia de um Philip Roth, e assim por diante. E o Muse, com suas letras um tanto paranoicas, só pode lembrar George Orwell, o gênio por detrás de “Revolução dos Bichos” e “1984”.

Talvez essa nunca tenha sido a intenção da banda – um trio poderoso formado no litoral sul da Inglaterra em 1994. Os três esforçados rapazes, Matt Bellamy e...os outros dois, levaram cinco anos para conseguir lançar o disco de estreia, Showbiz, que era bom mas teve propaganda mínima. Mas o segundo álbum da banda, o bastante elétrico Origin of Symmetry, mostrou que o poderio dos três era muito, mas muito maior do que as bandas da mesma época. Além do mais, eles conseguiam  se destacar com uma melodia incomum à época: sim, eles faziam rock progressivo com peças como Plug In Baby, New Born e em Feeling Good, um cover de uma canção dos anos 60.

Pois em 2006, depois de três anos sem lançar nada (o último tinha sido o disco Absolution, que lançou o nome da banda para o mundo), o trio voltou com uma abordagem totalmente diferente. Black Holes... não é um disco conceitual, mas suas letras correm para o lado oposto da música: em 2006, relembremos, a moda era cortar os pulsos com canções de amor derretidas e franjas e all stars riscados à caneta (e eu sei que você já teve o seu).

E então aparece uma banda cantando sobre: Corrupção (a abertura apocalíptica de Take a Bow), invasão alienígena (Exo-Politics), ateísmo e outros temas. Pra piorar, a capa é de autoria do britânico Sotmr Thorgeson, o mesmo responsável pelas capas dos discos do Pink Floyd. Nela, quatro homens estão numa mesa, com ternos estranhos e cavalos andando no tampo, provavelmente em Marte (já que a Terra está ao fundo). Provavelmente banda e autor da capa não batem bem da cabeça.

E é essa loucura, de quase ir na contramão da indústria musical, que elevou o Muse, de banda de apoio em festivais, à estrela de si mesma. O virtuosismo e as constantes misturas de instrumentos de corda e metal atraíram não só a atenção dos jovens revolts, mas também da crítica especializada.  A turnê que veio em seguida rendeu à banda o primeiro DVD, gravado em três noites lotadas no novo estádio de Wembley, em Londres. O nome? H.A.A.R.P. – o nome de um projeto ultra secreto do governo americano.

Grande parte do mérito de Black Holes... cabe à Matt Bellamy, o cabeça do projeto. A revista britânica Total Guitar tascou em 2010 o título de “Jimi Hendrix de sua década” ao magrelo. E não é exagero: sua habilidade musical espanta em qualquer direção – ele toca piano, tem um vocal de tenor com uma extensão impressionante (vide a canção de 2009 Dead Star), é capaz de dar vida à composições impressionantes e uma habilidade na guitarra que o coloca entre os melhores da década de 2000. O solo de Invincible, uma das melhores do álbum, cabe fácil entre os 100 grandes solos de todos os tempos.


Mas nem ela consegue ser a melhor do disco. Isso fica difícil quando a faixa final é nada menos que Knights of Cydonia. Do ponto de vista estrutural, ela é bem estranha – seis minutos e apenas dois versos – mas o grau de dificuldade a que estão expostos os instrumentos (guitarra, baixo, voz e um ocasional trompete) a torna uma das composições mais espetaculares de nossa era. Sem brincadeira. Não à toa os intrincados solos da música acabaram por ir parar no jogo Guitar Hero III, responsável pelo primeiro contato de muita gente com a banda.

E eles vem ao Brasil para dois shows totalmente diferentes do que a banda vem vivendo. A turnê do disco mais recente, o pouco convincente The 2nd Law, lotou arenas no mundo todo e tem o palco mais megalômano desde o 360 do U2. E por aqui o trio revive, no Lollapalooza, os shows de festivais a que estão acostumados desde o começo da carreira. Mas o mais interessante é o show paralelo que farão no Grand Metrópole, uma casa no centro de São Paulo: como uma banda que não toca para menos de 80 mil pessoas há anos vai reagir num show para pouco mais de 2000 cidadãos? Como é assistir um show intimista de uma banda feita para os melhores espetáculos em estádios?

Por isso devemos manter um olho no peixe e outro no gato. Com vinte anos de carreira, o Muse entra no hall de bandas como o Cream e o Rush, que são trios que soam como bandas bem maiores. E há quem critique a mistura de “rock moderno” e das guitarras berrantes de Matt Bellamy com o piano e melodias agudas. Bata lembrar que, nos anos 1970, uma certa banda recebeu as mesmas críticas. E seu líder, um tal Freddie Mercury, nada fez além de não dar ouvidos. Que o Muse se inspire neles.


Muse


Sideshows Lollapalooza apresenta: Muse

Dia 3 de Abril (quinta)

Grand Metrópole (Avenida São Luís, 187 - República, São Paulo – SP)

Ingressos: R$ 125 (meia) e R$ 250 (inteira), disponível no site da Tickets for Fun




Lollapalooza dia 1- Palco Principal

Dia 5 de Abril (sábado)
Autódromo de Interlagos (Av. Sen. Teotônio Vilela, 261, São Paulo – SP)
Ingressos: de R$145 (meia para um dia) até R$540 (inteira para os dois dias do festival), disponível no site da Tickets for Fun





Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: guilherme@revistafriday.com.br

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18 de fevereiro de 2014

NSFMPCA #30 - Polainas, laquê e uma guitarra d'outro mundo




Purple Rain_Prince and the Revolution

Data de Lançamento:25 de junho de 1984
Gravadora: Warner Bros.
Nota: 8,5 / 10




                Tem certas coisas que a gente gosta muito, mas não consegue simplesmente explicar o porquê de tanto amor. Muita gente sofre assim com lasanha e eu com aqueles Frooty Loops extremamente viciantes. Com música então, fica difícil. Mas o caso mais icônico é o de eu ser um fã do Prince. Eu falo para alguns amigos que gosto dele, mas nem eu mesmo sei a razão de que, se eu pudesse, usaria uma camisa com a foto deste ser na rua na rua.


Capa de seu segundo álbum, em 1979. Ele nunca bateu bem mesmo...

 
    Prince Rogers Nelson. Esse cara tem história – demais – pra contar.

                Aos 55 anos, ele já foi um ícone da disco, do pop, do rock. Nunca teve a fama de ser uma pessoa sociável – como cantor e produtor, era um workaholic que permitia poucas intromissões em seu trabalho. Tem uma vida pessoal obscura que conta com um mar de celebridades entre seus affairs. Depois de uns belos 15 anos no auge da carreira, se converteu a um Testemunha de Jeová, inclusive recebendo porta na cara em sua cidade natal, Minneapolis. Apesar da enigmática figura que é o seu logo (uma mistura dos símbolos masculino e feminino), ele sempre está cercado de belíssimas mulheres no palco.

                Só deu um azar na vida: é um mês mais novo que um certo Michael Jackson, que fez sombra à quase toda a sua carreira. Mas isso não significa que Prince deixou de dar seus pulinhos.

                E aí chegamos em Purple Rain.

                O que pode ter em especial como um disco como esse é a sua exímia produção comandada pelo cantor – como na grande maioria dos seu álbuns, ele é responsável pela composição de TODAS as letras e da gravação de TODOS os instrumentos. Na faixa de abertura, Let’s go Crazy, ouvem-se diversos instrumentos assinados por ele: uma bateria em ritmo de funk metal, um sintetizador que às vezes é bastante irritante, e uma guitarra que você simplesmente não quer acreditar como é possível – pouca gente sabe, mas Prince também é listado como um dos 20 maiores guitarristas de todos os tempos.

                Vale a pena escutar os grandes singles deste álbum, feito para o filme de mesmo nome cuja estrela é o próprio cantor. Além de Let’s Go..., When Doves Cry e I would die 4 U são exemplos de como a música de Prince é quase sempre uma nuvem, que transita entre o comercial (de música pra rádio) e o conceitual – como a faixa-final que deu fama eterna ao baixinho de Minneapolis.


              
             Até hoje eu sinto sinceros arrepios ouvindo Purple Rain, e não são necessárias muitas razões. Na versão de estúdio são mais de oito minutos de canção em uma balada arrastada, uma voz extremamente melosa que deve ter embalado 95% dos casais ao redor do mundo há 30 anos atrás. Como a especialidade de Prince é a guitarra mesmo, a parte final é um solo de magnífico, o melhor de sua carreira.

Apesar do cantor sumir no começo da década de 2000, ele retornou em grande estilo, ainda com a mão nervosa em sua Fender Telecaster, e protagonizando shows épicos – em 2007, ele cantou no intervalo do Super Bowl, cantando Foo Fighters e Bob Dylan. Hoje ele excursiona como convidado em uma banda que ajuda a produzir, a 3RDEYEGIRL, composta por três habilidosíssimas (e por um acaso belíssimas) damas. Como Prince mandou tirar quase todos os seus vídeos do YouTube, pouco sobrou além de uma das mais recentes canções da banda, "Fixurlifeup" (algo como "fix your life up").

Na noite do dia 4 deste mês ele apresentou o seu mais novo álbum, Plectrum electrum. Como manda o enigmatismo de Prince, o show foi em uma arena de Londres, destinado a 300 felizardos.

E ele continua ali, ainda o mesmo, como um dos mais underrated de sua época. Ainda cantando, ainda sendo o “mandão” em cima do palco. Mas mandando excelentemente bem.





Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: g.lazaro@outlook.com

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5 de fevereiro de 2014

Não se fazem mais passados como antigamente #29 - Dia de Celebração?

        Pois bem: com algum atraso esta coluna se predispõe a comentar a premiação da 56ª edição do Grammy Awards, que elege as principais gravações musicais do planeta – considere o planeta, nesse caso, como tudo acima do México e uma meia dúzia de países europeus. Mas, por dois motivos, essa mesma coluna vai se dedicar ao tema “rock”: a primeira é porque é do que esta coluna trata. A segunda, e principal: é a que mais explica como, às vezes, premiações não devem ser levadas tão à sério.
O gramofone dos sonhos (foto: reprodução)

        Eu bem que queria falar sobre todas as categorias, mas nenhuma premiação consegue ser mais inchada do que o Grammy: 82 categorias. Queria perder um tempo parabenizando o excelente trabalho de Lorde e Daft Punk, ou de gente como John Coltrane (vencedor na categoria “melhor nota de álbum”), ou ao Gypsy Kings (vencedores em “world music”), ou mesmo ao apresentador americano Stephen Colbert, vencedor na categoria “álbum falado”, mas vamos nos focar nas principais do velho ritmo.


Melhor performance de rock
Imagine Dragons – Radioactive (venceu)

                É difícil entender como uma banda como Imagine Dragons venceu, em seu sétimo ano de carreira, a categoria “melhor performance de rock”. Tudo bem, Radioactive é uma canção que prende, que é feita para multidões gritarem seu refrão. Mas dá mesmo pra chamar “rock” a batida que em bem pouco tempo se ouve uma guitarra (e mais um sampler digno de David Guetta)?  A situação só fica pior quando se comparam os concorrentes: The Stars, que marcam o retorno triunfal de David Bowie; My God is the Sun, do QOTSA. Ouçam e tirem suas próprias conclusões.



Melhor canção de rock
Cut me Some Slack – Paul McCartney e Nirvana (venceu)

        Eu tenho uma das minhas bandas favoritas entre os candidatos, mas achei que “Panic Station” é fraca e com um clipe beirando o ridículo; não é possível negar que, décadas após o seu auge, Black Sabbath e Rolling Stones ainda sabem como produzir excelentes composições e derreter uma multidão de corações; e torcia fortemente para que o prêmio fosse para Gary Clark, que pode ter apenas dois ou três discos, mas já se consolida como uma voz e guitarra extremamente sensível e habilidosa. Mas fica impossível, absolutamente im-pos-sí-vel competir com Paul McCartney, o Quico do mundo musical.
        Ele, que lançou o soberbo New no final do ano passado (podendo concorrer em 2015 apenas), ganhou com uma performance do final de 2012. Foi no 12.12.12, um evento de caridade para as vítimas do furacão Sandy, que ele se uniu aos três remanescentes do Nirvana – Krist Novoselic, Pat Smear e o primo-rico Dave Grohl – para a primeira reunião desde a morte de Kurt Cobain, o Rafael Ilha americano, em 1994.
        Com seus poderes de buraco-negro, Paul entortou os três e conseguiu uma canção nova que era a sua cara. Cut me some slack caberia muito bem em um álbum mais sombrio dos Wings, ou então não seria surpresa se ela aparecesse no lugar de “Helter Skelter” no Álbum Branco. Bastante metal, bastante barulho, mas ainda sim o rock com a cara de McCartney (ainda bem, pois se ficasse com a cara do Nirvana ia ser uma tristeza).


Melhor disco de rock
Celebration Day (Live) – Led Zeppelin (venceu)

        Se você já lê essa coluna há algum tempo, já entende meu raciocínio e provavelmente está se pensando “mas como você irá criticar o Led Zeppelin, a maior banda de todos os tempos etc etc etc?”. Pois bem, seu raciocínio está (meio) certo.

        Pois 2013 foi um ano excelente para o rock. Bem diferente dos anos anteriores, teve emoção já em seu oitavo – quando David Bowie cantou parabéns para si mesmo lançando a primeira música inédita em dez anos.O álbum dele, The Next Day, era para mim o favorito, o melhor, o mais bonito, o mais brilhante entre todos. Até outros que estão na lista me surpreenderam positivamente – depois de uns anos longe de sua banda de apoio, Neil Young retornou com a Crazy Horse e lançou um álbum potente e mais psicodélico do que muita coisa nos anos 90; quase sempre eleito o melhor do ano passado, ...Like clockwork realmente merecia alguma atenção, mas corre por fora em prêmios como esse, já que  não é mainstream o bastante. Até o Kings of Leon tirou de si o estigma de “banda de hits” e lançou um trabalho mais autoral, que não tem músicas tão chicletes como, por exemplo, Use Somebody.

        Tá, e o que tem o Led Zeppelin nisso?

        Pois bem, muitos comemoraram. E Celebration Day é realmente uma obra. Mas, visto o ano que o rock teve, por que dar o prêmio a um disco ao vivo lançado em 2012 – gravado em 2007? Pois é, Celebration foi gravado durante um show em memória a Ahmet Ertegun, presidente da Atlantic Records, que faleceu naquelejá longínquo ano. O empresário foi o responsável pelas gravações da banda, e a reunião foi justificada sobre isso.
        E que performance...mais...meh. Tudo bem, eu choraria litros vendo Jimmy Page e Robert Plant tocando em minha frente. Mas Plant já não era o mesmo – há sete anos, além de mais parecer um sósia do Pedro de Lara,  ele estava pálido, uma sombra dos agudos da década de 1970. Por isso, álbuns como o Led Zeppelin IV e Physical Graffiti deveriam ter sido indicados, respectivamente, em 1970 e 1976, para álbuns do ano - não o foram, e hoje existe meio que um "senso de justiça" nessa premiação tardia.

        A guitarra de Jimmy Page segue impecável, mas ao que parece, faltou ensaio para a banda. Foi o que eu senti ouvindo a minha canção favorita da banda, Stairway to heaven: nem o solo magistral parecia ter escapado de ganhar umas rugas.


        Pois bem, 2014 foi o ano em que o Grammy derrapou no rock. Em outras categorias, o script foi seguido: é impossível não coroar o grande trabalho do Daft Punk. Ou da jovem sensação Lorde. Agora, se você quer ter uma vitrolinha dessas em casa, saiba que alguns caminhos são bem fáceis. Basta lembrar que cinco presidentes americanos já ganharam um – Barack Obama tem dois, em 2006 e 2008. Como notamos esse ano, rock não é lá uma das prioridades do festival. Então não desista dos seus sonhos de ter um Grammy.

        Se bem que, ultimamente, anda mais fácil ser presidente dos Estados Unidos que roqueiro para se ter um desses.

Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: g.lazaro@outlook.com

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21 de janeiro de 2014

Não se fazem mais passados como antigamente #28 – Eu vos declaro guitarra-solo e guitarra-base




Made Up Mind_Tedeschi Trucks Band
Lançamento: 20 de agosto de 2013
Gravadora: Masterworks
Nota: 8,5/10




                (Quase) ninguém no Brasil notou. O máximo que aconteceu foi uma notinha no site daWhiplash: a Allman Brothers Band, uma das mais tradicionais bandas americanas de todos os tempos – e a favorita deste autor no país – vai perder os dois guitarristas da banda neste ano – o autor volta a insistir que eles são os melhores americanos em atividade hoje.  Enquanto Warren Haynes, o gordinho, vai focar a sua Gibson Les Paul em direção ao reggae blues de seu projeto paralelo, a Gov’tMule, Derek Trucks, um cabeludo loiro de 34 anos, decidiu sair para se doar inteiramente ao grupo que mantém com sua mulher.
                Mulheres. Destruindo bandas. Há uns 40 anos a gente se lembra de uma japonesa que acabou com uma daquelas bandas britânicas dos anos 60. Mas dessa vez, não precisamos ter taaaanto ódio assim. Derek Trucks e Susan Tedeschi são  daqueles em que se pode botar fé no futuro próximo.

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Susan Tedeschi (centro) e Derek Trucks, seu marido, à esquerda. (Foto: Reprodução)

                Derek Trucks. 34 anos mas, desde quando se apresentou pela primeira vez com o Allman Brothers (de onde o tio é baterista), uma joia rara. E quando isso aconteceu ele tinha apenas 13 anos! Como ele era pequeno demais para operar sua Gibson SG, ele adotou o uso do slide, que é a técnica de fazer som com um tubo. Essa técnica o consagrou e ele mantém até hoje, sendo o melhor da área ainda vivo.
                Depois de umas aparições aqui e ali na ABB, ele se juntou à banda em 2000. No único trabalho de estúdio em que ele contribuiu, o magistral Hittin the note, a sua contribuição é sentida de longe – Old Friend me dá arrepios há uns cinco anos. Em 2001, ele se casou com Susan Tedeschi, uma cantora e guitarrista que lembra, em alguns aspectos, Bonnie Raitt. Não demorou pra que nascesse a Derek Trucks & Susan Tedeschi Band, especializada em tocar covers de country e muita, mas muita improvisação (o famoso jam).
                Em 2011, já com o novo nome, veio o primeiro álbum: Revelator é uma porrada, com uma banda potente e grande (a TTB possuía 11 membros no palco à época), onde as funções de cada um estão bem estabelecidas: Susan canta, num timbre mais rasgado, e mantém uma guitarra-base bastante sólida. Trucks é responsável pelo espetáculo – e se Eric Clapton o considera um dos melhores dessa geração; e se a Rolling Stone o elegeu o 16º maior guitarrista de todos os tempos , o show vale muito. Midnight in Harlem é a prova de que habilidade não falta (Warren foi o 23º do mesmo ranking).
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                O disco mais atual, que não foi eleito em nenhuma lista dos “melhores de 2013”,dá uma sequência mais madura ao projeto. E ajudou os membros da banda, que agora eram 10, a se lançarem numa turnê maior, passando de fundo de festival (como foram no SWU, em 2011), para locações maiores (como teatros e casas de shows de verdade). O segredo está na grande experimentação experimentada por Derek, que é quem ainda atrai as atenções. A atuação “marido-e-mulher” é mais soturna que a apresentada pela Delaney and Boonie; mais descompromissada do que a Plastic Ono Band de Yoko e Lennon. E com uma alma muito mais verdadeiro do que Maria Cecília e Rodolfo.
                A guitarra, que no primeiro disco era tomada em slide, agora busca acordes mais gentis – dá pra falar que Part of me é uma canção fofa. Os solos, que são puxados por Trucks, tem a marca registrada da Allman Brothers, que é a jam: eles duram, no disco, um minuto. Mas ao vivo podem se estender por cinco, dez minutos. All That I Need é uma delas e The Storm é uma composição gutural de uma ponta a outra. Nada pode ser mais orgânico que isso, e há de se notar o mérito do guitarrista de beber em inúmeras fontes para criar novos caminhos com sua Gibson SG – ainda a mesma da infância.
                As 11 músicas não têm muito em comum a não ser a afinadíssima sintonia entre o casal – e uma participação da banda em si que é digna de nota. Entre os 8 membros, se encontram dois bateristas (que, combinemos, e um exagero), dois cantores de coro e um competente setor de sopro, com trompetista, flautista e saxofone. A interação produz um blues mais com a cara de um século XXI, às vezes com pegadas de ska e country com canções produzidas, mas muito pouco alteradas em estúdio. Convém lembrar aqui que, durante os shows, é quase impossível ver algum pedal de efeito na guitarra. O som é completamente puro e, mesmo não chegando ao top 10 de vendas, os críticos reconheceram a qualidade do grupo, e começaram a considerar a TTB como uma das apostas para o rock da terra do Tio Sam nesta década, junto com gente como Gary Clark Jr. e Phillip Phillips.
                E talvez essa promessa de crescimento e grandeza  fosse a principal causa para que Derek Truck abandonasse o barco da Allman Brothers Band, ao mesmo tempo em que o outro guitarrista também buscasse outros ares. A Gov’t Mule, mesmo existindo desde 1994, parece ter mais ainda para provar. Os dois se juntarão pela última vez à banda que os revelou na tradicional temporada que eles fazem no Beacon Theatre, em Nova York.

O autor volta a este texto para rifar seu rim e, assim, poder assistir um desses shows. Aproveita e avisa: não bebe, então ele o órgão está novinho e em condições de uso.


Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: g.lazaro@outlook.com

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7 de janeiro de 2014

Não se fazem mais passados como antigamente #27 - Ah, aquela voz...

Tem sempre aquela hora em que você se pega pensando sobre a qualidade surreal de uma letra de música: “Nossa, mas é muito minha vida”, eu mesmo já falei de canções do Pink Floyd, do Rush ou mesmo da Electric Light Orchestra. Mas, dependendo da canção, nem precisaria de profundidade na letra: certaz vozes são atrações por si só.
                Numa tarefa quase impossível (na qual pedi arrego para alguns amigos meus), escolhi cinco dos grandes vocais do rock em todos os tempos. Alguns são unanimidade. Outros foram fruto de debate. Mas todos são reconhecidos pelo seu caráter de “vinho”, que parecem ficar melhor com o passar do tempo.
                Para evitar polêmicas isso não é um ranking e não há ordem de colocação. E, paara incrementar a experiência, vamos colocar apenas o vocal das canções.



Ian Gillan, do Deep Purple
68 anos
Inglês Casa: Hard Rock
Tipo de voz: barítono (calça apertada)




                Ian Gillan entrou nessa lista pela gritaria. Mas não uma gritaria desordenada, de um cantor de black metal, por exemplo: seu vocal é completamente harmônico e controlado. E que controle: seu alcance vocal é simplesmente gigantesco, desde um tom grave até o famoso “quebra-taça”. Logo no primeiro álbum com a banda, ele gravou Child in Time, a canção abaixo, que até hoje me dá leves arrepios pelo volume a que chega o homem por detrás do microfone.
                Hoje ele ainda está na ativa, mas seu potencial de gritaria se foi – como ficou provado na última passagem da banda por São Paulo, em 2011. A resenha do último disco deles, lançado ano passado, você vê aqui.



Ainda vale a pena ouvir outro fã da calça apertada: Geddy Lee, do Rush.




Jon Anderson, ex-Yes
69 anos
Inglês
Casa: progressivo
Tipo de voz: Tenor (desde que o mundo é mundo)



                Eu lembro de, em setembro de 2012, assistir a um show dele em São Paulo, já em carreira solo (Jon deixou o Yes em 2008, depois de 40 nos, por problemas de saúde). E me supreendeu de, logo na primeira música, ver que o timbre dele continua o mesmo de quando lançado o primeiro álbum da banda, lá na época da TV preto-e-branco.
Muita gente discorda de mim até hoje (e não tiro a razão), mas Jon Anderson é o maior vocalista vivo. Sua voz, já fina de nascença, permite que ele abrisse um alcance vocal inédito. Com uma crise de asma em 2008 que o colocou entre a vida e a morte diversas vezes, sua respiração e agudos foram bastante danificados, o que fez com que suas músicas sofressem um remapeamento. Mas nada que prejudicasse a qualidade de um show que, por mais vazio que estivesse (tinham umas quinhentas pessoas lá), não me vai sair da mente tão cedo.
Abaixo, uma das obras-primas do tempo do Yes: Close to the Edge, de 1972. O ápice ocorre depois dos 7:00, quando sua voz se coloca em níveis impraticáveis para nós, reles humanos




Johnny Cash
Morto em 2003 aos 71 anos
Americano
Casa: Country e Gospel
Tipo de voz: barítono (aquela de macho)



                John R. Cash era conhecido como “o homem de preto”, pela sua imagem bastante sóbria em cima dos palcos. O que se refletia na forma de cantar: seu tom de voz é único entre todos aqui, já que era um exímio barítono. A entonação das canções, aliado ao gogó gravíssimo de Cash, parecia fazer o chão tremer. Realmente é coisa pra quem abre a tampa da garrafa de cerveja com a boca.

                Veja a capacidade de manter um tom baixo em uma de suas primeiras composições: Cry, Cry Cry, de 1957.






Freddie Mercury, do Queen
Morto em 1991 aos 45 anos
Inglês Casa: hard rock
Tipo de voz: Tenor (ou Divina, como preferir)




                A única unanimidade dessa lista era uma voz tão, mas tão variada que, quando ele falava, era um barítono, mas quando cantava, alcançava facilmente o tenor, a escala mais alta para um homem, e conseguia chegar até o soprano, que já é própria da voz feminina. Nos mais de 18 anos de carreira com o Queen, Freddie encheu estádios e emocionou homens e mulheres, como emociona até hoje: Bohemian Rhapsody (que a gente já resenhou aqui) da arrepios em 10 em cada 10 pessoas. Sim, ele é a maior voz que este planeta já viu, e não tem muito pela qual a gente possa fazer.
                Esse é o mais difícil de se escolher qual música é melhor. Podia ser qualquer uma, já que o perfeccionismo de Freddie com sua própria voz e questões como ritmo e sincronia era absurda. Então fiquemos com duas: Somebody to Love, do álbum A day at the races, de 1976; e a última grande canção de Mercury antes de sua morte, em 1991: The show must go on, do álbum Innuendo, poucos anos antes de sua morte.





Ronnie James Dio
Morto em 2010 aos 67 anos
Americano
Casa:Metal
Tipo de voz: Voz do Dio, que é perfeita e ponto.




                Me pediram para colocar Bruce Dickinson como representante dessa especialidade – a que de longe mais exige dos frontmen – e ele até tem um excelente comportamento em sua voz. Mas esse posto é algo que não é possível negociar: não há ninguém que consiga se comparar ao espírito presente na voz de Dio (que se chamava Ronnie James Padavona na vida real). Para quem acha que o capeta manda no metal , provavelmente vai encontrar provas disso na voz de Ronnie. Pois não há explicação plausível para esse dom.

               

Sim,  faltam nomes aqui: Robert Plant (Led Zeppelin); Paul Rodgers (Free/Queen); ou mesmo mulheres como Debbie Harris (Blonde) ou Tarja Turunen (Nightwish). Até mesmo Matt Bellamy, o jovem vocalista do Muse, entraria nessa lista Mas desses a gente fala outro dia. Por ora, esses "cantores de karaokê" dão pro gasto.

Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: g.lazaro@outlook.com

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24 de dezembro de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #26 – Rock de branquelo





(Pronounced 'Lĕh-'nérd 'Skin-'nérd)_Lynyrd Skynyrd
Gravadora: MCA
Lançamento: 13 de Agosto de 1973

Nota: 8,5 / 10






Este post está programado para a tarde de Natal, para pouco antes do pino do peru Sadia comprado pela sua mãe e assado por sua tia por parte de pai e avó subir. Não sabemos que horas vocês lerão isso, mas nossas estatísticas dizem que será na tarde de Natal, enquanto passa o filme sobre Jesus na Globo e o filme sobre Jesus também vai passar na Record, Band, canal de compras e na BBC. Vai ser nessa hora em que você não vai ter atualizações no facebook, ninguém pra responder no whatsapp e as fotos no instagram estarão vistas e devidamente curtidas. É nessa hora de puro e extremo tédio em que você vai parar na nossa coluna sobre um dos grandes álbuns da terra do Tio Sam.

                E onde, em nome da coluna e da Revista Friday, eu passo pra deixar um feliz Natal.
                                     
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                Mas sem chorumelas: tem gente que faz sucesso (90% dos artistas). Tem gente que faz muito sucesso e inova no que faz (foi assim com, por exemplo, o Thriller e o seu intéprete, Michael Jackson). Mas, de tudo o que eu já ouvi, é difícil achar algo que, na inocência de um álbum de estreia, ajuda a cimentar um dos símbolos americanos. Pois, até então, pouca coisa representava os caipiras americanos.
                Vamos lá: desde a guerra civil americana (norte contra sul, o fim da escravidão e tudo aquilo que você viu no filme “Lincoln”), os sulistas americanos, escravocratas e perdedores da batalha, ficaram marcados por símbolos puramente sociais e desprezíveis – a Ku Klux Klan e os caras vestidos de “Zé Gotinha” são os principais. E, no crescente cenário musical do século XX, os branquelos ainda viam os seus ex-escravos negros virarem o mundo da música de ponta-cabeça: Robert Johnson criou Crossroads, o blues definitivo; Little Richard mostrava ao mundo o que era o Rock and Roll e, já nos anos 60, ninguém segurava Jimi Hendrix ou Chuck Berry.
                Os brancos exploraram durante anos os negros, e não seria agora que eles deixariam de fazer isso: no final dos anos 60, o blues tradicional dos negros ganhou sua versão branca, com guitarras mais potentes e canções menos melódicas em temas que remetiam ao caipira sulista, ou redneck (“pescoço vermelho”, na tradução livre), como eram conhecidos. Os primeiros a chegar nesse novo ritmo eram o Creedence, com coisas mais elétricas como Bornin the Bayou, e a Allman Brothers Band, com uma maior inspiração de jazz e mais erudição, que é sentida na pele em canções como Whipping Post e MidnightRider.
                Mas o rock sulista não seria genuíno sem esses sete caras e a banda de nome difícil.


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Os sete do sul (Foto: Reprodução)

                Jacksonville, Florida. Década de 1960.
O diretor da escola dos membros suspende, pelo uso de cabelo longo, o vocalista, o guitarrista e o baterista de uma banda especialista em covers de Eric Clapton e outras bandas. Em sua homenagem, a banda, que se chamava One Percent, passaria a ser conhecida como Leonard Skinner. Mas, para evitar problemas, se trocaram algumas letras por “Y” e o resultado é o Lynyrd Skynyrd que todo mundo já ouviu falar na vida.
Em 1973 a banda recebe um convite da gravadora MCA para entrar no estúdio e, 35 dias depois, encerram-se as gravações do primeiro disco da banda. Já prevendo a dificuldade que seria pronunciar o nome da banda, a explicação vem no título (leia-se "lãnãrd skinêrd" ou algo assim). Mesmo chegando ao mercado cinco anos depois do primeiro disco do Creedence e quatro depois da estreia arrasadora do Allman, o Lynyrd tomou a vanguarda do movimento. E o segredo foi um misto de patriotismo com os solos mais potentes que o tio Sam já tinha visto.
O lado A do disco é mais voltado para as canções mais macias, as famosas baladas de rock de se tocar na rádio. E realmente Tuesday’s Gone e Simple Man estouraram nas paradas. O segredo delas é uma performance que a guitarra quase nunca perde o estrelato, seja em arpejos ou em solos bastante dramáticos e improvisados. Numa banda de sete, três eram os responsáveis pela guitarrada: Garry Rossington, Ed King e o grandalhão Allen Collins, que a gente fala mais pra frente.
Enquanto Creedence, Allman e outras bandas do gênero Southern bebiam na fonte da música negra e não negavam isso, o Skynyrd prossegui com o orgulho em alta. Entre a maior parcela dos fãs estavam motoqueiros e fazendeiros de estados do centro sul americano como Georgia, Louisiana, Mississipi e Tennessee. Para fortalecer ainda mais a imagem com o público, o vocalista da banda, Ronnie Van Zandt, hasteava a bandeira dos  confederados, que batia ainda mais no orgulho dos branquelos. Finalmente havia alguma identidade aos descendentes dos escravocratas (que não envolvesse queimar cruzes e maltratar negros).
Mas a banda sabia como agradar a todos falando de temas neutros como, por exemplo, a liberdade.  E se você quiser, pode fazer o teste: a canção final do disco, Free Bird, é a maior, mais eloquente, mais bonita, mais longa, mais profunda e mais emocionante canção de liberdade já escrita.
A banda tocando Free Bird nos estúdios da BBC: a bandeira
confederada era um dos orgulhos da banda (Foto: Reprodução)

A principal canção da história da banda e responsável por fechar o disco, Free Bird é um épico de dez minutos e oito segundos que tem seus dois lados da moeda: no primeiros minutos, a voz está decidida a sair, viver o mundo e ver as coisas que ele não conhece. O ritmo é de uma balada, guiada por uma guitarra slide. Depois do refrão, a tal voz se cansa, manda tudo às favas e tem o início do solo. Mas é um SOLO, com todas as letras maiúsculas mesmo.
Allen Collins, um cabeludo desengonçado de 1,91m, lidera incríveis cinco minutos de um solo nervoso, tenso de uma ponta a outra, com duas paradas de bateria, iguais às das escolas de samba, onde o êxtase de quem ouve chega ao limite. Escrita pelo guitarrista e pelo vocalista da banda, a canção parece mesmo escrita para ser ouvida em um carro conversível, numa rodovia, a mais de 120 por hora.
                Apesar do tamanho, digamos, inchado,  o single dela foi lançado na íntegra, e as mais de duas milhões de execuções em rádios FM, fizeram-na como uma das mais pedidas em todos os tempos nas estações americanas. O final do jogo Guitar Hero II conta com uma versão dela. E, nos bares e boates americanas, gritar por esta música equivale ao nosso “Toca Raul”. Ai de quem não tocar.

      Free Bird é o símbolo máximo do (Pronounced 'Lĕh-'nérd 'Skin-'nérd). Serviu também como um catalisador inegável de sucesso pra banda, pois afinal de contas não exaltava o orgulho em ser caipira e branco. E, no final das contas, ajudou a pavimentar o southern rock, que revelou os maiores guitarristas da história da América. E esse ponto alto na carreira da banda os seguiu até 1977, quado um acidente de avião matou três membros da banda e a desfigurou por completo. Por completo mas não para sempre, já que a banda existe até hoje e sai improvisando longos solos por aí como um pássaro voando bastante livre.

 


              


 E nos vemos em 2014.

 

               


Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: g.lazaro@outlook.com

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10 de dezembro de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #25 - Ao vivo o negócio é outro

Domingo, seis da manhã. Essa coluna começa a ser escrita essa hora, sob um sol incrível que, por questões de bom senso, não foi para o Instagram. Começa rápido, muitos toques por minuto – essa introdução foi em meio minuto ou menos. Mas começa sem assunto. Então eis que, ligando a TV em um desses canais da Cultura, qual não é a surpresa que, na mesma hora que Padre Marcelo canta para seus cinquenta, sessenta mil fieis, aparece o The Who destruindo seus instrumentos em My Generation?
                Vamos falar disso então. Ao que parece, quem sabe faz ao vivo.

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                Então, em meia hora, a coluna está pronta. Os discos essenciais ao vivo estão separados. Pra quem me chama de conservador ou chato na hora de falar de música, digo que ouvi vossas reclamações e, entre os essenciais, tem de tudo: gente que você pode ver ao vivo, gente que você pode ver em DVD (pois já morreu) e gente que você pode até tentar imitar em casa. Afinal de contas, mais do que deliciosos, são inspiradores. Vamos lá:


           


  Alchemy, do Dire Straits






                Antes daquele clipe inovador de Money For Nothing; antes de serem as estrelas a lotar o estádio de Wembley treze noites: antes de tudo isso, os caras do Dire Straits eram rapazes do subúrbio, pobres (o nome da banda é uma gíria para estar em “falência”) e que tocavam em casas pequenas, sem fazer muito barulho para que as pessoas conversassem. Mas o sucesso veio, e eles precisaram tocar em casas maiores. E quando esse dia chegou (dias: 22 e 23 de Julho de 1983), o resultado foi aterrador.
                A sonoridade é espetacular. O disco/VHS com o show mostra uma banda que é esforçada, que tem habilidade em certos momentos mas que, por mais que se esforce, não tira o foco das atenções para Mark Knopfler, “O” vocalista, guitarrista, compositor e chefe do circo. Estrelismo? Talvez, mas o cara realmente é muito bom.
                O que ouvir: Once upon a time in the West, Tunnel of Love e Sultans of Swing, que é esse orgasmo de guitarra abaixo ou, se você tiver tempo, o show todo. Duas vezes.

           

                Zoo TV, do U2
                Eu era fã dos caras com 12 anos. Era março de 2006 e, quando houve aquele frisson pela vinda deles ao Brasil, eu comprei o disco mais recente à época (How to dismanle an atomic bomb) e comecei a prestar atenção na produção deles. Porém nada, absolutamente nada, me hipnotizou mais do que o DVD com o show da turnê Zoo TV, realizado em 1993, na cidade de Sydney.
                Há quem fale na turnê do “360”, que foi megalômano, que era transcendental, mas nem ela consegue se comparar à primeira megaturnê da banda – e, consequentemente, da história. Pois naquela época, até mesmo Bono Vox não era um bom rapaz (fumava, bebia e tudo o que um rockstar faz).  Além da superprodução, o caráter de “crítica à era moderna” dava o tom.
O palco era decorado com antenas; gigantescos telões reproduziam o que se passava na TV (no show do DVD a programação é a da TV australiana, e Bono fica zapeando os canais, pra lá e pra cá). Ele encarna o demônio McPhisto e liga, em algum momento, para a um número da região, simplesmente para falar com alguém que lhe dê ouvidos – um diabo deprimido. Enfim, tudo o que jamais houve em cima do palco veio tudo de uma vez para um show da banda irlandesa. A turnê seguinte, Popmart, foi ainda maior, ainda mais gigante, mas a música...
                O que ouvir: Mysterious Ways, Even Better Than The Real Thing ou, se você tiver tempo, o show todo.

       

             

            
P*U*L*S*E, do Pink Floyd.






A Hammersmith Apollo, uma casa de espetáculos em Londres, é um dos solos mais sagrados para o rock. Ali o Dire Straits gravou o Alchemy e, em 1994, o Pink Floyd fazia um de seus últimos shows na face da terra, antes do vocalista e líder da banda, David Gilmour, dizer chega (e deixar milhões de corações em pedaços).
                A turnê que promoveu o disco de adeus da banda, TheDivision Bell, era tudo menos discreta: luzes, projeções, e um inspiradíssimo grupo (que além dos quatro membros principais, contava com coro, um segundo guitarrista, baterista e tecladista). Nessas 2h24 de show, o principal destaque é a execução do principal álbum da banda na íntegra: as dez faixas do Dark Side of the Moon ao vivo são feitas sob medida para arrepiar pelos de braços e pernas (como já dissemos pra vocês lá no começo dessa coluna).
                O que ouvir: qualquer uma, mas Run Like Hell e a versão de quase dez minutos do hino Confortably Numb, que sempre será, na opinião do reles autor aqui, a versão definitiva e a resposta sobre todas as coisas. Se você tiver tempo, qual é o problema em ver o show todo? Eu mesmo já o fiz, umas trinta ou quarenta vezes mesmo...

           


 One More Car, One More Rider, de Eric Clapton 






                A frase “Clapton is god” foi pixada nos muros de Londres em 1963. Mas só na época de lançamento desse disco/DVD que a coisa realmente fez sentido. Gravado em agosto de 2001 em duas noites no Staples Center, arena em Los Angeles, o show era parte da turnê do disco Reptile. O palco, ao contrário dos caras do U2, não tinha nada. O que dava total atenção ao homem atrás da guitarra.
                O cantor mistura os clássicos que essa coluna já mandou goela abaixo para vocês: Layla, Cocaine, Badge, River of Tears e outras com músicas mais conhecidas e recentes. Outra face do guitarrista é bastante visível: durante os anos 90  ele desenvolveu alguns trabalhos com violão, e o reflexo disso é parte do show ser acústica.
                O que ouvir: Tears in Heaven, Change the World ou, se você tiver tempo, o show todo.
        

                H.A.A.R.P, do Muse      
                Sim, os anos 2000 revelam grandes shows. Inspirados um pouco no Zoo TV (eles também têm antenas no palco) e na iluminação do Pink Floyd, o trio mostra, em uma hora e meia, o que a maioria das bandas de hoje levariam dez, quinze horas em cima do palco fazendo.
                O segredo da coisa toda é, sem dúvida, Matt Bellamy, uma versão moderna e infinitamente inferior ao Freddie Mercury. Mas, muito longe de ser ruim, Bellamy comanda pianos e uma guitarra que, em todos esses anos nessa indústria vital, foi a primeira vez que me aparece. O talento dele – e por que não dos outros dois da banda que eu mal lembro o nome – pode ver visto na íntegra no YouTube, um show que arrepiou mais de 134.287 pessoas no estádio de Wembley nas noites de 16 e 17 de Junho - foi a primeira banda a esgotar os ingressos no novo estádio.
                O que ouvir: Kinghts of Cydonia, Plugin Baby e o cover feroz  de Feeling Good, de Nina Simone ou, se tiver tempo, o show todo. Ou, se tiver dinheiro, vá ao Lolla 2014 e veja-os ao vivo.
          

                Rock em Seine 2007, do Arcade Fire
                Um amigo meu mandou o vídeo desse show via e-mail, desses corporativos quando você tá entediado, com a seguinte descrição “assiste só essa intro e tá bom”. Assisti a tal introdução, coisa de vinte segundos e, nessa semana e meia em que ele me indicou, já vi o show inteiro três vezes.
                Se em 2007 o Arcade era apenas uma banda indie com dois bons álbuns produzidos (Funeral e Neon Bible) e um clipe ou outro na faixa matinal da MTV, a sua atuação em cima do palco parece fazê-los tratar-se de veteranos do pop mundial. Nesse show do tradicional festival francês, os integrantes – treze, quinze, sei lá eu – são ativíssimos, barulhentos e, ao mesmo tempo, bastante melódicos. Se a grande preocupação de uma banda alternativa é parecer alternativa sobre todas as coisas, o que parece pairar sobre o Arcade Fire é apenas o desejo de uma ótima performance.
                O que ouvir: a introdução extremamente zoeira; o show todo e, se sobrar grana, compra também ingresso pro Lolla - o Arcade se apresenta pela primeira vez em oito anos no país, isso no segundo dia do festival.

E, aqui duas semanas, na véspera de Natal, a resenha do galo para vocês. Stay tuned.

Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: g.lazaro@outlook.com

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