Made Up Mind_Tedeschi
Trucks Band
Lançamento: 20 de agosto de 2013Gravadora: Masterworks
Nota: 8,5/10
(Quase)
ninguém no Brasil notou. O máximo que aconteceu foi uma notinha no site daWhiplash: a Allman Brothers Band, uma das mais tradicionais bandas americanas
de todos os tempos – e a favorita deste autor no país – vai perder os dois guitarristas
da banda neste ano – o autor volta a insistir que eles são os melhores
americanos em atividade hoje. Enquanto
Warren Haynes, o gordinho, vai focar a sua Gibson Les Paul em direção ao reggae blues de seu projeto paralelo, a Gov’tMule, Derek Trucks, um cabeludo loiro de 34 anos, decidiu sair para se doar
inteiramente ao grupo que mantém com sua mulher.
Mulheres.
Destruindo bandas. Há uns 40 anos a gente se lembra de uma japonesa que acabou
com uma daquelas bandas britânicas dos anos 60. Mas dessa vez, não precisamos ter taaaanto ódio assim. Derek Trucks e Susan Tedeschi são
daqueles em que se pode botar fé no futuro próximo.
Derek
Trucks. 34 anos mas, desde quando se apresentou pela primeira vez com o Allman
Brothers (de onde o tio é baterista), uma joia rara. E quando isso aconteceu ele tinha apenas 13 anos! Como ele era pequeno demais para operar sua Gibson
SG, ele adotou o uso do slide, que é
a técnica de fazer som com um tubo. Essa técnica o consagrou e ele mantém até
hoje, sendo o melhor da área ainda vivo.
Depois
de umas aparições aqui e ali na ABB, ele se juntou à banda em 2000. No único
trabalho de estúdio em que ele contribuiu, o magistral Hittin’ the note, a sua
contribuição é sentida de longe – Old Friend me dá arrepios há uns cinco anos. Em 2001,
ele se casou com Susan Tedeschi, uma cantora e guitarrista que lembra, em
alguns aspectos, Bonnie Raitt. Não demorou pra que nascesse a Derek Trucks
& Susan Tedeschi Band, especializada em tocar covers de country e muita,
mas muita improvisação (o famoso jam).
Em
2011, já com o novo nome, veio o primeiro álbum: Revelator é uma porrada, com uma banda potente e grande (a TTB
possuía 11 membros no palco à época), onde as funções de cada um estão bem
estabelecidas: Susan canta, num timbre mais rasgado, e mantém uma guitarra-base
bastante sólida. Trucks é responsável pelo espetáculo – e se Eric Clapton o
considera um dos melhores dessa geração; e se a Rolling Stone o elegeu o 16º maior guitarrista de todos os tempos ,
o show vale muito. Midnight in Harlem
é a prova de que habilidade não falta (Warren foi o 23º do mesmo ranking).
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O disco
mais atual, que não foi eleito em nenhuma lista dos “melhores de 2013”,dá uma
sequência mais madura ao projeto. E ajudou os membros da banda, que agora eram
10, a se lançarem numa turnê maior, passando de fundo de festival (como foram no SWU, em 2011), para locações maiores (como teatros e casas de shows de verdade). O segredo está na grande experimentação experimentada por Derek, que é quem ainda atrai as atenções. A
atuação “marido-e-mulher” é mais soturna que a apresentada pela Delaney and Boonie; mais descompromissada do que a Plastic Ono Band de Yoko e Lennon. E com uma alma muito mais verdadeiro do que
Maria Cecília e Rodolfo.
A
guitarra, que no primeiro disco era tomada em slide, agora busca acordes mais gentis – dá pra falar que Part of me é uma canção fofa. Os solos,
que são puxados por Trucks, tem a marca registrada da Allman Brothers, que é a jam: eles duram, no disco, um minuto. Mas
ao vivo podem se estender por cinco, dez minutos. All That I Need é uma delas e The Storm é uma composição gutural de uma ponta a outra. Nada pode ser mais
orgânico que isso, e há de se notar o mérito do guitarrista de beber em
inúmeras fontes para criar novos caminhos com sua Gibson SG – ainda a mesma da infância.
As
11 músicas não têm muito em comum a não ser a afinadíssima sintonia entre o
casal – e uma participação da banda em si que é digna de nota. Entre os 8
membros, se encontram dois bateristas (que, combinemos, e um exagero), dois
cantores de coro e um competente setor de sopro, com trompetista, flautista e
saxofone. A interação produz um blues
mais com a cara de um século XXI, às vezes com pegadas de ska e country com canções produzidas, mas muito pouco
alteradas em estúdio. Convém lembrar aqui que, durante os shows, é quase
impossível ver algum pedal de efeito na guitarra. O som é completamente puro e,
mesmo não chegando ao top 10 de vendas, os críticos reconheceram a qualidade do
grupo, e começaram a considerar a TTB como uma das apostas para o rock da terra
do Tio Sam nesta década, junto com gente como Gary Clark Jr. e Phillip Phillips.
E
talvez essa promessa de crescimento e grandeza fosse a principal causa para
que Derek Truck abandonasse o barco da Allman Brothers Band, ao mesmo tempo em
que o outro guitarrista também buscasse outros ares. A Gov’t Mule, mesmo
existindo desde 1994, parece ter mais ainda para provar. Os dois se juntarão
pela última vez à banda que os revelou na tradicional temporada que eles fazem
no Beacon Theatre, em Nova York.
O autor volta a este texto para
rifar seu rim e, assim, poder assistir um desses shows. Aproveita e avisa: não
bebe, então ele o órgão está novinho e em condições de uso.
Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: g.lazaro@outlook.com

















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