#05: Visibilidade Trans

Confira na capa do mês de fevereiro da Revista Friday, uma entrevista sobre os desafios de uma pessoa trans, com a ativista LGBT Rebecka de França.

INTERNET: Mudanças, tecnologia e Google+

Confira algumas mudanças que o google+ realizou para agradar os usuários.

Conexão Canadá: Vancity- The Journey begins

Camila Trama nos conta um pouco de seu intercâmbio em alguns lugares do Canadá.

CINEMA: Sassy Pants

Rebeldia, insatisfação e as paixões fazem parte do cotidiano de todos os adolescentes, confira a resenha do filme Sassy Pants.

VITRINE: O universo feminino de Isadora Almeida

Inspirada por ilustrações de moda, estamparia e coisas que vê por aí, conheça o trabalho da ilustradora mineira Isadora Almeida.

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4 de março de 2014

NSFMPCA #31 - Quem vem pro Lolla (Parte I)




Black Holes and Revelations_Muse
Data de Lançamento:
 3 de Julho de 2006
Gravadora:
Helium 3 / Warner Bros.
Nota: 8,5/10

              

Nesse mês de março vamos usar as duas colunas de música para falar das bandas que vem ao Lollapalooza 2014 – o festival hipster que reúne, em um só lugar, a maior quantidade de garotas ruivas, coturnos Doc Martens e bandas que nem você, nem sua mãe, nem ninguém conhece – mas que todos são fãs incondicionais.
Por exemplo: na edição deste ano, além dos destaques, temos gente como Illya Kuriaki and the Valderramas (?), ou então o legendário FTAMPA (?????) ou então – plmdds esse não – CONE CREW DIRETORIA. Não sei se é o caso de “chamar os mulekes” ali da região de Interlagos, onde será o show. Mas eles não são tão bem-vindos assim no meio da hipsterama toda. 
De volta ao assunto, para evitar polêmicas, falaremos apenas dos principais: no primeiro dia, os britânicos do Muse ocuparão o palco principal. E, entre os seis discos deles, um deles merecia estar na prateleira de todos os fãs de rock. E é sobre ele que a gente vai descer a lenha agora.

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Eu tenho um passatempo muito divertido (ao menos pra mim) de comparar músicos com escritores: considero Bruce Springsteen como um escritor russo, cheio de dramas e descrições; o Aerosmith como um daqueles romances baratos para o público feminino; David Bowie com a ironia de um Philip Roth, e assim por diante. E o Muse, com suas letras um tanto paranoicas, só pode lembrar George Orwell, o gênio por detrás de “Revolução dos Bichos” e “1984”.

Talvez essa nunca tenha sido a intenção da banda – um trio poderoso formado no litoral sul da Inglaterra em 1994. Os três esforçados rapazes, Matt Bellamy e...os outros dois, levaram cinco anos para conseguir lançar o disco de estreia, Showbiz, que era bom mas teve propaganda mínima. Mas o segundo álbum da banda, o bastante elétrico Origin of Symmetry, mostrou que o poderio dos três era muito, mas muito maior do que as bandas da mesma época. Além do mais, eles conseguiam  se destacar com uma melodia incomum à época: sim, eles faziam rock progressivo com peças como Plug In Baby, New Born e em Feeling Good, um cover de uma canção dos anos 60.

Pois em 2006, depois de três anos sem lançar nada (o último tinha sido o disco Absolution, que lançou o nome da banda para o mundo), o trio voltou com uma abordagem totalmente diferente. Black Holes... não é um disco conceitual, mas suas letras correm para o lado oposto da música: em 2006, relembremos, a moda era cortar os pulsos com canções de amor derretidas e franjas e all stars riscados à caneta (e eu sei que você já teve o seu).

E então aparece uma banda cantando sobre: Corrupção (a abertura apocalíptica de Take a Bow), invasão alienígena (Exo-Politics), ateísmo e outros temas. Pra piorar, a capa é de autoria do britânico Sotmr Thorgeson, o mesmo responsável pelas capas dos discos do Pink Floyd. Nela, quatro homens estão numa mesa, com ternos estranhos e cavalos andando no tampo, provavelmente em Marte (já que a Terra está ao fundo). Provavelmente banda e autor da capa não batem bem da cabeça.

E é essa loucura, de quase ir na contramão da indústria musical, que elevou o Muse, de banda de apoio em festivais, à estrela de si mesma. O virtuosismo e as constantes misturas de instrumentos de corda e metal atraíram não só a atenção dos jovens revolts, mas também da crítica especializada.  A turnê que veio em seguida rendeu à banda o primeiro DVD, gravado em três noites lotadas no novo estádio de Wembley, em Londres. O nome? H.A.A.R.P. – o nome de um projeto ultra secreto do governo americano.

Grande parte do mérito de Black Holes... cabe à Matt Bellamy, o cabeça do projeto. A revista britânica Total Guitar tascou em 2010 o título de “Jimi Hendrix de sua década” ao magrelo. E não é exagero: sua habilidade musical espanta em qualquer direção – ele toca piano, tem um vocal de tenor com uma extensão impressionante (vide a canção de 2009 Dead Star), é capaz de dar vida à composições impressionantes e uma habilidade na guitarra que o coloca entre os melhores da década de 2000. O solo de Invincible, uma das melhores do álbum, cabe fácil entre os 100 grandes solos de todos os tempos.


Mas nem ela consegue ser a melhor do disco. Isso fica difícil quando a faixa final é nada menos que Knights of Cydonia. Do ponto de vista estrutural, ela é bem estranha – seis minutos e apenas dois versos – mas o grau de dificuldade a que estão expostos os instrumentos (guitarra, baixo, voz e um ocasional trompete) a torna uma das composições mais espetaculares de nossa era. Sem brincadeira. Não à toa os intrincados solos da música acabaram por ir parar no jogo Guitar Hero III, responsável pelo primeiro contato de muita gente com a banda.

E eles vem ao Brasil para dois shows totalmente diferentes do que a banda vem vivendo. A turnê do disco mais recente, o pouco convincente The 2nd Law, lotou arenas no mundo todo e tem o palco mais megalômano desde o 360 do U2. E por aqui o trio revive, no Lollapalooza, os shows de festivais a que estão acostumados desde o começo da carreira. Mas o mais interessante é o show paralelo que farão no Grand Metrópole, uma casa no centro de São Paulo: como uma banda que não toca para menos de 80 mil pessoas há anos vai reagir num show para pouco mais de 2000 cidadãos? Como é assistir um show intimista de uma banda feita para os melhores espetáculos em estádios?

Por isso devemos manter um olho no peixe e outro no gato. Com vinte anos de carreira, o Muse entra no hall de bandas como o Cream e o Rush, que são trios que soam como bandas bem maiores. E há quem critique a mistura de “rock moderno” e das guitarras berrantes de Matt Bellamy com o piano e melodias agudas. Bata lembrar que, nos anos 1970, uma certa banda recebeu as mesmas críticas. E seu líder, um tal Freddie Mercury, nada fez além de não dar ouvidos. Que o Muse se inspire neles.


Muse


Sideshows Lollapalooza apresenta: Muse

Dia 3 de Abril (quinta)

Grand Metrópole (Avenida São Luís, 187 - República, São Paulo – SP)

Ingressos: R$ 125 (meia) e R$ 250 (inteira), disponível no site da Tickets for Fun




Lollapalooza dia 1- Palco Principal

Dia 5 de Abril (sábado)
Autódromo de Interlagos (Av. Sen. Teotônio Vilela, 261, São Paulo – SP)
Ingressos: de R$145 (meia para um dia) até R$540 (inteira para os dois dias do festival), disponível no site da Tickets for Fun





Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: guilherme@revistafriday.com.br

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18 de fevereiro de 2014

NSFMPCA #30 - Polainas, laquê e uma guitarra d'outro mundo




Purple Rain_Prince and the Revolution

Data de Lançamento:25 de junho de 1984
Gravadora: Warner Bros.
Nota: 8,5 / 10




                Tem certas coisas que a gente gosta muito, mas não consegue simplesmente explicar o porquê de tanto amor. Muita gente sofre assim com lasanha e eu com aqueles Frooty Loops extremamente viciantes. Com música então, fica difícil. Mas o caso mais icônico é o de eu ser um fã do Prince. Eu falo para alguns amigos que gosto dele, mas nem eu mesmo sei a razão de que, se eu pudesse, usaria uma camisa com a foto deste ser na rua na rua.


Capa de seu segundo álbum, em 1979. Ele nunca bateu bem mesmo...

 
    Prince Rogers Nelson. Esse cara tem história – demais – pra contar.

                Aos 55 anos, ele já foi um ícone da disco, do pop, do rock. Nunca teve a fama de ser uma pessoa sociável – como cantor e produtor, era um workaholic que permitia poucas intromissões em seu trabalho. Tem uma vida pessoal obscura que conta com um mar de celebridades entre seus affairs. Depois de uns belos 15 anos no auge da carreira, se converteu a um Testemunha de Jeová, inclusive recebendo porta na cara em sua cidade natal, Minneapolis. Apesar da enigmática figura que é o seu logo (uma mistura dos símbolos masculino e feminino), ele sempre está cercado de belíssimas mulheres no palco.

                Só deu um azar na vida: é um mês mais novo que um certo Michael Jackson, que fez sombra à quase toda a sua carreira. Mas isso não significa que Prince deixou de dar seus pulinhos.

                E aí chegamos em Purple Rain.

                O que pode ter em especial como um disco como esse é a sua exímia produção comandada pelo cantor – como na grande maioria dos seu álbuns, ele é responsável pela composição de TODAS as letras e da gravação de TODOS os instrumentos. Na faixa de abertura, Let’s go Crazy, ouvem-se diversos instrumentos assinados por ele: uma bateria em ritmo de funk metal, um sintetizador que às vezes é bastante irritante, e uma guitarra que você simplesmente não quer acreditar como é possível – pouca gente sabe, mas Prince também é listado como um dos 20 maiores guitarristas de todos os tempos.

                Vale a pena escutar os grandes singles deste álbum, feito para o filme de mesmo nome cuja estrela é o próprio cantor. Além de Let’s Go..., When Doves Cry e I would die 4 U são exemplos de como a música de Prince é quase sempre uma nuvem, que transita entre o comercial (de música pra rádio) e o conceitual – como a faixa-final que deu fama eterna ao baixinho de Minneapolis.


              
             Até hoje eu sinto sinceros arrepios ouvindo Purple Rain, e não são necessárias muitas razões. Na versão de estúdio são mais de oito minutos de canção em uma balada arrastada, uma voz extremamente melosa que deve ter embalado 95% dos casais ao redor do mundo há 30 anos atrás. Como a especialidade de Prince é a guitarra mesmo, a parte final é um solo de magnífico, o melhor de sua carreira.

Apesar do cantor sumir no começo da década de 2000, ele retornou em grande estilo, ainda com a mão nervosa em sua Fender Telecaster, e protagonizando shows épicos – em 2007, ele cantou no intervalo do Super Bowl, cantando Foo Fighters e Bob Dylan. Hoje ele excursiona como convidado em uma banda que ajuda a produzir, a 3RDEYEGIRL, composta por três habilidosíssimas (e por um acaso belíssimas) damas. Como Prince mandou tirar quase todos os seus vídeos do YouTube, pouco sobrou além de uma das mais recentes canções da banda, "Fixurlifeup" (algo como "fix your life up").

Na noite do dia 4 deste mês ele apresentou o seu mais novo álbum, Plectrum electrum. Como manda o enigmatismo de Prince, o show foi em uma arena de Londres, destinado a 300 felizardos.

E ele continua ali, ainda o mesmo, como um dos mais underrated de sua época. Ainda cantando, ainda sendo o “mandão” em cima do palco. Mas mandando excelentemente bem.





Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: g.lazaro@outlook.com

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21 de janeiro de 2014

Não se fazem mais passados como antigamente #28 – Eu vos declaro guitarra-solo e guitarra-base




Made Up Mind_Tedeschi Trucks Band
Lançamento: 20 de agosto de 2013
Gravadora: Masterworks
Nota: 8,5/10




                (Quase) ninguém no Brasil notou. O máximo que aconteceu foi uma notinha no site daWhiplash: a Allman Brothers Band, uma das mais tradicionais bandas americanas de todos os tempos – e a favorita deste autor no país – vai perder os dois guitarristas da banda neste ano – o autor volta a insistir que eles são os melhores americanos em atividade hoje.  Enquanto Warren Haynes, o gordinho, vai focar a sua Gibson Les Paul em direção ao reggae blues de seu projeto paralelo, a Gov’tMule, Derek Trucks, um cabeludo loiro de 34 anos, decidiu sair para se doar inteiramente ao grupo que mantém com sua mulher.
                Mulheres. Destruindo bandas. Há uns 40 anos a gente se lembra de uma japonesa que acabou com uma daquelas bandas britânicas dos anos 60. Mas dessa vez, não precisamos ter taaaanto ódio assim. Derek Trucks e Susan Tedeschi são  daqueles em que se pode botar fé no futuro próximo.

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Susan Tedeschi (centro) e Derek Trucks, seu marido, à esquerda. (Foto: Reprodução)

                Derek Trucks. 34 anos mas, desde quando se apresentou pela primeira vez com o Allman Brothers (de onde o tio é baterista), uma joia rara. E quando isso aconteceu ele tinha apenas 13 anos! Como ele era pequeno demais para operar sua Gibson SG, ele adotou o uso do slide, que é a técnica de fazer som com um tubo. Essa técnica o consagrou e ele mantém até hoje, sendo o melhor da área ainda vivo.
                Depois de umas aparições aqui e ali na ABB, ele se juntou à banda em 2000. No único trabalho de estúdio em que ele contribuiu, o magistral Hittin the note, a sua contribuição é sentida de longe – Old Friend me dá arrepios há uns cinco anos. Em 2001, ele se casou com Susan Tedeschi, uma cantora e guitarrista que lembra, em alguns aspectos, Bonnie Raitt. Não demorou pra que nascesse a Derek Trucks & Susan Tedeschi Band, especializada em tocar covers de country e muita, mas muita improvisação (o famoso jam).
                Em 2011, já com o novo nome, veio o primeiro álbum: Revelator é uma porrada, com uma banda potente e grande (a TTB possuía 11 membros no palco à época), onde as funções de cada um estão bem estabelecidas: Susan canta, num timbre mais rasgado, e mantém uma guitarra-base bastante sólida. Trucks é responsável pelo espetáculo – e se Eric Clapton o considera um dos melhores dessa geração; e se a Rolling Stone o elegeu o 16º maior guitarrista de todos os tempos , o show vale muito. Midnight in Harlem é a prova de que habilidade não falta (Warren foi o 23º do mesmo ranking).
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                O disco mais atual, que não foi eleito em nenhuma lista dos “melhores de 2013”,dá uma sequência mais madura ao projeto. E ajudou os membros da banda, que agora eram 10, a se lançarem numa turnê maior, passando de fundo de festival (como foram no SWU, em 2011), para locações maiores (como teatros e casas de shows de verdade). O segredo está na grande experimentação experimentada por Derek, que é quem ainda atrai as atenções. A atuação “marido-e-mulher” é mais soturna que a apresentada pela Delaney and Boonie; mais descompromissada do que a Plastic Ono Band de Yoko e Lennon. E com uma alma muito mais verdadeiro do que Maria Cecília e Rodolfo.
                A guitarra, que no primeiro disco era tomada em slide, agora busca acordes mais gentis – dá pra falar que Part of me é uma canção fofa. Os solos, que são puxados por Trucks, tem a marca registrada da Allman Brothers, que é a jam: eles duram, no disco, um minuto. Mas ao vivo podem se estender por cinco, dez minutos. All That I Need é uma delas e The Storm é uma composição gutural de uma ponta a outra. Nada pode ser mais orgânico que isso, e há de se notar o mérito do guitarrista de beber em inúmeras fontes para criar novos caminhos com sua Gibson SG – ainda a mesma da infância.
                As 11 músicas não têm muito em comum a não ser a afinadíssima sintonia entre o casal – e uma participação da banda em si que é digna de nota. Entre os 8 membros, se encontram dois bateristas (que, combinemos, e um exagero), dois cantores de coro e um competente setor de sopro, com trompetista, flautista e saxofone. A interação produz um blues mais com a cara de um século XXI, às vezes com pegadas de ska e country com canções produzidas, mas muito pouco alteradas em estúdio. Convém lembrar aqui que, durante os shows, é quase impossível ver algum pedal de efeito na guitarra. O som é completamente puro e, mesmo não chegando ao top 10 de vendas, os críticos reconheceram a qualidade do grupo, e começaram a considerar a TTB como uma das apostas para o rock da terra do Tio Sam nesta década, junto com gente como Gary Clark Jr. e Phillip Phillips.
                E talvez essa promessa de crescimento e grandeza  fosse a principal causa para que Derek Truck abandonasse o barco da Allman Brothers Band, ao mesmo tempo em que o outro guitarrista também buscasse outros ares. A Gov’t Mule, mesmo existindo desde 1994, parece ter mais ainda para provar. Os dois se juntarão pela última vez à banda que os revelou na tradicional temporada que eles fazem no Beacon Theatre, em Nova York.

O autor volta a este texto para rifar seu rim e, assim, poder assistir um desses shows. Aproveita e avisa: não bebe, então ele o órgão está novinho e em condições de uso.


Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: g.lazaro@outlook.com

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29 de outubro de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #22 – Caso de polícia (DOSSIÊ)

                Algumas bandas de rock podem ser comparadas à palitos de fósforo. Vejam só vocês o Rolling Stones, 51 anos e meio queimando. Aerosmith é um fósforo vermelhinho americano, queimando à base de cocaína e narcóticos desde 1969. Teve banda de rock que queimava feito louca mas quando o vocalista morreu ela apagou – a esse caso pode –se falar do Doors, do Queen ou mesmo do Nirvana.
                Agora, convenhamos: nenhum desses “fósforos” queimou tão rápido e tão bem quanto o The Police. Em cinco anos a banda nasce, morreu e deixou uma legião de fãs com o babador no queixo.

*
Em 1978: Stewart, Sting, Andy (Reprodução)

                Deve ter sido dificílimo o ano de 1978. Imagina você o petróleo ainda explodindo de preço. Imagina a ditadura na América Latina toda. Pior de tudo: IMAGINA O PUNK ROCK!  Numa época onde Johnny Rotten e banda sacudiam o mundo com uma variante engraçada de anarquismo (que incluía um empresário capitalista mão-de-ferro, Malcolm McLaren, por trás), numa época onde se tocar músicas gritas e rápidas com dois ou três acordes era a inovação do século, nos subúrbios de Londres pequenas bandas ainda mostravam o poder de uma composição mais bonita.
                Entre elas, uma banda com a formação mais variada possível: o baterista, Stewart Copeland, era um americano filho de um ex-espião da CIA e uma ex-espiã inglesa (daí provavelmente o nome da banda).  O guitarrista, Andy Summers, oito anos mais velho que todo mundo na banda, já tinha tocado algum tempo com Eric Burdon &The Animals. E o baixista, um loiro de apelido Sting, era filho de um leiteiro e uma cabeleireira. A cara da banda de garagem – e a alma também, já que o primeiro single da banda nasceu com um orçamento de 150 libras.









Gravadora: A&M Records

Lançamento: 2 de novembro de 1978

Nota: 9,5 / 10




                Após assinar um contrato com a gravadora A&M e se livrar do guitarrista Henry Padovani, a banda seguiu para um pequeno estúdio nos arredoes de Londres e concebeu o primeiro álbum, o Outlandos D’Amour. As canções são cruas, com muito pouco tratamento – marca das novas bandas de rock da época- mas extremamente variadas. Há o rock descompromissado da elegante abertura Next to You; ou o reggae de Can’t Stand Losing You e da final So Lonely.  O álbum não fez  sucesso na época do lançamento (meses depois ele engararia nas paradas americana e britânica), mas o que seria do rock sem o toque de veludo de Roxanne, que questiona um tema tão pesado numa melodia tão mas tão mas tãããããããããããão linda?






Gravadora: A&M Records


Lançamento: 5 de outubro de 1979
Nota: 8,5 / 10




                A banda seguiu a carreira baseada em uma fusão de pop, rock e reggae. E também seguiu com a tradição de nomes difíceis nos álbuns. O segundo, ironicamente cunhado Regatta de Blanc (ou “reggae de branco”, como eles eram chamados), tem uma produção melhor, uma direção melhor. A banda perde o medo que normalmente existe na produção do primeiro álbum e busca umas texturas aqui e ali, alguma coisa mais caprichada. E, pela primeira vez, a banda do loiro dos baixos alcançou o primeiro lugar nas paradas.
O punk definhava pelos cantos, dando espaço aos novos ritmos mais soturnos como o gótico e o pop da Joy Division (a.k.a. “melhor banda de tumblr rock”). E, estranhamente, o rock voltava a tomar um rumo ascendente – Bruce Springsteen virava o chefe na América e o Queen se consolidava na Europa. E o Police, transitando entre esses dois continentes, com uma canção sobre solidão, sobre alguém ler sua história – enfim, sobre uma mensagem na garrafa. O sucesso foi imediato na Inglaterra (número 1) e Austrália. Outra canção de destaque no álbum é a mezzo britânica mezzo jamaicana “Walking on the Moon”.






Gravadora: A&M Records

Lançamento: 3 de outubro de 1980
Nota: 9 / 10



O terceiro filho, Zenyattà Mondatta, é o último a vir com nomes sem sentido. Mas a qualidade musical colocou o Police entre as maiores do seu tempo –e a deixa lá até hoje.  O som começa a ter mais cara de rock e menos do ritmo jamaicano que permeava os primeiros trabalhos. Ícones musicais dos anos 80 como Don’t Stand So Close To Me (cujo refrão viraria a introdução de outro hino dos anos 80, Money for Nothing, dos Dire Straits) e a chiclete De Do DoDo, De Da Da Da tornaram o Zenyattà um sucesso de crítica e venda (2x platina nos EUA), quando as canções de rock tendiama ser mais curtas, de tiro rápido, sem os solos e jams de bandas dos anos 70 (Nesse mesmo ano, o Yes se afundava numa crise existencial com um álbum, de nome Drama, que parecia vir do passado. E a faixa de abertura tinha dez minutos e meio. O álbum seguinte, já com a cara dos anos 80, estourou em vendas graças a músicas com riffs chicletes como essa).
E o fósforo continua a queimar. Forte, com uma chama altíssima.

Então a banda vai para o quarto trabalho em quarto anos. Entre produção, lançamento e turnês, deve ter havido pouquíssimo tempo de férias. Se você já se cansa de encontrar alguns companheiros de trabalho de segunda a sexta, imagina competir em egos – e alguns beijos de fãs – com dois amigos seus por anos a fio? Óbvio, essa bomba ia estourar – mas não agora.






Gravadora: A&M Records
Lançamento: 2 de outubro de 1981
Nota: 7 / 10





Lançando o quarto álbum no aniversário de três ano do primeiro, agora o The Police era uma banda completamente dentro dos anos 80. Tanto que a capa do Ghost in the Machine era um exemplo máximo da tecnologia da época: três displays de números com uma breve caricatura dos membros da banda – Sting é o do meio, com o cabelo espetado. Pela primeira vez a banda usa o sintetizador de maneira mais pesada, rompendo os laços com o reggae quase definitivamente.
O que não significa que seja ruim. O grande single do álbum, Every Little thing she does is magic, é bastante ritmada, com um grande desempenho de Stewart Copeland e, devido ao uso demasiado de tecladinhos, quase não se ouve a guitarra de Andy Summers. Por isso que Ghost foi o primeiro álbum a contar com os constantes desentendimentos entre o trio.
Mesmo assim, como um fósforo desses persistentes, eles seguiram. O ano de 1982 foi o primeiro a não contar com álbuns da banda, mas em 1983 a banda chegou com uma caixa com tantos sucessos que pagava 1982 com juros. Parecia que, novamente, Sting, Copeland e Summers entraram em sincronia novamente.







Gravadora: A&M Records
Lançamento: 1º de junho de 1983
Nota: 9 / 10




Usando o teclado como um quarto membro da banda, o grupo voou em novas texturas, ritmos mais acelerados e letras –ainda- mais voltadas pra rádios. Synchronicity era tão meloso que todos nós até hoje não tiramos da cabeça a letra de Every Breath You Take, primeiro single do disco. Se você, como eu, é um stalker, pode até se identificar com a letra.
Outro elemento que dá uma graça extra ao disco é o xilofone tocado por Copeland. Canções como a clássica King of Pain e a faixa-título, dividida em duas partes, geraram clipes, três Grammy e um mar de dinheiro tão grande que não parou de jorrar até hoje.
Mas, durante a turnê, a ferida causada pelos desentendimentos entre os três não sarava. E crescia, inflamava. E chegou ao ponto crítico: após o show de encerramento da turnê do último trabalho, em março de 1984, a banda se dissolveu por um tempo, buscando projetos solos. Depois do concerto final em Melbourne, Austrália, eles nunca mais entrariam em um estúdio novamente.


*

A banda rachou-se e cada um foi pro seu lado, cada um fazendo sua carreira solo decolar. Sting foi aturar em filmes e seguir cantando musiquinhas melosas –  (If you love somebody) Set Them Free é uma delas; Copeland gravou trilhas sonoras para filmes e inclusive chegou a lançar trabalhos com nomes falsos. Andy Summers gravou o estranhíssimo I Advanced Masked com outra lenda da guitarra: Robert Fripp, líder dos King Crimson.


*

Em 2008, na mesma ordem da primeira foto (Reprodução)

E assim o fósforo se apagou. Em 5 anos, queimou como poucos. As tentativas de reunião foram aos montes: em 1986 eles se juntaram para um show da Anistia Internacional e inclusive tentando gravar algumas músicas novas. Mas o baterista sofreu um acidente jogando polo e o máximo que conseguiram foi regravar a canção Don’t Stand so Close to Me, do Zenyattà. Em 2003 a banda foi indicada ao Hall da Fama do Rock and Roll, e tocou apenas três músicas (aqui a sexy versão de Roxanne). Em 2007 a surpresa: a banda resolve sair em turnê – inclusive num histórico show pra mais de 75 mil pessoas no Maracanã.
Aí todos os fãs deram os braços, fecharam os olhos e falara: Agora vai.
Mas depois do fim da turnê, num show em Nova York numa quinta-feira de Agosto de 2008, Stewart Copeland foi seco: a banda nunca mais subirá aos palcos novamente.1
            Mas, pelos 5 anos de carreira, 25 anos de legado e pelos cinco minutos dessa música que nunca vai sair de nossas cabeças, talvez tenha valido a pena. Muito.





Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email:g.lazaro@outlook.com

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15 de outubro de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #22 – Caindo de paraquedas









Parachutes_Coldplay
Gravadora: Capitol
Lançamento:10 de Julho de 2000
Nota:8/10




                Bato no peito e falo: adoro usar esse espaço na Revista Friday pra falar do rock antigo, aquela coisa envolvente e gostosa. Sério mesmo . Mas, e quando você dá de cara com um disco ótimo, responsável por marcar sua infância, quando ele tocava horas e horas numa Mix FM que joça que ainda tocava rock? E, principalmente, quando ele é um dos marcos do rock no novo milênio?
                Não sei vocês, mas eu engulo o choro e falo bem sobre ele do mesmo jeito.

*   *   *

                Era uma vez, lá pra 1996, quatro amigos: Guy Berryman, Jon Buckland, Will Champion e Chris Martin – esse último o cara loiro que todo mundo conhece. Numa época em que o Pink Floyd não existia mais, o Guns n' Roses estava em hiato e a  crítica se perguntava o sobre o OKComputer, os quatro eram a banda de garagem-padrão: dos primeiros shows em Londres até o primeiro single – a engraçadíssima Ode to deodorant – foram dois anos.

                E assim foi, pelos anos de 1999 e 2000, na gravação do primeiro trabalho, o Parachutes, o álbum de estreia da banda.  A preocupação de mostrar serviço é visível e o disco não possui o clichê dos álbuns de estreia – um monte de covers. Todas as canções do álbum são de autoria do grupo, diferente das outras grandes bandas britânicas da época – a saber: Oasis, Blur, Radiohead e o ainda-caçula Muse – o Coldplay apostava em canções mais calmas no disco. Os shows em si eram matadores, mesmo que nos primeiros shows ninguém soubesse quem era o Coldplay e a plateia sempre era pequena.
                Enfim, de volta ao álbum: não é crime se você chamar o disco de um álbum com músicas de elevador. São canções com uma linha mais macia, com o uso de guitarras na medida certa. A canção Spies, por exemplo, regida pelo violão de Martin em metade do tempo e pela guitarra do Buckland em outra metade. O inverso acontece em Shiver, primeiro single da banda. Ela é, antes de mais nada, dona de uma melodia linda – uma das melhores do século XXI até agora. A letra, especial para casais, mostra ao mundo a voz de Chris. Sério, uma p*%@ voz.

 
           
                É difícil comparar a voz de Martin com outros vocalistas. A resenha da revista inglesa NME já alertava, ainda no primeiro álbum, a versatilidade na qual alternava a composição de baladas, canções alegres e mais introspectivas. Martin, além disso, incorporava quase como um Elton John moderno (e provavelmente hetero). Ele criou e interpretou algumas das mais belas trilhas de piano do rock, seja pela mais conhecida delas, Trouble, seja pela faixa de encerramento, a esplêndida Everything’s not Lost e seus sete minutos.

                E vejam vocês: até agora não falamos da quinta faixa., conhecida por lançar a banda para o sucesso espacial; conhecida por ser o rock-símbolo de uma geração; e conhecida por estar nos celulares de pelo menos sete entre dez amigos seus (faça o teste), Yellow é uma daquelas canções para não nos deixar dúvidas quando nos perguntamos “tá, mas será que eles vão seguir em frente?”Assim foi Creep para o Radiohead , e assim também foi Wonderwall para os irmãos Gallagher.  O álbum por si só é tão gostoso de se ouvir por inteiro, tão sólido nas composições (sempre assinadas pelos quatro inseparáveis, caso raríssimo no mundo do entretenimento) de tal maneira que nem era necessário citar aqui nesta resenha esse sucesso das rádios.

*   *   *

                Até que, para um álbum cuja capa é um globo comprado por 10 libras, Parachutes  é uma gratíssima surpresa. A banda, vencedora do Grammy de música alternativa com ele,  soube espalhar seu material – os clipes traziam inovações  e se tornaram a marca registrada da banda. Um ano depois, após os atentados de 11/9, a banda veio com A Rush of Blood to the Head e outra cachoeira de hits – eu (quase) chorei com o clipe de The Scientist. E aí os shows começaram a encher mais e mais e mais..

                Há apenas 13 anos. Agora tente ir num show deles. Vai lá ver o que te acontece.





Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: guilherme@revistafriday.com

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3 de outubro de 2013

Eu Acho que já Ouvi!#4- Don't Worry be Happy de Bobby McFerrin

A "musica boa" é um termo popularmente usado para expressar a qualidade de um som. Os nossos ouvidos muito tem a agradecer pelo alento. Para ilustrar, dos cinco sentidos a audição é o primeiro a desenvolver-se no feto e o que permite o primeiro contato com o mundo. Contudo, essa sensibilidade pode ser equiparada ao nosso coração. Ao caminhar por ai cantarolamos, criando sons diferentes para imitar instrumentos musicais, assobios e batucadas na mesa de trabalho. Isso é arte! Voilà...
Exemplo os Beat Box que apenas com a vibração vocal reproduzem fielmente sons de instrumentos que vão desde metais a cordas e percussões.
  


Agora dá para imaginar um artista que transforma sua única voz em duetos ou trio?
É possível para Bobby Mc Ferrin, que nasceu no dia 11 de março de 1950 em New York. Esse cantor possui a habilidade de produzir sons rítmicos enquanto inala o ar para fazer os seus vocais em de grande criatividade. É filho de cantores de opera e a sua sina foi seguir esse mesmo caminho trabalhando como instrumentista, simulando diversas sonoridades.
Em 1988, McFerrin teve um grande sucesso com "Don't Worry, Be Happy" e ele ficou sem jeito com seu inesperado" boom" comercial, ganhando até o Grammy por ser um artista intrínseco. 

Essa canção retrata de uma forma simples, que a vida não deve ser encarada tão duramente. Ele aponta em cada estrofe situações do cotidiano que causa aborrecimentos e preocupações. É uma canção amiga que te faz pensar.  A tradução literal do titulo é " Não se preocupe, seja feliz". 
Fiquem agora com o vídeo e letra desse grande sucesso:




Don't Worry Be Happy


Here's a little song I wrote

You might want to sing it note for note

Don't worry, be happy



In every life we have some trouble

But when you worry you make it double

Don't worry, be happy



Don't worry, be happy now

Oo, ooo...



Don't worry, be happy(4x)

Oo, ooo...



Ain't got no place to lay your head

Somebody came and took your bed

Don't worry, be happy



The land-lord say your rent is late

He may have to litigate

Don't worry, be happy



Look at me, I'm happy



Don't worry........ be happy



let me give you my phone number

when you worry, call me I will make you happy



Don't worry...... be happy



Ain't got no cash, ain't got no style

Ain't got no girl to make you smile

Don't worry, be happy



'Cause when you worry your face will frown

And that will bring everybody down

So don't worry, be happy



Don't worry, be happy now

Oo, ooo...



Don't worry, be happy (4X)

Oo, ooo...



Don't worry, don't worry, don't do it, be happy

Let the smile on your face

Don't bring everybody down like this



Don't worry, people will soon pass

what ever it is



Don't worry, be happy



I am not worried, "I am happy"




Não Se Preocupe, Seja Feliz

(Tradução)


Aqui está uma pequena canção que escrevi

Você pode cantá-la nota por nota

Não se preocupe, seja feliz



Em toda vida existem problemas

Mas enquanto se preocupa você os duplica

Não se preocupe, seja feliz



Não se preocupe, seja feliz agora

Oo, ooo...



Não se preocupe, seja feliz

Não se preocupe, seja feliz



Não tem um lugar para deitar a sua cabeça

Alguém levou a sua cama

Não se preocupe,seja feliz



Seu senhorio diz que o aluguel atrasou

Ele terá que questionar em juízo

Não se preocupe, seja feliz



Olhe para mim, Eu sou feliz



Não se preocupe, seja feliz



Deixe me dar o meu telefone

Quando você se preocupar, me telefone eu te farei feliz



Não se preocupe, seja feliz



Não tem dinheiro e nem estilo

Não tem garota para fazê-lo sorrir

Não se preocupe,seja feliz



Porque quando você se preocupa sua face franzi

E isso leva todos para baixo

Então não se preocupe,fique feliz



Não se preocupe,fique feliz agora

Oo, ooo...



Não se preocupe,seja feliz

Oo, ooo...



Não se preocupe, não se preocupe, não faça isso ,seja feliz

Deixe um sorriso na sua face

Não deixe todos pra baixo



Não se preocupe as pessoas passarão logo

Seja o que for



Não se preocupe,seja feliz



Eu não estou preocupado, eu estou feliz
Por: Paloma Saints
De: Matão-SP
Email: p.saintslive@gmail.com

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