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INTERNET: Mudanças, tecnologia e Google+

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VITRINE: O universo feminino de Isadora Almeida

Inspirada por ilustrações de moda, estamparia e coisas que vê por aí, conheça o trabalho da ilustradora mineira Isadora Almeida.

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12 de novembro de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #23 - Teclado: amigo ou inimigo?

             Pete Townshend, o guitarrista do The Who, canta num refrão de uma velha canção dos anos 70: Long Live Rock. Uma frase antes, ele lembra: Rock is dead they say. Sim, o “eles” – eu, você, seu tio metaleiro – garantem que o bom e velho rock morreu, foi enterrado – e, em certas oportunidades, se contorce no túmulo. Culpados a gente sempre traça no velório. E todo mundo sempre cita um dos mesmos nomes: o maldito sintetizador.


Retrato falado do provável assassino
                Maldito? Bem, essa questão é polêmica. Nunca existe um lado só da história.
                Realmente, o marco do fim da grande era chamada "rock" é o início do crescimento dos sintetizadores. Até 1978 as bandas eram baixo, bateria, guitarra e vocal e, depois disso (e com a entrada dos primeiros tecladistas nas bandas) o uso desse instrumento parecia levar alguns dos grandes músicos a um lado mais preguiçoso e muito, mas muito menos criativo. O Queen, em seus primeiros discos, trazia um selo no encarte em que dizia No Sytnethizers. No álbum The Game, de 1980, a frase é : “esse álbum inclui a primeira aparição de um sintetizador (um Oberheim OBX) num disco do Queen”. Coincidência ou não, foi a partir daí que a banda engatou numa ascendente negativa, com alguns dos piores discos dos anos 80, tais como o Hot Space e a trilha do filme Flash Gordon.
                O The Police, que falamos no post passado, era uma das mais influentes bandas de reggae rock e mantinha-se como uma das novas gerações do rock na nova década. Porém, após o uso do primeiro sintetizador no disco Ghost in the Machine, a banda entrou em uma espiral estranha, onde o guitarrista Andy Sumers ia sumindo e o fenomenal baterista Stewart Copeland sumia em batidas cada vez mais simples. A banda se separou em pouco tempo.
                O Van Halen sofreu um pouco com isso. O The Who resolveu colocar um holofote no seu tecladista no álbum It’s hard, em 1982 – e só conseguiu lançar algo de novo em 2006. A lista é longa, e grandes bandas decaíram ou começaram a conhecer seu fim quando enfiaram um Moog ou um órgão Hammond nas suas composições.
               
*
Jon Lord: os tecladistas também amam

                Bendito? Sim, os teclados também são a marca de algumas das maiores bandas a passar pela Terra.
                Os fab four de Cambridge, mais conhecidos como Pink Floyd, foram quem talvez administraram melhor essa ideia: o tecladista Richard Wright é considerado um dos dos melhores de todos os tempos e autor de obras inimagináveis com seu telcado – Sysyphus, de 1969, é uma das mais vanguardistas peças com o instrumento. Ainda no reino do progressivo, Keith Emerson (da Emerson, Lake and Palmer) e Rick Wakeman, famoso pela sua passagem pelo Yes, são lembrados como magos das teclas.
                Geddy Lee ainda impressiona quem assiste o Rush: costuma tocar baixo, cantar e ainda tocar teclado – só ver ele durante Subdivisions (ou qualquer outra canção) e você vai entender. Porém a modesta opinião que traça essas linhas considera que nenhum deles possa engraxar os sapatos de Jon Lord. Se podemos falar de uma ponta morta pelo teclado, falemos dele na outra onde ele conseguia ser lembrado e idolatrado – sem fazer solos de guitarra ou vocais gritados. Durante os shows de sua banda, a Deep Purple, ele ficava quase sempre no canto esquerdo do baterista, sem chamar muita atenção, acompanhando o ritmo da banda. Quando o espaço se abria, ele acabava propondo solos e releituras de canções que são melhores que os solos de guitarra da própria banda. Ele saiu da banda em 2002, mas em seu lugar entrou Don Airey, que já tinha trabalhado com Ozzy e criado a abertura de Crazy Train.

*

                Morto ou vivo, a entrada do teclado mostrou a certas bandas que o negócio delas era o mercado pedisse novas sonoridades, talvez aquela não fosse a praia deles. E foi isso o que aconteceu: um número grande de bandas ou morreu na década de 80 ou entrou em um grande hiato. Mas talvez sem o teclado e os novos ritmos mais eletrônicos, não teríamos bandas como Radiohead, Muse e outros arrasa-quarteirões por aí.
                Hoje em dia o culto ao solo de guitarra e às composições mais clássicas vêm crescendo –e com isso, bandas como o Van Halen e o Black Sabbath voltam à ativa. Coincidência? Apenas o próximo riff poderá dizer.

                (P.S.: a canção Lazy,do Deep Purple, graças a alguns votos que colhi com o tempo, é o chamado “solo de teclado definitivo”. A capacidade de improvisação de Jon Lor - que faleceu ano passado- torna um simples blues uma obra que normalmente passa os dez minutos. Concordem ou não, lá vai uma pequena amostra pra vocês.)




Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: g.lazaro@outlook.com

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29 de outubro de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #22 – Caso de polícia (DOSSIÊ)

                Algumas bandas de rock podem ser comparadas à palitos de fósforo. Vejam só vocês o Rolling Stones, 51 anos e meio queimando. Aerosmith é um fósforo vermelhinho americano, queimando à base de cocaína e narcóticos desde 1969. Teve banda de rock que queimava feito louca mas quando o vocalista morreu ela apagou – a esse caso pode –se falar do Doors, do Queen ou mesmo do Nirvana.
                Agora, convenhamos: nenhum desses “fósforos” queimou tão rápido e tão bem quanto o The Police. Em cinco anos a banda nasce, morreu e deixou uma legião de fãs com o babador no queixo.

*
Em 1978: Stewart, Sting, Andy (Reprodução)

                Deve ter sido dificílimo o ano de 1978. Imagina você o petróleo ainda explodindo de preço. Imagina a ditadura na América Latina toda. Pior de tudo: IMAGINA O PUNK ROCK!  Numa época onde Johnny Rotten e banda sacudiam o mundo com uma variante engraçada de anarquismo (que incluía um empresário capitalista mão-de-ferro, Malcolm McLaren, por trás), numa época onde se tocar músicas gritas e rápidas com dois ou três acordes era a inovação do século, nos subúrbios de Londres pequenas bandas ainda mostravam o poder de uma composição mais bonita.
                Entre elas, uma banda com a formação mais variada possível: o baterista, Stewart Copeland, era um americano filho de um ex-espião da CIA e uma ex-espiã inglesa (daí provavelmente o nome da banda).  O guitarrista, Andy Summers, oito anos mais velho que todo mundo na banda, já tinha tocado algum tempo com Eric Burdon &The Animals. E o baixista, um loiro de apelido Sting, era filho de um leiteiro e uma cabeleireira. A cara da banda de garagem – e a alma também, já que o primeiro single da banda nasceu com um orçamento de 150 libras.









Gravadora: A&M Records

Lançamento: 2 de novembro de 1978

Nota: 9,5 / 10




                Após assinar um contrato com a gravadora A&M e se livrar do guitarrista Henry Padovani, a banda seguiu para um pequeno estúdio nos arredoes de Londres e concebeu o primeiro álbum, o Outlandos D’Amour. As canções são cruas, com muito pouco tratamento – marca das novas bandas de rock da época- mas extremamente variadas. Há o rock descompromissado da elegante abertura Next to You; ou o reggae de Can’t Stand Losing You e da final So Lonely.  O álbum não fez  sucesso na época do lançamento (meses depois ele engararia nas paradas americana e britânica), mas o que seria do rock sem o toque de veludo de Roxanne, que questiona um tema tão pesado numa melodia tão mas tão mas tãããããããããããão linda?






Gravadora: A&M Records


Lançamento: 5 de outubro de 1979
Nota: 8,5 / 10




                A banda seguiu a carreira baseada em uma fusão de pop, rock e reggae. E também seguiu com a tradição de nomes difíceis nos álbuns. O segundo, ironicamente cunhado Regatta de Blanc (ou “reggae de branco”, como eles eram chamados), tem uma produção melhor, uma direção melhor. A banda perde o medo que normalmente existe na produção do primeiro álbum e busca umas texturas aqui e ali, alguma coisa mais caprichada. E, pela primeira vez, a banda do loiro dos baixos alcançou o primeiro lugar nas paradas.
O punk definhava pelos cantos, dando espaço aos novos ritmos mais soturnos como o gótico e o pop da Joy Division (a.k.a. “melhor banda de tumblr rock”). E, estranhamente, o rock voltava a tomar um rumo ascendente – Bruce Springsteen virava o chefe na América e o Queen se consolidava na Europa. E o Police, transitando entre esses dois continentes, com uma canção sobre solidão, sobre alguém ler sua história – enfim, sobre uma mensagem na garrafa. O sucesso foi imediato na Inglaterra (número 1) e Austrália. Outra canção de destaque no álbum é a mezzo britânica mezzo jamaicana “Walking on the Moon”.






Gravadora: A&M Records

Lançamento: 3 de outubro de 1980
Nota: 9 / 10



O terceiro filho, Zenyattà Mondatta, é o último a vir com nomes sem sentido. Mas a qualidade musical colocou o Police entre as maiores do seu tempo –e a deixa lá até hoje.  O som começa a ter mais cara de rock e menos do ritmo jamaicano que permeava os primeiros trabalhos. Ícones musicais dos anos 80 como Don’t Stand So Close To Me (cujo refrão viraria a introdução de outro hino dos anos 80, Money for Nothing, dos Dire Straits) e a chiclete De Do DoDo, De Da Da Da tornaram o Zenyattà um sucesso de crítica e venda (2x platina nos EUA), quando as canções de rock tendiama ser mais curtas, de tiro rápido, sem os solos e jams de bandas dos anos 70 (Nesse mesmo ano, o Yes se afundava numa crise existencial com um álbum, de nome Drama, que parecia vir do passado. E a faixa de abertura tinha dez minutos e meio. O álbum seguinte, já com a cara dos anos 80, estourou em vendas graças a músicas com riffs chicletes como essa).
E o fósforo continua a queimar. Forte, com uma chama altíssima.

Então a banda vai para o quarto trabalho em quarto anos. Entre produção, lançamento e turnês, deve ter havido pouquíssimo tempo de férias. Se você já se cansa de encontrar alguns companheiros de trabalho de segunda a sexta, imagina competir em egos – e alguns beijos de fãs – com dois amigos seus por anos a fio? Óbvio, essa bomba ia estourar – mas não agora.






Gravadora: A&M Records
Lançamento: 2 de outubro de 1981
Nota: 7 / 10





Lançando o quarto álbum no aniversário de três ano do primeiro, agora o The Police era uma banda completamente dentro dos anos 80. Tanto que a capa do Ghost in the Machine era um exemplo máximo da tecnologia da época: três displays de números com uma breve caricatura dos membros da banda – Sting é o do meio, com o cabelo espetado. Pela primeira vez a banda usa o sintetizador de maneira mais pesada, rompendo os laços com o reggae quase definitivamente.
O que não significa que seja ruim. O grande single do álbum, Every Little thing she does is magic, é bastante ritmada, com um grande desempenho de Stewart Copeland e, devido ao uso demasiado de tecladinhos, quase não se ouve a guitarra de Andy Summers. Por isso que Ghost foi o primeiro álbum a contar com os constantes desentendimentos entre o trio.
Mesmo assim, como um fósforo desses persistentes, eles seguiram. O ano de 1982 foi o primeiro a não contar com álbuns da banda, mas em 1983 a banda chegou com uma caixa com tantos sucessos que pagava 1982 com juros. Parecia que, novamente, Sting, Copeland e Summers entraram em sincronia novamente.







Gravadora: A&M Records
Lançamento: 1º de junho de 1983
Nota: 9 / 10




Usando o teclado como um quarto membro da banda, o grupo voou em novas texturas, ritmos mais acelerados e letras –ainda- mais voltadas pra rádios. Synchronicity era tão meloso que todos nós até hoje não tiramos da cabeça a letra de Every Breath You Take, primeiro single do disco. Se você, como eu, é um stalker, pode até se identificar com a letra.
Outro elemento que dá uma graça extra ao disco é o xilofone tocado por Copeland. Canções como a clássica King of Pain e a faixa-título, dividida em duas partes, geraram clipes, três Grammy e um mar de dinheiro tão grande que não parou de jorrar até hoje.
Mas, durante a turnê, a ferida causada pelos desentendimentos entre os três não sarava. E crescia, inflamava. E chegou ao ponto crítico: após o show de encerramento da turnê do último trabalho, em março de 1984, a banda se dissolveu por um tempo, buscando projetos solos. Depois do concerto final em Melbourne, Austrália, eles nunca mais entrariam em um estúdio novamente.


*

A banda rachou-se e cada um foi pro seu lado, cada um fazendo sua carreira solo decolar. Sting foi aturar em filmes e seguir cantando musiquinhas melosas –  (If you love somebody) Set Them Free é uma delas; Copeland gravou trilhas sonoras para filmes e inclusive chegou a lançar trabalhos com nomes falsos. Andy Summers gravou o estranhíssimo I Advanced Masked com outra lenda da guitarra: Robert Fripp, líder dos King Crimson.


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Em 2008, na mesma ordem da primeira foto (Reprodução)

E assim o fósforo se apagou. Em 5 anos, queimou como poucos. As tentativas de reunião foram aos montes: em 1986 eles se juntaram para um show da Anistia Internacional e inclusive tentando gravar algumas músicas novas. Mas o baterista sofreu um acidente jogando polo e o máximo que conseguiram foi regravar a canção Don’t Stand so Close to Me, do Zenyattà. Em 2003 a banda foi indicada ao Hall da Fama do Rock and Roll, e tocou apenas três músicas (aqui a sexy versão de Roxanne). Em 2007 a surpresa: a banda resolve sair em turnê – inclusive num histórico show pra mais de 75 mil pessoas no Maracanã.
Aí todos os fãs deram os braços, fecharam os olhos e falara: Agora vai.
Mas depois do fim da turnê, num show em Nova York numa quinta-feira de Agosto de 2008, Stewart Copeland foi seco: a banda nunca mais subirá aos palcos novamente.1
            Mas, pelos 5 anos de carreira, 25 anos de legado e pelos cinco minutos dessa música que nunca vai sair de nossas cabeças, talvez tenha valido a pena. Muito.





Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email:g.lazaro@outlook.com

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