Pete Townshend, o guitarrista do The Who, canta num refrão
de uma velha canção dos anos 70: Long Live Rock. Uma frase antes, ele lembra:
Rock is dead they say. Sim, o “eles” – eu, você, seu tio metaleiro –
garantem que o bom e velho rock morreu, foi enterrado – e, em certas
oportunidades, se contorce no túmulo. Culpados a gente sempre traça no velório.
E todo mundo sempre cita um dos mesmos nomes: o maldito sintetizador.
Maldito?
Bem, essa questão é polêmica. Nunca existe um lado só da história.
Realmente,
o marco do fim da grande era chamada "rock" é o início do crescimento dos sintetizadores. Até 1978 as bandas eram baixo, bateria, guitarra e vocal e, depois disso (e com a entrada dos primeiros tecladistas nas bandas) o uso desse instrumento parecia levar alguns dos grandes músicos a um lado mais preguiçoso e muito, mas
muito menos criativo. O Queen, em seus primeiros discos, trazia um selo no
encarte em que dizia No Sytnethizers.
No álbum The Game, de 1980, a frase é
: “esse álbum inclui a primeira aparição de um sintetizador (um Oberheim OBX)
num disco do Queen”. Coincidência ou não, foi a partir daí que a banda engatou
numa ascendente negativa, com alguns dos piores discos dos anos 80, tais como o
Hot Space e a trilha do filme Flash Gordon.
O The
Police, que falamos no post passado,
era uma das mais influentes bandas de reggae
rock e mantinha-se como uma das novas gerações do rock na nova década.
Porém, após o uso do primeiro sintetizador no disco Ghost in the Machine, a banda entrou em uma espiral estranha, onde
o guitarrista Andy Sumers ia sumindo e o fenomenal baterista Stewart Copeland
sumia em batidas cada vez mais simples. A banda se separou em pouco tempo.
O Van
Halen sofreu um pouco com isso. O The Who resolveu colocar um holofote no seu
tecladista no álbum It’s hard, em
1982 – e só conseguiu lançar algo de novo em 2006. A lista é longa, e grandes
bandas decaíram ou começaram a conhecer seu fim quando enfiaram um Moog ou um
órgão Hammond nas suas composições.
*
| Jon Lord: os tecladistas também amam |
Bendito?
Sim, os teclados também são a marca de algumas das maiores bandas a passar pela
Terra.
Os fab four de Cambridge, mais conhecidos
como Pink Floyd, foram quem talvez administraram melhor essa ideia: o
tecladista Richard Wright é considerado um dos dos melhores de todos os tempos
e autor de obras inimagináveis com seu telcado – Sysyphus, de 1969, é uma das mais vanguardistas peças com o instrumento. Ainda no reino do progressivo,
Keith Emerson (da Emerson, Lake and Palmer) e Rick Wakeman, famoso pela sua
passagem pelo Yes, são lembrados como magos das teclas.
Geddy
Lee ainda impressiona quem assiste o Rush: costuma tocar baixo, cantar e ainda
tocar teclado – só ver ele durante Subdivisions (ou qualquer outra canção)
e você vai entender. Porém a modesta opinião que traça essas linhas considera
que nenhum deles possa engraxar os sapatos de Jon Lord. Se podemos falar de uma
ponta morta pelo teclado, falemos dele na outra onde ele conseguia ser lembrado
e idolatrado – sem fazer solos de guitarra ou vocais gritados. Durante os shows
de sua banda, a Deep Purple, ele ficava quase sempre no canto esquerdo do
baterista, sem chamar muita atenção, acompanhando o ritmo da banda. Quando o espaço se abria, ele acabava propondo solos e releituras de canções que são melhores que os solos de guitarra da própria banda. Ele saiu da banda em 2002, mas em seu
lugar entrou Don Airey, que já tinha trabalhado com Ozzy e criado a abertura de
Crazy Train.
*
Morto ou vivo, a entrada do teclado mostrou a certas bandas que o negócio delas era o mercado pedisse novas sonoridades, talvez aquela não fosse a
praia deles. E foi isso o que aconteceu: um número grande de bandas ou morreu na
década de 80 ou entrou em um grande hiato. Mas talvez sem o teclado e os novos
ritmos mais eletrônicos, não teríamos bandas como Radiohead, Muse e outros
arrasa-quarteirões por aí.
Hoje em
dia o culto ao solo de guitarra e às composições mais clássicas vêm crescendo –e
com isso, bandas como o Van Halen e o Black Sabbath voltam à ativa. Coincidência?
Apenas o próximo riff poderá dizer.
(P.S.:
a canção Lazy,do Deep Purple, graças
a alguns votos que colhi com o tempo, é o chamado “solo de teclado definitivo”. A capacidade de improvisação de Jon Lor - que faleceu ano passado- torna um simples blues uma obra que normalmente passa os dez minutos.
Concordem ou não, lá vai uma pequena amostra pra vocês.)
Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: g.lazaro@outlook.com


























