#05: Visibilidade Trans

Confira na capa do mês de fevereiro da Revista Friday, uma entrevista sobre os desafios de uma pessoa trans, com a ativista LGBT Rebecka de França.

INTERNET: Mudanças, tecnologia e Google+

Confira algumas mudanças que o google+ realizou para agradar os usuários.

Conexão Canadá: Vancity- The Journey begins

Camila Trama nos conta um pouco de seu intercâmbio em alguns lugares do Canadá.

CINEMA: Sassy Pants

Rebeldia, insatisfação e as paixões fazem parte do cotidiano de todos os adolescentes, confira a resenha do filme Sassy Pants.

VITRINE: O universo feminino de Isadora Almeida

Inspirada por ilustrações de moda, estamparia e coisas que vê por aí, conheça o trabalho da ilustradora mineira Isadora Almeida.

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7 de janeiro de 2014

Não se fazem mais passados como antigamente #27 - Ah, aquela voz...

Tem sempre aquela hora em que você se pega pensando sobre a qualidade surreal de uma letra de música: “Nossa, mas é muito minha vida”, eu mesmo já falei de canções do Pink Floyd, do Rush ou mesmo da Electric Light Orchestra. Mas, dependendo da canção, nem precisaria de profundidade na letra: certaz vozes são atrações por si só.
                Numa tarefa quase impossível (na qual pedi arrego para alguns amigos meus), escolhi cinco dos grandes vocais do rock em todos os tempos. Alguns são unanimidade. Outros foram fruto de debate. Mas todos são reconhecidos pelo seu caráter de “vinho”, que parecem ficar melhor com o passar do tempo.
                Para evitar polêmicas isso não é um ranking e não há ordem de colocação. E, paara incrementar a experiência, vamos colocar apenas o vocal das canções.



Ian Gillan, do Deep Purple
68 anos
Inglês Casa: Hard Rock
Tipo de voz: barítono (calça apertada)




                Ian Gillan entrou nessa lista pela gritaria. Mas não uma gritaria desordenada, de um cantor de black metal, por exemplo: seu vocal é completamente harmônico e controlado. E que controle: seu alcance vocal é simplesmente gigantesco, desde um tom grave até o famoso “quebra-taça”. Logo no primeiro álbum com a banda, ele gravou Child in Time, a canção abaixo, que até hoje me dá leves arrepios pelo volume a que chega o homem por detrás do microfone.
                Hoje ele ainda está na ativa, mas seu potencial de gritaria se foi – como ficou provado na última passagem da banda por São Paulo, em 2011. A resenha do último disco deles, lançado ano passado, você vê aqui.



Ainda vale a pena ouvir outro fã da calça apertada: Geddy Lee, do Rush.




Jon Anderson, ex-Yes
69 anos
Inglês
Casa: progressivo
Tipo de voz: Tenor (desde que o mundo é mundo)



                Eu lembro de, em setembro de 2012, assistir a um show dele em São Paulo, já em carreira solo (Jon deixou o Yes em 2008, depois de 40 nos, por problemas de saúde). E me supreendeu de, logo na primeira música, ver que o timbre dele continua o mesmo de quando lançado o primeiro álbum da banda, lá na época da TV preto-e-branco.
Muita gente discorda de mim até hoje (e não tiro a razão), mas Jon Anderson é o maior vocalista vivo. Sua voz, já fina de nascença, permite que ele abrisse um alcance vocal inédito. Com uma crise de asma em 2008 que o colocou entre a vida e a morte diversas vezes, sua respiração e agudos foram bastante danificados, o que fez com que suas músicas sofressem um remapeamento. Mas nada que prejudicasse a qualidade de um show que, por mais vazio que estivesse (tinham umas quinhentas pessoas lá), não me vai sair da mente tão cedo.
Abaixo, uma das obras-primas do tempo do Yes: Close to the Edge, de 1972. O ápice ocorre depois dos 7:00, quando sua voz se coloca em níveis impraticáveis para nós, reles humanos




Johnny Cash
Morto em 2003 aos 71 anos
Americano
Casa: Country e Gospel
Tipo de voz: barítono (aquela de macho)



                John R. Cash era conhecido como “o homem de preto”, pela sua imagem bastante sóbria em cima dos palcos. O que se refletia na forma de cantar: seu tom de voz é único entre todos aqui, já que era um exímio barítono. A entonação das canções, aliado ao gogó gravíssimo de Cash, parecia fazer o chão tremer. Realmente é coisa pra quem abre a tampa da garrafa de cerveja com a boca.

                Veja a capacidade de manter um tom baixo em uma de suas primeiras composições: Cry, Cry Cry, de 1957.






Freddie Mercury, do Queen
Morto em 1991 aos 45 anos
Inglês Casa: hard rock
Tipo de voz: Tenor (ou Divina, como preferir)




                A única unanimidade dessa lista era uma voz tão, mas tão variada que, quando ele falava, era um barítono, mas quando cantava, alcançava facilmente o tenor, a escala mais alta para um homem, e conseguia chegar até o soprano, que já é própria da voz feminina. Nos mais de 18 anos de carreira com o Queen, Freddie encheu estádios e emocionou homens e mulheres, como emociona até hoje: Bohemian Rhapsody (que a gente já resenhou aqui) da arrepios em 10 em cada 10 pessoas. Sim, ele é a maior voz que este planeta já viu, e não tem muito pela qual a gente possa fazer.
                Esse é o mais difícil de se escolher qual música é melhor. Podia ser qualquer uma, já que o perfeccionismo de Freddie com sua própria voz e questões como ritmo e sincronia era absurda. Então fiquemos com duas: Somebody to Love, do álbum A day at the races, de 1976; e a última grande canção de Mercury antes de sua morte, em 1991: The show must go on, do álbum Innuendo, poucos anos antes de sua morte.





Ronnie James Dio
Morto em 2010 aos 67 anos
Americano
Casa:Metal
Tipo de voz: Voz do Dio, que é perfeita e ponto.




                Me pediram para colocar Bruce Dickinson como representante dessa especialidade – a que de longe mais exige dos frontmen – e ele até tem um excelente comportamento em sua voz. Mas esse posto é algo que não é possível negociar: não há ninguém que consiga se comparar ao espírito presente na voz de Dio (que se chamava Ronnie James Padavona na vida real). Para quem acha que o capeta manda no metal , provavelmente vai encontrar provas disso na voz de Ronnie. Pois não há explicação plausível para esse dom.

               

Sim,  faltam nomes aqui: Robert Plant (Led Zeppelin); Paul Rodgers (Free/Queen); ou mesmo mulheres como Debbie Harris (Blonde) ou Tarja Turunen (Nightwish). Até mesmo Matt Bellamy, o jovem vocalista do Muse, entraria nessa lista Mas desses a gente fala outro dia. Por ora, esses "cantores de karaokê" dão pro gasto.

Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: g.lazaro@outlook.com

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24 de dezembro de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #26 – Rock de branquelo





(Pronounced 'Lĕh-'nérd 'Skin-'nérd)_Lynyrd Skynyrd
Gravadora: MCA
Lançamento: 13 de Agosto de 1973

Nota: 8,5 / 10






Este post está programado para a tarde de Natal, para pouco antes do pino do peru Sadia comprado pela sua mãe e assado por sua tia por parte de pai e avó subir. Não sabemos que horas vocês lerão isso, mas nossas estatísticas dizem que será na tarde de Natal, enquanto passa o filme sobre Jesus na Globo e o filme sobre Jesus também vai passar na Record, Band, canal de compras e na BBC. Vai ser nessa hora em que você não vai ter atualizações no facebook, ninguém pra responder no whatsapp e as fotos no instagram estarão vistas e devidamente curtidas. É nessa hora de puro e extremo tédio em que você vai parar na nossa coluna sobre um dos grandes álbuns da terra do Tio Sam.

                E onde, em nome da coluna e da Revista Friday, eu passo pra deixar um feliz Natal.
                                     
*

                Mas sem chorumelas: tem gente que faz sucesso (90% dos artistas). Tem gente que faz muito sucesso e inova no que faz (foi assim com, por exemplo, o Thriller e o seu intéprete, Michael Jackson). Mas, de tudo o que eu já ouvi, é difícil achar algo que, na inocência de um álbum de estreia, ajuda a cimentar um dos símbolos americanos. Pois, até então, pouca coisa representava os caipiras americanos.
                Vamos lá: desde a guerra civil americana (norte contra sul, o fim da escravidão e tudo aquilo que você viu no filme “Lincoln”), os sulistas americanos, escravocratas e perdedores da batalha, ficaram marcados por símbolos puramente sociais e desprezíveis – a Ku Klux Klan e os caras vestidos de “Zé Gotinha” são os principais. E, no crescente cenário musical do século XX, os branquelos ainda viam os seus ex-escravos negros virarem o mundo da música de ponta-cabeça: Robert Johnson criou Crossroads, o blues definitivo; Little Richard mostrava ao mundo o que era o Rock and Roll e, já nos anos 60, ninguém segurava Jimi Hendrix ou Chuck Berry.
                Os brancos exploraram durante anos os negros, e não seria agora que eles deixariam de fazer isso: no final dos anos 60, o blues tradicional dos negros ganhou sua versão branca, com guitarras mais potentes e canções menos melódicas em temas que remetiam ao caipira sulista, ou redneck (“pescoço vermelho”, na tradução livre), como eram conhecidos. Os primeiros a chegar nesse novo ritmo eram o Creedence, com coisas mais elétricas como Bornin the Bayou, e a Allman Brothers Band, com uma maior inspiração de jazz e mais erudição, que é sentida na pele em canções como Whipping Post e MidnightRider.
                Mas o rock sulista não seria genuíno sem esses sete caras e a banda de nome difícil.


*
Os sete do sul (Foto: Reprodução)

                Jacksonville, Florida. Década de 1960.
O diretor da escola dos membros suspende, pelo uso de cabelo longo, o vocalista, o guitarrista e o baterista de uma banda especialista em covers de Eric Clapton e outras bandas. Em sua homenagem, a banda, que se chamava One Percent, passaria a ser conhecida como Leonard Skinner. Mas, para evitar problemas, se trocaram algumas letras por “Y” e o resultado é o Lynyrd Skynyrd que todo mundo já ouviu falar na vida.
Em 1973 a banda recebe um convite da gravadora MCA para entrar no estúdio e, 35 dias depois, encerram-se as gravações do primeiro disco da banda. Já prevendo a dificuldade que seria pronunciar o nome da banda, a explicação vem no título (leia-se "lãnãrd skinêrd" ou algo assim). Mesmo chegando ao mercado cinco anos depois do primeiro disco do Creedence e quatro depois da estreia arrasadora do Allman, o Lynyrd tomou a vanguarda do movimento. E o segredo foi um misto de patriotismo com os solos mais potentes que o tio Sam já tinha visto.
O lado A do disco é mais voltado para as canções mais macias, as famosas baladas de rock de se tocar na rádio. E realmente Tuesday’s Gone e Simple Man estouraram nas paradas. O segredo delas é uma performance que a guitarra quase nunca perde o estrelato, seja em arpejos ou em solos bastante dramáticos e improvisados. Numa banda de sete, três eram os responsáveis pela guitarrada: Garry Rossington, Ed King e o grandalhão Allen Collins, que a gente fala mais pra frente.
Enquanto Creedence, Allman e outras bandas do gênero Southern bebiam na fonte da música negra e não negavam isso, o Skynyrd prossegui com o orgulho em alta. Entre a maior parcela dos fãs estavam motoqueiros e fazendeiros de estados do centro sul americano como Georgia, Louisiana, Mississipi e Tennessee. Para fortalecer ainda mais a imagem com o público, o vocalista da banda, Ronnie Van Zandt, hasteava a bandeira dos  confederados, que batia ainda mais no orgulho dos branquelos. Finalmente havia alguma identidade aos descendentes dos escravocratas (que não envolvesse queimar cruzes e maltratar negros).
Mas a banda sabia como agradar a todos falando de temas neutros como, por exemplo, a liberdade.  E se você quiser, pode fazer o teste: a canção final do disco, Free Bird, é a maior, mais eloquente, mais bonita, mais longa, mais profunda e mais emocionante canção de liberdade já escrita.
A banda tocando Free Bird nos estúdios da BBC: a bandeira
confederada era um dos orgulhos da banda (Foto: Reprodução)

A principal canção da história da banda e responsável por fechar o disco, Free Bird é um épico de dez minutos e oito segundos que tem seus dois lados da moeda: no primeiros minutos, a voz está decidida a sair, viver o mundo e ver as coisas que ele não conhece. O ritmo é de uma balada, guiada por uma guitarra slide. Depois do refrão, a tal voz se cansa, manda tudo às favas e tem o início do solo. Mas é um SOLO, com todas as letras maiúsculas mesmo.
Allen Collins, um cabeludo desengonçado de 1,91m, lidera incríveis cinco minutos de um solo nervoso, tenso de uma ponta a outra, com duas paradas de bateria, iguais às das escolas de samba, onde o êxtase de quem ouve chega ao limite. Escrita pelo guitarrista e pelo vocalista da banda, a canção parece mesmo escrita para ser ouvida em um carro conversível, numa rodovia, a mais de 120 por hora.
                Apesar do tamanho, digamos, inchado,  o single dela foi lançado na íntegra, e as mais de duas milhões de execuções em rádios FM, fizeram-na como uma das mais pedidas em todos os tempos nas estações americanas. O final do jogo Guitar Hero II conta com uma versão dela. E, nos bares e boates americanas, gritar por esta música equivale ao nosso “Toca Raul”. Ai de quem não tocar.

      Free Bird é o símbolo máximo do (Pronounced 'Lĕh-'nérd 'Skin-'nérd). Serviu também como um catalisador inegável de sucesso pra banda, pois afinal de contas não exaltava o orgulho em ser caipira e branco. E, no final das contas, ajudou a pavimentar o southern rock, que revelou os maiores guitarristas da história da América. E esse ponto alto na carreira da banda os seguiu até 1977, quado um acidente de avião matou três membros da banda e a desfigurou por completo. Por completo mas não para sempre, já que a banda existe até hoje e sai improvisando longos solos por aí como um pássaro voando bastante livre.

 


              


 E nos vemos em 2014.

 

               


Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: g.lazaro@outlook.com

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12 de novembro de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #23 - Teclado: amigo ou inimigo?

             Pete Townshend, o guitarrista do The Who, canta num refrão de uma velha canção dos anos 70: Long Live Rock. Uma frase antes, ele lembra: Rock is dead they say. Sim, o “eles” – eu, você, seu tio metaleiro – garantem que o bom e velho rock morreu, foi enterrado – e, em certas oportunidades, se contorce no túmulo. Culpados a gente sempre traça no velório. E todo mundo sempre cita um dos mesmos nomes: o maldito sintetizador.


Retrato falado do provável assassino
                Maldito? Bem, essa questão é polêmica. Nunca existe um lado só da história.
                Realmente, o marco do fim da grande era chamada "rock" é o início do crescimento dos sintetizadores. Até 1978 as bandas eram baixo, bateria, guitarra e vocal e, depois disso (e com a entrada dos primeiros tecladistas nas bandas) o uso desse instrumento parecia levar alguns dos grandes músicos a um lado mais preguiçoso e muito, mas muito menos criativo. O Queen, em seus primeiros discos, trazia um selo no encarte em que dizia No Sytnethizers. No álbum The Game, de 1980, a frase é : “esse álbum inclui a primeira aparição de um sintetizador (um Oberheim OBX) num disco do Queen”. Coincidência ou não, foi a partir daí que a banda engatou numa ascendente negativa, com alguns dos piores discos dos anos 80, tais como o Hot Space e a trilha do filme Flash Gordon.
                O The Police, que falamos no post passado, era uma das mais influentes bandas de reggae rock e mantinha-se como uma das novas gerações do rock na nova década. Porém, após o uso do primeiro sintetizador no disco Ghost in the Machine, a banda entrou em uma espiral estranha, onde o guitarrista Andy Sumers ia sumindo e o fenomenal baterista Stewart Copeland sumia em batidas cada vez mais simples. A banda se separou em pouco tempo.
                O Van Halen sofreu um pouco com isso. O The Who resolveu colocar um holofote no seu tecladista no álbum It’s hard, em 1982 – e só conseguiu lançar algo de novo em 2006. A lista é longa, e grandes bandas decaíram ou começaram a conhecer seu fim quando enfiaram um Moog ou um órgão Hammond nas suas composições.
               
*
Jon Lord: os tecladistas também amam

                Bendito? Sim, os teclados também são a marca de algumas das maiores bandas a passar pela Terra.
                Os fab four de Cambridge, mais conhecidos como Pink Floyd, foram quem talvez administraram melhor essa ideia: o tecladista Richard Wright é considerado um dos dos melhores de todos os tempos e autor de obras inimagináveis com seu telcado – Sysyphus, de 1969, é uma das mais vanguardistas peças com o instrumento. Ainda no reino do progressivo, Keith Emerson (da Emerson, Lake and Palmer) e Rick Wakeman, famoso pela sua passagem pelo Yes, são lembrados como magos das teclas.
                Geddy Lee ainda impressiona quem assiste o Rush: costuma tocar baixo, cantar e ainda tocar teclado – só ver ele durante Subdivisions (ou qualquer outra canção) e você vai entender. Porém a modesta opinião que traça essas linhas considera que nenhum deles possa engraxar os sapatos de Jon Lord. Se podemos falar de uma ponta morta pelo teclado, falemos dele na outra onde ele conseguia ser lembrado e idolatrado – sem fazer solos de guitarra ou vocais gritados. Durante os shows de sua banda, a Deep Purple, ele ficava quase sempre no canto esquerdo do baterista, sem chamar muita atenção, acompanhando o ritmo da banda. Quando o espaço se abria, ele acabava propondo solos e releituras de canções que são melhores que os solos de guitarra da própria banda. Ele saiu da banda em 2002, mas em seu lugar entrou Don Airey, que já tinha trabalhado com Ozzy e criado a abertura de Crazy Train.

*

                Morto ou vivo, a entrada do teclado mostrou a certas bandas que o negócio delas era o mercado pedisse novas sonoridades, talvez aquela não fosse a praia deles. E foi isso o que aconteceu: um número grande de bandas ou morreu na década de 80 ou entrou em um grande hiato. Mas talvez sem o teclado e os novos ritmos mais eletrônicos, não teríamos bandas como Radiohead, Muse e outros arrasa-quarteirões por aí.
                Hoje em dia o culto ao solo de guitarra e às composições mais clássicas vêm crescendo –e com isso, bandas como o Van Halen e o Black Sabbath voltam à ativa. Coincidência? Apenas o próximo riff poderá dizer.

                (P.S.: a canção Lazy,do Deep Purple, graças a alguns votos que colhi com o tempo, é o chamado “solo de teclado definitivo”. A capacidade de improvisação de Jon Lor - que faleceu ano passado- torna um simples blues uma obra que normalmente passa os dez minutos. Concordem ou não, lá vai uma pequena amostra pra vocês.)




Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: g.lazaro@outlook.com

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1 de outubro de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #21 – Sobre Ramones e outros tecidos

               Ah, o Rock in Rio! Aquele pedaço de terra sagrada da música antes rock, hoje pop, cercado de mangue por todos os lados e tapado por cima pelo Sol impiedoso. No sábado, dia do Show do Bruce Springsteen (show com “s” maiúsculo mesmo), 37 graus sentavam sobre minha pele. As garotas de 16 anos e fãs do John Mayer, já não se aguentando, ficavam num tira-e-põe de camisas, ou apenas de top. Sim, para os rapazes aquilo era o céu na terra.
                Mas mesmo assim tinha gente lá pronta pra arrumar uma treta. E eles conseguiram. Ninguém gosta de treta, mas o assunto é tão complexo que sim, a gente vai meter os bedelhos no meio. Ninguém mandou querer, no inferno calorento da cidade do Rio de Janeiro naquele sábado, se aboletar com uma camisa preta dos Ramones no meio do palco principal.

*

Hoje é dia de rock bebê (Foto: Osmar Portilho/ Terra)
                Começou com uma reportagem no mínimo corajosa e digna de fazer parte do TTT (Top Ten Texts) de 2013. O repórter do Terra André Naddeo saiu pelo festival entrevistando garotas (guardem bem essa última palavra) a andar com a camisa da banda punk de Nova Iorque pelo festival. Estava lá também, e posso dizer que não faltou material pra entrevista do rapaz. Ao perguntar o nome do vocalista (Joey Ramone) ou o nome de três álbuns (Ramones, End of the Century e Mondo Bizarro pra falar alguns) às beldades que tomavam a grama sintética do festival, nenhuma delas soube responder – se soube, a reportagem não quis deixar claro. A maioria respondeu com “ah, você me pegou” e foram tachadas de “modinha”.
                Isso dividiu o mundo no meio. A maioria riu da perspicácia do autor. Outros já relevavam essa causa há meses e meses. Já na outra ponta tinha gente pedindo para fãs e repórter ir trocar umas lâmpadas ou cuidar de uma pia bem funda. Teve inclusive esse texto, na qual parabenizo por conseguir pedir para que eu (leitor) parasse de ser sexista - já que eram entrevistadas mulheres. Não estava sabendo de eu ser tão machista assim, por isso agradeço à autora do texto e, graças a isso, ele vai entrar com honras na nossa outra premiação, o TGT 2013 (Top Groselha Texts).
                Aí depois pediram minha opinião. Justo a minha, conhecido por ser o cara mais chato e fundamentalista no tal rock. Óbvio, pra mim o repórter têm razão demais. Não precisa nem parar pra explicar tanto.

*

                Música é um elixir da humanidade. Rock então é religião. Pra muita gente deus não existe, mas existe o Clapton ou o Iron Maiden ou o Slayer. Logo, usar uma camisa de banda não significa apenas “entrar no espírito” ou simplesmente “pelo clima de show de rock”, como responderam algumas. Você adere à uma filosofia colocando o pedaço de algodão estampado sobre o próprio torso.
                Logo, quando você vê um monte de pessoas com a camiseta dos Sex Pistols, por exemplo, você vai julgá-la como uma sarcástica ao sistema. Uma do Pink Floyd como uma pessoa mais centrada em questões existenciais. Ou uma do Pearl Jam como alguém com seu nível de rebeldia controlada. A questão da ideologia pela qual falamos aqui independe da estética da banda, ou se o som é bom ou não. A estampa lembra uma ideia na qual vocalistas, guitarristas bateristas e baixistas levam uma vida pra compor. E pela qual você se identificou com ela.
                E aí, pra falar de não conhecer as músicas, ou quando Joey morreu (2001, de câncer) e ainda pedir respeito é algo muito, mas muito contraditório. Sonhar pela camisa de banda seja vista apenas pela estampa é como usar uma burca em praça pública apenas por ser bonita. Sim, você pode se sentir confortável ali, ninguém pode interferir nisso. Mas os comentários, óbvio, vão aparecer.

Qual escola vc matricularia seu filho? ( ) ramones ( ) GAP ( ) abercombrie ( ) hollister ( ) jack daniels
— joão egídio (@estranhous) September 10, 2013

                Eu uso camisas de banda, tenho várias delas. A minha favorita é uma estampa de um cartaz de show do Allman Brothers Band, uma banda de country americano dos anos 70. Gosto a ponto de, quando uma ficou gasta, arranjei outra. E, em três anos usando, nunca fui parado uma vez pra discutir a qualidade da banda ou “ah, eu amo aquela deles” ou simplesmente “pô, camisa legal”. A camisa mal tem cara de rock, porém nela incute o que a banda representa pra mim, ou me faz puxar na memória a primeira vez ouvindo os solos dela (agora escrevendo lembro que foi num Guitar Hero). Isso faz com que ela raramente fique na gaveta.
                Fãs de Iron Maiden espumam quando veem gente não tão conhecedora da "filosofia" com a camisa da banda. Motörhead, Slayer e Guns n' Roses também fazem a camada “old school” terem calafrios. Mas talvez nada supere os Beatles. Tente fazer um teste e perguntar pro primeiro a aparecer com a camisa na sua frente, perguntas simples tais como “qual o primeiro álbum da banda? (R: Please Please Me) ou “como ela se chamava antes de ser Beatles? (R: The Quarrymen)”.
Se você for especialista no grupo, vai espumar e, instantaneamente, entender a conclusão desse artigo: raramente alguém sabe, a camisa é um enfeite. Camisa de banda é como um escapulário, um turbante, uma bandeira do seu time nas costas: primeiramente um item estético, mas ainda sim a principal forma de você falar como se pensa (tirando aquela forma menos ortodoxa que é sair gritando como um louco pela rua “OLHA COMO EU AMO ISSO!”)


           ("Nossa, Guilherme, então se for assim eu vou ter de sair na rua questionando qual a HQ favorita do cara com a camisa do Lanterna Verde?" / Sim, e pergunta o que ele achou dessa mais nova pfvr).


*

                A reportagem abriu um debate interessante: conseguiu tirar tamanhas opiniões de tão pouca coisa. A discussão existe, faz tempo, e a resposta (quase) todo mundo concorda: camisetas de banda representam ideologias, formas de vida, modos de pensar. Usar uma camisa do Ramones com um iPhone na mão é para quem, no mínimo, curte umas contradições ou quer chamar a atenção (por qual causa nós não sabemos).


                Mas para as garotas (e garotos, sem sexismo nessa coisa de curtir bandas plmdds) e para o repórter e para a crítica do repórter e para eu e você que perdemos algum tempo e neurônios discutindo essa questão, eu trago a resposta deste problema: na rua de trás de casa tem um terreno baldio, bem grandão mesmo, precisando de uma carpinada. Bora?


Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: guilherme@revistafriday.com

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17 de setembro de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #20 – O Chefe




Born to Run_Bruce Springsteen
Gravadora: Columbia
Lançamento: 25 de agosto de 1975
Nota: 10/10 



               

                Com que régua se mede um sucesso? Discos de platina? Número de álbuns? Aparições no Faustão?
                Cada um usa as suas, e por isso os resultados são tão díspares. Led Zeppelin é o maior pra uns, já que as músicas são “celestiais”. Pela mesma razão, Pink Floyd tem a coroa pra outros. Beatles eram revolucionários e, por isso, uma multidão diz que melhores que ele não há. Isso entre os britânicos.
                Agora, entre os americanos, o “chefe” é unânime. Hors concours. Afinal de contas, quem além dele conseguiu criar um álbum tão perfeito que criou um ritmo próprio?

*

                Bruce Springsteen. Pra muitos, um cantor. Para outros, um cronista.
                É isso que ele prova desde 1973 quando, saindo de um circuito minúsculo de shows em bares, fundo de mercado e bailes no litoral do estado de Nova Jérsei, ele junta os membros de sua banda de apoio – a E Street Band, que falaremos mais pra frente – e lança o primeiro álbum. De longe o principal da música americana no ano (ao lado do début doAerosmith), Greetings from Asbury Park,N.J. lembra muito o som folk de Bob Dylan, que narra cenas e que mantém batidas diferentes, ora calmas, ora parecendo um trovão, como em Lost in the Flood. A temática se segue no segundo álbum, no mesmo ano, chamado TheWild, the innocent and the E Street Shuffle, referência na música americana, com um certo flerte para o jazz e o funk. Dele saíram frutos como a belíssima Incidenton 57th street e a até cômica Rosalita (come out tonight), que fechou os shows dele por um bom tempo.
                Apesar da crítica entusiasmada, o sucesso comercial foi fraco, o que acabou criando em Bruce um monstro interior que o guiava à perfeição. O trabalho seguinte entrou para os anais da música desde antes de existir: só de produção foram dois anos, sendo 14 meses apenas para a faixa-título! O uso da refinadíssima técnica do Wall of sound, que a gente explicou há alguns posts atrás, aumentou exponencialmente os custos de produção, fazendo com que Bruce demitisse seu velho produtor, Mike Appel, e apostasse suas fichas no ex-jornalista Jon Landau - trabalharam juntos até 1992. A gravadora já fungava no cangote de ambos, fazendo com que estes escondessem as contas da gravadora até algum tempo depois do lançamento.
                Se valeu a pena? Ptmrd. E como.
*
                Todos os 39 minutos e 26 segundos que apareceram nas prateleiras no dia 25 de agosto de 1975 são mágicos. Antes as canções eram impessoais, depois passaram a fazer perguntas. Com Springsteen, a música extrapola a canção e melodia, e começa, majestosamente, a contar histórias. E não histórias quaisquer, mas história de americanos comuns. De gostos de gente comum – carros, garotas, trabalho. De gente que ouvia Bruce Springsteen. Exemplo é a cena descrita nos primeiros versos da melhor faixa de abertura em todos os tempos, Thunder Road:

The screendoor slams, Mary's dress waves
Like a vision she dances across the porch
As the radio plays
Roy Orbison singin' for the lonely
Hey that's me and I want you only
Don't turn me home again I just can't face myself alone again
Ou:
A porta bate, o vestido de Mary bate
Como uma visão, ela dança pela porta
Enquanto o rádio toca
Roy Orbinson está cantando pelos solitários
Hey, sou eu e só quero que você
Não me mande pra casa de novo, não posso me ver sozinho novamente

Nos anos 70 isso era sexy né... (Fonte: Reprodução)
                O disco tem dez canções, que tratam da vida americana: das brigas de rua e das gangues (o soul de Tenth avenue freeze-out); do cansaço da vida (em Night) e também do submundo (o tom romântico de Meet across the river). Porém as três principais canções do álbum provocaram um furor capaz de fazer a música americana praticamente sair pelo seu próprio umbigo – elas reinventaram, brevemente, a música americana.
                Bruce não fez isso sozinho. O diferencial da sonoridade tipicamente americana dos seus trabalhos e shows era a banda de apoio – a E Street Band. A banda de apoio mais inventiva de todos os tempos (ao lado da Mothers of Invention que acompanhava Frank Zappa e a Vitória-Régia de Tim Maia) também era um marco anos-luz a frente do seu tempo: o guitarrista, Steven Van Zandt, é descendente de italianos. O primeiro baterista, Vini Lopéz, era filho de latinos e o substituto, Max Wienberg, é o mago das baquetas judias. Clarence Clemmons era um saxofonista negro de 2 metros de altura. Numa época de preconceito racial e uma forte divisão na sociedade americana, a capa em que Bruce se apoia em Clarence marcou toda uma geração e marcou uma das mais duradouras parcerias na música – Clemmons morreu em 2011.
                Fechando o lado A existe Backstreets. Com seis minutos, ela tem solos enérgicos e um clímax que, em shows ao vivo, deve ser o momento mais emocionante da vida de uma pessoa. O tema da canção? Novamente, carros, corridas, o amor do narrador – em primeira pessoa, como Bob Dylan ensinou . O álbum, em si, tem os pontos altos e os grandes momentos de um blockbuster americano.
                Abrindo o lado B, os quatro minutos e meio de Born to Run. Se ela demorou um ano e dois meses para ficar pronta, talvez tenha sido tempo suficiente. Carros, beijos, o amor que fica na autoestrada, tudo se entrelaça numa estrutura que, literalmente, corre. Um solo de guitarra que mescla com um solo de sax e uma letra (novamente) emocionante. A primeira vez que ouvi a canção, de olhos fechados, a imagem me veio à mente: dirigindo um Corvette, com aquela gata no lado, correndo acima da velocidade, com os cabelos voando (tudo bem, ao abrir os olhos o metrô abriu as portas e fui empurrado pro corredor. Mas o sonho permaneceu).
                E, fechando o disco, Jungleland. Fugindo aos padrões do álbum todo, com nove minutos e meio, é uma rapsódia de eventos: a gangue junta, a reviravolta, o fim melancólico de cada um dos membros citados na música, com uma letra raivosa. Como a banda de Bruce continha um dos melhores saxofonistas de sua geração, coube para Clarence Clemmons o solo de dois minutos e meio, um belo motor para sexo.
*
                Foi o primeiro álbum do cantor que eu ouvi. Sendo um garoto padrão que só sabia cantar Born in the U.S.A., sempre estranhei como esse álbum aparecia nas listas dos 20 maiores de todos os tempos. Ou como os críticos nunca relutaram em dar 5 estrelas. Depois da primeira vez que eu ouvi, finalmente entendi o que Bruce representa para a música americana.
                Graças aos primeiros álbuns do cantor – e este em especial – um novo filão nasceu: o heartland rock, com letras relacionadas aos carros, à vida cotidiana numa América onde o american way of life raramente existia. Sem esse sucesso, nem John Mellencamp, nem Bob Seger, muito menos Tom Petty teriam sucessos como caipiras roqueiros.
                A partir de 1975, Bruce mostrou como um artista deve se portar: shows que duram em média, mais de 3 horas; álbuns excelentes (como o seguinte, Darkness in the Edge of Town) e, pela primeira vez em 25 anos, faz shows no Brasil - amanhã, no Espaço das Américas em SP -  e sábado, dia 21, no palco Mundo do Rock in Rio. É a chance de que volte a ser o grande ídolo de garotas e garotos como foi nos anos 80.

                E é a chance, irrefutável, de provar que eu sou (muito) suspeito pra falar dele.




Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: guilherme@revistafriday.com

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3 de setembro de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente # 19- O mês dos shows

Senhoras e senhores, ladies and gentlemen, preparem seus cartões de crédito: setembro é, de longe, o mês com a maior quantidade de grandes shows no país em muito, muito tempo. 47 shows internacionais (4 megashows com mais de 10 mil pessoas; 11 grandes shows de 2 a 10 mil pessoas; e 33 shows para até 2 mil pessoas).   Uma constelação de artistas vai passar pelos palcos brasileiros, para os mais variados tipos de ouvidos. Achamos bom vocês irem abrindo as carteiras.

*
Bora pra fila? (Reprodução)


Há uma série de fatores para todo mundo escolher um mês em especial para aportar na terra brasilis, mas o principal deles ocorre na cidade maravilhosa: o Rock in Rio dispõe de grana suficiente para entortar as turnês de grandes bandas mundiais – o Iron está tocando pela Europa, John Mayer passando pelos EUA e o Muse idem. Com a vinda deles para um show no RJ, cresce a chance de que eles toquem em outras cidades brasileiras e sul-americanas. Fora estes, outros já estavam marcados há tempos. Com foco especial aos amigos paulistas, respire fundo e vamos à lista:




The Offspring (skatistas e ex-emos do mundo todo, uni-vos!)
Onde: Credicard Hall
Quando: dia 15 de setembro, às 20h
Quanto: de R$ 90 à R$ 500

Nunca fui fã. Um amigo meu (que ajuda bastante nas pautas aqui) costuma falar que "é o show que, se perguntam onde eu está indo, eu digo que é na padaria e não no show". Se me perguntassem quem eu acho que são fãs da banda, diria que, em sua maioria, são skatistas que nunca levam a sério a canção mais legal deles (Why don’t you get a job?). Mas como eu sou um velho inveterado que entendo pouco o rock dos anos 90, desconsidere. Afinal de contas, vai que é legal né? Uma pena que o Chorão tenha morrido, logo seria o CBJR a banda de abertura.
O que ouvir: quem sou eu pra falar de Offspring? (qualquer coisa vai ser motivo de reclamação, logo...)
 Look: Calça colada, um All Star cheio de quadriculados por uma bic azul e camisetas da banda. A segurança pede para que não levem seus shapes - já que não há pista de skate na plateia.  



Matchbox Twenty (eles voltaram – e eu sofri calado)
Onde: Espaço das Américas
Quando: dia 17, às 19h30
Quanto: de R$ 210 à R$ 320

A gente falou do Rob Thomas no post passado.  Lá ele era um cantor solo, apenas num freela. Aqui ele volta com uma das mais consolidadas e bem-sucedidas bandas dos últimos 20 anos, com o primeiro disco depois de 10 longos invernos parados.
O que ouvir: apenas ouvir o álbum de estreia, Yourself or someone like you, já basta pra começar a gostar da banda.
 Look: qualquer roupa, contanto que tenha algum rasgo proposital. Camisas do Nirvana com aquele emoticon ridículo serão barradas na entrada.


Living Colour (sdds Guitar Hero 3)
Onde: Bourbon Street (em Moema)
                                                                       Quando: dia 17, às 20h
                                                                        Preço: de R$150,00 à R$260,00

Eu lembro de como era difícil - e maneiro - tocar Cult of Personality no Guitar Hero 3. Foram meses de prática para que me arriscasse no nível Expert. E, só depois de muito tempo, fui parar pra ouvir a banda. E  sim, eles são excelentes naquilo que fazem - pelo som metal, sempre suspeitei que fossem brancos - e prometem tocar o álbum de estreia, o aclamado Vivid, de 1988, na íntegra.
O que ouvir: Elvis is Dead, Glamour Boys e o inspiradíssimo The Chair in the doorway, álbum de retorno da banda, lançado em 2009.
 Look: Camisa de flanela, cabelo com dreads pequenos que te façam parecer filhos do Zach de la Rocha, do Rage Against the Machine.




  Bruce Springsteen and the E Street Band (Deus abençoe os cosméticos Ivone I)
Onde: Espaço das Américas
Quando: dia 18, às 21h
Quanto: de R$ 260 à R$ 560

(Fonte: reprodução)
Chame a mamãe que, em 1984, achava ele um tesão! Chame o papai que adorava quando ele colocava um colete jeans e ficava parecendo um cover do Sérgio Mallandro! Diga que o Brasil é uma vergonha cantando Born in the USA.  Bruce – o Roberto Carlos americano – encerra no Brasil uma das mais lucrativas turnês do ano sobre um dos melhores álbuns do ano passado, em shows que raramente duram menos de 3h30.  Springsteen e a sua banda de apoio – a não menos genial E Street Band – também tocam dia 21 no Rock in Rio (ingressos quase esgotados). É, sou suspeito pra falar dele.
O que ouvir: Além da clássica Born in the U.S.A., o destaque é o álbum mais recente, Wrecking Ball.
 Look: Roupas de caminhoneiro, operário ou metalúrgico. Faixa no cabelo e cara de ianque também conta ponto.




John Mayer (Sindicato das Cocotas de SP e "cerveja de hipster" apresentam: John Mayer e banda!)
Onde: Arena Anhembi
Quando: dia 19, às 20h45
Quanto: de R$ 240 à R$ 500

Pega garotas? (Reprodução)




O show favorito das garotas que não curtem música brasileira (taí o evento do show no facebook que não me deixa mentir) vai ser protagonizado pelo guitarrista americano (lembrado por um amigo meu como “o cara que copiava o Clapton”) junto com o cantor de abertura, o legendário e extraordinário e histórica...Philip Philips. Lembra? Aquele que venceu o American Idol. 
O que ouvir: Músicas que ele imita o Clapton (em questão de estilo, quase todas).
 Look: Para os rapazes solteiros, invistam na camisa xadrez e sapatênis - hetero - com calça jeans, aquele creme no cabelo à lá Caio Castro (mesmo que você seja um gordo barbado e do cabelo crespo como eu, o look também ajuda).



Iron Maiden (foto) / Slayer / Ghost B.C. (é pau, é pedra II)
Onde: Arena Anhembi
Quando: dia 20, às 18h
Quanto: de R$ 260 à R$ 450

Pauleira. Isso pode definir, sucintamente, o que deve ser o show com três dos quatro membros do dia do metal no Rock in Rio (o que ficou de fora foi o Avenged, ou seja...). Junto ao sempre presente Iron Maiden (com uma média de um show a cada dois anos em terras tupiniquins), os americanos do Slayer trazem um show aguardadíssimo (mais pelo fato do falecimento do guitarrista Jeff Hanneman do que pelo show em si) e o Ghost vai tentar calar a boca dos fãs da banda principal – os fãs de Iron não aceitam muito bem o caráter mascarado e sombrio que os suecos sem-nome impuseram em seu segundo álbum, Infestissumam.
Em algum momento da vida você já trombou
com essa múmia (Reprodução)
O que ouvir: Iron Maiden tem um monte, mas vai ter pentelho enchendo falando "ah, mas falta x nessa sua lista". Slayer tem a histórica Raining Blood - uma das bases do trash metal - e War Ensemble. Ghost...bem, se você aguentar essa coisa melosa que é o álbum deles, vá em frente.
 Look: Vá à Galeria do Rock e entre na primeira loja. Nela, pegue a primeira camisa. Ou é Iron ou Metallica. Caso não dê certo, peça ajuda ao adolescente ou tiozão mais próximo.




   Jon Bon Jovi (Deus abençoe os cosméticos Ivone II)
   Onde: Estádio do Morumbi
   Quando: dia 21, às 16h
   Quanto: de R$ 180 à R$ 680



E msm e? (Reprodução)
                Quem nunca abriu a janela, colocou a cara pra fora e esgoelou um “It’s my liiiiiiiiiiiiiife, is now or never”? Ou um Livin’ on a prayer no final de todo mundo odeia o Chris?  O cantor – versão americana do Fábio Jr. –  faz uma escala em São Paulo menos de 24 horas depois de tocar no palco Mundo do festival carioca. O álbum mais recente deles, What About Now, não foi lá muito bem recebido. Mas, novamente, quem não cantaria com o loiro. (Atenção: o show de abertura é com o Nickelback, cuja única coisa que eu lembro é o vocalista Chad Kroeger, dos cabelos de miojo e etc).
O que ouvir: Bon Jovi é uma fábrica de hits. Do primeiro álbum aos sucessos mais atuais, como We werent' born to follow, é difícil topar com alguma coisa ruim. Já Nickelback... a Mix ainda toca essa banda?
 Look: Mesmo do Bruce Springsteen. Camisas com foto do cantor em poses complicadas ou alguma roupa de tia também formam uma boa parada.

           *

                Isso para citar apenas alguns dos principais shows de rock da cidade. O site do Rockinchair, especializado nessa atividade, te dá a lista completa. E fora que em outubro ainda temos Black Sabbath - sim, tio Ozzy vem aí! -, Aerosmith e Whitesnake. Se preparem, ou vão ficar em casa chorando de fone no ouvido.

                E nos falamos no próximo post.

Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: guilherme@revistafriday.com

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