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VITRINE: O universo feminino de Isadora Almeida

Inspirada por ilustrações de moda, estamparia e coisas que vê por aí, conheça o trabalho da ilustradora mineira Isadora Almeida.

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26 de novembro de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #24 - Complexo de "re"




Wrecking Ball_Bruce Springsteen
Gravadora: Columbia Records
Lançamento: 5 de março de 2012
Nota: 8,5/10




Poucos artistas mundo afora têm tanto fôlego quanto Bruce Springsteen. Se você não acredita, dê uma passada numa das melhores provas disso: um perfil do YouTube, de nome “BRUCETHEBOSS2012”, não se sabendo ao certo se é algo gerido pela equipe do cantor ou por algum fã. Seja lá quem for o autor, ele é responsável por disponibilizar o áudio integral dos shows da turnê Wrecking Ball Tour, promovendo o álbum homônimo. Ali se tem shows de, no mínimo, duas horas e meia. As  últimas postagens têm a ver com a passagem do cantor pelo Brasil no mês de setembro: o show dele no festival Rockin Rio está lá, com suas duas horas, quarenta e seis minutos e onze segundos. Uma apresentação em Helsinque ano passado também está lá, com suas quatro horas e trinta e sete minutos, completa (!!!)
                Esses shows épicos pelos quais Springsteen tão famoso, essa alegria de estar no palco vem, em grande parte, do sopro na qual o álbum mais recente do cantor trouxe à sua carreira. Após uma sequência de álbuns pouco inspirados, ele voltou aos estúdios no início de 2012 para a concepção de Wrecking Ball. Afinado como sempre à E Street Band – provavelmente a melhor banda de apoio da história da música, Bruce recriou o modo como se apresenta no palco. Nunca foi surpresa pra ninguém a sua capacidade de fazer o show se tornar uma experiência ímpar – nem é esse o motivo da discussão aqui. 
                Mas este é o primeiro álbum do cantor sem Clarence Clemmons, o mítico saxofonista à sua direita nos palcos por mais de 40 anos. Clarence faleceu em 2011 e Bruce buscou em seu sobrinho, o jovem Jake Clemmons, a nova mistura de solos envolventes com uma equipe inteira de metais – nos shows do Brasil, a banda chegou a incríveis 18 membros, incluindo um trompetista e um tubista (sim, uma tuba).
                Como Clarence era o braço-direito de Springsteen durante os shows, não seria surpresa se suas apresentações perdessem em potencial, ou se o cantor buscasse uma fase introspectiva e morna em seu trabalho. Como David Remnick contou em um perfil na revista The New Yorker, isso é quase impossível se tratando de Springsteen.  Com 64 anos, ele não para um momento. Nesse disco se vê, desde os singles lançados como prévia do álbum, um Boss (o Chefe, apelido entre os fãs) acertando na mão novamente ao aliar melodiais formam a música americana com letras fortes, simbólicas, mas ao mesmo tempo cáusticas. Há tempos ele não compunha assim.

*          *          *

                Quando tinha lá meus 15 anos, não conseguia entender direito o porquê de tanta gente, dos quatro cantos do planeta, amavam tanto a obra-prima do cantor, Born in the U.S.A. Quando ouvia aquele riff inicial e o refrão tipicamente meloso, o tio Sam passava nos pensamentos, a águia, os tanques de guerra, tênis Nike e grandes Big Macs. Durante uns anos, nutria certo ódio por ela. Mas a letra ganhou um novo tom quando investiguei sua origem, algum tempo atrás: Ela possui o valor de ser um depoimento de um ex-combatente na guerra do Vietnã, incapaz de entender como foi parar em campo alheio matando “homens amarelos”, chorando a morte de irmãos, da desilusão de voltar pra casa e ser um excluído do maior país do planeta.
O disco vendeu como água (passando as 30 milhões de cópias) e Bruce, elevou-se como um santo entre seus fãs – gente simples do mundo todo – e a canção virou um símbolo da América dos anos 80, de Reagan, recessões e Guerra Fria em seu fim.  Sim, Bruce virou santo, não deus. Pois, se fosse deus, não teria se jogado no público como fez em São Paulo, deixando-se levar pelas mãos daqueles incrédulos da pista premium do Espaço das Américas naquela noite chuvosa de uma quarta-feira de novembro.
Com o novo disco, o cantor e guitarrista americano revive o espírito do cidadão comum, com críticas ao American Way of Life.A faixa de abertura, We Take Care of Our Own, ou “Nós tomamos conta de nós mesmos”, é uma pesada ironia contra um governo americano bipolar a ponto de solucionar a crise econômica de 2008 salvando bancos – e despejando os contribuintes de suas casas. (Entre os críticos de Springsteen, conforme lembra Remnick em seu perfil, a mesma critica sobra ao cantor: Bruce fala de uma vida de trabalhador operário quando ele, um eterno artista desde a adolescência, nunca botou muito a mão na massa).
Por isso, nessa canção, ele usa do artifício inventado pelo seu ídolo inspirador – Bob Dylan: ele pergunta. A pergunta une músico e fã, lima as lacunas entre dois universos, e instaura a comunicação e uma identidade entre ambos. Foi assim com Like a Rolling Stone de Dylan, e é assim com Springsteen:

Onde está o trabalho que libertará minhas mãos e mina alma?
Onde está o espírito que reinará, reinará sobre mim?
Onde está a promessa da Costa Leste à Costa Oeste?

                As letras remetem sempre àquele americano comum, não necessariamente aqueles de Manhattan ou Los Angeles. A balada Jackof All Trades é exatamente seu título – uma gíria para “Pau para toda obra”. Death to My Hometown tem inspirações da música irlandesa (terra dos antepassados de Springsteen) e ainda bate na tecla da crise de 2008, numa alegoria de uma cidade destruída não por bombas ou armas, mas pela falta de capital (Detroit, sede do império automotivo ianque, virou um grande exemplo dessa “Morte”).  A faixa-título é quase uma reflexão autobiográfica, com o cantor falando dos “pântanos de (Nova) Jersey” e de como as coisas vêm e vão.

*          *          *

                Se as músicas de Wrecking Ball ficaram como hinos de um tragédia moral, 2012 ainda guardava uma outra, só que climática: em outubro o furacão Sandy matou 148 pessoas e deixou uma cicatriz quase irreparável na costa leste americana. Pouco acostumados a receber uma tragédia com furacões, os estados de Massachusetts, Nova Jersey e mesmo a cidade de Nova York sofreram com enchentes, corte de energia e desabamento de grande parte da infra-estrutura, o que abalou o brio da nação como não se via desde 2005, quando o Katrina tornou Nova Orleans um mar de desabrigados.
                Logo que a tempestade arrefeceu e o céu abriu, os ianques olharam para as pilhas de escombros, carros virados, os incêndios, e procuravam por uma luz ou mesmo uma reles musiquinha para irem assoviando enquanto iam juntando os cacos.
                Aí aparece o Chefe de novo.
                Bruce sempre teve a capacidade de reunir o povo americano. Foi assim com Born in the USA. Foi assim também com The Rising, álbum de 2001 onde as músicas falavam sobre os atentados de 11 de setembro – isto ajudou a elevar a moral de um povo americano abalado como nunca.  E o mesmo aconteceu em 2012, quando Land of Hope and Dreams, faixa criada treze anos antes, entrou como o hino extraoficial da reconstrução dos estragos do Sandy. Em Death to my hometown, Bruce lembra:”get yourself a song to sing, and sing until you’re done” (“escolha uma canção para cantar, e cante até cansar”). E eles fizeram isso. O espírito indestrutível do povo americano foi algo que coube a Bruce restaurar. Foi em seu entorno na qual eles se reuniram e buscaram força e inspiração (exemplo disso foram os concertos beneficentes na qual ele participou). Americano nenhum deixaria de se identificar com ele.

Eu te sustentarei
E ficarei ao seu lado
Você precisará de uma boa companhia agora
Nessa parte da viagem
Deixe pra trás a tristeza
Deixe que esse dia seja o último
O amanhã saldará a luz do sol
E toda essa escuridão passará
*
As grandes rodas deslizando através dos campos
Onde brilha a luz do sol
Encontre me na terra de esperança e sonhos.

                O álbum chegou ao número 1 das paradas americanas. A Rolling Stone americana o nomeou o álbum do ano (mesma opinião do autor dessa humilde resenha) e ainda produziu uma edição, com Springsteen na capa, onde o chamava de “Melhor show ao vivo da atualidade”. Isso pode ser claramente visto nos dois shows do cantor fez no Brasil, os primeiros em 25 anos: três horas e dezesseis minutos em São Paulo, e o melhor show entre todos no festival carioca, na visão da crítica especializada.
                Springsteen fechou no Brasil uma turnê capaz de impressionar por lotar estádios no mundo todo, mesmo com sucessos de 30 ou 40 anos. Os show nunca tem um setlist fixo: o cantor sobe, toca lá algumas músicas e, em dado momento do show, atende os pedidos dos fãs, já acostumados a levar placas com seus pedidos para os shows. De sucessos lado B até canções de Elvis ou Clash ou Ramones, a E Street Band se mostra preparada pra qualquer coisa – tal qual não foram as caras de surpresa quando, frente às câmeras da Globo e de 100 mil pessoas, a banda canta “Sociedade Alternativa”, clássico de Raul. Como era a primeira música, nem houve tempo para engraçadinhos gritarem “toca Raul!”, sobrando apenas queixos caídos pela Cidade do Rock.
                Desde o início da turnê os críticos e especialistas se contorcem pra tentar explicar como podem existir shows tão longos e díspares entre si, redesenhando o conceito de rockstar (talvez gente como Queen e Aerosmith não aguentariam coisas assim). 142 shows e 19 meses depois, a turnê terminou com Bruce gritando “I Love You” aos cariocas, às 2h51 da manhã, e prometendo voltar. Nessa turnê ele já gravou novas canções – High Hopes foi gravada na Austrália e conta com Tom Morello, ex- Rage Against The Machine, na guitarra – e em 2014 ele já tem quatro datas na África do Sul e 13 datas na Oceania, revivendo seu pique mais juvenil mesmo depois de passar dos 60.

                Recriar. Redesenhar. Reunir. Restaurar. Reviver. E Bruce tem na gaveta uma centena de canções, uma promessa de gravar um novo disco, e de voltar ao Brasil o mais rápido possível. É sentar e esperar pois, seja lá o que for, ele vai fazer novamente.


Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: g.lazaro@outlook.com

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17 de setembro de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #20 – O Chefe




Born to Run_Bruce Springsteen
Gravadora: Columbia
Lançamento: 25 de agosto de 1975
Nota: 10/10 



               

                Com que régua se mede um sucesso? Discos de platina? Número de álbuns? Aparições no Faustão?
                Cada um usa as suas, e por isso os resultados são tão díspares. Led Zeppelin é o maior pra uns, já que as músicas são “celestiais”. Pela mesma razão, Pink Floyd tem a coroa pra outros. Beatles eram revolucionários e, por isso, uma multidão diz que melhores que ele não há. Isso entre os britânicos.
                Agora, entre os americanos, o “chefe” é unânime. Hors concours. Afinal de contas, quem além dele conseguiu criar um álbum tão perfeito que criou um ritmo próprio?

*

                Bruce Springsteen. Pra muitos, um cantor. Para outros, um cronista.
                É isso que ele prova desde 1973 quando, saindo de um circuito minúsculo de shows em bares, fundo de mercado e bailes no litoral do estado de Nova Jérsei, ele junta os membros de sua banda de apoio – a E Street Band, que falaremos mais pra frente – e lança o primeiro álbum. De longe o principal da música americana no ano (ao lado do début doAerosmith), Greetings from Asbury Park,N.J. lembra muito o som folk de Bob Dylan, que narra cenas e que mantém batidas diferentes, ora calmas, ora parecendo um trovão, como em Lost in the Flood. A temática se segue no segundo álbum, no mesmo ano, chamado TheWild, the innocent and the E Street Shuffle, referência na música americana, com um certo flerte para o jazz e o funk. Dele saíram frutos como a belíssima Incidenton 57th street e a até cômica Rosalita (come out tonight), que fechou os shows dele por um bom tempo.
                Apesar da crítica entusiasmada, o sucesso comercial foi fraco, o que acabou criando em Bruce um monstro interior que o guiava à perfeição. O trabalho seguinte entrou para os anais da música desde antes de existir: só de produção foram dois anos, sendo 14 meses apenas para a faixa-título! O uso da refinadíssima técnica do Wall of sound, que a gente explicou há alguns posts atrás, aumentou exponencialmente os custos de produção, fazendo com que Bruce demitisse seu velho produtor, Mike Appel, e apostasse suas fichas no ex-jornalista Jon Landau - trabalharam juntos até 1992. A gravadora já fungava no cangote de ambos, fazendo com que estes escondessem as contas da gravadora até algum tempo depois do lançamento.
                Se valeu a pena? Ptmrd. E como.
*
                Todos os 39 minutos e 26 segundos que apareceram nas prateleiras no dia 25 de agosto de 1975 são mágicos. Antes as canções eram impessoais, depois passaram a fazer perguntas. Com Springsteen, a música extrapola a canção e melodia, e começa, majestosamente, a contar histórias. E não histórias quaisquer, mas história de americanos comuns. De gostos de gente comum – carros, garotas, trabalho. De gente que ouvia Bruce Springsteen. Exemplo é a cena descrita nos primeiros versos da melhor faixa de abertura em todos os tempos, Thunder Road:

The screendoor slams, Mary's dress waves
Like a vision she dances across the porch
As the radio plays
Roy Orbison singin' for the lonely
Hey that's me and I want you only
Don't turn me home again I just can't face myself alone again
Ou:
A porta bate, o vestido de Mary bate
Como uma visão, ela dança pela porta
Enquanto o rádio toca
Roy Orbinson está cantando pelos solitários
Hey, sou eu e só quero que você
Não me mande pra casa de novo, não posso me ver sozinho novamente

Nos anos 70 isso era sexy né... (Fonte: Reprodução)
                O disco tem dez canções, que tratam da vida americana: das brigas de rua e das gangues (o soul de Tenth avenue freeze-out); do cansaço da vida (em Night) e também do submundo (o tom romântico de Meet across the river). Porém as três principais canções do álbum provocaram um furor capaz de fazer a música americana praticamente sair pelo seu próprio umbigo – elas reinventaram, brevemente, a música americana.
                Bruce não fez isso sozinho. O diferencial da sonoridade tipicamente americana dos seus trabalhos e shows era a banda de apoio – a E Street Band. A banda de apoio mais inventiva de todos os tempos (ao lado da Mothers of Invention que acompanhava Frank Zappa e a Vitória-Régia de Tim Maia) também era um marco anos-luz a frente do seu tempo: o guitarrista, Steven Van Zandt, é descendente de italianos. O primeiro baterista, Vini Lopéz, era filho de latinos e o substituto, Max Wienberg, é o mago das baquetas judias. Clarence Clemmons era um saxofonista negro de 2 metros de altura. Numa época de preconceito racial e uma forte divisão na sociedade americana, a capa em que Bruce se apoia em Clarence marcou toda uma geração e marcou uma das mais duradouras parcerias na música – Clemmons morreu em 2011.
                Fechando o lado A existe Backstreets. Com seis minutos, ela tem solos enérgicos e um clímax que, em shows ao vivo, deve ser o momento mais emocionante da vida de uma pessoa. O tema da canção? Novamente, carros, corridas, o amor do narrador – em primeira pessoa, como Bob Dylan ensinou . O álbum, em si, tem os pontos altos e os grandes momentos de um blockbuster americano.
                Abrindo o lado B, os quatro minutos e meio de Born to Run. Se ela demorou um ano e dois meses para ficar pronta, talvez tenha sido tempo suficiente. Carros, beijos, o amor que fica na autoestrada, tudo se entrelaça numa estrutura que, literalmente, corre. Um solo de guitarra que mescla com um solo de sax e uma letra (novamente) emocionante. A primeira vez que ouvi a canção, de olhos fechados, a imagem me veio à mente: dirigindo um Corvette, com aquela gata no lado, correndo acima da velocidade, com os cabelos voando (tudo bem, ao abrir os olhos o metrô abriu as portas e fui empurrado pro corredor. Mas o sonho permaneceu).
                E, fechando o disco, Jungleland. Fugindo aos padrões do álbum todo, com nove minutos e meio, é uma rapsódia de eventos: a gangue junta, a reviravolta, o fim melancólico de cada um dos membros citados na música, com uma letra raivosa. Como a banda de Bruce continha um dos melhores saxofonistas de sua geração, coube para Clarence Clemmons o solo de dois minutos e meio, um belo motor para sexo.
*
                Foi o primeiro álbum do cantor que eu ouvi. Sendo um garoto padrão que só sabia cantar Born in the U.S.A., sempre estranhei como esse álbum aparecia nas listas dos 20 maiores de todos os tempos. Ou como os críticos nunca relutaram em dar 5 estrelas. Depois da primeira vez que eu ouvi, finalmente entendi o que Bruce representa para a música americana.
                Graças aos primeiros álbuns do cantor – e este em especial – um novo filão nasceu: o heartland rock, com letras relacionadas aos carros, à vida cotidiana numa América onde o american way of life raramente existia. Sem esse sucesso, nem John Mellencamp, nem Bob Seger, muito menos Tom Petty teriam sucessos como caipiras roqueiros.
                A partir de 1975, Bruce mostrou como um artista deve se portar: shows que duram em média, mais de 3 horas; álbuns excelentes (como o seguinte, Darkness in the Edge of Town) e, pela primeira vez em 25 anos, faz shows no Brasil - amanhã, no Espaço das Américas em SP -  e sábado, dia 21, no palco Mundo do Rock in Rio. É a chance de que volte a ser o grande ídolo de garotas e garotos como foi nos anos 80.

                E é a chance, irrefutável, de provar que eu sou (muito) suspeito pra falar dele.




Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: guilherme@revistafriday.com

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3 de setembro de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente # 19- O mês dos shows

Senhoras e senhores, ladies and gentlemen, preparem seus cartões de crédito: setembro é, de longe, o mês com a maior quantidade de grandes shows no país em muito, muito tempo. 47 shows internacionais (4 megashows com mais de 10 mil pessoas; 11 grandes shows de 2 a 10 mil pessoas; e 33 shows para até 2 mil pessoas).   Uma constelação de artistas vai passar pelos palcos brasileiros, para os mais variados tipos de ouvidos. Achamos bom vocês irem abrindo as carteiras.

*
Bora pra fila? (Reprodução)


Há uma série de fatores para todo mundo escolher um mês em especial para aportar na terra brasilis, mas o principal deles ocorre na cidade maravilhosa: o Rock in Rio dispõe de grana suficiente para entortar as turnês de grandes bandas mundiais – o Iron está tocando pela Europa, John Mayer passando pelos EUA e o Muse idem. Com a vinda deles para um show no RJ, cresce a chance de que eles toquem em outras cidades brasileiras e sul-americanas. Fora estes, outros já estavam marcados há tempos. Com foco especial aos amigos paulistas, respire fundo e vamos à lista:




The Offspring (skatistas e ex-emos do mundo todo, uni-vos!)
Onde: Credicard Hall
Quando: dia 15 de setembro, às 20h
Quanto: de R$ 90 à R$ 500

Nunca fui fã. Um amigo meu (que ajuda bastante nas pautas aqui) costuma falar que "é o show que, se perguntam onde eu está indo, eu digo que é na padaria e não no show". Se me perguntassem quem eu acho que são fãs da banda, diria que, em sua maioria, são skatistas que nunca levam a sério a canção mais legal deles (Why don’t you get a job?). Mas como eu sou um velho inveterado que entendo pouco o rock dos anos 90, desconsidere. Afinal de contas, vai que é legal né? Uma pena que o Chorão tenha morrido, logo seria o CBJR a banda de abertura.
O que ouvir: quem sou eu pra falar de Offspring? (qualquer coisa vai ser motivo de reclamação, logo...)
 Look: Calça colada, um All Star cheio de quadriculados por uma bic azul e camisetas da banda. A segurança pede para que não levem seus shapes - já que não há pista de skate na plateia.  



Matchbox Twenty (eles voltaram – e eu sofri calado)
Onde: Espaço das Américas
Quando: dia 17, às 19h30
Quanto: de R$ 210 à R$ 320

A gente falou do Rob Thomas no post passado.  Lá ele era um cantor solo, apenas num freela. Aqui ele volta com uma das mais consolidadas e bem-sucedidas bandas dos últimos 20 anos, com o primeiro disco depois de 10 longos invernos parados.
O que ouvir: apenas ouvir o álbum de estreia, Yourself or someone like you, já basta pra começar a gostar da banda.
 Look: qualquer roupa, contanto que tenha algum rasgo proposital. Camisas do Nirvana com aquele emoticon ridículo serão barradas na entrada.


Living Colour (sdds Guitar Hero 3)
Onde: Bourbon Street (em Moema)
                                                                       Quando: dia 17, às 20h
                                                                        Preço: de R$150,00 à R$260,00

Eu lembro de como era difícil - e maneiro - tocar Cult of Personality no Guitar Hero 3. Foram meses de prática para que me arriscasse no nível Expert. E, só depois de muito tempo, fui parar pra ouvir a banda. E  sim, eles são excelentes naquilo que fazem - pelo som metal, sempre suspeitei que fossem brancos - e prometem tocar o álbum de estreia, o aclamado Vivid, de 1988, na íntegra.
O que ouvir: Elvis is Dead, Glamour Boys e o inspiradíssimo The Chair in the doorway, álbum de retorno da banda, lançado em 2009.
 Look: Camisa de flanela, cabelo com dreads pequenos que te façam parecer filhos do Zach de la Rocha, do Rage Against the Machine.




  Bruce Springsteen and the E Street Band (Deus abençoe os cosméticos Ivone I)
Onde: Espaço das Américas
Quando: dia 18, às 21h
Quanto: de R$ 260 à R$ 560

(Fonte: reprodução)
Chame a mamãe que, em 1984, achava ele um tesão! Chame o papai que adorava quando ele colocava um colete jeans e ficava parecendo um cover do Sérgio Mallandro! Diga que o Brasil é uma vergonha cantando Born in the USA.  Bruce  o Roberto Carlos americano  encerra no Brasil uma das mais lucrativas turnês do ano sobre um dos melhores álbuns do ano passado, em shows que raramente duram menos de 3h30.  Springsteen e a sua banda de apoio – a não menos genial E Street Band  também tocam dia 21 no Rock in Rio (ingressos quase esgotados). É, sou suspeito pra falar dele.
O que ouvir: Além da clássica Born in the U.S.A., o destaque é o álbum mais recente, Wrecking Ball.
 Look: Roupas de caminhoneiro, operário ou metalúrgico. Faixa no cabelo e cara de ianque também conta ponto.




John Mayer (Sindicato das Cocotas de SP e "cerveja de hipster" apresentam: John Mayer e banda!)
Onde: Arena Anhembi
Quando: dia 19, às 20h45
Quanto: de R$ 240 à R$ 500

Pega garotas? (Reprodução)




O show favorito das garotas que não curtem música brasileira (taí o evento do show no facebook que não me deixa mentir) vai ser protagonizado pelo guitarrista americano (lembrado por um amigo meu como “o cara que copiava o Clapton”) junto com o cantor de abertura, o legendário e extraordinário e histórica...Philip Philips. Lembra? Aquele que venceu o American Idol. 
O que ouvir: Músicas que ele imita o Clapton (em questão de estilo, quase todas).
 Look: Para os rapazes solteiros, invistam na camisa xadrez e sapatênis - hetero - com calça jeans, aquele creme no cabelo à lá Caio Castro (mesmo que você seja um gordo barbado e do cabelo crespo como eu, o look também ajuda).



Iron Maiden (foto) / Slayer / Ghost B.C. (é pau, é pedra II)
Onde: Arena Anhembi
Quando: dia 20, às 18h
Quanto: de R$ 260 à R$ 450

Pauleira. Isso pode definir, sucintamente, o que deve ser o show com três dos quatro membros do dia do metal no Rock in Rio (o que ficou de fora foi o Avenged, ou seja...). Junto ao sempre presente Iron Maiden (com uma média de um show a cada dois anos em terras tupiniquins), os americanos do Slayer trazem um show aguardadíssimo (mais pelo fato do falecimento do guitarrista Jeff Hanneman do que pelo show em si) e o Ghost vai tentar calar a boca dos fãs da banda principal – os fãs de Iron não aceitam muito bem o caráter mascarado e sombrio que os suecos sem-nome impuseram em seu segundo álbum, Infestissumam.
Em algum momento da vida você já trombou
com essa múmia (Reprodução)
O que ouvir: Iron Maiden tem um monte, mas vai ter pentelho enchendo falando "ah, mas falta x nessa sua lista". Slayer tem a histórica Raining Blood - uma das bases do trash metal - e War Ensemble. Ghost...bem, se você aguentar essa coisa melosa que é o álbum deles, vá em frente.
 Look: Vá à Galeria do Rock e entre na primeira loja. Nela, pegue a primeira camisa. Ou é Iron ou Metallica. Caso não dê certo, peça ajuda ao adolescente ou tiozão mais próximo.




   Jon Bon Jovi (Deus abençoe os cosméticos Ivone II)
   Onde: Estádio do Morumbi
   Quando: dia 21, às 16h
   Quanto: de R$ 180 à R$ 680



E msm e? (Reprodução)
                Quem nunca abriu a janela, colocou a cara pra fora e esgoelou um It’s my liiiiiiiiiiiiiife, is now or never? Ou um Livin’ on a prayer no final de todo mundo odeia o Chris?  O cantor – versão americana do Fábio Jr. –  faz uma escala em São Paulo menos de 24 horas depois de tocar no palco Mundo do festival carioca. O álbum mais recente deles, What About Now, não foi lá muito bem recebido. Mas, novamente, quem não cantaria com o loiro. (Atenção: o show de abertura é com o Nickelback, cuja única coisa que eu lembro é o vocalista Chad Kroeger, dos cabelos de miojo e etc).
O que ouvir: Bon Jovi é uma fábrica de hits. Do primeiro álbum aos sucessos mais atuais, como We werent' born to follow, é difícil topar com alguma coisa ruim. Já Nickelback... a Mix ainda toca essa banda?
 Look: Mesmo do Bruce Springsteen. Camisas com foto do cantor em poses complicadas ou alguma roupa de tia também formam uma boa parada.

           *

                Isso para citar apenas alguns dos principais shows de rock da cidade. O site do Rockinchair, especializado nessa atividade, te dá a lista completa. E fora que em outubro ainda temos Black Sabbath - sim, tio Ozzy vem aí! -, Aerosmith e Whitesnake. Se preparem, ou vão ficar em casa chorando de fone no ouvido.

                E nos falamos no próximo post.

Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: guilherme@revistafriday.com

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