#05: Visibilidade Trans

Confira na capa do mês de fevereiro da Revista Friday, uma entrevista sobre os desafios de uma pessoa trans, com a ativista LGBT Rebecka de França.

INTERNET: Mudanças, tecnologia e Google+

Confira algumas mudanças que o google+ realizou para agradar os usuários.

Conexão Canadá: Vancity- The Journey begins

Camila Trama nos conta um pouco de seu intercâmbio em alguns lugares do Canadá.

CINEMA: Sassy Pants

Rebeldia, insatisfação e as paixões fazem parte do cotidiano de todos os adolescentes, confira a resenha do filme Sassy Pants.

VITRINE: O universo feminino de Isadora Almeida

Inspirada por ilustrações de moda, estamparia e coisas que vê por aí, conheça o trabalho da ilustradora mineira Isadora Almeida.

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19 de fevereiro de 2014

Lista - Cinco livros sobre guerras

  Em homenagem à estreia do filme "A Menina Que Roubava Livros", que eu ainda não vi mas sou apaixonada pelo livro, resolvi fazer uma lista de romances de guerra. Esses livros vão te fazer chorar, refletir sobre o horror da coisa toda e algumas vezes até rir (sim, o absurdo é nesse nível). Confere aí alguns dos títulos que mais me marcaram:



1 -  Ardil 22 - Joseph Heller - A guerra de forma satírica 
O livro, que se passa na 2ª Guerra, conta a história de Yossarian, um piloto de bombardeio americano, seus companheiros e sua relação com os absurdos da guerra. Ardil 22 é escrito de uma maneira genial, mostrando diferentes pontos de vista durante a guerra através de flashbacks. Você ri, chora e se revolta. Tudo ao mesmo tempo. 





2 - A Inocência dos Pássaros - Scott Simon - A guerra das diferenças 
Durante a guerra da Bósnia, Irena, de 17 anos, se vê obrigada a largar seu querido time de basquete para se juntar a um grupo de rebeldes em uma Sarajevo que foi transformada em campo de batalha. A transição da vida comum para guerra e violência é mostrada de uma maneira muito real. Para escrever o livro, o autor entrevistou várias jovens que serviam como atiradoras de elite durante o conflito. 



3 - Muito Longe de Casa - Ishmael Beah - A guerra das crianças soldado
O livro conta a história real de uma menino que, durante a guerra civil em Serra Leoa, perdeu a sua família e foi obrigado a se tornar um soldado. Acabou por, aos poucos, perder a sua inocência. Com uma escrita simples, mas chocante, Ishmael conta seu passado para o mundo.  Esse livro me deu uma dor enorme no coração. 





4 - O Clube de Boxe de Berlim - Robert Sharenow - A guerra de um menino contra o nazismo
Na Alemanha, durante a 2ª Guerra Mundial, Karl Stein encontra no boxe a força e a coragem para lutar contra seus oponentes e contra as perseguições do regime nazista. Entrou na lista dos meus preferidos por ser sincero de uma maneira maravilhosa e ter um protagonista tão carismático e cativante.





5 - Guerra Mundial Z - Max Brooks -  Guerra. Ah, e tem zumbis também!
(Sim, é sério) O livro é um relato jornalístico com os depoimentos de pessoas sobre a guerra contra os zumbis. As entrevistas falam sobre os dez anos de guerra e seus aspectos humanos, religiosos, políticos, culturais, econômicos... Acho que esse livro merece entrar nessa lista por ser simples, genial e por ter feito com que eu começasse a ver o apocalipse zumbi de uma maneira totalmente diferente. 





Sugestões? Sim, por favor! 


Por: Virgínia Fróes
De: Natal - RN
Email: virginianavarro17@gmail.com
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5 de fevereiro de 2014

Resenha: Licor de Dente-de-Leão - Ray Bradbury

Ray Bradbury é um escritor americano de ficção-cientifica mais conhecido por suas obras “Fahrenheit 451” e “Crônicas Marcianas”. Apesar de não ter concluído sua formação acadêmica, se tornou um dos mais famosos escritores de ficção-cientifica de todos os tempos, ganhando importantes prêmios com mais de 30 livros publicados durante sua vida.

“Licor de Dente-de-Leão” é algo entre o autobiográfico e o fantástico. O livro conta a história de Douglas Spaulding, da cidade de Green Town e do verão de 1928. Douglas tem doze anos e acaba de perceber que está vivo. O verão sempre parece promissor com todas as aventuras e com os dentes-de-leão, colhidos para fazer o licor que vai durar o ano todo.
Mas esse verão em particular conta com experiências marcantes na vida do menino. É durante esse tempo que ele conhecerá a maquina da felicidade, o jovem repórter que se apaixonou por uma idosa de 95 anos, a bruxa do tarô e muitos outros acontecimentos que o mudarão para sempre.


E quando um livro é o livro mais lindo do mundo? Quando você está lendo e quer terminar logo, só pra poder passar a última página, voltar para o começo e ler tudo de novo? É assim que é "Licor de Dente-de-Leão" funciona. Só basta um gole para aquecer seu coração e você lembrar das memórias que estava começando a esquecer. O livro me lembrou muito a esperteza e inocência que aparecem nas crianças de "O Sol É Para Todos" clássico americano da autora Harper Lee.  Douglas e principalmente seu irmão caçula Tom (meu personagem favorito), têm aquela sabedoria que só a infância carrega e que às vezes se perde com o tempo.


Ray Bradbury escreve de um jeito único sobre as pequenas coisas maravilhosas da vida e sobre como é a percepção do mundo através dos olhos de uma criança que está prestes a começar a vida adulta. Vale a pena ler e reler.

“– Tom, se este ano passou desse jeito, como será o ano que vem: melhor ou pior?
– Não pergunte a mim. – Tom soprou uma melodia em um caule de dente-de-leão. – não fui eu quem fez o mundo. – Ele pensou no assunto. – Mas alguns dias eu sinto que fui. – Ele cuspiu com felicidade.”

Por: Virgínia Fróes
De: Natal - RN
Email: virginianavarro17@gmail.com

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22 de janeiro de 2014

Resenha: Lugar Nenhum - Neil Gaiman

Neil Gaiman é inglês (tem alguma coisa ruim que esse país faça? Não!), escritor de romances e quadrinhos, famoso principalmente pela a HQ “Sandman”, além das diversas obras adaptadas para o cinema e contribuições para TV. “Lugar Nenhum” foi lançado em 1996, junto com a série de mesmo nome transmitida pela BBC.

O livro conta a história de Richard Mayhem, um rapaz escocês que trabalha e mora em Londres. Ele vive uma vida perfeitamente normal, em um apartamento normal com um emprego normal e está noivo de uma moça (chata) que parece ser a mulher ideal. Tudo parece bem até que uma noite Richard encontra uma moça ferida na rua e decide socorre-la.

Depois disso, Richard se torna invisível para as pessoas de Londres, como se nunca tivesse existido. Sem emprego, sem noiva e sem ter onde morar, ele acaba indo atrás de Door, a moça que o ajudou. É assim que ele descobre a existência da Londres-de-Baixo, uma versão subterrânea da cidade que é povoada por monges, assassinos, mercenários, párias e até mesmo nobres. Richard precisa descobrir como conseguir sua vida de volta enquanto ajuda Door a encontrar as pessoas que assassinaram sua família.

Na minha (suspeita) opinião, Neil Gaiman dificilmente faz algo que seja ruim. Sandman foi a primeira coisa dele que eu li e posso dizer que é um dos melhores quadrinhos que eu já li na vida. “Lugar Nenhum” segue essa linha de coisas boas. Ele apresenta a fantasia sombria de Neil Gaiman de uma maneira mais adulta mas que te faz pensar como criança se o mundo é mesmo só isso que vemos ou se realmente existem coisas que nem sonhamos.

Richard é meu personagem favorito. O desenvolvimento dele na história acontece de forma natural, nada de virar super herói de uma hora pra outra. Ele conhece um mundo novo e tem medo mas ao mesmo tempo tem curiosidade. “Lugar Nenhum” é cheio de detalhes e personagens interessantes. A história tem um ritmo bem intenso e o clima de mistério faz com que o livro seja praticamente impossível de largar.

A primeira vista, pode parecer que “Lugar Nenhum” fale de mundos desconhecidos e lendas urbanas mas, na verdade, Neil Gaiman nos mostra nossa própria vida e se temos coragem ou não para mudá-la. 

Por: Virgínia Fróes
De: Natal
Email: virginia@revistafriday.com.br

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8 de janeiro de 2014

Resenha: O Clube de Boxe de Berlim - Robert Sharenow

  Robert Sharenow é um escritor e produtor de TV americano, ganhador de um Emmy e vencedor de vários prêmios de livros para jovens leitores. "O Clube de Boxe de Berlim" foi publicado pela Rocco Jovens Leitores em 2013.

  Misturando ficção e fatos históricos, o livro conta a história de Karl Stern, um menino alemão e judeu, que mesmo sem ter nenhum tipo de educação religiosa, é perseguido pelos valentões da sua escola, cada mais afetada pelo nazismo. Cansado de apanhar e de correr, Karl decide começar a treinar boxe com o amigo de seu pai e campeão alemão, Max Schmeling. É através da sua paixão pelo esporte que o garoto começa a ganhar coragem para enfrentar seus inimigos, não só o que estão dentro do ringue mas também os que surgem durante a ascensão do nazismo na Alemanha. O livro também contêm os desenhos de Max - que adora desenhar e cujo desejo é fazer a sua própria história em quadrinhos. 

  "O Clube de Boxe de Berlim" foi, sem dúvida, uma das melhores coisas que eu li em 2013. O livro é emocionante e trata o assunto de maneira diferente e sincera. Karl é apenas um menino e sua revolta é contagiante. Ele não parece um judeu, nunca foi educado como um e mesmo assim é perseguido. O garoto nos transmite todos os seus sentimentos em relação a um mundo cada vez mais perigoso, confuso e sem sentido. Ele está cheio de raiva e o boxe é a resposta que o encontra. 

Entretanto, boxe não é apenas violência pura, como ele logo aprende, mas sim habilidade e honra. E é no clube que ele aprende lições de vida importantes com seu ídolo Max e com os outros membros. 

Um livro simplesmente espetacular. É um gancho de direita que te deixa com lágrimas nos olhos. 

Por: Virgínia Fróes
De: Natal - RN
Email: virginia@revistafriday.com.br

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25 de dezembro de 2013

5 livros mais trocados no amigo-secreto




Jingle Bells, Jingle Bells, acabou o papel!

Hoje é dia de Natal, data em que dividimos emoções. E isso, muitas vezes, vem através do famoso amigo-secreto (ou “amigo-oculto”).

Não adianta se é entre a família, irmãos de consideração, colegas de trabalho e etc; em uma roda de pessoas que trocam presentes entre si, livros sempre surgem.

Então, para comemorar este fim de ano, selecionei cinco obras que foram sucesso de vendas neste final de 2013 e, assim, partilhadas entre risadas, declarações e trocas de farpas...


"O meu amigo-secreto é uma pessoa que eu gosto muito..."

5. Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado (Romeu Tuma Junior e Claudio Togloni)

“Assassinato de Reputações” mergulha em investigações políticas, colocando em xeque diversos métodos exercidos durante o governo Lula. Ex-secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, autor do livro, ocupou cargos na Polícia Federal e usa sua experiência investigativa para narrar as ações sindicalistas de Luiz Inácio Lula da Silva, além de explicar o assassinato do prefeito Celso Daniel e analisar órgãos de segurança de nosso país, como a própria Polícia e a ABIN. 

Destaque para os grampos telefônicos no STF, como ocorrem os tratamentos com empresários que causam algum tipo de incômodo ao governo e qual o papel de operações midiáticas envolvidas em segundas intenções.

Bela opção de presente, já que é um registro rico em detalhes e arquivos para desvendar as relações de poder em nosso Brasil. 


4. Inferno (Dan Brown)

Para quem gosta de mistérios, Dan Brown é tiro certeiro na escolha do que dar ao seu amigo-secreto.

Enfim... O autor retornou com mais um livro que tem sido sucesso de vendas, assim como “O Código da Vinci”, “Anjos e Demônios” e “Símbolo Perdido”.
Em “Inferno”, o já conhecido – por quem aprecia as obras de Brown – professor de simbologia, Robert Langdon, invade o mundo inferior retratado em “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri. Um local dominado por almas perdidas entre a vida e a morte, chamadas de “sombras”. Assim, o protagonista se vê diante do inferno, em uma busca de personagens que pode – ou não – confiar para que o mundo que conhecemos não seja rompido.

(Até fiz um post sobre “Inferno” antes de seu lançamento. Se quiser dar uma olhadinha,  clique aqui.)

3. Fim (Fernanda Torres)

Não, é isso mesmo. A famosa atriz que nos arranca risadas na televisão, cinema e teatro tem agora seu livro. E ele está “bombando” nas livrarias e correndo em mãos como presente de amigo-oculto.

O romance “Fim” relata a trajetória de cinco amigos cariocas. Juntos, eles relembram passagens marcantes de suas vidas, como festas, manias, arrependimentos, casamentos, separações, alegrias e tristezas.


Vamos aos protagonistas. Álvaro é um cara solitário, não suporta a ex-mulher e passa boa parte de seu tempo com visitas médicas – que não parecem resolver seus problemas... Já Silvio (maoe!) não larga os vícios em drogas e sexo nem na velhice! O praiano Ribeiro tem uma vida sexual marcada pelo remediozinho azul, o Viagra, enquanto Neto é visto como “careta da turma”, por ser o marido fiel. E o Don Juan da galera, conhecido com o nome de Ciro, tem a morte declarada nas primeiras páginas do livro devido ao câncer.

Personagens distintos, partes semelhantes: vidas marcadas por mulheres paranoicas, sedutoras, conformadas, desencanadas, apaixonadas. Em “Fim”, Fernanda Torres marca histórias com melancolia, vocação religiosa, risos, graça, sexo, sol e praia!

2. Destrua Este Diário (Keri Smith)

Ok, até eu ganhei este livro de amigo-secreto entre os amigos da faculdade. E eu adorei! 

Abandone a ideia de que o diário serve para você anotar seu dia, memórias e o blá-blá-blá do que acontece em sua rotina. A canadense Keri Smith te convida a levar uma vida mais ousada a partir do livro.

O nome “Destrua Este Diário” faz jus à obra. O livro é um convite a rasgar páginas, rabiscá-las, manchá-las. Não há uma ordem certa para preenchê-lo. Abra em uma página qualquer e tente realizar o que se pede. Desde anotar algo que te faz feliz, mastigar uma das folhas e colar insetos na página até a ir com o objeto de papel ao banho e tacá-lo do alto.

As ideias parecem loucas no primeiro momento. “Cara, vou ter de realmente destruir este diário!”, pensei ao arrancar o plástico que o envolvia. Mas é o livro perfeito para pessoas que, como eu, visam o perfeccionismo. Presente ideal para largar a monotonia e ir além do que você mesmo achou ser capaz. 

Às ordens, querido diário!
1. Qualquer livro do John Green

O título não é irônico, não. O autor é sucesso de vendas para presentes de amigo-secreto! Não sabe o que comprar? Dê um livro do John Green. Pronto. Seu amigo-colega-parente-namorada-vizinho-peguete-papagaio ficará feliz. E o vendedor da livraria também, certeza.

Palmas para o autor de obras para “jovens adultos” que parece não abandonar as prateleiras tão cedo. John Green estourou com vídeos na internet e hoje escreve livros que são sucesso de venda.

“O Teorema de Katherine”, “Quem é Você, Alasca?”, “Will e Will – Um Nome, Um Destino”, “Deixe a Neve Cair”, “Cidades de Papel” e “A Culpa é das Estrelas” (eita, quantos!) estão arrasando em vendas. 

Para não ser muito ampla, darei destaque especial ao livro que mais vi por aí seguido da frase “Amei o presente!”: “A Culpa é das Estrelas”. A obra percorre a trajetória de uma paciente terminal, Hazel. E, como a maioria das obras de Green, há um toque de amor na trama: a partir do momento em que Hezel conhece Augustus, um belo garoto que aparece no Grupo de Apoio a Crianças com Câncer.

E ah, ponto positivo para o último capítulo da história de Hezel, escrito no momento de seu diagnóstico. Livro emocionante e belo.


Boas festas, meu povo! E que este espírito de solidariedade, paz e renovação estejam presentes com vocês em todo o ano de 2014!

Por: Tatiane Gonsales
De: São Paulo - SP

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11 de dezembro de 2013

Mas quem é mesmo Caio F. Abreu?



Neste post, deixarei de lado as resenhas de livros, opiniões sobre os mesmos ou dicas de lançamentos que você deveria mergulhar e se deliciar.

Retratarei aqui uma cena da qual presenciei – e até tornei-me personagem.

Certa tarde fria, em plena Avenida Paulista, adentrei uma livraria. A famosa Livraria Cultura que encanta os leitores de plantão no coração da cidade de São Paulo.

Em meio a livros folheados, não pude deixar de ouvir uma conversa entre duas jovens. 

- Ai. – disse a adolescente loira de aparentes 13 anos – Será que aqui tem algum livro de frases daquele Caio-Efe-ponto-Abreu?

- Aaaaaaai! – um gritinho do tipo “você está falando do meu ídolo gatinho” saiu da boca da outra menina, de idade similar, morena com os cabelos longos presos em um rabo-de-cavalo torto – Ele é um fofo, né?

- Tem várias páginas dele no Facebook. Não sei se há uma verdadeira, mas o que importa, tipo, é que ele é tão romântico! Eu me identifico demais com as palavras dele. Tipo, são lindas. É como se eu tivesse escrito para mostrar todas as minhas dores com meus ex-namorados...

- É demais, né, amiga? Ele devia ser tão apaixonado por sua mulher.

Espera aí. Mulheres? Está certo que certas páginas de alguns contos dele dá a entender que ele curtisse pessoas do sexo oposto. Mas o verdadeiro Caio Fernando de Abreu era conhecido por sua homossexualidade. Sua atração por homens. Homens.

Fiz questão de cutucá-las para ver até em que ponto conheciam o Caio, ícone famoso das redes sociais. O livro em minhas mãos foi colocado de volta à prateleira e recolhi “Morangos Mofados”, do autor que discutimos neste relato. Abri em uma página aleatória e não demorou muito para que as amigas-fãs-de-Caio-Efe-Abreu percebessem.

- Nossa, moça! Você curte o Caio Abreu também? – perguntou-me a loira.

- Marcante à nossa literatura, não acha? – respondi com outra questão.

- Ele bomba no Facebook, Tumblr e Twitter. Adoro as frases dele! – indagou a menina de cabelos morenos. – O que você está lendo?

- “Natureza Viva”, um trecho deste livro, “Morangos Mofados”. Quer ouvir? – perguntei.

- Claro!


Preparei-me e fui.

- “Desejarás desvendar palmo a palmo esse corpo que há tanto tempo supões, até que as palmas famintas de tuas mãos tenham percorrido todos os caminhos, até que tua língua tenha rompido todas as barreiras do medo e do nojo, tua boca voraz tenha bebido todos os líquidos, tuas narinas sugado todos os cheiros e, alquímico, os tenha transmutado num só, o teu e o dele, juntos - luz apagada, peças brancas de roupa cintilando, jogadas ao chão. Desejá-lo assim, a esse outro tão íntimo que às vezes julgas desnecessário dizer alguma coisa...”.

(Ufa, achei o trecho na internet.)

Antes de acabar, fui interrompida.

- Nossa, mas que selvagem. Isso é Caio Abreu mesmo? – questionou a loira.

Mostrei o nome no livro. 

- Estranho! E “desejá-lo”? De quem ele está falando? Suas frases parecem tão românticas na internet e aqui, tão... estranhas! Sei lá, tipo, não parece ele. Ele parecia tão meigo. Sei lá. – falou a colega.

Apenas estiquei meus braços. A morena pegou o livro e o observava como se fosse um quebra-cabeça indecifrável... Depois de uns instantes, ela repôs o livro no lugar em que foi tirado: na prateleira.

- Não quero ler isso. Ele parece tão rude! Prefiro ficar com o Caio Abreu que conheço.

Rude. Há tempos não ouvia esta palavra. 

As garotas se afastaram. Pareciam ter nojo da verdade que tentei revelar por trás do que sabiam de um – talvez falso ou parcial – Caio Fernando de Abreu.

Foram embora. Não quiseram descobrir nada além do que sabiam. O cara das redes sociais era legal. Mas o autor de livros era "rude".

Acho que o verdadeiro Caio se remexeu no caixão.

Por: Tatiane Gonsales
De: São Paulo - SP
Email:tatiane@revistafriday.com.br

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20 de novembro de 2013

Mãe, tô lendo: dicas para iniciantes

Qual a sua pior lembrança quando o assunto é livro? A minha, sem dúvida, é àquela de um professor me obrigando a ler um livro de literatura brasileira que, lá por volta dos meus 14 anos, eu achava "chato" e com uma linguagem super difícil de compreender, além de ter poucas (nenhuma) ilustrações. E é exatamente nesse ponto que eu quero chegar: qual será o motivo para que muitos brasileiros não gostem de ler? Alguns podem me dizer que é porque o livro no Brasil, comparado a outros países, ainda é muito caro. Opa! E as bibliotecas que estão espalhadas país afora? - É verdade que somos deficitários nesse quesito, mas, com boa vontade, um leitor assíduo nunca fica sem um bom livro em mãos.

Outros podem dizer que o governo investe pouco na cultura do país - o que também e verdade. Mas será que o principal motivo para que poucos brasileiros gostem de ler não é o simples fato de que, desde pequenos, fomos apresentados a literatura como uma coisa ligada intimamente a obrigação e que nos coloca em status diferenciado perante a sociedade? Será que essas pessoas que não gostam muito de ler não são um produto dessa sociedade que diz que ler é obrigatório independente de você gostar do livro ou não?

Pode perguntar para um amigo ou até mesmo aquele seu parente que não é muito chegado em livros, por que ele não gosta de ler? Uns dirão que é por falta de tempo e, com certeza, a maioria vai comparar o ato de ler não como uma coisa prazerosa, mas como uma tarefa chata e entediante. Será por quê?


Como eu sou uma pessoa que ama ler e adoro ver meus amigos lendo também, porque sim, a literatura e essencial em nossas vidas e nos tornam melhores ouvintes, comunicadores e entendedores. Vou dar algumas dicas para você que ainda não tem uma relação muito próxima com os livros se tornar melhor amigo deles. As dicas são simples e baseadas na minha própria experiência com os livros. Só a prática leva a perfeição. Vamos às dicas.


1 - Comece lendo o que você gosta. Não se importe com o que as pessoas acham do livro, autor, gênero, etc:




Acho que essa dica é a mais importante de todas. Você só terá prazer na leitura se ler o que gosta. Muitas pessoas deixam de ler o que gostam porque os "super leitores" criticam o autor ou o livro. Independente do que as pessoas acham sobre o que você está lendo, leia! Eu mesmo já deixei de ler, por um tempo, os livros do Paulo Coelho porque algumas pessoas diziam que a literatura dele não é boa, blá, blá, blá... Hoje leio sem medo de ser feliz, pois, como diz o ditado “mais vale um livro lido do que um na prateleira" acho que é isso, haha. Com o tempo você vai ter maturidade literária suficiente para escolher, sozinho, livros com linguagem mais rebuscada. O segredo é praticar.


2 - Leia quando estiver realmente com vontade:




Uma leitura feita sem foco total no livro não vai ser proveitosa. Você irá gastar tempo e no final não terá absorvido nada de bom da leitura. Leia quando estiver disposto a isso, totalmente entregue. Algumas pessoas podem dizer "e os livros que somos obrigados a ler na escola ou faculdade?" Se você já deu uma olhada neles e achou que a maneira que o autor tratou o assunto não é tão interessante, converse com o professor e dê sugestões de outras obras que tratem do tema proposto. Sugerir mudanças nunca será um problema, desde que seja para melhor.


3 - Leia resenhas e blogs literários:


Imagem: Bloguinfo


Se você começou pela primeira dica e, mesmo assim, não conseguiu encontrar ou identificar qual o tipo de literatura que mais te atraí, recorra às resenhas e blogs literários. Geralmente eles te dão uma visão bem pessoal do que é o livro e do que ele trata, assim fica bem mais fácil você encontrar o que gosta. Além dos blogs te darem a possibilidade de conversar com vários apaixonados por leitura e trocar dicas sobre o assunto. 


4 - Vá à biblioteca:


Imagem: Fabi Mariano 


O santuário sagrado dos livros. Ir a uma biblioteca também é uma ótima dica para começar sua busca pelo gênero literário perfeito. Elas te dão várias possibilidades e será muito difícil você sair de uma sem levar consigo um bom livro em mãos. Há, não fique com receio de pedir ajuda para as bibliotecárias (sim, aquelas senhoras de óculos e faces sempre sérias), elas amam ouvir uma pessoa chegar e perguntar "você poderia me indicar um livro?" Vão logo abrir aquele sorriso e prontamente te ajudar a encontrar um livro que será perfeito para você. 


5 - Converse com pessoas que gostam de ler:




Você encontrará várias opiniões, visões e críticas ao universo da literatura. Isso é fundamental para ajudar a construir o leitor que você será. Só nos tornamos bons em algo quando nos cercamos disso.


6 - Converse com um escritor:


Imagem: Eu, Cinema 


Já tive várias oportunidades de conversar com escritores de livros que gosto. Eles de dão uma visão mágica de como foi escrita a obra, quais as inspirações usadas para escrever e qual é a importância da literatura em suas vidas. Com certeza você ficará maravilhado com os livros depois dessa conversa.


7 - Leia!:




Sim, leia. Além de todos os benefícios que a leitura nos proporciona, quando pegamos gosto pela coisa percebemos que os livros que queremos ler são muitos e o tempo para isso é pouco. Por isso, comece agora mesmo.


E aí, o que acharam das dicas? Faltou alguma? Quais dicas vocês utilizaram/utilizam para se tornar um bom leitor?



Por: Leonardo Souza 
De: Porto Velho - RO
Email: leonardsouza_ss@hotmail.com

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6 de novembro de 2013

RESENHA: As Luzes de Setembro - Carlos Ruiz Zafón

            Carlos Ruiz Zafón é um escritor barcelonês. Os livros dele são especialmente feitos para que você se entregue completamente à historia, surte com os personagens e deixe de dormir várias horas até conseguir terminar a leitura. "As Luzes de Setembro" faz parte de uma coleção de livros para jovens adultos, traduzidos recentemente para português. Minha mais nova aquisição, pra alimentar o meu vício. 
            
           O livro conta a história da viúva Simone Sauvell e de seus dois filhos, Dorian e Irene, que abandonam Paris e se mudam para uma cidadezinha no litoral da Normandia.  A cidade revela ser um lugar lindo e tranquilo, onde Madame Sauvell vai trabalhar como governanta na mansão do fabricante de brinquedos, Lazarus Jann.  Tudo parece maravilhoso para a família até que começam a surgir mistérios envolvendo uma mansão repleta de seres mecânicos, sombras na floresta e luzes misteriosas em torno do farol.
           
          "As Luzes de Setembro" é, como Zafón mesmo fala em sua introdução, um livro com elementos cinematográficos. É impossível não imaginar a beleza da praia nos mínimos detalhes. A história talvez seja um pouco corrida, sem o aprofundamento que o autor normalmente dá aos seus personagens, mas sem deixar de prender a atenção do leitor. E como sempre, tem aquela mistura de magia e terror, mistério e beleza que é a marca registrada de Zafón. Resumindo: Mais um livro maravilhoso de Zafón que não decepciona, principalmente nas reviravoltas. Nada é o que parece ser, mas tudo que ele toca se torna maravilhoso. 


Por: Virgínia Fróes
De: Natal - RN
Email: virginia@revistafriday.com.br 

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16 de outubro de 2013

Freud tem uma amante: desvende os encontros do psicanalista e sua cunhada



Cerca de 70 anos de burburinhos aqui e ali. Boatos rondaram estas últimas sete décadas sobre o romance de Sigmund Freud e Minna Bernays. Teria mesmo o pai da psicanálise um envolvimento com sua cunhada?

A fonte mais confiável foi Carl Jung, psiquiatra que disse ao mundo que a mocinha lhe contou sobre os encontros amorosos em 1957.

Em 1972, a filha mais nova do mestre, Anna Freud, doou a uma biblioteca dos EUA cartas pessoais do pai que não deveriam ser abertas à exposição pública. Mas as cartas tinham um vazio... Numeradas em ordem cronológica conforme as datas escritas, não existia um registro sequer entre 1885 e 1900, período em que começam a supor que a relação extraconjugal teria acontecido. 

Freud e sua espoca, Martha. Coitada... Cof cof.

Eis que em 2006, somente há sete anos atrás, um sociólogo alemão e espertinho encontrou um livro de registros de hóspedes em um motel na Suíça. E quem estava lá? Pois bem, Freud e sua amante, em 1898.

De Viena para Londres, a família do psicanalista se mudou em 1938 em uma fuga de ocupação nazista. Um ano depois, Sigmund Freud falece devido a um câncer na garganta. Dizem que com a “morte de seu amor”, Minna Bernays permaneceu isolada em seu quarto e em alguns meses após o ocorrido, morreu devido a uma insuficiência cardíaca...

Assim, “A Amante de Freud” mescla o real e o imaginário de Minna Bernays dividida entre o carinho por sua irmã e a paixão pelo cunhado. As autoras Jennifer Kaufman e Karen Mack reconstroem, juntas, os anos de relacionamento entre Freud e Bernays, mostrando a batalha do estudioso com suas teorias sobre a sexualidade e sua infelicidade no casamento.



A Amante de Freud
Autoras: Jennifer Kaufman e Karen Mack
Editora: Casa da Palavra
Páginas: 336
Preço: R$ 40





Por: Tatiane Gonsales
De: São Paulo - SP

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14 de outubro de 2013

Crônicaria de Bolso #4 - Pare!

(Imagem: Heitor Shewchenko)

Rebeca se considerava uma menina educada, politizada e culta. Seguia os padrões culturais da classe média brasileira, lia muitos livros, fazia faculdade, frequentava bares e festas.
E assim como muitos outros brasileiros, sentia que era incompreendida e injustiçada, tinha certeza que o mundo era rodeado por pessoas egocêntricas e que apenas ela enxergava a cegueira alheia sob a sociedade.
Um belo dia, após uma aula de direitos humanos que acabara de assistir na faculdade, caminhava pela rua tagarelando com uma amiga de sala, em direção a um restaurante.
Mas pouco durou sua tranquilidade matutina, no momento em que caminhavam tranquilamente pela faixa de pedestre, foram surpreendidas por um barulho ensurdecedor do freio de um carro, que por questão de milímetros não passou por cima delas. Por alguns instantes, continuaram paradas e aterrorizadas em frente ao motorista.
No momento em que voltou para si, se deparou com um rapaz tão jovem quanto elas, mas histérico por ter sido obrigado a frear seu carro para não atropela-las. Por volta de uns dois minutos ambas ficaram caladas ouvindo toda aquela imundice que saía da boca daquele jovem arrogante. 
Depois de se satisfazer ao gritar todos os insultos que conhecia o jovem, entrou no carro e, novamente, cantando o pneu, na intenção de demonstrar a fúria que sentia pelas duas, foi embora e sumiu por entre o rio de carros.
Rebeca não cabia mais em si. Juntamente com sua amiga, foram em direção ao restaurante gritando loucuras sobre a falta de educação dos brasileiros no trânsito.
- Porque tudo na Europa e nos EUA é muito melhor! Por lá todo mundo deixa o pedestre atravessar calmamente pela rua, não existe essa falta de educação no trânsito. Brasileiro é muito egoísta mesmo... Devo ter nascido no lugar errado... – depois de um grande suspiro, continuou. – É por isso que eu sempre falo se agora está assim, imagine esse lugar na copa! O SUS vai encher de gringo atropelado.
- Pelo menos assim o governo tem algum motivo para fazer o SUS funcionar, né? – Cláudia, amiga de Rebeca, finalizou o assunto com uma frase de impacto.
Depois daquele dia estressante, Rebeca só queria saber de relaxar. Tomou um banho, se arrumou toda e pegou seu carro. Resolveu encontrar uns amigos da faculdade em um barzinho novo na cidade.
Não ligou de tomar alguns copos de cerveja, afinal de contas, não ia beber muito e estava pertinho de casa, não havia porque temer, com certeza não passaria por nenhuma blitz.
Depois de umas quatro horas muitos copos bebidos e muitas conversas fiadas, já haviam passado. Rebeca assustou-se com o horário quando olhou para o relógio, pois tinha que acordar cedo no dia seguinte. Deixou um dinheiro na mesa, contribuindo com sua parte na bebedeira da noite e se despediu rapidamente de seus amigos.
Entrou no carro e tomou o rumo de casa. Andava em uma rua calma e deserta, no momento em que sua música preferida começou a tocar no rádio, ela se distraiu por alguns segundos para aumentar o volume, quando um barulho absurdo quase a matou do coração. Depois que desceu do carro é que se deu conta do que realmente estava acontecendo. Ela havia atropelado um senhor de idade que estava atravessando a rua.
Uma hora depois do acidente, o local já estava rodeado de policiais e com uma ambulância. Rebeca chorava incessantemente. Seu pai já estava no local e conversava com um dos policiais em particular, sua mãe tentava, desesperadamente, acalmá-la.
Um dos paramédicos sentia-se enojado, revoltado. Sabia que deveria continuar seu trabalho calado, mas não conseguiu conter sua língua dentro da boca.
- As pessoas são muito egoístas mesmo... Onde já se viu... Aposto que o ‘papaizinho’ dela vai ‘molhar’ a mão do policial e tudo ficará bem de novo. Amanhã ela ganha um carro novo e sai para passear com suas amigas. Enquanto isso, o senhor aqui passará meses corridos na fisioterapia para tentar voltar a andar novamente...
- Pois é... – disse o outro paramédico. – Ninguém tem mais consciência de nada, hoje em dia. Pedestre tem que andar com olhos atentos no trânsito, as pessoas estão com tanta pressa que não têm tempo de pensar no cuidado com os pedestres na rua... É revoltante! E é por isso que eu sempre falo se agora está assim, imagina na copa... 

Por: Mariana Cardoso Magalhães
De: Belo Horizonte - MG
Email: m.cardosomagalhaes@gmail.com

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2 de outubro de 2013

A reviravolta de “O caçador de pipas”?

"Dizem que a gente deve encontrar um propósito na vida e viver este propósito.
Mas, às vezes, só depois de termos vivido reconhecemos que a vida teve um propósito,
e talvez um que nunca se teve em mente."

Lá vem o médico e afegão Khaled Hosseini com mais uma obra. Depois do sucesso em vendas com “O Caçador de Pipas” (que até virou filme e já tem cerca de 10 anos de vida) e “A cidade do sol”, era difícil acreditar que algo atingiria o mesmo patamar em prender o leitor em uma história fantástica.

Mas “O Silêncio das Montanhas” está na lista dos livros mais vendidos atualmente e é capaz de desbancar as duas obras anteriores. Apresenta um estilo melodramático capaz de conduzir nossas mentes nas palavras.

Com fortes raízes da cultura indiana, o terceiro romance de Khaled começa com uma fábula contada pelo pai das irmãs Pari e Abdullah. Estas dão estrutura à narrativa, que se constrói a partir da separação entre elas. 

Cabul, no Afeganistão, é palco do desenrolar do enredo marcado pela trajetória de indivíduos que abandonaram seus países de origem e se viram inseridos em outras nações, outras culturas. A nostalgia é tomada na obra como um sentimento presente em cada página.

Um amor entre funcionária e patrão. Uma poeta, filha de afegão com uma francesa. Dois primos que vivem na América após a fuga do Afeganistão. Um rapaz que descobre que o pai está perdido no universo do crime. Um médico grego que surpreende. E das irmãs, Parwana e Masooma, que podem destruir toda a história de todos estes citados. 

Avança, retrocede, avança, retrocede. “O silêncio das montanhas” brinca com o tempo e voa entre 1949 e 2010 com saltos. Os nove capítulos do livro, traçados pelos personagens, se entrelaçam e fazem o leitor viajar entre Afeganistão, Estados Unidos, Grécia e França.
E, claro, se emocionar.




O Silêncio das Montanhas
Autor: Khaled Hosseini
Editora: GloboLivros
Páginas: 352
Ano: 2013





Por: Tatiane Gonsales
De: São Paulo - SP
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14 de setembro de 2013

Crônicaria de bolso #3 - 'I had a dream'

(Ilustração: Cagle/Taylor Jones)

Em meio a tantos conflitos que vêm ocorrendo no mundo, o presidente dos EUA pretende meter, novamente, o ‘bedelho’ onde não foi chamado. Mesmo sem o apoio popular e do Congresso de seu Estado, Barack Obama se une ao presidente da França, François Hollande, e aciona seu exército, enviando tropas para a Síria, objetivando exterminar o governo do ditador Bashar al-Assad.
Noite e dia a pobre Síria é bombardeada, tanto pelos aliados à população, quanto pelo próprio estado sírio. Milhares de famílias são devastadas, muitas mortes, catástrofes, pessoas desaparecidas... O país estava aos pedaços, assim como o próprio ditador do Estado. Não havia mais esperanças para aquele governo repressor.
Os presidentes da França e dos EUA, que num encontro na Casa Branca riam e festejavam, concluíram que a ocasião merecia a degustação dos melhores champagnes franceses para comemorar a vitória contra al-Assad.
O mundo estava em festa, até que Obama recebe uma infeliz ligação que interrompe sua comemoração. Naquele momento, todo o sorriso do rosto do presidente desaparece em segundos, o telefone e a taça de champagne escorregam das mãos dele, quase que no mesmo momento, ele corre em direção à janela e descobre que é tarde demais.
A inteligência do exército americano foi invadida e não foi possível impedir a entrada das bombas de al-Assad em Washington. A capital do maior país bélico está sendo bombardeada de todos os lados, bem embaixo do nariz de Obama.
Súbito, Obama acorda gritando e pulando da cama. Michelle, sua esposa, leva um susto com aquela gritaria e também levanta da cama.
Os dois estavam parados um de frente para o outro, cada um de um lado da cama. Obama tinha uma cara assustada, estava ofegante.
- Michelle, eu tive um sonho... Eu tive um sonho. Meu Deus... Foi terrível. – aos poucos foi contornando a cama, indo em direção a sua mulher, pegou nos braços dela e continuou a contar o seu sonho. – Sonhei que eu e o francesinho decidimos que invadiríamos a Síria, mesmo sem o apoio do Estado, e assim o fizemos. Depois de tempos de guerra, aparentávamos ter destruído o governo do al-Assad, e quando estávamos comemorando nossa vitória aqui na Casa Branca, Washington começou a ser bombardeada pela Síria...
Antes que Obama pudesse terminar de contar a agonia que sentiu em seu sonho ao ver seu país sendo bombardeado pelo país de um mísero ditador, Michelle, em tom sério e seguro, o interrompeu. – Obama, de novo? O que nós já conversamos, hein?! Você não vai invadir a Síria, o seu país não te apoia e esse não é o momento de ir contra o entendimento do Congresso. Tire isso da sua cabeça, de uma vez por todas.
- Mas o François disse que...
- François não sabe de nada. Pare de ouvir as baboseiras que aquele homem anda te falando... Alias, me dê seu celular, estou precisando ter uma conversa séria com esse François.
Ao mesmo tempo em que procurava o telefone de François no celular de Obama, Michelle resmungava baixinho. – Ora, onde já se viu... Falou tanto na cabeça do meu marido que até eu não posso dormir agora... Pelo amor de Deus...
- Alô, François? Aqui é a Michelle Obama. Desculpe-me pela inconveniência do horário, mas é urgente. – Começou a andar pelo quarto. – Ligo para avisá-lo que já está decidido, ‘nós’ não vamos invadir a Síria juntamente com o Sr., está entendido? Passar bem.

Desligando o telefone e caminhando, novamente, em direção à cama, Michelle deu a ordem final ao seu marido. – Pronto, Obama, pode voltar a dormir, já está tudo resolvido. Já passei o problema para a frente, agora quem não vai conseguir dormir é a França.

Por: Mariana Cardoso Magalhães
De: Belo Horizonte - MG
Email: m.cardosomagalhaes@gmail.com

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