#05: Visibilidade Trans

Confira na capa do mês de fevereiro da Revista Friday, uma entrevista sobre os desafios de uma pessoa trans, com a ativista LGBT Rebecka de França.

INTERNET: Mudanças, tecnologia e Google+

Confira algumas mudanças que o google+ realizou para agradar os usuários.

Conexão Canadá: Vancity- The Journey begins

Camila Trama nos conta um pouco de seu intercâmbio em alguns lugares do Canadá.

CINEMA: Sassy Pants

Rebeldia, insatisfação e as paixões fazem parte do cotidiano de todos os adolescentes, confira a resenha do filme Sassy Pants.

VITRINE: O universo feminino de Isadora Almeida

Inspirada por ilustrações de moda, estamparia e coisas que vê por aí, conheça o trabalho da ilustradora mineira Isadora Almeida.

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25 de dezembro de 2013

5 livros mais trocados no amigo-secreto




Jingle Bells, Jingle Bells, acabou o papel!

Hoje é dia de Natal, data em que dividimos emoções. E isso, muitas vezes, vem através do famoso amigo-secreto (ou “amigo-oculto”).

Não adianta se é entre a família, irmãos de consideração, colegas de trabalho e etc; em uma roda de pessoas que trocam presentes entre si, livros sempre surgem.

Então, para comemorar este fim de ano, selecionei cinco obras que foram sucesso de vendas neste final de 2013 e, assim, partilhadas entre risadas, declarações e trocas de farpas...


"O meu amigo-secreto é uma pessoa que eu gosto muito..."

5. Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado (Romeu Tuma Junior e Claudio Togloni)

“Assassinato de Reputações” mergulha em investigações políticas, colocando em xeque diversos métodos exercidos durante o governo Lula. Ex-secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, autor do livro, ocupou cargos na Polícia Federal e usa sua experiência investigativa para narrar as ações sindicalistas de Luiz Inácio Lula da Silva, além de explicar o assassinato do prefeito Celso Daniel e analisar órgãos de segurança de nosso país, como a própria Polícia e a ABIN. 

Destaque para os grampos telefônicos no STF, como ocorrem os tratamentos com empresários que causam algum tipo de incômodo ao governo e qual o papel de operações midiáticas envolvidas em segundas intenções.

Bela opção de presente, já que é um registro rico em detalhes e arquivos para desvendar as relações de poder em nosso Brasil. 


4. Inferno (Dan Brown)

Para quem gosta de mistérios, Dan Brown é tiro certeiro na escolha do que dar ao seu amigo-secreto.

Enfim... O autor retornou com mais um livro que tem sido sucesso de vendas, assim como “O Código da Vinci”, “Anjos e Demônios” e “Símbolo Perdido”.
Em “Inferno”, o já conhecido – por quem aprecia as obras de Brown – professor de simbologia, Robert Langdon, invade o mundo inferior retratado em “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri. Um local dominado por almas perdidas entre a vida e a morte, chamadas de “sombras”. Assim, o protagonista se vê diante do inferno, em uma busca de personagens que pode – ou não – confiar para que o mundo que conhecemos não seja rompido.

(Até fiz um post sobre “Inferno” antes de seu lançamento. Se quiser dar uma olhadinha,  clique aqui.)

3. Fim (Fernanda Torres)

Não, é isso mesmo. A famosa atriz que nos arranca risadas na televisão, cinema e teatro tem agora seu livro. E ele está “bombando” nas livrarias e correndo em mãos como presente de amigo-oculto.

O romance “Fim” relata a trajetória de cinco amigos cariocas. Juntos, eles relembram passagens marcantes de suas vidas, como festas, manias, arrependimentos, casamentos, separações, alegrias e tristezas.


Vamos aos protagonistas. Álvaro é um cara solitário, não suporta a ex-mulher e passa boa parte de seu tempo com visitas médicas – que não parecem resolver seus problemas... Já Silvio (maoe!) não larga os vícios em drogas e sexo nem na velhice! O praiano Ribeiro tem uma vida sexual marcada pelo remediozinho azul, o Viagra, enquanto Neto é visto como “careta da turma”, por ser o marido fiel. E o Don Juan da galera, conhecido com o nome de Ciro, tem a morte declarada nas primeiras páginas do livro devido ao câncer.

Personagens distintos, partes semelhantes: vidas marcadas por mulheres paranoicas, sedutoras, conformadas, desencanadas, apaixonadas. Em “Fim”, Fernanda Torres marca histórias com melancolia, vocação religiosa, risos, graça, sexo, sol e praia!

2. Destrua Este Diário (Keri Smith)

Ok, até eu ganhei este livro de amigo-secreto entre os amigos da faculdade. E eu adorei! 

Abandone a ideia de que o diário serve para você anotar seu dia, memórias e o blá-blá-blá do que acontece em sua rotina. A canadense Keri Smith te convida a levar uma vida mais ousada a partir do livro.

O nome “Destrua Este Diário” faz jus à obra. O livro é um convite a rasgar páginas, rabiscá-las, manchá-las. Não há uma ordem certa para preenchê-lo. Abra em uma página qualquer e tente realizar o que se pede. Desde anotar algo que te faz feliz, mastigar uma das folhas e colar insetos na página até a ir com o objeto de papel ao banho e tacá-lo do alto.

As ideias parecem loucas no primeiro momento. “Cara, vou ter de realmente destruir este diário!”, pensei ao arrancar o plástico que o envolvia. Mas é o livro perfeito para pessoas que, como eu, visam o perfeccionismo. Presente ideal para largar a monotonia e ir além do que você mesmo achou ser capaz. 

Às ordens, querido diário!
1. Qualquer livro do John Green

O título não é irônico, não. O autor é sucesso de vendas para presentes de amigo-secreto! Não sabe o que comprar? Dê um livro do John Green. Pronto. Seu amigo-colega-parente-namorada-vizinho-peguete-papagaio ficará feliz. E o vendedor da livraria também, certeza.

Palmas para o autor de obras para “jovens adultos” que parece não abandonar as prateleiras tão cedo. John Green estourou com vídeos na internet e hoje escreve livros que são sucesso de venda.

“O Teorema de Katherine”, “Quem é Você, Alasca?”, “Will e Will – Um Nome, Um Destino”, “Deixe a Neve Cair”, “Cidades de Papel” e “A Culpa é das Estrelas” (eita, quantos!) estão arrasando em vendas. 

Para não ser muito ampla, darei destaque especial ao livro que mais vi por aí seguido da frase “Amei o presente!”: “A Culpa é das Estrelas”. A obra percorre a trajetória de uma paciente terminal, Hazel. E, como a maioria das obras de Green, há um toque de amor na trama: a partir do momento em que Hezel conhece Augustus, um belo garoto que aparece no Grupo de Apoio a Crianças com Câncer.

E ah, ponto positivo para o último capítulo da história de Hezel, escrito no momento de seu diagnóstico. Livro emocionante e belo.


Boas festas, meu povo! E que este espírito de solidariedade, paz e renovação estejam presentes com vocês em todo o ano de 2014!

Por: Tatiane Gonsales
De: São Paulo - SP

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20 de novembro de 2013

Mãe, tô lendo: dicas para iniciantes

Qual a sua pior lembrança quando o assunto é livro? A minha, sem dúvida, é àquela de um professor me obrigando a ler um livro de literatura brasileira que, lá por volta dos meus 14 anos, eu achava "chato" e com uma linguagem super difícil de compreender, além de ter poucas (nenhuma) ilustrações. E é exatamente nesse ponto que eu quero chegar: qual será o motivo para que muitos brasileiros não gostem de ler? Alguns podem me dizer que é porque o livro no Brasil, comparado a outros países, ainda é muito caro. Opa! E as bibliotecas que estão espalhadas país afora? - É verdade que somos deficitários nesse quesito, mas, com boa vontade, um leitor assíduo nunca fica sem um bom livro em mãos.

Outros podem dizer que o governo investe pouco na cultura do país - o que também e verdade. Mas será que o principal motivo para que poucos brasileiros gostem de ler não é o simples fato de que, desde pequenos, fomos apresentados a literatura como uma coisa ligada intimamente a obrigação e que nos coloca em status diferenciado perante a sociedade? Será que essas pessoas que não gostam muito de ler não são um produto dessa sociedade que diz que ler é obrigatório independente de você gostar do livro ou não?

Pode perguntar para um amigo ou até mesmo aquele seu parente que não é muito chegado em livros, por que ele não gosta de ler? Uns dirão que é por falta de tempo e, com certeza, a maioria vai comparar o ato de ler não como uma coisa prazerosa, mas como uma tarefa chata e entediante. Será por quê?


Como eu sou uma pessoa que ama ler e adoro ver meus amigos lendo também, porque sim, a literatura e essencial em nossas vidas e nos tornam melhores ouvintes, comunicadores e entendedores. Vou dar algumas dicas para você que ainda não tem uma relação muito próxima com os livros se tornar melhor amigo deles. As dicas são simples e baseadas na minha própria experiência com os livros. Só a prática leva a perfeição. Vamos às dicas.


1 - Comece lendo o que você gosta. Não se importe com o que as pessoas acham do livro, autor, gênero, etc:




Acho que essa dica é a mais importante de todas. Você só terá prazer na leitura se ler o que gosta. Muitas pessoas deixam de ler o que gostam porque os "super leitores" criticam o autor ou o livro. Independente do que as pessoas acham sobre o que você está lendo, leia! Eu mesmo já deixei de ler, por um tempo, os livros do Paulo Coelho porque algumas pessoas diziam que a literatura dele não é boa, blá, blá, blá... Hoje leio sem medo de ser feliz, pois, como diz o ditado “mais vale um livro lido do que um na prateleira" acho que é isso, haha. Com o tempo você vai ter maturidade literária suficiente para escolher, sozinho, livros com linguagem mais rebuscada. O segredo é praticar.


2 - Leia quando estiver realmente com vontade:




Uma leitura feita sem foco total no livro não vai ser proveitosa. Você irá gastar tempo e no final não terá absorvido nada de bom da leitura. Leia quando estiver disposto a isso, totalmente entregue. Algumas pessoas podem dizer "e os livros que somos obrigados a ler na escola ou faculdade?" Se você já deu uma olhada neles e achou que a maneira que o autor tratou o assunto não é tão interessante, converse com o professor e dê sugestões de outras obras que tratem do tema proposto. Sugerir mudanças nunca será um problema, desde que seja para melhor.


3 - Leia resenhas e blogs literários:


Imagem: Bloguinfo


Se você começou pela primeira dica e, mesmo assim, não conseguiu encontrar ou identificar qual o tipo de literatura que mais te atraí, recorra às resenhas e blogs literários. Geralmente eles te dão uma visão bem pessoal do que é o livro e do que ele trata, assim fica bem mais fácil você encontrar o que gosta. Além dos blogs te darem a possibilidade de conversar com vários apaixonados por leitura e trocar dicas sobre o assunto. 


4 - Vá à biblioteca:


Imagem: Fabi Mariano 


O santuário sagrado dos livros. Ir a uma biblioteca também é uma ótima dica para começar sua busca pelo gênero literário perfeito. Elas te dão várias possibilidades e será muito difícil você sair de uma sem levar consigo um bom livro em mãos. Há, não fique com receio de pedir ajuda para as bibliotecárias (sim, aquelas senhoras de óculos e faces sempre sérias), elas amam ouvir uma pessoa chegar e perguntar "você poderia me indicar um livro?" Vão logo abrir aquele sorriso e prontamente te ajudar a encontrar um livro que será perfeito para você. 


5 - Converse com pessoas que gostam de ler:




Você encontrará várias opiniões, visões e críticas ao universo da literatura. Isso é fundamental para ajudar a construir o leitor que você será. Só nos tornamos bons em algo quando nos cercamos disso.


6 - Converse com um escritor:


Imagem: Eu, Cinema 


Já tive várias oportunidades de conversar com escritores de livros que gosto. Eles de dão uma visão mágica de como foi escrita a obra, quais as inspirações usadas para escrever e qual é a importância da literatura em suas vidas. Com certeza você ficará maravilhado com os livros depois dessa conversa.


7 - Leia!:




Sim, leia. Além de todos os benefícios que a leitura nos proporciona, quando pegamos gosto pela coisa percebemos que os livros que queremos ler são muitos e o tempo para isso é pouco. Por isso, comece agora mesmo.


E aí, o que acharam das dicas? Faltou alguma? Quais dicas vocês utilizaram/utilizam para se tornar um bom leitor?



Por: Leonardo Souza 
De: Porto Velho - RO
Email: leonardsouza_ss@hotmail.com

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28 de agosto de 2013

Lista: Cinco livros de contos

Mais curtos que romance mas com o mesmo peso. Histórias em miniatura. 
Mais leves no bolso e na memória. Livros de conto te levam pra longe e parece que o tempo
nem passou. Uma lista com cinco livros de contos bem diferentes:


-Fabulário Geral do Delírio Cotidiano - Charles Bukowski

O melhor de Bukowski é a sua forte tendência autobiográfica. Contos carregados de cinismo, amores fracassados, desilusão e marginalidade. É a poesia escondida na decadência. 

Destaque para "Sensível demais."


-Coisas Frágeis - Neil Gaiman

Contos com poesias, Neil Gaiman mostra que literatura fantástica é o que ele sabe fazer de melhor. Coisas Frágeis viaja por vários gêneros de uma maneira impecável. 

Destaque para "Golias" e "Um Estudo em esmeralda".


-Contos de Imaginação e Mistério - Edgar Allan Poe

Ah, o mestre do terror. Os clássicos de Edgar Allan Poe. Os que dão frio na espinha, os que dão medo do escuro, os sobre assassinatos e, claro, sobre os mortos. 

Destaque para "A Queda da Casa de Usher".


-Crônicas Marcianas - Ray Bradbury

Como seria a colonização de Marte, do começo até o fim? Vários contos que, através dos detalhes, formam uma só história sobre a humanidade vivendo no planeta vermelho.
Incrivelmente genial. 

Destaque para "The Earth Men" e "The Taxpayer".


-O Chamado de Cthulhu e Outros Contos - H.P. Lovecraft

Mais um gênio apavorante. Lovecraft consegue te amedrontar com coisas que você nem consegue imaginar. O clima das histórias é tão apavorante que na maioria das vezes, é a sua imaginação que comanda. Até porque o Cthulhu está dormindo. Ainda.
Destaque para: "O chamado de Cthulhu" e "A música de Erich Zann".

Por: Virgínia Fróes
De: Natal - RN
Email: virginia@revistafriday.com.br

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21 de agosto de 2013

5 livros tão emocionantes que até te fazem chorar

O Menino do Pijama Listrado

Obras que têm doses de drama em seu desenrolar normalmente tornam-se sucessos de vendas. Mas, cá entre nós, sempre há aquele livro que te prende de tal forma na história que faz seus olhos se encherem de lágrimas – ou no mínimo deixar os corações dos menos sensíveis um pouco mais apertados.

Então aqui vai uma lista de cinco livros que costumam mexer com as emoções de todos e até mesmo nos fazer chorar...

5. P.S. Eu te amo, de Cecelia Ahern
Se você rompeu um relacionamento há pouco tempo, afaste-se deste livro se não quiser despejar oceanos pelos olhos. 

“Você foi a minha vida, Holly, mas eu sou apenas um capítulo da sua.
Haverá mais eu prometo, portanto, aqui vai o meu grande conselho:
não tenha medo de se apaixonar de novo, 
fique atenta àquele sinal de que não haverá mais nada igual”.

Em "P.S. Eu te amo" a irlandesa Cecelia Ahern traça de modo sutil a trajetória de perdição de Holly, uma jovem que se encontra insatisfeita profissionalmente e familiarmente, tem medo de seguir seus sonhos e – para melhorar a situação – se depara com a morte de seu parceiro. O mais interessante da obra é que Holly e Gerry não formavam um casal perfeito, a la Romeu e Julieta; mas eram marido e mulher com ideais distintos e dificuldades financeiras que sempre gritavam na relação.

Desamparada, Holly passa a receber misteriosas cartas que a conduzem para a realização de seus antigos desejos. Todas as mensagens são assinadas por seu então ex-marido com uma observação que sempre se repete: “P.S. Eu te amo”.



4. A Menina que Roubava Livros, de Markus Zuzak
Livro que emociona de modo peculiar, afinal, como a própria contracapa anuncia, “quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler”.

Liesel é a protagonista da trama. Uma garota que não sabia ler, bem como não sabia escrever. Filha de mãe comunista perseguida pelo nazismo, a menina e o irmão são enviados a um subúrbio, onde são adotados por um casal. Em um trem, a jovem se depara com a Morte pela primeira vez ao observar seu irmão cair morto, que é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro ao túmulo. A partir daí, o autor Markus Zuzak desvenda uma história de perseguição da Morte pela ladra de livros que não sabe decifrar escritas.

A vida da pequena Liesel é marcada pelo carinho do pai adotivo e pela tentativa de aprender a ler diante da realidade de culto a Hitler, mesmo abrigando no porão de casa um judeu que escreve livros artesanais para relatar seu dia a dia sob a vista grossa de filiados ao pensamento nazista.

A Morte, então, brinca com a inocência infantil mesclada à crueldade adulta, sendo uma obra digna de lágrimas de angústia.



3. Sem Você, de Del James
Este aqui foge da característica 'livro', afinal, “Sem você” é um dos contos da obra “The Language of Fear”, do jornalista Del James. Neste pequeno texto, o autor narra a tristeza de Mane sem Elizabeth, sua esposa que sofreu um acidente de carro após descobrir que foi traída.

O mais interessante é que a história foi inspirada no relacionamento de Axl Rose e sua ex-mulher, já que o cantor era amigo do Del. Emocionado com a homenagem, o vocalista transformou o conto na base dos clipes “November Rain”, “Don’t Cry” e “Estranged” de sua banda, Guns’n’Roses.




2. Marley & Eu, de John Grogan
Tanto o livro como o filme feito posteriormente são de arrancar lágrimas para quem entende o que é uma relação que vai além do compreender humano.

O jovem casal John e Jenny decide levar para casa Marley, “"uma bola de pelo amarelo em forma de cachorro", que, rapidamente, se transformou em um labrador que só apronta: baba nas visitas, come roupas, arromba portas e morde tudo o que vê pela frente. O agitado cão tomava até tranquilizantes, mas de nada adiantava, nem a “escola de boas maneiras para cães”!

O relacionamento do cachorro de 43 quilos e seus donos é de fazer rir e chorar, principalmente com o final surpreendente da obra.

"MARLEY!"


1. O Menino do Pijama Listrado, de John Boyne
Trama para se despejar rios pelos olhos. “O Menino do Pijama Listrado” traça a amizade entre duas crianças diante da terrível realidade do Holocausto. Filho de um soldado alemão, Bruno tem nove anos e não tem informação nenhuma sobre o que ocorre ao seu redor: seu país está em plena Segunda Guerra Mundial, matando judeus e sua família está envolvida no conflito.

A família do garoto muda-se de Berlim a uma região isolada. Entediado, o pequeno sai pelos arredores de sua casa e depara-se com uma cerca. Através dela, pessoas com pijamas listrados. Uma delas é Shmuel, um judeu que nasceu no mesmo dia que Bruno. A amizade sobre os dois se fortifica e enfrenta até mesmo os mistérios das atividades de seu pai. 

A pureza e a guerra se confrontam nesta incrível história, que é capaz de fazer o coração palpitar.


Por: Tatiane Gonsales
De: São Paulo - SP

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6 de fevereiro de 2013

Livros morrerão ou não? Eis a questão

E agora?!

Eram cerca de cem manuscritos que compunham a biblioteca da Universidade de Cambridge em 1427. Sim, apenas cem livros, mas que eram comercializados com valores que se assemelhariam à venda de casas de luxos. De repente, Gutenberg revoluciona o universo dos livros com a prensa móvel: assim, torna-se possível fazer muitíssimas cópias de uma mesma obra no tempo em que um monge levava para terminar um só manuscrito.

Só que... esta revolução acabou. E seu fim se deu justamente por uma nova borracha na história do impresso: o avanço do digital – que veio acompanhado da nossa amada internet. Hoje, com o advento dos tablets e smartphones, o número de indivíduos que trocam o jornal, por exemplo, por um aplicativo online aumenta gradativamente.

Contudo, aconteceu o que ninguém aguardava em relação à comercialização de livros: nada. Isso mesmo. A venda de livros não sofreu um arranhão diante da ascensão do mundo virtual. Muito pelo contrário. Depois do poderoso-chefão Google, o grande negócio online é a Amazon, site varejista que iniciou seu comércio como uma espécie de livraria – e ganhou sua versão brasileira em dezembro de 2012, versão esta que oferece, até então, apenas livros digitais E então nos perguntamos: por que os livros não morreram com toda essa tecnologia invadindo seu espaço?

A resposta é simples: ainda são poucas as pessoas que gostam de ler um livro inteiro – ou conseguem – na tela de um computador ou aparelho móvel. Parece que a melhor tecnologia à leitura profunda é o modo arcaico do papel branco com letras pretas. Sem contar que aqueles que gostam de ler sentem um afeto físico pelos livros. Afinal, curtimos tocá-los, virar as páginas e ver uma estante cheia. É como um fetiche.

Mas até quando isso durará? O grande medo de alguns e desejos de outros é de que surja algo que venha a substituir a atividade de ler livros. Assim como o DVD extinguiu o VSH e o CD, a fita-cassete; e hoje ambos geram dúvidas quanto ao tempo de vida que ainda terão.



É aí que lançam o famoso Kindle, da Amazon, em 2007. Você adquire um aparelho e baixa qualquer livro de um catálogo de milhares e milhares de títulos. Não é fantástico poder ler mais de duas mil obras em um objeto móvel de 400 gramas? Sim e não. O Kindle não é sensível ao toque. Torna-se chato apertar botões para trocar de página. Então chega o iPad, da Apple, para curar este problema. Mas não. O iPad não substituirá os livros. Isso porque sua tela de LCD faz com que seus olhos implorem por descanso longe da luz emitida pela tela e, portanto, será difícil – eu diria, por experiência, impossível – ler um livro todo.

Se alguma empresa conseguirá unir o que há de melhor na leitura de livros e de aparelhos móveis? Já tem gente trabalhando nisso, mas aguardaremos para saber a resposta. Enquanto isso, prefiro caçar blocos de caracteres jogados em papel, deitar em minha cama e mergulhar em uma boa leitura.


Por: Tatiane Gonsales
De: São Paulo - SP

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27 de dezembro de 2012

5 livros para ler após sobreviver ao fim do mundo


Enquanto algumas famílias compravam casas subterrâneas por US$ 80 mil que resistiriam até a bombas nucleares, nós estávamos aqui esperando o temido Plantão da Globo nos avisar de alguma catástrofe em qualquer parte do planeta no dia 21 de dezembro de 2012. Algum terremoto, o chão se abrindo, ondas gigantescas, alienígenas fazendo uma visita a nós, nevasca em São Paulo ou o Latino voltar ao Youtube.


Bem... Se você está lendo esse post, é porque não esteve (ainda) com o pé na cova!



Logo, não foi desta vez que tudo acabou. E como vitoriosos a mais uma profecia do término dos tempos, aqui vai uma lista de cinco livros inspiradores para ler após “sobreviver” ao fim do mundo.

 
 1) “Eu Sou a Lenda”, Richard Matheson (1954)

Acredito que o primeiro pensamento a rodear nossas mentes ao lermos esse título é... “Will Smith”. Isso porque o cinema já lançou três diferentes adaptações da obra, tamanho foi o sucesso da mesma!

Nova York é o plano de fundo dessa ficção científica que narra a história do único sobrevivente a uma epidemia viral. Todos os humanos afetados pelo vírus se transformam em seres semelhantes a vampiros (vampiros cruéis, longe de se espelharem em Crepúsculo); e, assim, o homem traça a luta pela própria vida para, sozinho, salvar sua espécie.

Confira um trechinho aí de “Eu Sou a Lenda”, que neste ano foi consagrado como O Melhor Romance Sobre Vampiros do Século pela Horror Writers Association:

 “Ele se deitou na cama e respirou a escuridão, torcendo para conseguir dormir. Mas o silêncio não ajudou muito. Ele ainda podia vê-los lá fora, os homens de rosto branco rondando sua casa, incessantemente procurando um jeito de entrar e chegar até ele. Alguns deles, provavelmente, agachados como cães, os olhos vidrados na casa, os dentes se mexendo devagar; indo e vindo, indo e vindo.”


2) “O Último Homem”, Mary Shelley (1826)

Escrito no século XIX, o livro avança no futuro e retrata o ano de 2100 aos olhos da mesma autora de “Frankenstein”.  Filho de uma nobre família que se afundou na pobreza, a trama conta a trajetória de Lionel Verney, o único a sobreviver a uma maldição que, aos poucos, destruiu a humanidade por meio de uma terrível guerra.

A tensão do livro já se inicia na introdução, feita a partir do relato de um autor desconhecido. Este diz respeito a um manuscrito encontrado em uma caverna, que seria escrito por uma sacerdotisa de Apolo, prevendo acontecimentos que destruirão o mundo em dois séculos posteriores (encaixe uma risada maléfica aqui).






3) “Ensaio Sobre a Cegueira”, José Saramago (1995)

Ok, neste livro o mundo não acaba. Famosa obra do querido autor português vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, a narrativa se desenrola quando um motorista parado no sinal vermelho do semáforo percebe-se cego. Isso porque o protagonista fora atingido por uma epidemia de cegueira que transformou a vida de todos em um caos.

Olha aí um pedacinho dessa descoberta que envolve todo o livro:

“Num movimento rápido, o que estava à vista desapareceu atrás dos punhos fechados do homem. (...) Estou cego, estou cego, repetia com desespero enquanto o ajudavam a sair do carro, e as lágrimas, rompendo, tomaram mais brilhantes os olhos que ele dizia estarem mortos.”


4) “O Pequeno Príncipe”, Saint-Exupéry (2006, 48ª edição)

Vamos fugir das epidemias e catástrofes agora. “O Pequeno Príncipe” é um clássico que já ultrapassa a marca de 6 milhões de exemplares vendidos.

O livro conta a história de um príncipe que surgiu do asteróide B612 e é encontrado pelo alter ego do autor da obra. O escritor conta ao pequeno sobre a pane de seu avião que o fez cair em pleno deserto do Saara e, a partir daí, o príncipe pede ao escritor que faça desenhos para ele a fim de demonstrar seu planeta.

Assim, a obra nos faz mergulhar em um mundo imaginário em que refletimos questões da vida real.

Recortei aqui uma famosa frase do livro:

“Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.”


5) “Jogos Vorazes”, Suzanne Collins (2010)

Este é o primeiro livro de uma trilogia que fez tanto sucesso que até estourou em bilheterias pelo mundo com sua versão cinematográfica.

A trama acontece em Panem, uma nação formada por cerca de 12 distritos e comandada pela Capital, sede do governo. Diante ao país carente, a Capital demonstra seu poder com uma competição anual transmitida ao vivo pela televisão: os chamados Jogos Vorazes. Um casal de adolescentes de cada distrito é selecionado e obrigado a lutar até a morte nestes jogos. O vencedor terá fama e fortuna. Todos os demais, morrem.

Para evitar que sua irmã mais nova seja vítima do cruel programa, a jovem Katniss se oferece em seu lugar. Para ganhar a luta, é preciso mais do que habilidade. O que cada jogador está disposto a fazer para ser o vitorioso? É em busca da resposta que a incrível narrativa se desenrola.



Por: Tatiane Gonsales
De: São Paulo - SP
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29 de outubro de 2012

RESENHA: O Jogo do Anjo - Carlos Ruiz Zafón


Carlos Ruiz Zafón é um escritor barcelonense que atingiu fama mundial com A Sombra do Vento, que foi traduzido para mais de 30 idiomas e vendeu mais de 10 milhões de copias ao redor do mundo. Seu segundo romance adulto, O Jogo do Anjo, foi publicado em 2008 e se tornou um sucesso de vendas atingindo rapidamente a quantia de 1 milhão de exemplares vendidos. A historia da obra se passa alguns anos antes dos acontecimentos de A Sombra do Vento, por isso é possível ver personagens e lugares em comum como Os Sempere e sua livraria, Gustavo Barceló e é claro, O Cemitério de Livros Esquecidos. Além disso, a Barcelona gótica de Zafón é usada mais uma vez como plano de fundo, ainda mais misteriosa.
David Martin tem 28 anos. É escritor e ama os livros mais do que qualquer coisa. Talvez menos do que Cristina, seu grande amor, que acabou por se relacionar com o Pedro Vidal, seu amigo e benfeitor. David também ama escrever e sempre sonhou ver seu nome publicado na capa de um livro, mas vende seu talento barato e acaba por escrever livros com pseudônimo de Ignatius B. Samson. Cínico e amargo, David acaba por escolher viver sozinho em um macabro casarão em ruínas, mas descobre que está muito doente e tem apenas poucos meses de vida. Eis que surge em sua vida, Andreas Corelli, um misterioso editor de livros que oferece uma proposta tentadora a Martin: Muito dinheiro e talvez até mesmo a sua saúde de volta. Mas quem é esse estranho e como ele conseguirá fazer isso?
            O Jogo do Anjo tem um caráter consideravelmente mais obscuro que A Sombra do Vento. Esse lado sombrio é primeiramente visto com o protagonista, David Martín, abandonado pela mãe e vivendo com um pai violento que em meio a sua frustração acabava por impedi-lo de ler os livros que tanto o faziam feliz. Ele viu o pai ser assassinado na sua frente e acabou por trabalhar em um jornal local para sobreviver, o que não o torna, de maneira alguma, inocente como Daniel Sempere. Em segundo lugar, o livro tem um tom muito mais gótico que o primeiro, com muito mais mistério e um toque de sobrenatural. Algo aconteceu aos antigos moradores do casarão onde David agora vive e parece que o mesmo pode acontecer com ele.  Mistérios e suspense. Um livro mais macabro onde existem mais sombras do que se aparenta.
Mas não é só de David que se trata esse livro. Os coadjuvantes também roubam a cena em muitas ocasiões principalmente o senhor Sempere (O avô do Daniel) e Isabela, uma moça geniosa que serve como assistente e confidente de David. Ambos têm um carinho muito grande pelo nosso protagonista apesar dele sempre fingir que não se importa com nada, o que acaba rendendo muitos bons momentos no livro. Alguns engraçados e outros extremamente tocantes. Além disso, há Andreas Corelli que acaba por se tornar uma incógnita, pois nunca sabemos de que lado ele realmente está.
Com um final muito enigmático que permite o leitor tirar suas próprias conclusões (o que chega até a desagradar a muitos) O Jogo do Anjo trata de escritores malditos, livros esquecidos, amor, mistério e principalmente a amizade. Foram os livros que salvaram David quando ele era apenas uma criança e são eles que vão salva-lo agora. Ou pelo menos é nisso que ele acredita.


Título: O Jogo do Anjo (El Juego Del Angel)
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Suma de Letras
Ano da primeira 1ª edição: 2004
Número de páginas: 400 

Recomendação pessoal: Conhecer Barcelona. Tudo bem. Eu nunca estive em Barcelona. Mas Zafón descreve a cidade de uma maneira tão singular e tão mágica que é impossível não ter a vontade de conhecer todos os lugares que ele descreve em seus livros.

Por: Virgínia Fróes
De: Natal - RN
Email: virginia@revistafriday.com.br

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10 de setembro de 2012

Resenha: Eu Sou O Mensageiro - Markus Zusak


            Markus Zusak é um escritor australiano nascido no ano de 1975, famoso pelo best-seller “A Menina que Roubava Livros”, lançado em 2006 e que se tornou um fenômeno literário. Aos 30 anos foi considerado um dos mais inovadores romancistas da atualidade. Eu Sou O Mensageiro, também de sua autoria, foi publicado pela primeira vez em 2003.
 Ed Kennedy tem 19 anos e é taxista. Vive uma vizinhança medíocre com seu cão velho ,lê mais livros do que deveria, está apaixonado por sua melhor amiga e não tem nenhuma espécie de ambição ou perspectiva em sua vida, como sua mãe gosta de lembrá-lo sempre. As coisas são sempre as mesmas até que em um arroubo de coragem inexplicável, Ed consegue impedir um assalto a banco e ganha seu dia de fama com a imprensa local. É a partir dai que ele começa a receber estranhas cartas de baralho pelo correio contendo endereços ou pistas a serem decifradas. Um pouco hesitante e bastante inseguro, Ed começa a visitar os endereços escritos nas cartas e realizar várias missões em cada um desses lugares e que o levam a conhecer pessoas que de alguma maneira necessitam de sua ajuda.
Narrado em primeira pessoa, o livro apresenta uma linguagem muito clara e sem rodeios, às vezes até com alguns palavrões e gírias de modo que o leitor pareça estar mesmo conversando com o protagonista. Ed pode parecer à primeira vista um herói bastante incomum. Como ele mesmo se define, é covarde, não fez faculdade, é péssimo com as mulheres e também não é bom com jogos de cartas. Mas, apesar de não saber quem está enviando as cartas, ele decide cumprir seu papel. É a partir daí que você já reconhece o valor que há no jovem Ed Kennedy. Ele poderia ter apenas ignorado a carta e continuado a sua vida, mas ele fez sua escolha e decidiu que finalmente era a hora de agir. O que Zusak nos faz ver realmente é que qualquer um de nós tem potenciais para mudar o mundo e, principalmente, mudar nós mesmos.
          Além de toda das mensagens inseridas na historia, a obra prende o leitor e o deixa ansioso pelo cumprimento de cada tarefa. Afinal, assim como o protagonista, queremos saber quem está enviando as cartas de baralho e porque logo Ed foi o escolhido. Eu Sou O Mensageiro é além de tudo uma historia de autoconhecimento, um livro que através das historias das pessoas ajudadas por Ed mostram a beleza e a alegria que há nos pequenos gestos de gentileza e compaixão.

Título: Eu Sou O Mensageiro (I Am The Messenger)
Autor: Markus Zusak
Editora: Intríseca
Ano: 2007
Número de páginas: 318

Recomendação pessoal: Saia por aí e faça alguma coisa boa para alguém mesmo que não tenha recebido nenhuma carta de baralho pelo correio. Pode parecer besteira, mas vai mudar a sua vida pelo menos um pouquinho.

Por: Virgínia Fróes
De: Natal - RN
Email: virginia@revistafriday.com.br

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3 de setembro de 2012

A Mulher Mais Linda da Cidade - Charles Bukowski

Conto retirado do livro "Crônica de um Amor Louco de Charles Bukowski - Editora L&PM (2007)

Das 5 irmãs, Cass era a mais moça e a mais bela. E a mais linda mulher da cidade. Mestiça de índia, de corpo flexível, estranho, sinuoso que nem cobra e fogoso como os olhos: um fogaréu vivo ambulante. Espírito impaciente para romper o molde incapaz de retê-lo. Os cabelos pretos, longos e sedosos, ondulavam e balançavam ao andar. Sempre muito animada ou então deprimida, com Cass não havia esse negócio de meio termo. Segundo alguns, era louca. Opinião de apáticos. Que jamais poderiam compreendê-la. Para os homens, parecia apenas uma máquina de fazer sexo e pouco estavam ligando para a possibilidade de que fosse maluca. E passava a vida a dançar, a namorar e beijar. Mas, salvo raras exceções, na hora agá sempre encontrava forma de sumir e deixar todo mundo na mão.
As irmãs a acusavam de desperdiçar sua beleza, de falta de tino; só que Cass não era boba e sabia muito bem o que queria: pintava, dançava, cantava, dedicava-se a trabalhos de argila e, quando alguém se feria, na carne ou no espírito, a pena que sentia era uma coisa vinda do fundo da alma. A mentalidade é que simplesmente destoava das demais: nada tinha de prática. Quando seus namorados ficavam atraídos por ela, as irmãs se enciumavam e se enfureciam, achando que não sabia aproveitá-los como mereciam. Costumava mostrar-se boazinha com os feios e revoltava-se contra os considerados bonitos — “uns frouxos”, dizia, “sem graça nenhuma. Pensam que basta ter orelhinhas perfeitas e nariz bem modelado… Tudo por fora e nada por dentro…” Quando perdia a paciência, chegava às raias da loucura; tinha um gênio que alguns qualificavam de insanidade mental.
O pai havia morrido alcoólatra e a mãe fugira de casa, abandonando as filhas. As meninas procuraram um parente, que resolveu interná-las num convento. Experiência nada interessante, sobretudo para Cass. As colegas eram muito ciumentas e teve que brigar com a maioria. Trazia marcas de lâmina de gilete por todo o braço esquerdo, de tanto se defender durante suas brigas. Guardava, inclusive, uma cicatriz indelével na face esquerda, que em vez de empanar-lhe a beleza, só servia para realçá-la.
Conheci Cass uma noite no West End Bar, Fazia vários dias que tinha saído do convento. Por ser a caçula entre as irmãs, fora a última a sair. Simplesmente entrou e sentou do meu lado. Eu era provavelmente o homem mais feio da cidade — o que bem pode ter contribuído.

— Quer um drinque? — perguntei.

— Claro, por que não?

Não creio que houvesse nada de especial na conversa que tivemos essa noite. Foi mais a impressão que causava. Tinha me escolhido e ponto final. Sem a menor coação. Gostou da bebida e tomou varias doses. Não parecia ser de maior idade, mas, não sei como, ninguém se recusava a servi-la. Talvez tivesse carteira de identidade falsa, sei lá. O certo é que toda vez que voltava do toalete para sentar do meu lado, me dava uma pontada de orgulho. Não só era a mais linda mulher da cidade como também das mais belas que vi em toda minha vida. Passei-lhe o braço pela cintura e dei-lhe um beijo.

— Me acha bonita? — perguntou.

— Lógico que acho, mas não é só isso… é mais que uma simples questão de beleza…

— As pessoas sempre me acusam de ser bonita. Acha mesmo que eu sou?

— Bonita não é bem o termo, e nem te faz justiça.

Cass meteu a mão na bolsa. Julguei que estivesse procurando um lenço. Mas tirou um longo grampo de chapéu. Antes que pudesse impedir, já tinha espetado o tal grampo, de lado, na ponta do nariz. Senti asco e horror. Ela me olhou e riu.

— E agora, ainda me acha bonita? O que é que você acha agora, cara?


Puxei o grampo, estancando o sangue com o lenço que trazia no bolso. Diversas pessoas, inclusive o sujeito que atendia no balcão, tinham assistido a cena. Ele veio até a mesa:

— Olha — disse para Cass, — se fizer isso de novo, vai ter que dar o fora. Aqui ninguém gosta de drama.


— Ah, vai te foder, cara!

— É melhor não dar mais bebida pra ela — aconselhou o sujeito.

— Não tem perigo — prometi.

— O nariz é meu — protestou Cass, — faço dele o que bem entendo.

— Não faz, não — retruquei, — porque isso me dói.

— Quer dizer que eu cravo o grampo no nariz e você é que sente dor?

— Sinto, sim. Palavra.

— Está bem, pode deixar que eu não cravo mais. Fica sossegado.

Me beijou, ainda sorrindo e com o lenço encostado no nariz. Na hora de fechar o bar, fomos para onde eu morava. Tinha um pouco de cerveja na geladeira e ficamos lá sentados, conversando. E só então percebi que estava diante de uma criatura cheia de delicadeza e carinho. Que se traia sem se dar conta. Ao mesmo tempo que se encolhia numa mistura de insensatez e incoerência. Uma verdadeira preciosidade. Uma jóia, linda e espiritual. Talvez algum homem, uma coisa qualquer, um dia a destruísse para sempre. Fiquei torcendo para que não fosse eu.
Deitamos na cama e, depois que apaguei a luz, Cass perguntou:

— Quando é que você quer transar? Agora ou amanhã de manhã?

— Amanhã de manhã — respondi, — virando de costas pra ela.

No dia seguinte me levantei e fiz dois cafés. Levei o dela na cama. Deu uma risada.                                     

— Você é o primeiro homem que conheço que não quis transar de noite.

— Deixa pra lá — retruquei, — a gente nem precisa disso.

— Não, pára aí, agora me deu vontade. Espera um pouco que não demoro.

Foi até o banheiro e voltou em seguida, com uma aparência simplesmente sensacional — os longos cabelos pretos brilhando, os olhos e a boca brilhando, aquilo brilhando… Mostrava o corpo com calma, como a coisa boa que era. Meteu-se em baixo do lençol.

— Vem de uma vez, gostosão.

Deitei na cama.Beijava com entrega, mas sem se afobar. Passei-lhe as mãos pelo corpo todo, por entre os cabelos. Fui por cima. Era quente e apertada. Comecei a meter devagar, compassadamente, não querendo acabar logo. Os olhos dela encaravam, fixos, os meus.

— Qual é o teu nome? — perguntei.

— Porra, que diferença faz? — replicou.

Ri e continuei metendo. Mais tarde se vestiu e levei-a de carro de novo para o bar. Mas não foi nada fácil esquecê-la. Eu não andava trabalhando e dormi até às 2 da tarde. Depois levantei e li o jornal. Estava na banheira quando ela entrou com uma folhagem grande na mão — uma folha de inhame.

— Sabia que ia te encontrar no banho — disse, — por isso trouxe isto aqui pra cobrir esse teu troço aí, seu nudista.

E atirou a folha de inhame dentro da banheira.

— Como adivinhou que eu estava aqui?

— Adivinhando, ora.

Chegava quase sempre quando eu estava tomando banho. O horário podia variar, mas Cass raramente se enganava. E tinha todos os dias a folha de inhame. Depois a gente trepava.
Houve uma ou duas noites em que telefonou e tive que ir pagar a fiança para livrá-la da detenção por embriaguez ou desordem.

— Esses filhos da puta — disse ela, — só porque pagam umas biritas pensam que são donos da gente.

— Quem topa o convite já está comprando barulho.

— Imaginei que estivessem interessados em mim e não apenas no meu corpo.

— Eu estou interessado em você e também no seu corpo. Mas duvido muito que a maioria não se contente com o corpo.

Me ausentei seis meses da cidade, vagabundeei um pouco e acabei voltando. Não esqueci Cass, mas a gente havia discutido por algum motivo qualquer e me deu vontade de zanzar por aí. Quando cheguei, supus que tivesse sumido, mas nem fazia meia hora que estava sentado no West End Bar quando entrou e veio sentar do meu lado.

— Como é, seu sacana, pelo que vejo já voltou.

Pedi bebida para ela. Depois olhei. Estava com um vestido de gola fechada. Cass jamais tinha andado com um traje desses. E logo abaixo de cada olheira, espetados, havia dois grampos com ponta de vidro. Só dava para ver as pontas, mas os grampos, virados para baixo, estavam enterrados na carne do rosto.

— Porra, ainda não desistiu de estragar sua beleza?

— Que nada, seu bobo, agora é moda.

— Pirou de vez.

— Sabe que sinto saudade — comentou.

— Não tem mais ninguém no pedaço?

— Não, só você. Mas agora resolvi dar uma de puta. Cobro dez pratas. Pra você, porém, é de 
graça.

— Tira esses grampos daí.

— Negativo. É moda.

— Estão me deixando chateado.

— Tem certeza?

— Claro que tenho, pô.

Cass tirou os grampos devagar e guardou na bolsa.

— Por que é que faz tanta questão de esculhambar o teu rosto? — perguntei. — Quando vai se 
conformar com a idéia de ser bonita?

— Quando as pessoas pararem de pensar que é a única coisa que eu sou. Beleza não vale nada e 
depois não dura. Você nem sabe a sorte que tem de ser feio. Assim, quando alguém simpatiza contigo, já sabe que é por outra razão.

— Então tá. Sorte minha, né?

— Não que você seja feio. Os outros é que acham. Até que a tua cara é bacana.

— Muito obrigado.
Tomamos outro drinque.

— O que anda fazendo? — perguntou.

— Nada. Não há jeito de me interessar por coisa alguma. Falta de ânimo.

— Eu também. Se fosse mulher, podia ser puta.

— Acho que não ia gostar de um contato tão íntimo com tantos caras desconhecidos. Acaba 
enchendo.

— Puro fato, acaba enchendo mesmo. Tudo acaba enchendo.

Saímos juntos do bar. Na rua as pessoas ainda se espantavam com Cass. Continuava linda, talvez mais do que antes.Fomos para o meu endereço. Abri uma garrafa de vinho e ficamos batendo papo. Entre nós dois a conversa sempre fluía espontânea. Ela falava um pouco, eu prestava atenção, e depois chegava a minha vez. Nosso diálogo era sempre assim, simples, sem esforço nenhum. Parecia que tínhamos segredos em comum. Quando se descobria um que valesse a pena, Cass dava aquela risada — da maneira que só ela sabia dar. Era como a alegria provocada por uma fogueira. Enquanto conversávamos, fomos nos beijando e aproximando cada vez mais. Ficamos com tesão e resolvemos ir para a cama, Foi então que Cass tirou o vestido de gola fechada e vi a horrenda cicatriz irregular no pescoço — grande e saliente.

— Puta que pariu, criatura — exclamei, já deitado. — Puta que pariu. Como é que você foi me fazer 
uma coisa dessas?

— Experimentei uma noite, com um caco de garrafa. Não gosta mais de mim? Deixei de ser bonita?
Puxei-a para a cama e dei-lhe um beijo na boca. Me empurrou para trás e riu.

— Tem homens que me pagam as dez pratas, aí tiro a roupa e desistem
de transar. E eu guardo o dinheiro pra mim. É engraçadíssimo.


— Se é — retruquei, — estou quase morrendo de tanto rir… Cass, sua cretina, eu amo você… mas pára com esse negócio de querer se destruir. Você é a mulher mais cheia de vida que já encontrei.

Beijamos de novo. Começou a chorar baixinho. Sentia-lhe as lágrimas no rosto. Aqueles longos cabelos pretos me cobriam as costas feito mortalha. Colamos os corpos e começamos a trepar, lenta, sombria e maravilhosamente bem.

Na manhã seguinte acordei com Cass já em pé, preparando o café. Dava a impressão de estar perfeitamente calma e feliz. Até cantarolava. Fiquei ali deitado, contente com a felicidade dela. Por fim veio até a cama e me sacudiu.

— Levanta, cafajeste! Joga um pouco de água fria nessa cara e nessa pica e vem participar da festa!

Naquele dia convidei-a para ir à praia de carro. Como estávamos na metade da semana e o verão ainda não tinha chegado, encontramos tudo maravilhosamente deserto. Ratos de praia, com a roupa em farrapos, dormiam espalhados pelo gramado longe da areia. Outros, sentados em bancos de pedra, dividiam uma garrafa de bebida tristonha. Gaivotas esvoaçavam no ar, descuidadas e no entanto aturdidas. Velhinhas de seus 70 ou 80 anos, lado a lado nos bancos, comentavam a venda de imóveis herdados de maridos mortos há muito tempo, vitimados pelo ritmo e estupidez da sobrevivência. Por causa de tudo isso, respirava-se uma atmosfera de paz e ficamos andando, para cima e para baixo, deitando e espreguiçando-nos na relva, sem falar quase nada. Com aquela sensação simplesmente gostosa de estar juntos. Comprei sanduíches, batata frita e uns copos de bebida e nos deixamos ficar sentados, comendo na areia. Depois me abracei a Cass e dormimos encostados um no outro durante quase uma hora. Não sei por quê, mas foi melhor do que se tivessemos transado. Quando acordamos, voltamos de carro para onde eu morava e fiz o jantar. Jantamos e sugeri que fossemos para a cama. Cass hesitou um bocado de tempo, me olhando, e ao respondeu, pensativa:

— Não.

Levei-a outra vez até o bar, paguei-lhe um drinque e vim-me embora. No dia seguinte encontrei serviço como empacotador numa fábrica e passei o resto da semana trabalhando. Andava cansado demais para cogitar de sair à noite, mas naquela sexta-feira acabei indo ao West End Bar. Sentei e esperei por Cass. Passaram-se horas. Depois que já estava bastante bêbado, o sujeito que atendia no balcão me disse:

— Uma pena o que houve com sua amiga.

— Pena por quê? — estranhei.

— Desculpe. Pensei que soubesse.

— Não.

— Se suicidou. Foi enterrada ontem.

— Enterrada? — repeti.

Estava com a sensação de que ela ia entrar a qualquer momento pela porta da rua. Como poderia estar morta?

— Sim, pelas irmãs.

— Se suicidou? Pode-se saber de que modo?

— Cortou a garganta.

— Ah. Me dá outra dose.

Bebi até a hora de fechar. Cass, a mais bela das 5 irmãs, a mais linda mulher da cidade. Consegui ir dirigindo até onde morava. Não parava de pensar. Deveria ter insistido para que ficasse comigo em vez de aceitar aquele “não”. Todo o seu jeito era de quem gostava de mim. Eu é que simplesmente tinha bancado o durão, decerto por preguiça, por ser desligado demais. Merecia a minha morte e a dela. Era um cão. Não, para que pôr a culpa nos cães? Levantei, encontrei uma garrafa de vinho e bebi quase inteira. Cass, a garota mais linda da cidade, morta aos vinte anos.
Lá fora, na rua, alguém buzinou dentro de um carro. Uma buzina fortíssima, insistente. Bati a garrafa com força e gritei:

— MERDA! PÁRA COM ISSO, SEU FILHO DA PUTA!

A noite foi ficando cada vez mais escura e eu não podia fazer mais nada.

Recomendação Pessoal: Bukowski. Sempre. 


Por: Virgínia Fróes
De: Natal - RN
Email: virginia@revistafriday.com.br

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