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Conexão Canadá: Vancity- The Journey begins

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VITRINE: O universo feminino de Isadora Almeida

Inspirada por ilustrações de moda, estamparia e coisas que vê por aí, conheça o trabalho da ilustradora mineira Isadora Almeida.

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7 de janeiro de 2014

Não se fazem mais passados como antigamente #27 - Ah, aquela voz...

Tem sempre aquela hora em que você se pega pensando sobre a qualidade surreal de uma letra de música: “Nossa, mas é muito minha vida”, eu mesmo já falei de canções do Pink Floyd, do Rush ou mesmo da Electric Light Orchestra. Mas, dependendo da canção, nem precisaria de profundidade na letra: certaz vozes são atrações por si só.
                Numa tarefa quase impossível (na qual pedi arrego para alguns amigos meus), escolhi cinco dos grandes vocais do rock em todos os tempos. Alguns são unanimidade. Outros foram fruto de debate. Mas todos são reconhecidos pelo seu caráter de “vinho”, que parecem ficar melhor com o passar do tempo.
                Para evitar polêmicas isso não é um ranking e não há ordem de colocação. E, paara incrementar a experiência, vamos colocar apenas o vocal das canções.



Ian Gillan, do Deep Purple
68 anos
Inglês Casa: Hard Rock
Tipo de voz: barítono (calça apertada)




                Ian Gillan entrou nessa lista pela gritaria. Mas não uma gritaria desordenada, de um cantor de black metal, por exemplo: seu vocal é completamente harmônico e controlado. E que controle: seu alcance vocal é simplesmente gigantesco, desde um tom grave até o famoso “quebra-taça”. Logo no primeiro álbum com a banda, ele gravou Child in Time, a canção abaixo, que até hoje me dá leves arrepios pelo volume a que chega o homem por detrás do microfone.
                Hoje ele ainda está na ativa, mas seu potencial de gritaria se foi – como ficou provado na última passagem da banda por São Paulo, em 2011. A resenha do último disco deles, lançado ano passado, você vê aqui.



Ainda vale a pena ouvir outro fã da calça apertada: Geddy Lee, do Rush.




Jon Anderson, ex-Yes
69 anos
Inglês
Casa: progressivo
Tipo de voz: Tenor (desde que o mundo é mundo)



                Eu lembro de, em setembro de 2012, assistir a um show dele em São Paulo, já em carreira solo (Jon deixou o Yes em 2008, depois de 40 nos, por problemas de saúde). E me supreendeu de, logo na primeira música, ver que o timbre dele continua o mesmo de quando lançado o primeiro álbum da banda, lá na época da TV preto-e-branco.
Muita gente discorda de mim até hoje (e não tiro a razão), mas Jon Anderson é o maior vocalista vivo. Sua voz, já fina de nascença, permite que ele abrisse um alcance vocal inédito. Com uma crise de asma em 2008 que o colocou entre a vida e a morte diversas vezes, sua respiração e agudos foram bastante danificados, o que fez com que suas músicas sofressem um remapeamento. Mas nada que prejudicasse a qualidade de um show que, por mais vazio que estivesse (tinham umas quinhentas pessoas lá), não me vai sair da mente tão cedo.
Abaixo, uma das obras-primas do tempo do Yes: Close to the Edge, de 1972. O ápice ocorre depois dos 7:00, quando sua voz se coloca em níveis impraticáveis para nós, reles humanos




Johnny Cash
Morto em 2003 aos 71 anos
Americano
Casa: Country e Gospel
Tipo de voz: barítono (aquela de macho)



                John R. Cash era conhecido como “o homem de preto”, pela sua imagem bastante sóbria em cima dos palcos. O que se refletia na forma de cantar: seu tom de voz é único entre todos aqui, já que era um exímio barítono. A entonação das canções, aliado ao gogó gravíssimo de Cash, parecia fazer o chão tremer. Realmente é coisa pra quem abre a tampa da garrafa de cerveja com a boca.

                Veja a capacidade de manter um tom baixo em uma de suas primeiras composições: Cry, Cry Cry, de 1957.






Freddie Mercury, do Queen
Morto em 1991 aos 45 anos
Inglês Casa: hard rock
Tipo de voz: Tenor (ou Divina, como preferir)




                A única unanimidade dessa lista era uma voz tão, mas tão variada que, quando ele falava, era um barítono, mas quando cantava, alcançava facilmente o tenor, a escala mais alta para um homem, e conseguia chegar até o soprano, que já é própria da voz feminina. Nos mais de 18 anos de carreira com o Queen, Freddie encheu estádios e emocionou homens e mulheres, como emociona até hoje: Bohemian Rhapsody (que a gente já resenhou aqui) da arrepios em 10 em cada 10 pessoas. Sim, ele é a maior voz que este planeta já viu, e não tem muito pela qual a gente possa fazer.
                Esse é o mais difícil de se escolher qual música é melhor. Podia ser qualquer uma, já que o perfeccionismo de Freddie com sua própria voz e questões como ritmo e sincronia era absurda. Então fiquemos com duas: Somebody to Love, do álbum A day at the races, de 1976; e a última grande canção de Mercury antes de sua morte, em 1991: The show must go on, do álbum Innuendo, poucos anos antes de sua morte.





Ronnie James Dio
Morto em 2010 aos 67 anos
Americano
Casa:Metal
Tipo de voz: Voz do Dio, que é perfeita e ponto.




                Me pediram para colocar Bruce Dickinson como representante dessa especialidade – a que de longe mais exige dos frontmen – e ele até tem um excelente comportamento em sua voz. Mas esse posto é algo que não é possível negociar: não há ninguém que consiga se comparar ao espírito presente na voz de Dio (que se chamava Ronnie James Padavona na vida real). Para quem acha que o capeta manda no metal , provavelmente vai encontrar provas disso na voz de Ronnie. Pois não há explicação plausível para esse dom.

               

Sim,  faltam nomes aqui: Robert Plant (Led Zeppelin); Paul Rodgers (Free/Queen); ou mesmo mulheres como Debbie Harris (Blonde) ou Tarja Turunen (Nightwish). Até mesmo Matt Bellamy, o jovem vocalista do Muse, entraria nessa lista Mas desses a gente fala outro dia. Por ora, esses "cantores de karaokê" dão pro gasto.

Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: g.lazaro@outlook.com

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12 de novembro de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #23 - Teclado: amigo ou inimigo?

             Pete Townshend, o guitarrista do The Who, canta num refrão de uma velha canção dos anos 70: Long Live Rock. Uma frase antes, ele lembra: Rock is dead they say. Sim, o “eles” – eu, você, seu tio metaleiro – garantem que o bom e velho rock morreu, foi enterrado – e, em certas oportunidades, se contorce no túmulo. Culpados a gente sempre traça no velório. E todo mundo sempre cita um dos mesmos nomes: o maldito sintetizador.


Retrato falado do provável assassino
                Maldito? Bem, essa questão é polêmica. Nunca existe um lado só da história.
                Realmente, o marco do fim da grande era chamada "rock" é o início do crescimento dos sintetizadores. Até 1978 as bandas eram baixo, bateria, guitarra e vocal e, depois disso (e com a entrada dos primeiros tecladistas nas bandas) o uso desse instrumento parecia levar alguns dos grandes músicos a um lado mais preguiçoso e muito, mas muito menos criativo. O Queen, em seus primeiros discos, trazia um selo no encarte em que dizia No Sytnethizers. No álbum The Game, de 1980, a frase é : “esse álbum inclui a primeira aparição de um sintetizador (um Oberheim OBX) num disco do Queen”. Coincidência ou não, foi a partir daí que a banda engatou numa ascendente negativa, com alguns dos piores discos dos anos 80, tais como o Hot Space e a trilha do filme Flash Gordon.
                O The Police, que falamos no post passado, era uma das mais influentes bandas de reggae rock e mantinha-se como uma das novas gerações do rock na nova década. Porém, após o uso do primeiro sintetizador no disco Ghost in the Machine, a banda entrou em uma espiral estranha, onde o guitarrista Andy Sumers ia sumindo e o fenomenal baterista Stewart Copeland sumia em batidas cada vez mais simples. A banda se separou em pouco tempo.
                O Van Halen sofreu um pouco com isso. O The Who resolveu colocar um holofote no seu tecladista no álbum It’s hard, em 1982 – e só conseguiu lançar algo de novo em 2006. A lista é longa, e grandes bandas decaíram ou começaram a conhecer seu fim quando enfiaram um Moog ou um órgão Hammond nas suas composições.
               
*
Jon Lord: os tecladistas também amam

                Bendito? Sim, os teclados também são a marca de algumas das maiores bandas a passar pela Terra.
                Os fab four de Cambridge, mais conhecidos como Pink Floyd, foram quem talvez administraram melhor essa ideia: o tecladista Richard Wright é considerado um dos dos melhores de todos os tempos e autor de obras inimagináveis com seu telcado – Sysyphus, de 1969, é uma das mais vanguardistas peças com o instrumento. Ainda no reino do progressivo, Keith Emerson (da Emerson, Lake and Palmer) e Rick Wakeman, famoso pela sua passagem pelo Yes, são lembrados como magos das teclas.
                Geddy Lee ainda impressiona quem assiste o Rush: costuma tocar baixo, cantar e ainda tocar teclado – só ver ele durante Subdivisions (ou qualquer outra canção) e você vai entender. Porém a modesta opinião que traça essas linhas considera que nenhum deles possa engraxar os sapatos de Jon Lord. Se podemos falar de uma ponta morta pelo teclado, falemos dele na outra onde ele conseguia ser lembrado e idolatrado – sem fazer solos de guitarra ou vocais gritados. Durante os shows de sua banda, a Deep Purple, ele ficava quase sempre no canto esquerdo do baterista, sem chamar muita atenção, acompanhando o ritmo da banda. Quando o espaço se abria, ele acabava propondo solos e releituras de canções que são melhores que os solos de guitarra da própria banda. Ele saiu da banda em 2002, mas em seu lugar entrou Don Airey, que já tinha trabalhado com Ozzy e criado a abertura de Crazy Train.

*

                Morto ou vivo, a entrada do teclado mostrou a certas bandas que o negócio delas era o mercado pedisse novas sonoridades, talvez aquela não fosse a praia deles. E foi isso o que aconteceu: um número grande de bandas ou morreu na década de 80 ou entrou em um grande hiato. Mas talvez sem o teclado e os novos ritmos mais eletrônicos, não teríamos bandas como Radiohead, Muse e outros arrasa-quarteirões por aí.
                Hoje em dia o culto ao solo de guitarra e às composições mais clássicas vêm crescendo –e com isso, bandas como o Van Halen e o Black Sabbath voltam à ativa. Coincidência? Apenas o próximo riff poderá dizer.

                (P.S.: a canção Lazy,do Deep Purple, graças a alguns votos que colhi com o tempo, é o chamado “solo de teclado definitivo”. A capacidade de improvisação de Jon Lor - que faleceu ano passado- torna um simples blues uma obra que normalmente passa os dez minutos. Concordem ou não, lá vai uma pequena amostra pra vocês.)




Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: g.lazaro@outlook.com

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7 de maio de 2013

Não se fazem ais passados como antigamente #11 – Quando falta o “je ne sais quoi”







Now What?!_Deep Purple
Gravadora: earMusic 
Lançamento: Abril de 2013
Nota: 7.1/10




     




        Em 1975, eles estavam no Guinness como “A banda com o som mais alto ao vivo do mundo” . Eles estão para assoprar a 45ª vela de estrada, ao contrário de gente como os Rolling Stones (51 velas), quase sempre tocando, com algum hit na manga e sempre muito, mas muito alto.  O Deep Purple – o eles do texto – conseguiram, décadas e décadas afora, conseguir hipnotizar uma legião de fãs que tende ao infinito – o nós dessa história.
Já tiveram 8 formações diferentes, 14 membros (entre eles David Coverdale e Joe Satriani), e só o baterista Ian Paice sobreviveu em todas as épocas.  O segredo é a qualidade e a simplicidade da música: porque todo mundo conhece os riffs de Smoke on the Water, Perfect Strangers, Burn, Hush, a lista é grande. Porém, quando eu terminei o 19ª álbum da banda, o pouco comentado Now What?!, dava pra notar que alguma coisa estava faltando.

Jon Lord.
Pra mim, mais do que o vocalista Ian Gillan, mais do que o guitarrista-estrela Ritchie Blackmore, o coração da banda sempre foi o tecladista. Jon Lord, que faleceu em julho passado, era o legítimo senhor dos teclados  na banda, até 2002. Todos os grandes sucessos da banda têm a marca de um solo poderoso, orgiástico, arrepiante. Isso influenciou seu sucessor,  Don Airey, que já tocou com ninguém menos que Ozzy Osbourne (Don é o cara responsável por isso aqui), e tem uma excelente parte no ótimo álbum de 2005, Rapture of the Deep. O terceiro álbum com o novo tecladista segue a mesma linha do Rapture, mas por que, porque ainda falta o diferencial? Aquele “a mais”? O “je ne sais  quoi”?
Os 60 minutos do álbum ainda são uma amosta de hard rock do mais puro sangue. A banda parece nunca ter perdido o tino para parir coisas assim. Steve Morse, o guitarrista que desbancou Blackmore nos corações de muitos fãs da banda (inclui-se o meu), ainda faz seus solos precisos, atuais, como em “Hell to Pay”. O tecladista, quase que prestando uma homenagem ao falecido Jon, faz uma mistura e experimentação de tons com um Moog – uma espécie de pequeno sintetizador, que o Google já fez muita gente conhecer.  Os solos são imprevisíveis, longos, e lindos.  Uma das melhores do álbum, “A simple song”, lembra aqueles solos do fim dos anos 80.
Mas a voz, essa não continua a mesma. Ian Gillan começa a sentir o peso da idade, e o fone de ouvido acusa os efeitos, a mixagem que faz com que a melodia pareça alterada. Não é uma coisa do nível Ke$ha ou Nicki Minaj, mas é sensível a diferença. Pra quem se acostumou aos gritos histéricos dele em clássicos como Child in Time, ver um álbum onde ele não se arrisca nenhuma vez àqueles agudos é quase como estar vendo alguma coisa morrer.
O álbum, com 13 faixas, oscila – como diria um conhecido meu- “entre altos altíssimos e baixos baixíssimos”. Pra quem tem uma boa base e já conhece o Deep Purple, vale a pena ver o que eles, durante algum tempo, chamaram de “o último trabalho de estúdio da banda”.  A banda, óbvio, não é a mesma daquela paulera da época do Machine Head, ou da orquestração que foi Perfect Strangers. O vocalista não se aguenta mais, como eu pude uma vez presenciar, na última vez que eles estiveram em São Paulo, em 2011. Ele não aguentou os agudos de um fraseado em Lazy. Eu olhei pro lado e algumas pessoas notaram isso também.
Foi uma pena. Mas, se nos convidassem para ver o Purple de novo...olha...não tem como pensar duas vezes. Até porque quem canta Smoke on the Water uma vez, diz a lenda, não para mais.

Esses vovôs...


Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: guilherme@revistafriday.com.br

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