7 de maio de 2013

Não se fazem ais passados como antigamente #11 – Quando falta o “je ne sais quoi”







Now What?!_Deep Purple
Gravadora: earMusic 
Lançamento: Abril de 2013
Nota: 7.1/10




     




        Em 1975, eles estavam no Guinness como “A banda com o som mais alto ao vivo do mundo” . Eles estão para assoprar a 45ª vela de estrada, ao contrário de gente como os Rolling Stones (51 velas), quase sempre tocando, com algum hit na manga e sempre muito, mas muito alto.  O Deep Purple – o eles do texto – conseguiram, décadas e décadas afora, conseguir hipnotizar uma legião de fãs que tende ao infinito – o nós dessa história.
Já tiveram 8 formações diferentes, 14 membros (entre eles David Coverdale e Joe Satriani), e só o baterista Ian Paice sobreviveu em todas as épocas.  O segredo é a qualidade e a simplicidade da música: porque todo mundo conhece os riffs de Smoke on the Water, Perfect Strangers, Burn, Hush, a lista é grande. Porém, quando eu terminei o 19ª álbum da banda, o pouco comentado Now What?!, dava pra notar que alguma coisa estava faltando.

Jon Lord.
Pra mim, mais do que o vocalista Ian Gillan, mais do que o guitarrista-estrela Ritchie Blackmore, o coração da banda sempre foi o tecladista. Jon Lord, que faleceu em julho passado, era o legítimo senhor dos teclados  na banda, até 2002. Todos os grandes sucessos da banda têm a marca de um solo poderoso, orgiástico, arrepiante. Isso influenciou seu sucessor,  Don Airey, que já tocou com ninguém menos que Ozzy Osbourne (Don é o cara responsável por isso aqui), e tem uma excelente parte no ótimo álbum de 2005, Rapture of the Deep. O terceiro álbum com o novo tecladista segue a mesma linha do Rapture, mas por que, porque ainda falta o diferencial? Aquele “a mais”? O “je ne sais  quoi”?
Os 60 minutos do álbum ainda são uma amosta de hard rock do mais puro sangue. A banda parece nunca ter perdido o tino para parir coisas assim. Steve Morse, o guitarrista que desbancou Blackmore nos corações de muitos fãs da banda (inclui-se o meu), ainda faz seus solos precisos, atuais, como em “Hell to Pay”. O tecladista, quase que prestando uma homenagem ao falecido Jon, faz uma mistura e experimentação de tons com um Moog – uma espécie de pequeno sintetizador, que o Google já fez muita gente conhecer.  Os solos são imprevisíveis, longos, e lindos.  Uma das melhores do álbum, “A simple song”, lembra aqueles solos do fim dos anos 80.
Mas a voz, essa não continua a mesma. Ian Gillan começa a sentir o peso da idade, e o fone de ouvido acusa os efeitos, a mixagem que faz com que a melodia pareça alterada. Não é uma coisa do nível Ke$ha ou Nicki Minaj, mas é sensível a diferença. Pra quem se acostumou aos gritos histéricos dele em clássicos como Child in Time, ver um álbum onde ele não se arrisca nenhuma vez àqueles agudos é quase como estar vendo alguma coisa morrer.
O álbum, com 13 faixas, oscila – como diria um conhecido meu- “entre altos altíssimos e baixos baixíssimos”. Pra quem tem uma boa base e já conhece o Deep Purple, vale a pena ver o que eles, durante algum tempo, chamaram de “o último trabalho de estúdio da banda”.  A banda, óbvio, não é a mesma daquela paulera da época do Machine Head, ou da orquestração que foi Perfect Strangers. O vocalista não se aguenta mais, como eu pude uma vez presenciar, na última vez que eles estiveram em São Paulo, em 2011. Ele não aguentou os agudos de um fraseado em Lazy. Eu olhei pro lado e algumas pessoas notaram isso também.
Foi uma pena. Mas, se nos convidassem para ver o Purple de novo...olha...não tem como pensar duas vezes. Até porque quem canta Smoke on the Water uma vez, diz a lenda, não para mais.

Esses vovôs...


Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: guilherme@revistafriday.com.br

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