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24 de dezembro de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #26 – Rock de branquelo





(Pronounced 'Lĕh-'nérd 'Skin-'nérd)_Lynyrd Skynyrd
Gravadora: MCA
Lançamento: 13 de Agosto de 1973

Nota: 8,5 / 10






Este post está programado para a tarde de Natal, para pouco antes do pino do peru Sadia comprado pela sua mãe e assado por sua tia por parte de pai e avó subir. Não sabemos que horas vocês lerão isso, mas nossas estatísticas dizem que será na tarde de Natal, enquanto passa o filme sobre Jesus na Globo e o filme sobre Jesus também vai passar na Record, Band, canal de compras e na BBC. Vai ser nessa hora em que você não vai ter atualizações no facebook, ninguém pra responder no whatsapp e as fotos no instagram estarão vistas e devidamente curtidas. É nessa hora de puro e extremo tédio em que você vai parar na nossa coluna sobre um dos grandes álbuns da terra do Tio Sam.

                E onde, em nome da coluna e da Revista Friday, eu passo pra deixar um feliz Natal.
                                     
*

                Mas sem chorumelas: tem gente que faz sucesso (90% dos artistas). Tem gente que faz muito sucesso e inova no que faz (foi assim com, por exemplo, o Thriller e o seu intéprete, Michael Jackson). Mas, de tudo o que eu já ouvi, é difícil achar algo que, na inocência de um álbum de estreia, ajuda a cimentar um dos símbolos americanos. Pois, até então, pouca coisa representava os caipiras americanos.
                Vamos lá: desde a guerra civil americana (norte contra sul, o fim da escravidão e tudo aquilo que você viu no filme “Lincoln”), os sulistas americanos, escravocratas e perdedores da batalha, ficaram marcados por símbolos puramente sociais e desprezíveis – a Ku Klux Klan e os caras vestidos de “Zé Gotinha” são os principais. E, no crescente cenário musical do século XX, os branquelos ainda viam os seus ex-escravos negros virarem o mundo da música de ponta-cabeça: Robert Johnson criou Crossroads, o blues definitivo; Little Richard mostrava ao mundo o que era o Rock and Roll e, já nos anos 60, ninguém segurava Jimi Hendrix ou Chuck Berry.
                Os brancos exploraram durante anos os negros, e não seria agora que eles deixariam de fazer isso: no final dos anos 60, o blues tradicional dos negros ganhou sua versão branca, com guitarras mais potentes e canções menos melódicas em temas que remetiam ao caipira sulista, ou redneck (“pescoço vermelho”, na tradução livre), como eram conhecidos. Os primeiros a chegar nesse novo ritmo eram o Creedence, com coisas mais elétricas como Bornin the Bayou, e a Allman Brothers Band, com uma maior inspiração de jazz e mais erudição, que é sentida na pele em canções como Whipping Post e MidnightRider.
                Mas o rock sulista não seria genuíno sem esses sete caras e a banda de nome difícil.


*
Os sete do sul (Foto: Reprodução)

                Jacksonville, Florida. Década de 1960.
O diretor da escola dos membros suspende, pelo uso de cabelo longo, o vocalista, o guitarrista e o baterista de uma banda especialista em covers de Eric Clapton e outras bandas. Em sua homenagem, a banda, que se chamava One Percent, passaria a ser conhecida como Leonard Skinner. Mas, para evitar problemas, se trocaram algumas letras por “Y” e o resultado é o Lynyrd Skynyrd que todo mundo já ouviu falar na vida.
Em 1973 a banda recebe um convite da gravadora MCA para entrar no estúdio e, 35 dias depois, encerram-se as gravações do primeiro disco da banda. Já prevendo a dificuldade que seria pronunciar o nome da banda, a explicação vem no título (leia-se "lãnãrd skinêrd" ou algo assim). Mesmo chegando ao mercado cinco anos depois do primeiro disco do Creedence e quatro depois da estreia arrasadora do Allman, o Lynyrd tomou a vanguarda do movimento. E o segredo foi um misto de patriotismo com os solos mais potentes que o tio Sam já tinha visto.
O lado A do disco é mais voltado para as canções mais macias, as famosas baladas de rock de se tocar na rádio. E realmente Tuesday’s Gone e Simple Man estouraram nas paradas. O segredo delas é uma performance que a guitarra quase nunca perde o estrelato, seja em arpejos ou em solos bastante dramáticos e improvisados. Numa banda de sete, três eram os responsáveis pela guitarrada: Garry Rossington, Ed King e o grandalhão Allen Collins, que a gente fala mais pra frente.
Enquanto Creedence, Allman e outras bandas do gênero Southern bebiam na fonte da música negra e não negavam isso, o Skynyrd prossegui com o orgulho em alta. Entre a maior parcela dos fãs estavam motoqueiros e fazendeiros de estados do centro sul americano como Georgia, Louisiana, Mississipi e Tennessee. Para fortalecer ainda mais a imagem com o público, o vocalista da banda, Ronnie Van Zandt, hasteava a bandeira dos  confederados, que batia ainda mais no orgulho dos branquelos. Finalmente havia alguma identidade aos descendentes dos escravocratas (que não envolvesse queimar cruzes e maltratar negros).
Mas a banda sabia como agradar a todos falando de temas neutros como, por exemplo, a liberdade.  E se você quiser, pode fazer o teste: a canção final do disco, Free Bird, é a maior, mais eloquente, mais bonita, mais longa, mais profunda e mais emocionante canção de liberdade já escrita.
A banda tocando Free Bird nos estúdios da BBC: a bandeira
confederada era um dos orgulhos da banda (Foto: Reprodução)

A principal canção da história da banda e responsável por fechar o disco, Free Bird é um épico de dez minutos e oito segundos que tem seus dois lados da moeda: no primeiros minutos, a voz está decidida a sair, viver o mundo e ver as coisas que ele não conhece. O ritmo é de uma balada, guiada por uma guitarra slide. Depois do refrão, a tal voz se cansa, manda tudo às favas e tem o início do solo. Mas é um SOLO, com todas as letras maiúsculas mesmo.
Allen Collins, um cabeludo desengonçado de 1,91m, lidera incríveis cinco minutos de um solo nervoso, tenso de uma ponta a outra, com duas paradas de bateria, iguais às das escolas de samba, onde o êxtase de quem ouve chega ao limite. Escrita pelo guitarrista e pelo vocalista da banda, a canção parece mesmo escrita para ser ouvida em um carro conversível, numa rodovia, a mais de 120 por hora.
                Apesar do tamanho, digamos, inchado,  o single dela foi lançado na íntegra, e as mais de duas milhões de execuções em rádios FM, fizeram-na como uma das mais pedidas em todos os tempos nas estações americanas. O final do jogo Guitar Hero II conta com uma versão dela. E, nos bares e boates americanas, gritar por esta música equivale ao nosso “Toca Raul”. Ai de quem não tocar.

      Free Bird é o símbolo máximo do (Pronounced 'Lĕh-'nérd 'Skin-'nérd). Serviu também como um catalisador inegável de sucesso pra banda, pois afinal de contas não exaltava o orgulho em ser caipira e branco. E, no final das contas, ajudou a pavimentar o southern rock, que revelou os maiores guitarristas da história da América. E esse ponto alto na carreira da banda os seguiu até 1977, quado um acidente de avião matou três membros da banda e a desfigurou por completo. Por completo mas não para sempre, já que a banda existe até hoje e sai improvisando longos solos por aí como um pássaro voando bastante livre.

 


              


 E nos vemos em 2014.

 

               


Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: g.lazaro@outlook.com

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10 de julho de 2013

Um livro para comemorar o Dia do Rock, bebê!



Dia 13 de julho é o Dia Mundial do Rock. E se você acha que é um(a) grande cult deste universo musical, prepare-se para descobrir que o rock é muito mais do você conhece com “O Pequeno Livro do Rock”, de Hervé Bourhis.

Deparei-me com esta obra em minha primeira ida à Livraria Nove.Sete com os amigos, um espaço de livros infanto-juvenis incrível que tem aqui em São Paulo (e, para melhorar, ao lado da minha faculdade, no bairro Vila Mariana). Por estar em um local cheio de bonecos de papel machê, poesias e lugares para contos de fadas, veio à minha mente de que o livro seria voltado a crianças. Engano meu.



“O Pequeno Livro do Rock” é uma enciclopédia em quadrinhos que traçam uma linha cronológica da música. Apreciar suas páginas em preto e branco em um livro com formato de LP é desafiar-se a acertar artistas, estilos e anos – isso vale para todos que, assim como eu, são fãs do gênero.

Não há uma leitura linear e isso é um ponto positivo, sim. Isso porque Bourhis é capaz de apanhar praticamente todos os pontos importantes do Rock desde 1915 até 2009. Então com certeza você encontrará sua banda favorita aí, pois o livro te leva a uma viagem musical pelo Soul, Reggae, Hip Hop, Rockabilly, Pop, Punk Rock e até mesmo o tropicalismo brasileiro surge.

Então para se afundar nesta leitura nada de rotular algum estilo como “isso não é rock”. Algumas notas geram polêmica para sua mente, mas... Jogue-se nos quadrinhos, nas capas de CDs icônicas e descubra curiosidades sobre o mundo dos rockeiros. Há desde notas autobiográficas até as histórias de Bob Marley como vendedor de bijouterias e o primeiro encontro de John Lennon e Paul McCartney em uma igreja.




Outra característica fascinante do livro são as Batalhas Musicais, apresentadas em páginas duplas! Hervé seleciona duas bandas ou artistas de certo estilo e compara seus discos. Isso ocorre, por exemplo, com Michael Jackson vs. Prince, Nirvana vs. Pixies, David Bowie vs. Lou Reed. Você poderá ficar intrigado (a) com algumas comparações e acredito que esta seja uma intenção proposital do autor: revoltar-te.

Eu convido você, caro leitor/leitora, a entrar de cabeça nesta aula de história do rock. E se está embalado (a) no ritmo de preguiça das férias, basta “ouvir o livro”: nas páginas finais, “O Pequeno Livro do Rock” reúne uma imensa lista de hits icônicos do rock.



O Pequeno Livro do Rock
Autor: Hervé Bourhis
Editora: Conrad
Ano: 2010
Páginas: 224
Preço sugerido: R$ 39,20 (Fnac)

Por: Tatiane Gonsales
De: São Paulo - SP

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12 de fevereiro de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #5- O(s) dia(s) em que a música morreu – Parte II


Então, voltando à nossa roda de acampamento com histórias macabras, chegou a hora de contar sobre aquele que é, talvez, a maior tragédia do mundo do rock. E também o fruto de uma das maiores viradas da história. Para isso os personagens são sete branquelos meio barbudos, de calças largas e chapéus sulistas americanos. No caso, a Lynyrd Skynyrd.


Eles sempre foram um caso à parte no mundo da música. O primeiro álbum deles, o auto-explicativo Pronounced 'Lĕh-'nérd 'Skin-'nérd (o nome complicado era uma homenagem a Leonard Skinner, diretor da escola deles no colegial)  fez um sucesso tão, mas tão arrebatador, que a banda pouco precisou provar depois dali. Um exemplo quase ímpar no Southern rock- aquele de solos de guitarra esticados, uso de banho e grandes bandas como a Allman Brothers e a Marshall Tucker- os garotos seguiam com álbuns excelentes, mas sem o sucesso do primeiro.  Afinal, não é todo dia que se lançam, no mesmo álbum, hinos como Simple Man, Tuesday’s gone e Free Bird.
               
Para satisfazer a maratona de shows, a banda contava com Convair, um avião de médio porte, para as viagens –isso tempos antes de Bruce Dickinson dar o exemplo-. A aeronave, batizada com o nome do maior sucesso da história da banda, levaria 24 pessoas de  Greenville, na Carolina do Sul, até Baton Rouge, na Louisiana. Eram 2 pilotos, os 7 membros da banda mas roadies.
O momento não podia ser o melhor para a banda: há 3 dias eles haviam lançado o quinto álbum, Street Survivors, e a canção That smell já subia nas paradas. Então. No meio do voo o avião apresentou problemas de combustível e, na tentativa de fazer um pouso forçado em uma floresta próxima à cidade de Gillsburg, o piloto acabou enfiando o Free bird dentro de um pântano de difícil acesso, o que causou a explosão que matou seis pessoas na hora.


Da banda, os mortos foram o vocalista Ronnie Van Zandt, o guitarrista Steve Gaines, a backing vocal e irmã mais velha do guitarrista, Cassie Gaines. Além deles, ali no meio do Mississipi jaziam um roadie e do piloto e co-piloto. Aí começam os dados macabras da tragédia: segundo o bateirista, após a queda um fazendeiro das redondezas foi ao local e, acreditando se tratarem de presidiários em fuga, tentou executá-los na bala (o que nunca foi provado ou desmentido). Já o tecladista Billie Powell contou, em um documentário para a VH1, que Cassie morreu de um corte na garganta, de orelha a orelha, e que desfaleceu devido aos sangramentos, em seus braços.

A capa original de 1977.
Porém o que mais chama atenção é a capa do então recém-lançado álbum, o Street Survivors: O avião causou um incêndio de grandes proporções no pântano que caiu, o que conspira com as próprias chamas da capa do álbum!. Steve Gaines (o do meio) é engolido pelas chamas de um estranho incêndio, e Van Zandt, o terceiro da esquerda para a direita, também tem os pés consumidos pelas chamas. Mau presságio ou não, a capa foi refeita em 2009, para uma edição especial, sem o tal fogo.
A banda parou ali, e assim ficou por 10 anos. Em 1987, graças a alguns dos sobreviventes e de familiares (caso do irmão mais novo do vocalista, Johnny Van Zandt, que assumiu o microfone), a banda-símbolo dos confederados. voltou à baila, com excelentes álbuns, caso do Gods and Guns, e ainda realiza turnês mundo afora.
A capa, mais sóbria, em 2009.
Sem mais mortes. Por enquanto.


Por: G.L. Mendes
De: Carapicuíba-SP

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