Gravadora: Capitol
Lançamento: 16 de maio de 1966
Nota: 9.4 / 10
Sgt. Peppers’ Lonely Heart Club Band_The Beatles
Gravadora: EMI / Odeon
Lançamento: 1º de junho de 1967
Nota: 9.1 / 10
A mãe
de todas as batalhas: 40 anos antes de Bieber e One Direction; 30 anos antes de Xtina e Britney; 20 anos
antes de...enfim. A história de bandas e aristas que são ídolos e rivais
é longa. Mas a raiz de todas as batalhas motivou nada menos do que os dois
melhores álbuns da história até então. Juntos, eles serviram de inspiração para 99,5% de todos
os roqueiros que vieram dali pra frente. E dividiu o mundo do rock em dois.
Por
trás dessas duas inspíradíssimas obras, dez homens.
Expliquemos
a história toda.
Mil
novecentos e sessenta e cinco. O medo do comunismo, a bomba de hidrogênio e o
biquíni estavam em seus auges. Mas nada – dizem que nem Jesus Cristo – estava
estourando tanto quanto os Beatles. Arrasando o mundo a partir da Inglaterra
com um som que, dizem, era inovador e único à época, eles já tinham cinco
álbuns premiados e uma legião de fãs que redefiniam, show após show, o conceito
de “histeria”. Com o lançamento de Help!,
o sucesso adquiriu novas necessidades. Eles precisavam sair da grande ilha
britânica e atravessar o atlântico e conquistar a América.
E quando eles chegaram lá, além de fazerem história (como, por exemplo, inventando o show em estádio), eles trombaram com o grande rival: seis garotos
californianos (apesar de serem só cinco na foto), que tinham o mesmo tempo de estrada fazendo musiquinhas alegres
de surf (vocês conhecem essa), e que eram liderados por um jovem franzino, mas
com uma mente tão prafrentex que levava
o crédito por tudo que a banda fazia. Ele era Brian Wilson. Eles eram o The
Beach Boys.
Motivado
pelo sucesso estrondoso dos garotos de Liverpool nos EUA, Wilson decidiu
mostrar que sua banda – já com sete álbuns – era capaz de fazer sucesso
parecido. O empenho que eles demonstraram nas composições se revelaram em
canções inovadoras e no disco The Beach
Boys Today!. O espírito surf tinha dado espaço para temas mais simples,
caso do clássico cover de Do You Wanna Dance,
que provavelmente embalaram seus avós e que, anos depois, inspiraria Johnny Rivers e os Ramones.
Esse é
o marco inicial da batalha. Pouco tempo depois, motivado pelo sucesso do Today! (e com a ajuda de uns colapsos nervosos do Brian
que a gente fala mais pra frente), os rapazes ingleses – mais precisamente a
dupla Lennon – McCartney – mostraram-se capazes de produzir algo ainda maior e
deram ao mundo Rubber Soul, o melhor
e mais sofisticado álbum deles até então. Novamente quem mandavam eram os rapazes do
cabelo tigela.
Porém
McCartney arregaçou as mangas. Em junho de 1967, depois de muita inspiração e transpiração, nasceu o troco. Se foi ou não foi à altura, você pode descobrir apenas
se perguntando se conhece o nome Sgt.Pepper’s Lonely Heart Club Band ou simplesmente se perguntando quantas
vezes já viu a capa de disco mais copiada e lembrada em todos os tempos. Quando
não é o Pet Sounds, é este álbum a encabeçar a lista dos maiores de todos.
Num resumo básico da ópera, podemos chamá-lo de “apenas genial”. Um disco que finalmente descola os Beatles da Beatlemania, aquela nhaca de fazê-los parecer uma boyband, e quase que adiantando o que seria o rock nos anos 70. Letras mais calculadas, ainda mais inspirações psicodélicas (o que dizer de Lucy in the Sky with Diamonds?) e efeitos que antes pareciam coisa do futuro. Nunca fui um fã dos caras, mas todo o amor do mundo pode ser facilmente resumida na faixa final. Se os Beatles são os Beatles, eles fizeram – e muito - por onde.
*
Num resumo básico da ópera, podemos chamá-lo de “apenas genial”. Um disco que finalmente descola os Beatles da Beatlemania, aquela nhaca de fazê-los parecer uma boyband, e quase que adiantando o que seria o rock nos anos 70. Letras mais calculadas, ainda mais inspirações psicodélicas (o que dizer de Lucy in the Sky with Diamonds?) e efeitos que antes pareciam coisa do futuro. Nunca fui um fã dos caras, mas todo o amor do mundo pode ser facilmente resumida na faixa final. Se os Beatles são os Beatles, eles fizeram – e muito - por onde.
*
Lembram-se dos colapsos nervosos do Brian? Eles
voltam aqui.
Ao
mesmo tempo que os ingleses faziam sua obra-prima, Brian e sua trupe produziam
o que é chamado, entre os críticos, de “o maior álbum da história”. O projeto, chamado Smile, tinha tudo mesmo pra ser o marco definitivo na produção musical, porém não saiu como se esperava. Ao mesmo
tempo que criava canções e novos modos de fazê-la, o “sonhador acordado”, como
era conhecido, abusava do LSD. Tudo isso, aliado à enorme pressão por outro
excelente trabalho e um senso de inferioridade, acabou por causar-lhe um colapso com cerca de 90% do trabalho
concluído. O ritmo do trabalho começou a se alongar mais e mais, tornando-se confuso e improdutivo, até que Wilson ouviu Strawberry Fields Forever, a grande super-produção da "concorrência", e começou a considerar seu trabalho indigno de disputa. A luta acabou.
Segundo as lendas, Wilson entrou em depressão, ficou uns bons anos de cama evitou por décadas o assunto. Diagnosticado com esquizofrenia anos mais tarde, Brian só voltou a falar do Smile em shows em 2004 (sendo considerado o disco do ano). O álbum em si - lançado em
2011 - mostra o que teria sido o golpe
mais primoroso da luta: um projeto que engloba música eletrônica, pop e surf rock, num formato de produção inédito– quando as músicas eram gravadas num take só, ele inovou gravando-as em parte e trabalhando com elas individualmente. Destaque para a faixa final, a lindíssima Good Vibrations (que ainda dá de dez a zero em muitas canções atuais).
Com
isso a batalha terminou e os Beatles venceram. Para poder vencer os Beach
Boys na América, eles reinventaram seu som, deixando de serem conhecidos pela
imagem (os quatro de terninho igual, cabelinho igual, postura igual) para serem
conhecidos pela qualidade daquilo que cantavam. Os melhores álbuns da banda
nasceram após o disco de 1967, como o WhiteAlbum e o Let it Be, que foi o disco de despedida da banda.
Aos
rapazes americanos, sobrou as sombras da história: os álbuns ainda vendiam, mas sem Brian a banda se meteu em rumos obscuros, discos ruins mesmo. Mesmo assim, ela
nunca deixou oficialmente de existir. Brian segue carreira solo até hoje.
O
principal foi ver que, após essa ferrenha disputa, o rock se dividiu em dois: o
lado europeu, dominado pelos fab four,
que priorizavam letras mais trabalhadas e mais instrumentos – entre os fãs do
Sgt. estava um garoto franzino, de 19 anos, que em pouco tempo seria chamado “Ozzy”.Dali sairiam as bases pro heavy metal e do progressivo que colocariam gente coo o Yes, Led Zeppelin e Queen na estrada. Do lado americano, as
canções eram mais focadas em amor, garotas e letras mais animadas formariam o que, em pouco tempo, seria o pop rock – àquela época Springsteen ainda dava os primeiros passos e Bono Vox ainda tinha sete anos. A maior batalha de
todos os tempos quase matou uns, trouxe vida nova a outros. E pelo menos meia
dúzia dos melhores álbuns já feitos.
Pois
bem. Sorte a nossa.
Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: guilherme@revistafriday.com
































