#05: Visibilidade Trans

Confira na capa do mês de fevereiro da Revista Friday, uma entrevista sobre os desafios de uma pessoa trans, com a ativista LGBT Rebecka de França.

INTERNET: Mudanças, tecnologia e Google+

Confira algumas mudanças que o google+ realizou para agradar os usuários.

Conexão Canadá: Vancity- The Journey begins

Camila Trama nos conta um pouco de seu intercâmbio em alguns lugares do Canadá.

CINEMA: Sassy Pants

Rebeldia, insatisfação e as paixões fazem parte do cotidiano de todos os adolescentes, confira a resenha do filme Sassy Pants.

VITRINE: O universo feminino de Isadora Almeida

Inspirada por ilustrações de moda, estamparia e coisas que vê por aí, conheça o trabalho da ilustradora mineira Isadora Almeida.

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6 de agosto de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #17 – A maior batalha de todos os tempos.







Pet Sounds_The Beach Boys
Gravadora: Capitol
Lançamento: 16 de maio de 1966
Nota: 9.4 / 10








Sgt. Peppers’ Lonely Heart Club Band_The Beatles
Gravadora: EMI / Odeon
Lançamento: 1º de junho de 1967
Nota: 9.1 / 10




                A mãe de todas as batalhas: 40 anos antes de Bieber e One Direction;  30 anos antes de Xtina e Britney; 20 anos antes de...enfim. A história de bandas e aristas que são ídolos e rivais é longa. Mas a raiz de todas as batalhas motivou nada menos do que os dois melhores álbuns da história até então. Juntos, eles serviram de inspiração para 99,5% de todos os roqueiros que vieram dali pra frente. E dividiu o mundo do rock em dois.
                Por trás dessas duas inspíradíssimas obras, dez homens.

*
Os desafiantes.

                Expliquemos a história toda.
                Mil novecentos e sessenta e cinco. O medo do comunismo, a bomba de hidrogênio e o biquíni estavam em seus auges. Mas nada – dizem que nem Jesus Cristo – estava estourando tanto quanto os Beatles. Arrasando o mundo a partir da Inglaterra com um som que, dizem, era inovador e único à época, eles já tinham cinco álbuns premiados e uma legião de fãs que redefiniam, show após show, o conceito de “histeria”. Com o lançamento de Help!, o sucesso adquiriu novas necessidades. Eles precisavam sair da grande ilha britânica e atravessar o atlântico e conquistar a América.
      E quando eles chegaram lá, além de fazerem história (como, por exemplo, inventando o show em estádio), eles trombaram com o grande rival: seis garotos californianos (apesar de serem só cinco na foto), que tinham o mesmo tempo de estrada fazendo musiquinhas alegres de surf (vocês conhecem essa), e que eram liderados por um jovem franzino, mas com uma mente tão prafrentex que levava o crédito por tudo que a banda fazia. Ele era Brian Wilson. Eles eram o The Beach Boys.
                Motivado pelo sucesso estrondoso dos garotos de Liverpool nos EUA, Wilson decidiu mostrar que sua banda – já com sete álbuns – era capaz de fazer sucesso parecido. O empenho que eles demonstraram nas composições se revelaram em canções inovadoras e no disco The Beach Boys Today!. O espírito surf tinha dado espaço para temas mais simples, caso do clássico cover de Do You Wanna Dance, que provavelmente embalaram seus avós e que, anos depois, inspiraria Johnny Rivers e os Ramones.
                Esse é o marco inicial da batalha. Pouco tempo depois, motivado pelo sucesso do Today! (e com a ajuda de uns colapsos nervosos do Brian que a gente fala mais pra frente), os rapazes ingleses – mais precisamente a dupla Lennon – McCartney – mostraram-se capazes de produzir algo ainda maior e deram ao mundo Rubber Soul, o melhor e mais sofisticado álbum deles até então. Novamente quem mandavam eram os rapazes do cabelo tigela.
                Assim que o disco chegou no novo mundo, Brian sentiu-se desafiado, como se fosse uma obrigação criar "A" obra. O resultado, em maio de 1966, é o mais inspirador e, por diversas vezes, considerado o melhor disco de todos os tempos: Pet Sounds é um misto de pop e rock, com canções que exploram uma profundidade ímpar tanto de letra quanto de melodia. Usando uma técnica chamada Wall of Sound, Brian multiplicou os instrumentos e o som é mais rico, muito mais encorpado, como se não faltassem espaços dentro da canção. Exemplo disso é a primeira canção, Wouldn’t it be Nice, que se distancia do que era popular nos anos 60: sem ruídos, a voz de Brian e Mike Love (a outra mente por trás da banda) parece ser ajustada num computador – que, lembremos, ainda não existia lá pra essas coisas. Até mesmo Paul McCartney deu os braços a torcer e considera essa a grande obra-de-arte musical até hoje.
                Porém McCartney arregaçou as mangas. Em junho de 1967, depois de muita inspiração e transpiração, nasceu o troco. Se foi ou não foi à altura, você pode descobrir apenas se perguntando se conhece o nome Sgt.Pepper’s Lonely Heart Club Band ou simplesmente se perguntando quantas vezes já viu a capa de disco mais copiada e lembrada em todos os tempos. Quando não é o Pet Sounds, é este álbum a encabeçar a lista dos maiores de todos.
                Num resumo básico da ópera, podemos chamá-lo de “apenas genial”. Um disco que finalmente descola os Beatles da Beatlemania, aquela nhaca de fazê-los parecer uma boyband,  e quase que adiantando o que seria o rock nos anos 70. Letras mais calculadas, ainda mais inspirações psicodélicas (o que dizer de Lucy in the Sky with Diamonds?) e efeitos que antes pareciam coisa do futuro. Nunca fui um fã dos caras, mas todo o amor do mundo pode ser facilmente resumida na faixa final. Se os Beatles são os Beatles, eles fizeram – e muito - por onde.

*
                Lembram-se dos colapsos nervosos do Brian?  Eles voltam aqui.
                Ao mesmo tempo que os ingleses faziam sua obra-prima, Brian e sua trupe produziam o que é chamado, entre os críticos, de “o maior álbum da história”. O projeto, chamado Smile, tinha tudo mesmo pra ser o marco definitivo na produção musical, porém não saiu como se esperava. Ao mesmo tempo que criava canções e novos modos de fazê-la, o “sonhador acordado”, como era conhecido, abusava do LSD. Tudo isso, aliado à enorme pressão por outro excelente trabalho e um senso de inferioridade, acabou por causar-lhe um colapso com cerca de 90% do trabalho concluído. O ritmo do trabalho começou a se alongar mais e mais, tornando-se confuso e improdutivo, até que Wilson ouviu Strawberry Fields Forever, a grande super-produção da "concorrência", e começou a considerar seu trabalho indigno de disputa. A luta acabou.  
Segundo as lendas, Wilson entrou em depressão, ficou uns bons anos de cama evitou por décadas o assunto. Diagnosticado com esquizofrenia anos mais tarde, Brian só voltou a falar do Smile em shows em 2004 (sendo considerado o disco do ano). O álbum em si - lançado em 2011 -  mostra o que teria sido o golpe mais primoroso da luta: um projeto que engloba música eletrônica, pop e surf rock, num formato de produção inédito– quando as músicas eram gravadas num take só, ele inovou gravando-as  em parte e trabalhando com elas individualmente. Destaque para a faixa final, a lindíssima Good Vibrations (que ainda dá de dez a zero em muitas canções atuais).

*

Os vencedores.

                Com isso a batalha terminou e os Beatles venceram. Para poder vencer os Beach Boys na América, eles reinventaram seu som, deixando de serem conhecidos pela imagem (os quatro de terninho igual, cabelinho igual, postura igual) para serem conhecidos pela qualidade daquilo que cantavam. Os melhores álbuns da banda nasceram após o disco de 1967, como o WhiteAlbum e o Let it Be, que foi o disco de despedida da banda.
                Aos rapazes americanos, sobrou as sombras da história: os álbuns ainda vendiam, mas sem Brian a banda se meteu em rumos obscuros, discos ruins mesmo. Mesmo assim, ela nunca deixou oficialmente de existir. Brian segue carreira solo até hoje.
                O principal foi ver que, após essa ferrenha disputa, o rock se dividiu em dois: o lado europeu, dominado pelos fab four, que priorizavam letras mais trabalhadas e mais instrumentos – entre os fãs do Sgt. estava um garoto franzino, de 19 anos, que em pouco tempo seria chamado “Ozzy”.Dali sairiam as bases pro heavy metal e do progressivo que colocariam gente coo o Yes, Led Zeppelin e Queen na estrada. Do lado americano, as canções eram mais focadas em amor, garotas e letras mais animadas formariam o que, em pouco tempo, seria o pop rock – àquela época Springsteen  ainda dava os primeiros passos e Bono Vox ainda tinha sete anos. A maior batalha de todos os tempos quase matou uns, trouxe vida nova a outros. E pelo menos meia dúzia dos melhores álbuns já feitos.
                Pois bem. Sorte a nossa.





Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: guilherme@revistafriday.com

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4 de junho de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #13 – Haja LSD!

In The Court of The Crimson King _ King Crimson
Gravadora: Atlantic Records
Lançamento: 10 de Outubro de 1969
Nota: 9.4/10





Lá pelos idos de 1969, quando o planeta estava girando loucamente com a onda hippie –pra alguns mais rápido por causa da guerra no Vietnã,  para outros mais devagar, por causa das drogas mesmo -;quando os Beatles sucumbiam à musa japonesa inspiradora de Luciana Gimenez; quando o Pink Floyd era apenas uma banda de rock mambembe, Elvis Presley era um gordinho  voltando aos palcos em Las Vegas e uns meninos lançaram uma banda humilde de nome Led Zeppelin, uns rapazes britânicos (sempre eles) sentiam que queriam tocar rock, mas não com aquela crueza toda do rock.



Eles eram meio bipolares, por assim dizer: amavam o rock, mas odiavam aquela coisa de “dois acordes e um solinho”; amavam a guitarra, mas achavam que elas podiam render mais. E porque não outros instrumentos, outras texturas? Uma zona organizada era tudo o que o rock precisava pra ir pra frente. É mais ou menos assim que pensava os garotos de Dorset, auto-intitulado “King Crimson”.

***
O King Crimson em 1974 (o terceiro
não é o Renato Russo, mas Robert Fripp).

O que faz as pessoas a ouvir um álbum? Os trabalhos anteriores? A estética? O que as rádios e críticos falam? Um hit-relâmpago no Youtube? Pode ser. Mas nesse caso, todas as convenções caem por terra.
É o álbum de estreia da banda, no fim de 1969, que dá os lucros e o reconhecimento aos membros do KC até hoje, 44 anos depois. Surgindo do nada, eles entraram em um cenário polarizado, ao menos na Inglaterra, tanto pelo rock pop dos Beatles e Rolling Stones como da psicodelia de gente como Jethro Tull e o The Who. Ao invés de entrarem no círculo como meninos comportados e ir se adequando às regras, criaram uma terceira via: o misto, com o rock pesado de guitarras com influências do Jazz e inúmeras batidas. Segundo os estudiosos da área, os líderes da banda, o guitarrista Robert Fripp e o vocalista Greg Lake (O Lake do “Emerson, Lake and Palmer”) queriam que a música representasse o progresso da humanidade, com letras poéticas pensadas. Por isso o nome do recém-criado movimento: rock progressivo.
Se você compra álbuns pela capa, compraria dez discos desse. A ilustração da capa, uma face que grita, é de um quadro pintado por Barry Godber. Dentro, uma lua faz uma pose enigmática. Já sobre o som, há pouco o que dizer. 21st Century Schizoid Man, a abertura do disco, é uma balada lenta, obscura, sobre os males do século XXI (retratadas com alguma realidade, lembremos, ainda em 1969). Eis que, lá pelo meio da música, o rock sério dá lugar a uma estranhíssima Jam de jazz, com trombone, bateria acelerada e tudo que tem direito. Mesmo sendo um hino para quem ama esse tipo de música, ele quase nunca foi tocada ao vivo, e dificilmente conhecida até 2009, quando apareceu como a música final do Guitar Hero 5 - foi por lá que eu conheci a banda. Só quem já jogou sabe o drama que é.
O outro detalhe interessante: o álbum inteiro só tem 5 músicas – comparado que os Beatles chegaram a colocar 17 em um só, é um enxugamento mortal. Mas as canções 3, 4 e 5 são tão diferentes em cada parte que são consideradas várias canções em uma. A incrível Moonchild é dividida em The Dream e The Illusion. E a faixa-título, que fecha o disco, é a minha favorita e que me deixou levemente assustado quando ouvi da primeira vez, tem duas seções: The Return of the Fire Witch e The Dance of the Puppets e cada uma é separada por um solo de flauta, ou uma batida mais calma... mas nada de exaltações. É um disco em grande pare calmo, cerebral e para se ouvir depois de uns drinks, ou um LSD na língua. (Por favor, isso não é apologia. Mas se era assim que eles faziam nos loucos anos 60, quem sou eu...).
Foi assim que eles começaram: acabando. Com toda a divisão que existia no rock entre os “de raiz” e os mais pops, o KC criou espaço para um novo gênero, cultuado até hoje nas rádios de rock mundo afora e com as bandas com fiéis fãs, como o Yes, o Pink Floyd e Genesis. Sem esse álbum estranhíssimo – mas lindo - talvez o heavy metal demoraria um pouco mais pra vir. O rock progressivo seria uma coisa para pubs obscuros. E o rock seria considerado, ainda mais, uma coisa de delinquentes, de jovens transviados.
Agora procure um lugar calmo, aperte o play e feche os olhos. Depois tente contar como foi parar na tal Corte do Rei Escarlate...




Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: guilherme@revistafriday.com.br

26 de março de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #8 - Discografia é para os fracos.


                Virou moda falar que, quando algum cantor famoso bate as botas- tá aí o Emílio Santiago e aquele skatista caiçara como exemplos- os “fãs de momento”vão correndo baixar a discografia. Foi assim com a Amy, com o Michael Jackson, vai ser assim quando o próximo rockstar bater as botas.
                Sorte desses “fãs” que Zappa morreu em 1993, bem antes dos downloads da net. Ou então eles estariam em grandes apuros.



                Isso porque nenhum autor musical moderno a fazer sucesso mundial foi tão prolífico como Frank Vincent Zappa. O americano lançou nada menos que 94 álbuns oficiais, sendo 81 deles de estúdio. Como a carreira dele durou de 1966 (com o lançamento do icônico Freak Out!) até o ano de sua morte, isso dá uma média de 3,48 álbuns por ano! Só em 1979 foram 5! Mesmo assim, uma boa parte destes trabalhos, 32 deles, foram lançados após sua morte (um deles inclusive chegou ao mercado em Setembro passado).
                A irreverência por detrás do cabelão e do bigode, se escondia uma das mentes mais sistemáticas do rock and roll: a sua banda – a não menos importante The Mothers of Invention-  continha membros geniais (Steve Vai era um deles) e todos vivam sob um regime opressor sem drogas nem álcool. Nem ao menos um cigarrinho, e isso tudo muito antes de existir o straight edge.
                O som produzido por ele até hoje intriga os críticos: do rock progresssivo à música ambiente, passando pelo jazz, instrumentais, conversas, operas, proto-punk e experimental,  Zappa fez de tudo em mais de 800 composições. Algumas delas tem detalhes interessantíssmos. Vamos falar de três que são os mais com a cara de Zappa:

                We’re Only in It For The Money: Um clássico pra todos que vieram depois dele, inclui conversas de telefone, improvisações e solos virtuosos. Isso é pouco, se comparado com a capa abaixo (que dispensa maiores explicações).
Bem...já vi em algum lugar.


                Thing-Fish: Quando Zappa decidiu investir na Opera, o libreto que ele construiu não foge a sua ideia principal – não ter ideia principal, Um rasgo seco sobre a AIDS (a doença estava, em 1984, em seu auge), feminismo, eugenia e teorias da conspiração, tudo isso é fieto dentro de um musical da Broadway de um musical da Broadway sobre um musical da Broadway. Confuso à primeira vista, mas divertidíssimo, como a única composição dele a ir parar na MTV, You Are What You is.

                Shut Up ‘n Play Yer Guitar: Um dos meus favoritos – junto com o Hot Rats -  é uma sequência de instrumentais que beiram o psicodélico. O destaque é a guitarra primorosa  de Zappa, que toma ângulos e tempos variáveis em cada canção, mudando de rumo de uma hora pra outra. Quando parece que está perdido, voilà, a batida soa precisa como um relógio.

Pra quem quiser conhecer a obra do cara, a discografia pode ser baixada aqui. Vá ouvindo de poucos. Afinal, 12 Gb de música não são pra todos.

Por: G.L.Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: contato@revistafriday.com.br

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12 de fevereiro de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #5- O(s) dia(s) em que a música morreu – Parte II


Então, voltando à nossa roda de acampamento com histórias macabras, chegou a hora de contar sobre aquele que é, talvez, a maior tragédia do mundo do rock. E também o fruto de uma das maiores viradas da história. Para isso os personagens são sete branquelos meio barbudos, de calças largas e chapéus sulistas americanos. No caso, a Lynyrd Skynyrd.


Eles sempre foram um caso à parte no mundo da música. O primeiro álbum deles, o auto-explicativo Pronounced 'Lĕh-'nérd 'Skin-'nérd (o nome complicado era uma homenagem a Leonard Skinner, diretor da escola deles no colegial)  fez um sucesso tão, mas tão arrebatador, que a banda pouco precisou provar depois dali. Um exemplo quase ímpar no Southern rock- aquele de solos de guitarra esticados, uso de banho e grandes bandas como a Allman Brothers e a Marshall Tucker- os garotos seguiam com álbuns excelentes, mas sem o sucesso do primeiro.  Afinal, não é todo dia que se lançam, no mesmo álbum, hinos como Simple Man, Tuesday’s gone e Free Bird.
               
Para satisfazer a maratona de shows, a banda contava com Convair, um avião de médio porte, para as viagens –isso tempos antes de Bruce Dickinson dar o exemplo-. A aeronave, batizada com o nome do maior sucesso da história da banda, levaria 24 pessoas de  Greenville, na Carolina do Sul, até Baton Rouge, na Louisiana. Eram 2 pilotos, os 7 membros da banda mas roadies.
O momento não podia ser o melhor para a banda: há 3 dias eles haviam lançado o quinto álbum, Street Survivors, e a canção That smell já subia nas paradas. Então. No meio do voo o avião apresentou problemas de combustível e, na tentativa de fazer um pouso forçado em uma floresta próxima à cidade de Gillsburg, o piloto acabou enfiando o Free bird dentro de um pântano de difícil acesso, o que causou a explosão que matou seis pessoas na hora.


Da banda, os mortos foram o vocalista Ronnie Van Zandt, o guitarrista Steve Gaines, a backing vocal e irmã mais velha do guitarrista, Cassie Gaines. Além deles, ali no meio do Mississipi jaziam um roadie e do piloto e co-piloto. Aí começam os dados macabras da tragédia: segundo o bateirista, após a queda um fazendeiro das redondezas foi ao local e, acreditando se tratarem de presidiários em fuga, tentou executá-los na bala (o que nunca foi provado ou desmentido). Já o tecladista Billie Powell contou, em um documentário para a VH1, que Cassie morreu de um corte na garganta, de orelha a orelha, e que desfaleceu devido aos sangramentos, em seus braços.

A capa original de 1977.
Porém o que mais chama atenção é a capa do então recém-lançado álbum, o Street Survivors: O avião causou um incêndio de grandes proporções no pântano que caiu, o que conspira com as próprias chamas da capa do álbum!. Steve Gaines (o do meio) é engolido pelas chamas de um estranho incêndio, e Van Zandt, o terceiro da esquerda para a direita, também tem os pés consumidos pelas chamas. Mau presságio ou não, a capa foi refeita em 2009, para uma edição especial, sem o tal fogo.
A banda parou ali, e assim ficou por 10 anos. Em 1987, graças a alguns dos sobreviventes e de familiares (caso do irmão mais novo do vocalista, Johnny Van Zandt, que assumiu o microfone), a banda-símbolo dos confederados. voltou à baila, com excelentes álbuns, caso do Gods and Guns, e ainda realiza turnês mundo afora.
A capa, mais sóbria, em 2009.
Sem mais mortes. Por enquanto.


Por: G.L. Mendes
De: Carapicuíba-SP

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15 de janeiro de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #3 - Uma aula de Blues


Layla and another assorted songs _ Derek and the Dominos (1970)
Polydor
Nota: 9.7 / 10



            Não é preciso ir longe para entender o porquê de, durante os anos 60, tantos muros em Londres conterem a pichação “Clapton is god”. O ícone da Fender Stratocaster até hoje tem uma habilidade literalmente divina, que lota estádios mesmo cinquenta anos após o início da sua carreira. Alguns deles, como “Cocaine” e “Bad Love” são referências até hoje pra qualquer um que aprecie um bom rock.
            Quase sempre agindo como um músico mambembe, Clapton tocou em diversos grupos nos anos 60, tais como os Yardbirds, o Blind Faith, o John Mayall and the Bluesbreakers, além do Cream. Na virada da década, procurando mais o anonimato de uma banda comum, Eric juntou amigos para um supergrupo- por mais irônico que isso pareça: o Derek and the dominos (nome criado em cima da hora do primeiro show, sem nenhuma razão em especial), que só teve uma obra. Obra esta que poderia ser facilmente exibida em um museu.
            Layla and anotherassorted songs foi gravado em Miami, e contou, em grande parte das músicas, com Duane Allman, guitarrista solo da Allman Brothers Band e considerado o melhor da terra do Tio Sam em termos de blues- em todos os tempos. Com essa química rolando no grupo (fora a outra “química” que deixava-os chapados), o que se tem nesse disco é um misto de improvisação, covers e composições inéditas que demonstram uma força incrível dos dois guitarristas.
            As três primeiras faixas são composições do grupo, que ainda não tinha Duane participando. “I looked away” e “Bell Bottom Blues” são mais românticas, enquanto “Keep on Growing” é uma canção elétrica, com solos mais destacados. Entre os covers, uma versão ”Nobody knows when you’re down and out”, que é o famoso blues que canta as tristezas da vida, além de uma bela improvisação sobre a já espetacular “Little Wing” de Jimi Hendrix.
            Uma das músicas que mostram como a dupla Clapton-Allman foi produtiva é a faixa 9, “Why does love got to be so sad”, uma disputa acirrada de solos longos e travados nota a nota entre os dois. Só quando se ouve pela décima vez consegue-se notar quem é quem dentro da maestria de notas.
            A outra canção é Layla.
            Famosa por aquela versão acústica, conhecida nas rádios e rodas e violão, que Clapton fez em 1992, a faixa-título, em sua versão original, é explosiva e perfeita. A letra,baseada tanto em uma lenda oriental antiga quanto no amor platônico de Eric com Patti Harrison, tem uma primeira parte como um blues moderno, novamente protagonizado pelas disputas entre os guitarristas. Subitamente a música muda para uma coda em piano em dó maior, feita pelo bateirista Jim Gordon, que torna a música macia, quase melancólica. Duas faces de uma mesma música, que se juntam em uma harmonia incontestável.
            Pouco após o lançamento do disco, Duane Allman morreu, ainda com vinte e tantos, vítima de um acidente de moto. Isso, aliado com brigas e críticas da mídia acusando Clapton de usar a banda para se promover– o que ele nega veementemente – fizeram com que a Derek and the Dominos fosse enterrada logo após o fim de sua última faixa, a balada “Thorn tree in the garden”. Mas não há problemas: esse álbum, com a belíssima capa assinada por Émile Schonberg, não faria feio em qualquer museu do mundo.

Por: G.L. Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email:  

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1 de janeiro de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #2 – As maiores músicas de todos os tempos (literalmente)

Canções: não importa o ritmo, autor, tema, são quase sempre iguais. As faixas quase sempre escritas para a mesma estrutura (introdução, verso-refrão duas vezes, algum solo e refrão de novo). Desde o início dos tempos é assim e até o fim dos tempos, provavelmente, será. Mas graças ao bom e velho rock, essa lógica às vezes é alterada, para que se possa dar espaço para a liberdade do artista, que normalmente não consegue colocar suas ideias em apenas três ou quatro minutos.



Explica-se: Devido à alta rotatividade das rádios, que precisam tocar bastantes canções, o tempo destinado a elas costuma ser milimetricamente medido, entre dois minutos e meio a quatro minutos. Se tiver paciência ou curiosidade, qualquer hora, pare e note o tempo de música dos maiores sucessos das rádios brasileiras, e verá que realmente faz sentido. Até o início dos anos 60 músicos como Elvis, Cash e Roy Orbinson tinham canções que chegavam, no máximo, a 180 segundos. Aí vieram os rebeldes.

Tudo começou com aquele jovem questionador do violão-e-gaita, señor Bob Dylan: o cantor folk, ídolo de 10 entre 10 músicos americanos, desafiou a ditadura das rádios no seu sexto álbum, o (coloque aqui o seu adjetivo positivo) Highway 61 Revisited.  A faixa de abertura, “Like a Rolling Stone” era (e é) uma composição a frente do seu tempo: a letra com personagens enigmáticos, uma sequência vocal trôpega e um refrão que, pela primeira vez, fazia uma  perguntava aos ouvintes. Tudo isso em 6:09, o dobro do tempo usual. Mesmo com a relutância das rádios, a música foi ao ar, sem cortes, e alcançou o #2 nas paradas. De lambuja a Rollign Stone a escolheu "a maior canção de todos os tempos"


Esse feito abriu espaço para mais bandas apostarem nas chamadas “Músicas de Banheiro”, aquelas em que, quando você vai ao toalete, elas não acabam. A maioria, realmente, não nasceu pra rádio, mas algumas lograram bastante sucesso. Os britânicos do Led Zeppelin não lançaram “Stairway to heaven” como um single, mesmo assim, a música entrou no ar, com seus 8 minutos e 2 segundos, mais de 2 milhões de vezes nas rádios americanas, fazendo-a, assim, a mais tocada em todos os tempos.

  (A segunda da lista, convenhamos, também não é lá tão curta).

Todo mundo conhece o Rush como a banda de “Tom Sawyer”, aquela do MacGyver. Mas o power-trio canadense também teve sua fase progressiva, das mais consistentes: a faixa-título do álbum 2112 é uma epopeia de 20 minutos, com um tema pouco cabeça: a revolta de um cidadão contra o sistema em que vive, numa galáxia distante num futuro distante (pra ser bem sucinto).



Em um disco de vinil cabem, em média, 20 minutos de gravação em cada lado. Uma banda comum produzia, em média, cinco músicas em cada lado (os Beatles já chegaram a colocar oito), mas o Pink Floyd essa média era riscada dos planos. Em quatro álbuns, colocaram apenas uma música em cada lado do LP (Em 1969, com um solo de teclado de 13 minutos; em 1970; e em 1975, que ficou tão grande que teve de ser cortada em dois). Mas Echoes, que ocupava o lado B do disco Meddle, de 1972, é uma jornada de 22 minutos com questões metafísicas, passagens perturbadoras e solos espetaculares. Não ao acaso, é uma das favoritas dos fãs.


Para finalizar, uma pergunta: se uma música de 20 minutos, que ocupasse um lado do disco, não fosse o suficiente, porque não aumentar- ainda mais? Depois do lançamento do Aqualung, o álbum mais aclamado do Jethro Tull (vai dizer que você não conhece essa), o vocalista Ian Anderson ficou desapontado com as críticas, que diziam que o álbum, que pra ele era folk, na verdade era progressivo. Como resultado dessa birra, um ano depois ele aparece com Thick as a Brick, um disco de uma faixa só, uma canção-poema que ocupa os dois lados do disco – 43 minutos!  Talvez Niemeyer tivesse tempo hábil para tal.


Deixei de citar alguns exemplos clássicos, como os caras da Allman Brothers Band, os do Yes e do Genesis, além dessa pérola do Mike Portnoy (a maior que eu encontrei). Mas vamos combinar, haja neurônios para tantos épicos.

E feliz 2013. Dessa vez sem fim do mundo.


Por: G.L. Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: 

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