#05: Visibilidade Trans

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INTERNET: Mudanças, tecnologia e Google+

Confira algumas mudanças que o google+ realizou para agradar os usuários.

Conexão Canadá: Vancity- The Journey begins

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CINEMA: Sassy Pants

Rebeldia, insatisfação e as paixões fazem parte do cotidiano de todos os adolescentes, confira a resenha do filme Sassy Pants.

VITRINE: O universo feminino de Isadora Almeida

Inspirada por ilustrações de moda, estamparia e coisas que vê por aí, conheça o trabalho da ilustradora mineira Isadora Almeida.

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21 de janeiro de 2014

Não se fazem mais passados como antigamente #28 – Eu vos declaro guitarra-solo e guitarra-base




Made Up Mind_Tedeschi Trucks Band
Lançamento: 20 de agosto de 2013
Gravadora: Masterworks
Nota: 8,5/10




                (Quase) ninguém no Brasil notou. O máximo que aconteceu foi uma notinha no site daWhiplash: a Allman Brothers Band, uma das mais tradicionais bandas americanas de todos os tempos – e a favorita deste autor no país – vai perder os dois guitarristas da banda neste ano – o autor volta a insistir que eles são os melhores americanos em atividade hoje.  Enquanto Warren Haynes, o gordinho, vai focar a sua Gibson Les Paul em direção ao reggae blues de seu projeto paralelo, a Gov’tMule, Derek Trucks, um cabeludo loiro de 34 anos, decidiu sair para se doar inteiramente ao grupo que mantém com sua mulher.
                Mulheres. Destruindo bandas. Há uns 40 anos a gente se lembra de uma japonesa que acabou com uma daquelas bandas britânicas dos anos 60. Mas dessa vez, não precisamos ter taaaanto ódio assim. Derek Trucks e Susan Tedeschi são  daqueles em que se pode botar fé no futuro próximo.

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Susan Tedeschi (centro) e Derek Trucks, seu marido, à esquerda. (Foto: Reprodução)

                Derek Trucks. 34 anos mas, desde quando se apresentou pela primeira vez com o Allman Brothers (de onde o tio é baterista), uma joia rara. E quando isso aconteceu ele tinha apenas 13 anos! Como ele era pequeno demais para operar sua Gibson SG, ele adotou o uso do slide, que é a técnica de fazer som com um tubo. Essa técnica o consagrou e ele mantém até hoje, sendo o melhor da área ainda vivo.
                Depois de umas aparições aqui e ali na ABB, ele se juntou à banda em 2000. No único trabalho de estúdio em que ele contribuiu, o magistral Hittin’ the note, a sua contribuição é sentida de longe – Old Friend me dá arrepios há uns cinco anos. Em 2001, ele se casou com Susan Tedeschi, uma cantora e guitarrista que lembra, em alguns aspectos, Bonnie Raitt. Não demorou pra que nascesse a Derek Trucks & Susan Tedeschi Band, especializada em tocar covers de country e muita, mas muita improvisação (o famoso jam).
                Em 2011, já com o novo nome, veio o primeiro álbum: Revelator é uma porrada, com uma banda potente e grande (a TTB possuía 11 membros no palco à época), onde as funções de cada um estão bem estabelecidas: Susan canta, num timbre mais rasgado, e mantém uma guitarra-base bastante sólida. Trucks é responsável pelo espetáculo – e se Eric Clapton o considera um dos melhores dessa geração; e se a Rolling Stone o elegeu o 16º maior guitarrista de todos os tempos , o show vale muito. Midnight in Harlem é a prova de que habilidade não falta (Warren foi o 23º do mesmo ranking).
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                O disco mais atual, que não foi eleito em nenhuma lista dos “melhores de 2013”,dá uma sequência mais madura ao projeto. E ajudou os membros da banda, que agora eram 10, a se lançarem numa turnê maior, passando de fundo de festival (como foram no SWU, em 2011), para locações maiores (como teatros e casas de shows de verdade). O segredo está na grande experimentação experimentada por Derek, que é quem ainda atrai as atenções. A atuação “marido-e-mulher” é mais soturna que a apresentada pela Delaney and Boonie; mais descompromissada do que a Plastic Ono Band de Yoko e Lennon. E com uma alma muito mais verdadeiro do que Maria Cecília e Rodolfo.
                A guitarra, que no primeiro disco era tomada em slide, agora busca acordes mais gentis – dá pra falar que Part of me é uma canção fofa. Os solos, que são puxados por Trucks, tem a marca registrada da Allman Brothers, que é a jam: eles duram, no disco, um minuto. Mas ao vivo podem se estender por cinco, dez minutos. All That I Need é uma delas e The Storm é uma composição gutural de uma ponta a outra. Nada pode ser mais orgânico que isso, e há de se notar o mérito do guitarrista de beber em inúmeras fontes para criar novos caminhos com sua Gibson SG – ainda a mesma da infância.
                As 11 músicas não têm muito em comum a não ser a afinadíssima sintonia entre o casal – e uma participação da banda em si que é digna de nota. Entre os 8 membros, se encontram dois bateristas (que, combinemos, e um exagero), dois cantores de coro e um competente setor de sopro, com trompetista, flautista e saxofone. A interação produz um blues mais com a cara de um século XXI, às vezes com pegadas de ska e country com canções produzidas, mas muito pouco alteradas em estúdio. Convém lembrar aqui que, durante os shows, é quase impossível ver algum pedal de efeito na guitarra. O som é completamente puro e, mesmo não chegando ao top 10 de vendas, os críticos reconheceram a qualidade do grupo, e começaram a considerar a TTB como uma das apostas para o rock da terra do Tio Sam nesta década, junto com gente como Gary Clark Jr. e Phillip Phillips.
                E talvez essa promessa de crescimento e grandeza  fosse a principal causa para que Derek Truck abandonasse o barco da Allman Brothers Band, ao mesmo tempo em que o outro guitarrista também buscasse outros ares. A Gov’t Mule, mesmo existindo desde 1994, parece ter mais ainda para provar. Os dois se juntarão pela última vez à banda que os revelou na tradicional temporada que eles fazem no Beacon Theatre, em Nova York.

O autor volta a este texto para rifar seu rim e, assim, poder assistir um desses shows. Aproveita e avisa: não bebe, então ele o órgão está novinho e em condições de uso.


Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: g.lazaro@outlook.com

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20 de agosto de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #18 – ¡Arriba!




Supernatural_Santana
Gravadora: Arista
Lançamento: 15 de junho de 1999
Nota: 8/10






                Staples Center, Los Angeles, 23 de fevereiro de 2000. O vencedor do Grammy de melhor álbum sobe, pé ante pé, os degraus do palco, sob uma calorosa salva de palmas. Para os tantos milhares que fazem isso – bater palmas – nem há cara de surpresa. Carlos Santana subia ao palco pela oitava vez naquela noite – mal vai ter onde enfiar tantas estátuas em forma de gramofone. A maioria se lembrava de 1982, quando Michael Jackson subiu, também oito vezes, com seu modesto trabalho de nome Thriller.

                Talvez só uma pessoa ali estivesse surpresa: o próprio Carlos.


*

Em 1969. ¡Ay ay ay! (Reprodução)

                Com mais de 30 anos de carreira, Santana sempre foi um dos mais expressivos músicos de sua geração – mas nunca tinha saído da marginalidade da imprensa. Isso devido a uma série quase infinita de motivos:

                Desde 1969, com o lançamento do seu primeiro álbum homônimo, Carlos e a sua banda, a nada egocêntrica Santana Blues Band, os críticos batem palma. Eles elogiam o tom puríssimo e único de sua guitarra – talvez a mais fácil de ser reconhecida de longe. Já tocou blues de raiz e jazz, usou todas as drogas conhecidas e adotou um nome dado por um guru indiano (nos anos 70 ele era "Devadip" Carlos Santana). Mesmo assim ele nunca recebeu o tratamento devido de um rockstar. Nunca tocou em estádios ou foi estrela dos festivais em que compareceu (mas diz a lenda que em Woodstock ele cheirou tanto que achou que sua guitarra havia se transformado numa cobra e teria deixado ela num serpentário quando voltou pra casa).

                Filho de um mariachi – aqueles músicos tradicionais mexicanos – Carlos promoveu, em 16 álbuns de estúdio e outros tantos ao vivo, uma raríssima mistura entre os ritmos latinos e africanos com o blues e jazz que um bom solo de guitarra pode dar. Exemplos são suas canções mais famosas, a adaptação de Black Magic Woman (Guitar Hero mandou lembranças) e Samba pa ti.

                Em 1999, depois de sete anos sem gravar nada, Santana estreou contrato com a nova gravadora, a americana Arista Records. Trabalhando com um grupo de renomados produtores – entre eles o fundador da empresa, Clive Davis e o haitiano Wyclef Jean – Carlos renovou seu jeito de tocar, trocando as longas jams e solos por um rock mais comercial e vendável – ainda que não menos latino.

                Outra aposta foi aquela tática conhecida como “chama os muleke”: quase todas as 14 faixas do disco contém algum convidado especial. The Calling tem o arroz-de-festa Eric Clapton. Lauryn Hill empresta sua voz em Do You Like The Way e o rapper Everlast faz um dueto em Put your lights on. Os conterrâneos do Maná deram vida a Corazón Espinado (mais lembrado num daqueles covers horríveis do Leonardo) e Rob Thomas, vocalista do Matchbox Twenty, ajudou o guitarrista a marcar os anos 90 com sua canção mais conhecida – e cantada, e dançada...

                Com uma forte campanha, clipes nas paradas da MTV e solos de guitarra lindos, mas curtinhos, Supernatural mostrou um novo conceito do músico. A música latina, graças à grande comunidade instalada nos EUA, finalmente caiu no gosto dos países anglo-saxões (caso do próprio EUA, do Canadá e nações europeias). Para que isso acontecesse, houve um preço a ser pago: quase tudo é cantado em inglês e o som lembra mais um pop do que a velha salsa dançante.

                Desde o seu lançamento, o disco estourou em todas as paradas ao redor do globo. Em 35 anos de carreira, um Grammy por Blues for Salvador e, em uma noite, oito. Em mais de 10 países ele chegou ao topo das paradas. Discos de platina? Apenas 56 (e um de diamante no Canadá).  Além das 30 milhões de cópias vendidas, ficaram canções que até hoje são símbolos da América latina – olha, se você nunca dançou Corazon Espinado ou Smooth...

Santana e Rob Thomas em Smooth. Dancei muito inclusive. (Reprodução:Youtube)

*

                Muitas noites de farra – como a noite da festa pós-Grammy – ocorreram para o mexicano desde então. O sucesso veio, o reconhecimento veio, mas a obra-prima... bem, ficou difícil equiparar um desses. Alguns álbuns dele seguiram uma regularidade pelos anos 2000, caso do Shaman (2x platina) e do seu mais recente disco, Shape Shifter, lançado ano passado. Hoje ele vive como Elvis viveu seus últimos dias: fazendo shows em cassinos de Las Vegas (próximo show dia 11 do mês que vem). Com 66 anos, ele entra na nossa categoria simpática: a dos vovôs do rock.


 (P.S.: setembro vêm aí. E o mês dos shows promete aqui na coluna. Aguardem!) 

Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: guilherme@revistafriday.com

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Eu Acho que Já Ouvi! #2- Baby, Can I Hold You?

Quem já se deparou naquela situação complicada onde a emoção teima em falar mais do que a razão?  Quando um pedido de desculpas não soa tão verdadeiro?  As palavras se perdem no ar, ficam sem sentido. Apenas um abraço é o único remédio para acabar com essas impressões insanas de sentimentos.


Tudo que eu citei ai em cima são conclusões do óbvio. Ao ouvir o rádio domingo de manhã, tocou uma canção que começa mais ou menos assim “Soorry.. Is all that you can say... lalala”.  Então hoje vou contar um pouco de quem está  por detrás desse hit famoso. A música "Baby, can I hold you"  é conhecida e executada em qualquer parte do mundo, mas ainda não ao ponto de saber quem canta de fato. Conheço gente que tem certos equívocos após ouvir, em relação a “identidade sexual” , digamos assim, do artista em questão.


Dona de uma voz grave muitas vezes confundida com a voz masculina, Tracy Chapmam é uma cantora de folk, blues e soul norte-americana. Desde criança ela toca guitarra e compõe. Com isso, teve a oportunidade de ingressar em um projeto chamado "A Better Chance", voltado a identificar nacionalmente crianças negras talentosas para o desenvolvimento acadêmico, o que lhe permitiu frequentar a Wooster School, em Connecticut, e posteriormente a Tufts University, em Medford (Massachussets).





Em maio de 2004, a Tufts University concedeu-lhe o título de doutora honoris causa em Belas-Artes, por sua contribuição como uma artista socialmente engajada e por suas realizações artísticas. Chapman tornou-se, depois disto, uma artista ligada à Anistia Internacional, participando da tour "Human Rights Now!".
 Segundo algumas fontes Chapman tornou-se uma das mais influentes artistas no meio universitário norte-americano nos anos 80.


A sua vida pessoal é um livro fechado e lacrado. Mas a autora ganhadora do premio Pulizer pelo best seller a "Cor Púrpura"  Alice Walker afirmou em uma entrevista que teve um relacionamento amoroso com Chapman. Ela explicou porque elas não deram publicidade ao relacionamento à época, dizendo que este "era delicioso e adorável, maravilhoso, gostei intensamente. Eu estava completamente apaixonada por ela, mas isso não dizia respeito a mais ninguém além de nós."
 

Pois bem, agora com toda essa informação vamos curtir alguns de seus sucessos. "Telling Stories", "Talkin bout a revolution" e "The Promise"

  
Tracy Chapman



                                                                           


Por: Paloma Saints
De: Matão-SP
Email: p.saintslive@gmail.com

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21 de maio de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #12 – Quando as criaturas vencem os mestres

Esses dias acabei, por uma exceção única do destino, indo parar numa balada da augusta pra ver uma banda cover do The Who.  Para os quatro membros da banda, uma missão, no mínimo, difícil pra caramba. E eles até que se saíram muitíssimo bem – tirando o vocalista, que não sabia cantar e fodeu com o show. Mas tudo bem, um show aceitável.

E então chegamos ao assunto de hoje: covers. Covers, a declaração inacabável de lealdade e inspiração sobre uma banda, uma prova de que se gosta tanto dela que você abre espaço na própria criatividade e acaba tocando as músicas...DELA! Muitas das maiores bandas de hoje começaram com covers e, salvas raríssimas exceções, continuaram com tais depois da fama. Porém alguns deixaram espaço cativo para as homenagens. E foram além: conseguiram ir além, tornando a música melhor ainda.

O mestre, um dia, pode superar a criatura. Vamos a alguns exemplos:



1) Eric Clapton em “Crossroads”

        Qualquer um que aceite a frase “Clapton is God” acredita que essa música é o petardo mais violento do Cream, a primeira superbanda da história. O que pouca gente se lembra é que Crossroads (nascida Crossroads Blues) é bem anterior que a versão de 1969, do álbum Wheels of Fire. A criação do dito “primeiro rock da história” é de 1936, do lendário bluesman do Delta Robert Johnson.  Era só um violão, em frente a um microfone, com um slide, uns acordes muito estranhos e uma letra sobre encruzilhada. 

           O que ele quis dizer com isso a gente nunca vai saber, e tentar explicar levaria uns 10 posts desses. Mas Clapton apenas tirou a letra, acelerou a melodia num blues elétrico. E colocou o solo mais fenomenal já criado até aquela época. Feroz, ritmado e mesmo assim charmoso – Crossroads venceu Crossroads Blues.




2) Johnny Cash em “Hurt”



             Todo mundo lembra do Trent Reznor, aquele cara maneiro do Nine Inch Nails, mais por aquele  clipe bizarro de Closer do que por essa obscura composição de 1995 do álbum The Downward Spiral. Não consegui pensar, em todo esse tempo, como Johnny Cash chegou a ouvir essa canção, tão diferente do universo country americano.

             Mas ele ouviu. E a partir disso criou uma música que me faz chorar até hoje. Aliada com um clipe que ganhou prêmios quando foi lançada em 2002, tem uma música ainda mais emotiva, ainda mais melancólica, que mostra quem era Cash à época da composição: um ser abalado pela doença do amor da sua vida, June Carter (ela faleceu pouco depois); um ser pronto para o acerto de contas e, mesmo assim, o homem de preto assume o papel de lenda. Assim, a faixa 2 do The American Records IV acabou sendo o último single em vida do cantor, que veio a falecer em 2003.

        E também tem o cover de One que é simplesmente tocante.

3) Derek and  the Dominos  e “Little Wing”

        Eis um caso para unir os dois lados da moeda: até hoje ninguém consegue decidir entre Eric Clapton ou Jimi Hendrix no cargo de “Deus do Rock”. Mas, como o primeiro revela em sua biografia, ambos eram muito amigos, já caíram bêbados em calçadas inglesas nas baladas da vida e Eric também admite: perdeu o chão quando soube da morte do amigo, em 1969, vítima de overdose. 

       Deve ser por isso que Clapton, membro principal da Derek and the Dominos, escolheu essa como um dos covers do único álbum da banda – um que a gente já discutiu aqui. O original, presente no álbum Axis:Bold as Love de 1967, é composto de 2 minutos e meio de um groove com a guitarra e poucos efeitos, acabou virando uma versão mais romântica, de cinco minutos e meio com ainda mais guitarras – Clapton divide os solos com Duane Allman.  Fora o riff que simplesmente frita os neurônios.




4) Vários autores e “While My guitar Gently Weeps”

         Por fim mas não menos importante, uma obra dos Beatles. Para evitar polêmicas até, vou citar uma das várias canções que os covers já tornaram melhor. Essa, uma das dezenas de músicas do White Album  em 1968, fez um grande sucesso na época. Mas ganhou cover que, quase sempre, trouxeram mais emoção do que os 4 minutos e tanto da original.

Até agora, nessa lista, um nome tem sido comum. Você já deve ter notado e...sim, ele está aqui de novo! Clapton não só fez um cover magnífico dela em 2002, em um concerto em memória a George, como fez o solo na canção original também. Junto com ele, guitarristas como Prince (sim, aquele Prince) e Santana também fizeram suas versões.

Mas vamos deixar essa pra aquela que é a versão mais longa e emotiva da canção. Coube a Peter Frampton, o guitarrista ex-galã que estourou nos anos 70, retrabalhar a base de Harrison para um solo de guitarra mais planejado, com uma crescente que vai à um clímax que  faz todo o tempo ouvindo valer a pena. Pra escrever estre texto, a ouvi quase que 10 vezes sem parar

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***
         Existem dezenas de outros covers que são excelentes, outros também melhores que a original, e isso daria post pra mais de metro. Então nos vemos em breve. 

Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: guilherme@revistafriday.com.br

15 de janeiro de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #3 - Uma aula de Blues


Layla and another assorted songs _ Derek and the Dominos (1970)
Polydor
Nota: 9.7 / 10



            Não é preciso ir longe para entender o porquê de, durante os anos 60, tantos muros em Londres conterem a pichação “Clapton is god”. O ícone da Fender Stratocaster até hoje tem uma habilidade literalmente divina, que lota estádios mesmo cinquenta anos após o início da sua carreira. Alguns deles, como “Cocaine” e “Bad Love” são referências até hoje pra qualquer um que aprecie um bom rock.
            Quase sempre agindo como um músico mambembe, Clapton tocou em diversos grupos nos anos 60, tais como os Yardbirds, o Blind Faith, o John Mayall and the Bluesbreakers, além do Cream. Na virada da década, procurando mais o anonimato de uma banda comum, Eric juntou amigos para um supergrupo- por mais irônico que isso pareça: o Derek and the dominos (nome criado em cima da hora do primeiro show, sem nenhuma razão em especial), que só teve uma obra. Obra esta que poderia ser facilmente exibida em um museu.
            Layla and anotherassorted songs foi gravado em Miami, e contou, em grande parte das músicas, com Duane Allman, guitarrista solo da Allman Brothers Band e considerado o melhor da terra do Tio Sam em termos de blues- em todos os tempos. Com essa química rolando no grupo (fora a outra “química” que deixava-os chapados), o que se tem nesse disco é um misto de improvisação, covers e composições inéditas que demonstram uma força incrível dos dois guitarristas.
            As três primeiras faixas são composições do grupo, que ainda não tinha Duane participando. “I looked away” e “Bell Bottom Blues” são mais românticas, enquanto “Keep on Growing” é uma canção elétrica, com solos mais destacados. Entre os covers, uma versão ”Nobody knows when you’re down and out”, que é o famoso blues que canta as tristezas da vida, além de uma bela improvisação sobre a já espetacular “Little Wing” de Jimi Hendrix.
            Uma das músicas que mostram como a dupla Clapton-Allman foi produtiva é a faixa 9, “Why does love got to be so sad”, uma disputa acirrada de solos longos e travados nota a nota entre os dois. Só quando se ouve pela décima vez consegue-se notar quem é quem dentro da maestria de notas.
            A outra canção é Layla.
            Famosa por aquela versão acústica, conhecida nas rádios e rodas e violão, que Clapton fez em 1992, a faixa-título, em sua versão original, é explosiva e perfeita. A letra,baseada tanto em uma lenda oriental antiga quanto no amor platônico de Eric com Patti Harrison, tem uma primeira parte como um blues moderno, novamente protagonizado pelas disputas entre os guitarristas. Subitamente a música muda para uma coda em piano em dó maior, feita pelo bateirista Jim Gordon, que torna a música macia, quase melancólica. Duas faces de uma mesma música, que se juntam em uma harmonia incontestável.
            Pouco após o lançamento do disco, Duane Allman morreu, ainda com vinte e tantos, vítima de um acidente de moto. Isso, aliado com brigas e críticas da mídia acusando Clapton de usar a banda para se promover– o que ele nega veementemente – fizeram com que a Derek and the Dominos fosse enterrada logo após o fim de sua última faixa, a balada “Thorn tree in the garden”. Mas não há problemas: esse álbum, com a belíssima capa assinada por Émile Schonberg, não faria feio em qualquer museu do mundo.

Por: G.L. Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email:  

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