Todo mundo
parece estar se divertindo muito em Trapaça, o novo filme de David O. Russel.
Os atores - quase todos eles já trabalharam com o diretor no passado - tiveram
papéis extravagantes que se estendem de forma surpreendente, e Russell lhes dá
liberdade para se deixarem levar por esses personagens e correrem com eles.
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| Foto: Reprodução/Internet |
O filme
é vagamente baseado no chamado escândalo Abscam dos anos 1970, embora pareça que
o interesse de Russell nesta história seja apenas intermitente. Trapaça se revela uma meditação sobre “role-playing”, uma homenagem carinhosa a uma era e, acima de tudo, uma vitrine para um grupo de atores que o diretor claramente adora.
Essa devoção ao seu elenco permite que Russell produza alguns momentos
maravilhosos, porém em detrimento ao efeito geral do filme.
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| Foto: Reprodução/Internet |
Os atores parecem
disfarçados. Como Irving Rosenfeld, um malandro de baixa renda aparentemente feliz em ser insignificante, Christian Bale é uma mistura de cabelinho
esquisito e intestino pesado. Sua amante e parceira no crime é a bela Sydney Prosser
(Amy Adams), que às vezes brinca com um sotaque Inglês tenso e traz uma
sexualidade provocante ao seu desempenho, coisa que nunca vimos antes em Adams. Seu golpe bancário os coloca em contato com um homem do FBI chamado Richie
DiMaso (Bradley Cooper), um agente ambicioso com um desonesto cabelinho crespo, que se perde nas possibilidades da operação policial, sempre em expansão, que ele
trama. Todos esses personagens estão sempre tentando mudar, assumir uma nova
persona, mas Trapaça continua empurrando-os em direções diferentes como a série
de elaborados empregos do casal protagonista.
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| Foto: Reprodução/Internet |
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| Foto: Reprodução/Internet |
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| Foto: Reprodução/Internet |
Claro que
Trapaça não aspira ser mais do que uma forma de passar o tempo no cinema. O
tímido cartão de abertura (“Algumas coisas
mostradas aqui realmente aconteceram ”) e o bizarro detalhe da década de 70 devem
rapidamente lhe dar uma pista para o fato de que o filme é uma espécie de
brincadeira. Mas a minha decepção resultou mesmo do fato de que eu não me
diverti tanto quanto senti que deveria – o meu prazer foi continuamente interrompido
pela construção irregular do filme –, e que eu poderia ver momentos de
potencial não realizados aqui. O estilo de Russell pode gerar um eletricidade legítima,
mas ele muitas vezes parece feliz demais a frente de montagens
definidas de músicas clássicas dos anos 70, sem a disciplina necessária para
parar o filme a partir da sensação de inchaço e permitir que o enredo se afaste
para o final. Tem ocorrido muita conversa a respeito de Trapaça ser um pouco mais
do que um pastiche de Martin Scorsese, mas eu não o vejo dessa forma. Este é muito mais um filme de David O. Russell, e o único trabalho que
parece uma pálida imitação do seu próprio autor.
Até mais ler.
Até mais ler.
Por: Pietro Tarantelli
De: São Paulo
Email: tarantellipietro@gmail.com
























