George
Clooney é um bom ator e uma grande estrela de cinema, mas as qualidades que fazem
dele uma presença de tela tão atraente – seu carisma, seu toque light para a
comédia, sua facilidade para gravitas – parecem abandoná-lo de imediato assim
que ele pisa atrás de uma câmara. Os filmes que ele fez desde sua enérgica e
criativa estreia com “Confissões de Uma Mente Perigosa” (que agora se parece
com o trabalho de um diretor completamente diferente) foram imagens
generosamente montadas, nostálgicas e de bom gosto, que lidavam com noções de
honra e decência. Elas também têm sido bastante monótonas.
![]() |
| Foto: Reprodução/Internet |
A vergonha de
tudo isso é que Clooney tem um bom olho para uma grande história, ele
simplesmente não tem a capacidade de realizá-la. Ele parecia ser o homem
perfeito para fazer um screwball comedy (ou comédia maluca, como preferirem) dos anos 1930, mas a sua mão pesada na direção matou qualquer
sentido de charme, humor ou diversão que poderia ter possuído, e Caçadores de
Obras-Primas sofre um destino semelhante. Há muita promessa nesta história de
soldados americanos sendo enviados para a Europa devastada pela guerra para
salvar as grandes obras de arte que estão sendo sistematicamente destruídas ou
roubadas por Hitler. Clooney define o filme como uma brincadeira no estilo “Onze Homens e um Segredo”, abrindo com uma
elegante sequência de reunião de amigos, e nós introduz a um conjunto de
artistas que parece nos prometer um bom tempo na poltrona.
![]() |
| Foto: Reprodução/Internet |
George Clooney,
Matt Damon, Bill Murray, Bob Balaban, John Goodman, Jean Dujardin e Hugh
Bonneville estrelam como os soldados alistados para o serviço, com o britânico Dimitri
Leonidas trazendo a idade média pra baixo e Cate Blanchett adicionando uma
presença feminina insignificante. Os atores estão emparelhados
em narrativas separadas que correm paralelas ao longo do filme, mas tudo o que
fazem é sempre estranhamente suave e maçante. Damon e Blanchett fazem alguns
gestos indiferentes acerca do romance entre os dois antes de, eventualmente, se
deixarem levar, enquanto Bill Murray e Bob Balaban são configurados como uma dupla
cômica que vive brigando, mas suas breves piadas são entregues com tão pouca
faísca ou convicção, que é como se nós os observássemos em um ensaio inicial, lendo
a primeira página.
![]() |
| Foto: Reprodução/Internet |
![]() |
| Foto: Reprodução/Internet |
Talvez o
velho George esteja querendo nos dar a impressão de que o sentido de camaradagem
que um filme como este nos propulsiona forma instantaneamente, através de grandes
estrelas de cinema, algum tipo de alquimia. Ele não faz nenhum esforço para
desenvolver esses personagens e suas relações anteriores com os outros através
da narrativa; somos informados de que todos eles são tangencialmente ligados ao
mundo da arte – curadores, restauradores, etc. – mas eles parecem ter pouco
interesse ou perspectiva sobre as obras que estão procurando. Clooney mal nos
dá toda a oportunidade de vê-lo por nós mesmos, a não ser alguns pares de close-ups
apáticos e algumas breves cenas dos personagens de pé e totalmente mudos, na
frente de qualquer obra intacta ou destruída. A única forma de arte em si que realmente
conta no filme é através do tema central: se vale a pena arriscar a vida de um
homem para salvar tais quadros. Uma pergunta que Clooney pede apenas via
protuberâncias trabalhosas de narração, nunca realmente se envolvendo com ela
de qualquer maneira que não seja a mais fácil.
![]() |
| Foto: Reprodução/Internet |
Para falar
a verdade, fácil é a melhor palavra para descrever Caçadores de Obras-Primas, e
para descrever o trabalho de direção de George Clooney em geral. Ele faz uma
pose séria, mas não faz nenhuma tentativa de se envolver com a complexidade ou
a tragédia de seu assunto; ele está feliz em locomover sem esforço o filme
junto à superfície das coisas, e permite que seus atores façam o mesmo. Isso
possa talvez não ser um problema se você achou o filme envolvente e divertido de
qualquer jeito, mas Caçadores de Obras-Primas é irregular e sisudo, com Clooney
provando ser incapaz de infundir qualquer um dos momentos-chave com um
sentimento de tensão ou excitação. Em particular, duas cenas me chamaram
bastante a atenção: uma em que Goodman e Dujardin se encontram em apuros e que é
encaminhada da forma mais frustrantemente inepta possível, e, mais tarde, outra
cuidadosamente planejada e cômica em que um da equipe está em uma mina terrestre.
Essas duas cenas possuem todo o seu potencial para o perigo e para o humor, mas
são desperdiçadas por uma encenação e edição descuidadas que sugere que o
velho George só quer tirá-las do caminho. O que pode ter o atraído para este
projeto? É uma história de rachaduras, com certeza, mas não temos nenhum
sentimento de paixão ou urgência de assisti-lo em si. Para um filme
sobre o valor da arte, Caçadores de Obras-Primas é desconcertantemente ignorante.
Até mais ler.
Por: Pietro Tarantelli
De: São Paulo -SP
Email: tarantellipietro@gmail.com
























