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3 de maio de 2013

Sem rapidinhas , a moda é comer devagar ...

E daí você clicou porque pensou que o verbo na frase tinha outro sentido. Aviso que está enganado, campeão. 
Pode mudar de página. Pode fechar. Ou, pode continuar a ler o ínicio de mais uma etapa da Friday.
Inspiradas em tantas fotos de alimentos postadas no Facebook , Instagram e os escambais. Decidimos criar uma editoria especial para essa prática que tanto nos apetece, comer. Os gordinhos pira. A proposta é falarmos sobre restaurantes/ bares/ carrinhos/ barracas que servem diversos quitutes , sem preconceito. Por que não é só o D.O.M que merece destaque! A seguir, um texto para esquentar a nossa estréia neste universo de comilanças.
 
Imagina só você no formato de uma coxinha. Foto: Camiseta clássica vendida no Bar Veloso - SP

“Somos aquilo que comemos”.  Uma famosa frase dita desde nossos parentes até grandes especialistas na área da saúde.  Uma alimentação balanceada é consequência da nossa qualidade de vida. Uma sentença que demostra o quanto o pão nosso de cada dia reflete a sociedade que vivemos. Não são apenas músicas e artes que remetem à cultura de um país.

Por ser um ato que realizamos todos os dias, muitas pessoas deixaram de notar o quanto a culinária reflete a cultura de um povo. A mania de fazermos tudo de maneira veloz, nos faz esquecer vários detalhes. Como exemplo,  o modo de como sentamos à mesa até o uso de temperos específicos que fazem nos transmitir a nossa história e identidade. Por exemplo, no Japão usa-se a expressão Itadakimasu, quando se inicia uma refeição. Palavra que significa gratidão pela comida. No Brasil, um ato similar ocorre quando encenamos o símbolo da cruz, representando, assim, um agradecimento pela refeição.

No Oriente Médio, é fundamental receber com pão e chá um convidado. Em algumas casas, há um ambiente especifico para receber a visita, junto do pequeno banquete. A culinária desta região é marcada por temperos doces e apimentados e, por vezes, gordurosos. (Mais uma vez o chá é bem-vindo, pois costuma-se servir essa bebida após as refeições, com o intuito de ajudar na digestão). Carnes como de carneiro e galinha são comuns. Grande parte da população pertence ao Islã, por isso a circulação de alimentos suínos é bem rara de se encontrar. (Nada de torresminho).

Lembrando o contexto histórico, ligado à cultura e gastronomia, vale dizer que, entre as panelas de Israel, não há apenas inspirações árabes, mas também tendências europeias. Pois muitos judeus antes da campanha para emigração do estado de Israel viviam na região da Europa Central. (A mudança de um povo significa muito além da localidade. Resulta na troca de ideias, temperos e costumes de uma nação)

Indo para a África, em especial ao Marrocos, a bebida símbolo do país é o chá-de-menta. Tradição é servir pelo menos três doses aos seus convidados e, segundo a lenda, há um significado para cada etapa bebericada. “O primeiro copo é tão amargo como a vida, o segundo é tão intenso quanto o amor e o terceiro é tão suave como a morte”. Um gosto adocicado, forte e amargo, todas essas sensações em uma pequena xicara.

Um exemplo nacional de comidinhas atravessando o século e o dia-a-dia de um povo é o acarajé. Um quitute que inicialmente era feito por escravas de ganho ou libertas. Além de comercializar, o bolinho servia de oferenda para santos e fiéis em eventos relacionados ao candomblé. Engraçado notar, e perceber a evolução do pensamento de um povo, pois uma receita com origem do candomblé, que inicialmente foi vista com preconceito, atualmente representa a cultura e a identidade de um país dominado pela igreja católica.

Isso tudo mostra como o produto que ingerimos representa um significado muito maior que apenas nos satisfazer. Demostra a batalha de pessoas que deixaram, em forma de receitas, a sua luta em diferentes espaços. São pratos que espelham a força de uma época, ideologias que atravessaram gerações e representam um território especifico. Podemos, assim, afirmar que realmente “somos aquilo que comemos”.  

Por: (Débora Komukai)
De: (São Paulo )