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23 de setembro de 2013

Ela ficou 738 dias em cima de uma árvore para evitar o desmatamento

Foto: Divulgação.


Dois dias após “comemorarmos“ o dia árvore, escolhi uma história antiga da década de 90, que ainda hoje serve de lição e se revela um caso de desobediência civil inspirador. É a história da ativista ambiental Julia "Butterfly" Hill.

Tudo começou em junho de 1997, quando Julia, na companhia de amigos ambientalistas, visitou o parque das sequoias em Sttaford, cidade do estado da Califórnia, na costa do pacífico dos Estados Unidos. Ela ficou tão impressionada com o que viu que entendeu que a preocupação com meio ambiente seria seu projeto de vida.

Em novembro do mesmo ano, em contato com o grupo de voluntários ambientalistas da Earth First, ela recebeu a informação de que o parque que havia visitado estava em risco de derrubada. Decidiu entrar na causa e batalhar pela sobrevivência das sequoias. 

O movimento conhecido como “Tree Sit” consiste em ficar empoleirado em árvores a fim de evitar a derrubada delas. Julia e outras pessoas revezavam entre dias e horas na estadia das árvores. Ela chegou a ficar 6 dias em cima de uma sequoia de 1000 anos e 60 metros de altura, da qual recebeu o nome de “Luna”, pelo fato de a primeira subida ter sido realizada à noite, tendo como única iluminação a lua.

Um mês depois de iniciado o projeto para salvar o bosque o grupo decidiu focar apenas em Luna, por ser a maior e uma das mais antigas. Em 10 de dezembro de 1997, na época com 23 anos, Julia decidiu subir em Luna, o que seria um período de uma semana transformou-se em uma jornada de mais de dois anos na companhia da sequoia milenar.


Foto: Divulgação.

Foto: Divulgação.



Foto: Divulgação.
Para que pudesse permanecer durante este tempo em cima da árvore, foi construída uma plataforma de três metros quadrados. Além disso, possuía uma barraca para proteção da chuva e ventos, um pequeno fogareiro para preparar a sua alimentação (que era fornecida com ajuda do grupo de ativistas), uma bolsa hermética para fazer as suas necessidades, uma esponja que utilizava a água da chuva para se lavar e um telefone móvel com painel solar para carregar a bateria, que utilizava para se comunicar com a impressa, já que o objetivo era a divulgação em massa da causa.


Foto: Divulgação.


Foto: Divulgação.


Foto: Divulgação.
 Além de ter que suportar doenças e a força da natureza, já que ela enfrentou um dos invernos mais rigorosos da história da Califórnia, havia um outro agravante, os esforços da Pacific Lumber Company (a madeireira que pretendia a derrubada) de tentar fazer Julia descer, o que incluía ameaças de diversos tipos, grandes refletores luminosos, buzina alta, a força do vento de helicópteros que se aproximavam da ativista e até um alpinista profissional contratado para forçá-la a descer. Sem êxito. Julia manteve-se firme em cima da árvore.


Foto: Divulgação/Eric Slomanson

Foto: Divulgação.

Foto: Divulgação

Após muitas tentativas de ambos os lados, os ativistas conseguiram um acordo com a madeireira, que previa a preservação de Luna e uma área tampão de 60 metros ao redor dela. Em troca disso, o grupo juntou por meio de diversas associações ambientais a quantia de $50.000,00, que deveriam, como parte do acordo, serem doados para universidade local.

Em 18 de dezembro de 1999, ela desceu da árvore, na época com 25 anos e deixou um exemplo de desobediência civil bem sucedido. Aos prantos e visivelmente afetada pelo tempo que permaneceu com a sua milenar companheira, se perguntava como alguém poderia derrubar uma árvore como aquela. Naquele momento Julia já era reconhecida como uma das maiores ativistas para proteção das florestas.


Foto: Reprodução/Youtube.






No ano seguinte os momentos vividos em Luna foram transcritos no livro autobiográfico intitulado The legacy of Luna (O Legado de Luna). Neste mesmo ano ela criou a organização Circle of life, para promover a educação ambiental e o ativismo. Hoje, com 39 anos, Julia ainda trabalha em prol das causas ambientais e sua história foi inspirada para livros, documentários, músicas e principalmente para outros ativistas da causa ambiental.


Capa do livro "The Legacy of Luna" Foto: Divulgação.
"Respeite os mais velhos" Foto: Divulgação
Fonte/Fotos: circleoflife.org, earthfirst.org e juliabutterfly.com
Por: Marcel da Silva
De: Blumenau - SC
Email: marcel@revistafriday.com.br

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