Uma vila abandonada, esta foi a primeira coisa que avistei ao acordar dentro do ônibus. Não olhei errado, era realmente isso. O local era uma antiga aldeia de pescadores chamada “Al-Jemail”, foi construída no inicio do século XVIII e abandonada nos anos 70. Antes grande parte da população do Qatar morava naquela região, vivendo basicamente da pesca.
Sou apaixonada por história, objetos e cenários antigos. Parecia uma criança em um parque infantil, me desliguei de todos, apenas peguei a minha câmera e comecei a fotografar. Entre um passo e um clique começo a notar o quanto era rico aquele cenário, dentre destroços e restos havia uma lembrança enorme naquele local. A água do mar rodeava o espaço, um mar que não fazia barulho, tão calmo quanto o lugar abandonado. É inevitável o pensamento de tentar imaginar como era tudo aquilo antigamente. Vejo o por do sol sentada em uma ruína, a luz encostava-se às águas, e todas as pessoas ao meu redor, respeitavelmente, pararam para contemplar aquele momento.
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| Vila abandonada "Al Jemail" |
Movimento-me e já me encontro em outra paisagem, em outro dia. Estava prestes a subir em um Dhow, um tradicional barco qatariano, rumo ao Golfo árabe. Consegui avistar a linha do horizonte de Doha.
Uma cena que adorava ver era a hora da reza, me explicaram que existem algumas “regrinhas” a serem respeitas neste momento tão sagrado, sendo algumas delas:
- A limpeza do seu corpo e vestes é fundamental, a mulher deve estar purificada da mestruação e suas unhas não podem estar pintadas. Deve-se cobrir o corpo feminino, deixando exposto apenas o rosto e as mãos.
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| Dhow , barco tipico do Oriente |
- Verificar a direção de Caaba, cidade sagrada, localizada em Meca. Eles aprendem desde pequeno como se orientar para o polo correto, por meio do sol, bússola ou das mesquitas locais.
- Não se deve interromper a oração com outros atos, como comer ou beber algo.
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| Tyrone , Fotografo National Geographic ( Por Débora Komukai) |
Todo dia escutava o som vindo das mesquitas, espalhadas por diversos pontos, chamando os fieis para o momento da oração. A cidade parava, era como se você estivesse cercado de pessoas, e em apenas um minuto todos sumissem ( até policiais). Pensem só como seria o centro de São Paulo sem policias? Nem que fosse por apenas alguns segundos, tudo viraria um caos. Lá não, tudo ficava em ordem, como estava.
O único dia que não escutei a chamada da mesquita foi na noite que acampei no deserto. Não sei muito o que descrever sobre este dia . Não sei se há descrição. Imaginava algo bem diferente antes de chegar. Rolei pelas dunas e quase morri para escalar tudo aquilo de novo. Consegui avistar a fronteira que liga o Qatar com a Arábia Saudita. O frio exalava , cheguei a ficar com 6 blusas e uma toca que tampava o meu rosto inteiro. O acampamento parecia uma rave , havia um DJ por lá , e quando notei já estava dançando no meio de toda aquela areia , os funcionários olhavam de um jeito estranho, ou será que era eu que dançava estranhamente? (fica a dúvida). Minha maior dica é , todos que forem um dia ao deserto devem parar tudo e deitar , nem que seja por alguns segundos , naquela areia fofa e gelada junto ao céu.
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