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14 de janeiro de 2014

[+18] Intimidade não é tudo

"Todo dia ela faz tudo sempre igual..." e, por mais que você não seja sacudido às seis horas da manhã, uma hora seu despertador grita (e você grita por dentro por mais 5 minutinhos). Levanta, faz xixi, escova os dentes, toma café, pega o(a) carro/ônibus/bicicleta e sai para o(a) trabalho/escola/obrigação. Esses são afazeres do seu cotidiano que você realiza no automático, tão metódico é a rotina de alguém que cumpre horários. Aí você adiciona seu/sua companheirx a essa rotina e pronto: temos o prato preferido em matéria de "reclamações" quanto ao sexo entre os casais. 

                             
                                                                     lupompoar.com.br

Quando pensa em sexo o que vem a sua mente? 
Eu penso em liberdade. Liberdade para agir, gostar, gozar, pensar, imaginar... O sexo é meu e eu realizo da maneira que eu bem entender, certo? Errado. Se você é um cidadão do mesmo mundo que o meu, você tem tarefas a serem cumpridas na hora que são determinadas a você. "Meu maior prazer é fazer sexo às 14h da tarde", uma pena se você trabalha a essa hora. De fato, não é fácil conciliar os prazeres a dois com a vida atarefada pela rotina. 
Felizmente, quando se namora, a intimidade no sexo ganha outras proporções. O erotismo cede lugar a naturalidade e o fato de você poder levar brinquedinhos e propor outras "cositas más" pode ser encarado com normalidade sem muitos julgamentos. A depilação fica em segundo plano, a cueca furada e a calcinha bege não parecem assim tão assustadoras e você até já acostumou com aquela fungada estranha que seu/sua namoradx faz quando está quase lá. Xingamentos escandalosos e obscenidades são bem vindos e o céu é o limite. Mas, e quando chegamos nesse limite? Os dois estão na cama depois de um longo dia de trabalho e a vontade não vem. Ou o que é pior: vem apenas em um e o outro cede por obrigação. E aí, meu bem, o sexo caiu na rotina. 
Não estou dizendo que o sexo comprometido não seja bom e que todos irão morrer de tédio. Cada situação é uma e cada relacionamento é diferente. Cabe a você, amigx comprometidx, ter jogo de cintura e não deixar a peteca cair, por mais que a rotina do seu dia a dia seja exaustiva. O sexo deve ser a hora do seu relaxamento, da sua criação e arte, nunca linear. 
Por essas e outras, falo com a boca cheia que sexo sem compromisso não é nenhum pecado. Sexo envolve experiência, como tudo na vida. É treinando que se chega a perfeição, não é? Mesmo com esse mundo formado por Tinders, Badoos e Lulus, o sexo causal ainda é um tabu. Por mais descoladx que a pessoa seja, haverá um comentário do tipo: "Ficou sabendo que fulano comeu fulana? E que fulana deu para fulano?" ~le cara de abismadx~ E aí eu vos pergunto: E daí? Foi você o comido/comedor? Não? Então encerra-se o papo por aqui. 
O sexo sem intimidade também tem suas vantagens. Por não haver um relacionamento comprometido entre os seres, a cobrança de si próprio por um sexo de qualidade é maior. Você quer mostrar ao seu parceiro que você é bom, se engaja de corpo e alma. Você quer que aquela pessoa lembre de você como alguém inesquecível, bom de cama, que te deseje para sempre. Essa cobrança não existe em um relacionamento estável pois sabe-se que aquela pessoa é sua, está ali, não vai embora (ou é o que você acha). Claro que o sexo comprometido tem toda aquela história de sentimento, pessoa certa e blábláblá mas, às vezes, para o sexo em si, isso não é o suficiente. Você tem admiração mas não tem tesão. Ninguém fica excitadx porque ele/ela é uma pessoa bondosa, faz caridade e gosta da sogra. O sexo casual é puro tête-à-tête, compatibilidade de pele. Por isso é intenso e inesperado. E então, o sexo magnífico chega ao fim e talvez você nunca mais veja a criatura. Porém, o sexo também pode ser péssimo e só te resta rezar para Nossa Senhora Desatadora dos Nós para que se desfaça essa merda o mais rápido possível! Sim, tudo tem os seus prós e contras. 

                        
                                                           www.geralforum.com.br

Não existe a fórmula mágica para um relacionamento sexual perfeito. Não é porque não foi tão bom hoje que será horrível amanhã. Para um relacionamento estável, a resposta é tão óbvia quanto o nome "relacionamento" (que deriva de "relacionar", palavra que envolve mais de uma pessoa, caso não tenha percebido): você não está sozinho. Tem alguém esperando algo de você. Saiba interpretar os sinais dx seu/sua parceirx, não tenha medo de conversar sobre a vontade de transar ou a falta dela. Proponha situações novas, saia da mesmice do papai e mamãe antes de dormir, surpreenda e não seja egoísta. Não é fácil levar o sexo comprometido e inovar todos os dias, eu sei. Mas, é bem mais difícil se não houver diálogo e deixar que aquela atmosfera estranha e pedante tome conta do seu momento de intimidade. No relacionamento casual, sua expectativa é a sua motivação. Claro, haverá dias que teria sido melhor não ter saído de casa, mas toda experiência é válida. Não venha me falar que não é bom conhecer as várias maneiras de sexo e que preferia um só para sempre. Pode até ser, mas aí a justificativa seria no âmbito amoroso sentimental, e eu não estou julgando isso agora. Não importa como, todo sexo é bom a sua maneira e todos podem melhorar, basta mudar o jeito de encarar o assunto e o jeito de agir. Acredite: não há Chico Buarque que aguente um cotidiano tão monótono.


Por: Bruna Oliveira
De: Campinas - SP

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