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20 de setembro de 2013

Resenha: Os homens que não amavam as mulheres - Stieg Larsson


O jornalista econômico/investigativo e CO-proprietário da revista MillenniumMikael Blomkvist, juntamente com sua amiga de faculdade e amante, Erika Berger, se vê sem rumo certo em sua carreira após uma reportagem de cunho incriminatório sobre o magnata das indústrias, Hans-Erik Wennestrom. Depois de perder um processo por calunia e difamação e sem poder mostrar a verdade dos fatos que o levaram a incriminar Wennestrom, ele resolve deixar a revista por um tempo até que seja dada sua sentença e ele cumpra o tempo de prisão que lhe for ordenado pela justiça. A principio, Erika não gosta muito da ideia, mas acaba cedendo e emite um comunicado oficial a imprensa sobre a saída de Mikael da redação da Millennium.

É então que Mikael recebe a ligação de Dirch Frode, advogado e amigo pessoal do ex-industrial e diretor da cadeia de empresas da família, Henrik Vanger, que oferece ao jornalista um trabalho onde irá receber uma quantia considerável, haja vista a perda que Mikael teve com os honorários do processo e a multa que terá de pagar à justiça. A principio ele não aceita, mas o advogado o convence a ter uma reunião com o próprio Henrik, que explicará o que será feito e como deseja que o trabalho seja realizado. Na reunião, Mikael é surpreendido ao descobrir que já estivera no gabinete de Henrik quando criança. Durante os minutos que esteve no gabinete a proposta de Henrik é lançada a Mikael: escrever uma biografia sobre a tão conturbada família Vanger e descobrir quem matara sua sobrinha neta, Harriet Vanger. Mesmo não acreditando que vá achar alguma pista nova depois de tantos anos de investigação e de nunca terem encontrado o corpo de Harriet, ele decide aceitar o trabalho.

Mikael vai morar na pequena cidade de Hedestad, em uma casa cedida por Henrik para que ele realize todas as suas pesquisas e esteja em contato direto com ele e com alguns dos prováveis suspeitos de ter dado um fim em Harriet. Nos primeiros dias no local ele está focado em escrever a biografia da família – que por sinal, é umas das mais complicadas e cheias de mistérios obscuros que já vi. Durante suas investigações ele descobre novas pistas que podem levar ao desfecho do sumiço da jovem. Durante uma conversa com Dirch, Mikael fica sabendo, sem querer, que foi solicitada uma pesquisa sobre sua vida antes da contratação e que uma certa garota havia redigido um relatório detalhado sobre ele. É nessa hora que Lisbeth Salander entra a fundo na história. Depois de ler todo o relatório e de ficar impressionado com o potencial investigativo de Lisbeth, Mikael pede que Dirch a contrate para que o auxilie na pesquisa de algumas pistas. Lisbeth é sem dúvida uma personagem incrível e cheia de características que a marcam, ela é única. Em momento nenhum da leitura você consegue deixar de perceber a presença dela. Stieg Larsson foi deveras feliz na criação dessa personagem, não que outros não tenham tanto peso, mas ela é completa e ao mesmo tempo vazia. Ela tem vinte e cinco anos, mas tem uma aparência de uma menina de quinze, gosta de se vestir de preto, usa piercing, odeia que as pessoas se intrometam em sua vida e faz tudo a sua maneira.

Ela ajuda na pesquisa das pistas e acaba descobrindo que o sumiço de Harriet está ligado a morte de várias outras mulheres. Martin Vanger é o atual diretor das empresas Vanger, sobrinho neto de Henrik e irmão de Harriet. Seu nome não é cogitado como suspeito do desaparecimento da irmã, mas algumas provas mostram que não é bem assim e Mikael descobre da pior forma possível a verdade por trás de tudo o que aconteceu no fatídico dia em que a jovem sumiu.

Os homens que não amavam as mulheres é o primeiro livro da trilogia Millennium escrita pelo jornalista sueco Stieg Larsson, falecido em 2004 aos 50 anos. A trilogia é um fenômeno de vendas em todo o mundo e já foi adaptada para a TV em duas versões: sueca e uma recente norte-americana, que traz no papel do jornalista Mikael Blomkvist o ator Daniel Craig (007 - Operação Skyfall).

 Indico muito a leitura do livro por ter um enredo sólido e sem brechas – tem horas que você esquece que está lendo um livro de ficção e pensa que tudo é a mais pura verdade. Acho que o livro também é super indicado para estudantes de jornalismo – como eu – ou mesmo para os profissionais da área. O livro traz muito da profissão do jornalista: questões éticas, como a proteção de uma fonte quando essa deseja que seu nome não seja divulgado, e a concorrência que, querendo ou não, acontece na profissão. 

É isso pessoal. Espero que tenham gostado da resenha, comentem o que acharam e se já leram o livro e deixem suas impressões nos comentários. 


Sobre o autor:

Stieg Larsson nasceu em Skelleftehamn, na Suécia, em 1954. Foi um dos mais influentes jornalistas e ativistas políticos de seu país e trabalhou na destacada agência de notícias TT. À frente da revista Expo, fundada por ele, denunciou organizações neofacistas e racistas. É co-autor de Extremhögern, livro sobre a extrema direita em seu país. Por causa de sua atuação na luta pelos direitos humanos, recebeu várias ameaças de morte. Em 2004, aos 50 anos, pouco após entregar aos seus editores a trilogia Millennium, morreu vítima de um ataque cardíaco.




Por: Leonardo Souza 
De: Porto Velho - RO
Email: leonardsouza_ss@hotmail.com

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