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24 de fevereiro de 2014

Be unique like Shaun Ross!

Ele é modelo, afro-americano, gay e albino... Meio difícil se orientar com tantas "classificações", certo? Mas Shaun Ross dispensa os rótulos sociais e prefere ser considerado apenas como "o primeiro modelo negro e albino dos Estados Unidos". Modesto? 

Nem um pouco para quem já estava se acostumando com o clássico (e estúpido) bullying americano (e mundial!), quando sua rotina deu um giro completo e ele acordou nos braços de Beyoncé, Lana Del Rey, Ricardo Tisci e nas capas de diversas revistas de moda em todo o mundo. Ponto pra ele, mas tudo isso não foi nada fácil.

Shaun nasceu no Bronx, Nova Iorque, em maio de 1991. Sua família, toda formada por negros, foi surpreendida por um bebe branco e a resposta veio depois de alguns exames: ele tinha albinismo (um tipo de mudança congênita caracterizada pela ausência completa ou parcial de pigmentos na pele e nos olhos), mas em níveis menores, já que Shaun possui olhos esverdeados e enxerga normalmente. 
O combo "perigo" (negro, pobre e gay) tão pregado pela sociedade americana (e mundial - novamente) crescia a cada descoberta do menino, que mesmo sofrendo violência nas ruas e até mesmo na escola, insistia em chamar a atenção. Na adolescência, ele se interessou por dança e decidiu se especializar no assunto. Em 2008, aos 16 anos, Shaun publicou um vídeo com uma breve performance e foi aconselhado por um fotógrafo a se apresentar, como aspirante à modelo, para um agente francês que estaria na cidade na semana seguinte. 

O tal agente era sócio da agência de modelos Djamee Models, que o aconselhou a entrar no mundo da moda e do entretenimento. Tempos depois, Shaun conheceu P-Diddy, que tinha um amigo que era primo de um cunhado irmão da tia do vizinho de Kanye West. E assim, o modelo fez sua estréia pop no clip E.T. da Katy PerryA partir daí, vieram editoriais e campanhas em revistas como Vogue, GQ, Zink, UmNo, Bullet, West East, Portrait, Ford Motor, CHAOS e inúmero outros títulos com nomes difíceis e que são SUPER importantes para o mercado de moda internacional. 
A moda das passarelas também se interessou pelo estilo único do rapaz. Ricardo Tisci, com Givenchy, e Sarah Burton, para Alexander McQueen, levaram o modelo para integrar o casting em coleções de Inverno e Verão. Se destacando pela singularidade e estilo nas ruas, ele virou estrela do streetstyle e artista preferido dos paparazzi de Nova Iorque, Milão e Paris. 
Shaun também participou de programas da tv americana e inglesa, atuou em filmes premiados pela Vogue Itália, pontas em American Horror Story, participou como colunista do Huffington Post escrevendo sobre a cultura do corpo, e comoveu meio mundo ao contar sua história de vida no talk show de Tyra Banks, junto com a modelo Diandra Forrest, a primeira modelo albina da África. 
Lana Del Rey também o convidou para seu curta Tropico, e mais recentemente, ele também pôde ser visto na companhia de Beyoncé nos clips Pretty Hurts e Party. Aproveitando a onda da luta contra a beleza perfeita, ele se tornou ativo em diversas redes sociais e usa com frequência a hashtag #inmyownskiniwin em seus perfis para dizer que mesmo sofrendo um preconceito massante, deu a volta por cima e conseguiu seu lugar ao sol, influenciando outros milhares de jovens que também passam pela mesma situação. 

Shaun enxerga que a sociedade está vivendo uma fase de quebrar tradições, principalmente com relação à opção sexual, estilo de vida e moda, da geração atual (e isso é muito valioso, mesmo com o cenário meio sangrento em lugares como Rússia e, claro, aqui no Brasil).
Em certa entrevista cedida para a Elle americana, o modelo comentou que "jamais havia pensado em seguir carreira na moda e que nunca iria contribuir para nada cultural, pois todos os que participavam eram perfeitos e belos demais", um mercado que nunca iria aceitar a sua "diferença". Pobre Shaun, errou feio! 

Por: Denilson Prata
De: São Paulo - SP
Email: denilsonprata@hotmail.com

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