#05: Visibilidade Trans

Confira na capa do mês de fevereiro da Revista Friday, uma entrevista sobre os desafios de uma pessoa trans, com a ativista LGBT Rebecka de França.

INTERNET: Mudanças, tecnologia e Google+

Confira algumas mudanças que o google+ realizou para agradar os usuários.

Conexão Canadá: Vancity- The Journey begins

Camila Trama nos conta um pouco de seu intercâmbio em alguns lugares do Canadá.

CINEMA: Sassy Pants

Rebeldia, insatisfação e as paixões fazem parte do cotidiano de todos os adolescentes, confira a resenha do filme Sassy Pants.

VITRINE: O universo feminino de Isadora Almeida

Inspirada por ilustrações de moda, estamparia e coisas que vê por aí, conheça o trabalho da ilustradora mineira Isadora Almeida.

Mostrando postagens com marcador homofobia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador homofobia. Mostrar todas as postagens

7 de fevereiro de 2014

#05: Visibilidade Transexual

Em 2012, o Brasil registrou 338 assassinatos motivados por homofobia ou transfobia, segundo o Grupo Gay da Bahia, o mais antigo do Brasil. Os casos vem aumentando anualmente e, desde 2008, de acordo com o relatório da Transgender Europe, organização europeia, os casos do nosso país representam quase a metade do total de homicídios de transexuais no mundo. 
Ilustração: Fernando Braida

Felizmente, no Brasil e no mundo, pessoas com notoriedade não desanimam na luta contra o preconceito, como o Deputado Federal Jean Wyllys e o cantor Elton John. Durante os oito meses em que o pastor evangélico e Deputado Federal Marcos Feliciano ocupou a cadeira de presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, Jean não se fez de rogado e lutou pelos direitos que a comissão deveria defender. E Elton John, recentemente, manifestou-se contra a lei russa que proíbe a disseminação de propaganda gay entre menores.

Toda essa luta, ao longo dos anos, nos permite conhecer histórias de superação e conquistas - sempre com muitas batalhas. Histórias como a do João W. Nery, de 62 anos, considerado o primeiro transhomem operado no Brasil. João, no seu livro Viagem Solitária, conta um pouco das dificuldade que enfrentou, como ter que abrir mão de seus antigos documentos, inclusive diploma de psicologia. Outro caso, recente, é o da Laura de Castro, de 33 anos, que aproveitou uma licença do posto de Delegadx da Polícia Civil de Goiás para submeter-se a cirurgia de mudança de sexo.
Ilustração: Fernando Braida

Em 29 de janeiro foi comemorado o Dia da Visibilidade Trans, mas, como acreditamos que dignidade e respeito devem ser exaltados todos os dias, meses e anos, decidimos expandir a visibilidade para o mês de fevereiro. Começamos a respeitar o outro quando percebemos que ele não é um orientação sexual ambulante - e em suma ninguém é -, quando conhecemos sua história, dificuldades, sonhos... Por isso, para fomentar essa diversidade que só nos enriquece, entrevistamos a Rebecka de França, do Rio Grande do Norte, que atualmente está em São Paulo cursando o primeiro semestre do curso de pedagogia.

Rebecka se define como uma “meninona” avessa as entrevistas sérias e diz que vê nas borboletas um símbolo de liberdade. Nascida em 27 de março, mesmo que dia em que nasceram Xuxa, Renato Russo e Mariah Carey, de quem é fã incondicional, Rebecka tenta escrever uma história de sucesso como as destes ícones. A entrevista foi por e-mail e vale muito à pena!
Foto: Reprodução
Friday: Ainda no ensino médio você deixou o cabelo crescer e conseguiu que alguns professores te chamassem de Rebecka. Com quantos anos e em que momento você percebeu o interesse por homens e também quando se identificou como uma mulher, foi tudo de uma vez? 
Rebecka: Desde sempre! Lembro-me que na infância vi minha mãe e irmãos discutindo sempre com as pessoas porque diziam que eu tinha um jeito “diferente”. Sempre brinquei de bonecas, gostava de cor-de-rosa e meu super herói predileto era o SHUN de Andrômeda, dos Cavaleiros do Zodíaco (personagem que é meio andrógena e usa uma armadura cor-de-rosa). Meu desejo por meninos notei ainda muito nova, numa novela da Rede Globo. Não me recordo o nome, mas tinha um Clube das Mulheres, onde homens faziam strip-tease e aquilo me excitava. Nem sabia por que ficava daquele jeito, não sabia nada sobre sexo, mas me sentia atraída por aqueles homens de cuecas.

Já aos 15 anos, quando fazia o 1º ano do ensino médio, comecei a deixar meu cabelo crescer com a desculpa de vendê-lo depois (risos), mas, na verdade, era pra satisfazer meu eu feminino. Daí pra frente comecei a hormonização, roupas femininas, pintar unhas e descobrir que sempre fui TRANS, só estava esperando a hora certa!

Friday: A autoaceitação foi imediata ou levou tempo? Como foi lidar com os sentimentos e medos? 
Rebecka: Na verdade fui criada na igreja evangélica, a Igreja Adventista do 7º dia, onde também fui desbravador; então você sabe o que a igreja fala e pensa sobre homossexuais, no entanto, mesmo assim, conseguia identificar muitos lá. Chegou uma hora que eu não consegui mais esconder, resolvi abandonar a igreja e seguir minha vida solitária, pois muitas pessoas não gostam de ter amizades com pessoas TRANS. Mas graças a DEUS tive muitos amigos que nunca me abandonaram e estão comigo até hoje. Confesso que até hoje tenho sofrido com crises existenciais do meu eu interior, mas não tenho dúvida nenhuma de que se não fosse o que sou, não seria feliz. 
Tinha medo de andar sozinha na rua e acontecer algo, tinha medo do olhar maldoso das pessoas. Tudo foi muito lento pra mim, até hoje não consigo pegar ônibus lotado, pois todos me olham da cabeça aos pés!

Friday: Em casa, com a família, o que você esperava de reação aconteceu? Como foi? 
Rebecka: Fui criada a vida toda com meus avós. Meu avô machista e típico do sertão do Rio Grande do Norte, minha avó doce e amável, coração de quem sofreu muito, pois também não foi criada com sua mãe. Logo cedo perdi meu avô e minha avó acompanhou toda minha transição, com muito temor, pois temia por mim e tinha muito cuidado, sempre repetia que não queria morrer antes de me ver empregada e sendo alguém na vida; ela partiu em 2003, eu ainda estava concluindo o ensino médio. 
Minha mãe e eu passamos longos anos sem nos falar, meu irmão mais velho até hoje tem um relacionamento meio diferente comigo, só fala o básico e quando fala. Já minha irmã, que tem 3 filhos, educa todos a me chamar de “Tia Rebecka” e eles obedecem. São 2 meninos e 1 menina. Também tinha um irmão mais novo, que foi morto por conta de torcida organizada. Nos dávamos muito bem, sempre bebíamos e até íamos à festas juntos. Ele era muito sensível e não gostava quando me desrespeitavam, nem a mim e nem as minhas amigas. Tinha fama de ser “mau”, mas tinha um coração muito bondoso. Meu pai apenas me fez, até hoje não quer saber de mim, mas minha família paterna me adora. Sempre falam comigo e de vez em quando eu os visito. 

Friday: Hoje, aos 28 anos, amadurecida, teria feito algo diferente ou faria tudo igual? 
Rebecka: Acho que hoje, depois de me politizar e entrar no movimento LGBT, me sinto mais preparada pra lidar com qualquer tipo de preconceito. Sei como agir e oriento as pessoas que sofrem com esse tipo de violência. Sem dúvidas tive que passar por tudo que passei, pra hoje poder sorrir aliviada.

Friday: Em 2012 você foi candidata a vereadora, pelo PV, em Natal, no Rio Grande do Norte. Surgiu de você ou foi convite do partido, como foi? 
Rebecka: Foi meio que pra compor legenda, na verdade acontece isso nos partidos, precisam de um numero “x” de vereadores pra poder concorrer. Foi meio que no susto, cheguei na Conferência do PV e já fui recebida com a notícia: “Você tem que se candidatar!”. Foi um susto, pois já havia fechado que iria ajudar uma vereadora lésbica, a Sargento Regina, e acho que foi até uma estratégia do meu partido pra enfraquecê-la. 
Se pudesse voltar no tempo, preferia ter ajudado ela ao invés de ter saído candidata, poderia ter amadurecido mais. Mas valeu por que me tornei bastante conhecida na cidade, no estado, na região e no Brasil (risos). Minha candidatura foi bastante sofrida, pois os partidos não investem em campanhas LGBT’s, nem o PV que se diz um partido da “Diversidade”.

Friday: Qual foi a sua maior motivação para tentar adentrar no mundo da política? 
Rebecka: Lutar e poder mostrar as pessoas nossas diferenças e anseios. Lembro-me que a cada discurso meu, nas eleições, via a cara das pessoas estarrecidas e surpresas, com uma TRAVESTI se comunicando de forma não pejorativa e sem palavrões. Sempre era muito aplaudida, mas o problema foi a resposta nas urnas, foram apenas 162 votos. Detalhe: foram todos de livre espontânea vontade, pois não tive nenhuma ajuda financeira, conquistei todos no gogo e na sensibilização.
Foto: Reprodução

Friday: O partido te deu condições para concorrer, estrutura necessária? Pretende tentar novamente? 
Rebecka: Nenhuma! Inclusive não declararam minhas contas e corro o risco de não votar nessas eleições. Renovei meu título, fiz a biometria, mas não consegui retirá-lo. Infelizmente eu que serei penalizada por um erro do partido. 
Sou bem “marqueteira”. Se tivesse colocado pelo menos 50% das minhas ideias em prática, teria uns 1000 votos.  Só que, na verdade, eu mal ia à rua, pois nem um carro (do partido) tinha. Muitas vezes ia de ônibus e voltava de carona. Os comícios que participava eram apenas perto ou na região que morava, se tivesse me expandido mais teria um público maior. Faltou me darem dignidade e ajuda! Se me perguntasse se concorreria a um cargo público novamente, a resposta, sem dúvidas, seria “não”.

Friday: Quais são os seus sonhos? 
Rebecka: Meus sonhos são bem profissionais. Sempre sonhei em ser famosa, imitava a Angélica e a Xuxa apresentando seus programas infantis. Hoje sou conhecida no país pela minha militância e luta em prol da comunidade LGBT. Também sonho em finalmente concluir meu ensino superior e trabalhar na aérea de educação. No ensino médio tive uma professora TRANS e vi como as pessoas a respeitavam e queriam bem a ela. Vi que se tivermos na linha de frente, as pessoas nos veem com outros olhos! E a educação é segredo de mudar a cabeça das pessoas, com respeito ao segmento LGBT. 
Sempre sonhei em casar, mas minhas experiências com namorados foram desastrosas (risos). Sonho em dar uma casa a minha mãe, onde ela possa passar sua velhice sossegada ao lado dos seus netos. Queria muito fazer uma plástica no meu nariz (essa eu não podia deixar passar - risos). Viver uma vida sossegada, sem ser apontada ou questionada, esse é meu grande sonho!

Friday: Pretende ter filhos? 
Rebecka: Não, sou feliz com bichinhos de estimação e meus sobrinhos. É muita responsabilidade ter filhos, quem sabe no futuro quando me sentir mais sozinha, poderia pensar no caso.

Friday: Os casos de transfobia são muitos no Brasil, como é isso pra você? A mistura de medo e indignação se expressam como? 
Rebecka: Sinto muito descaso com a nossa parcela da população. Nem como estrangeiras nos tratam, nos tratam como extraterrestres! Sempre somos apontadas e motivos de risos, isso deixa qualquer ser humano fora do sério e, quando vamos revidar, sempre nos dão como erradas. 
É difícil falarmos de TRANSFOBIA, pois as pessoas nunca separam os casos. Precisa ser feito um cadastro que salvaguarde a orientação sexual e a respeite, pois nunca existe um “capo” especifico pra podermos controlar os casos. Isso ainda me deixa muito insatisfeita, sempre procuro orientar as pessoas quanto as diferenças de GAYS e TRANS. E você acredita que ainda existem pessoas que dizem que não sabem a diferença? O Brasil precisa educar e empoderar toda a sua população. Também sou militante do movimento de Juventude e uma das pautas que sempre coloco na educação é uma matéria nas escolas sobre “Diversidade Sexual”. Isso ajudaria os jovens a respeitar e aprender um pouco sobre nosso segmento LGBT.

Friday: Acredita num Brasil com menos preconceito e mais tolerância? 
Rebecka: No futuro, sim. Como mulheres e negros sofreram um dia, creio que esse é nosso momento. Primeiro o ônus, mas, se DEUS permitir, no futuro o bônus. Assim creio e acredito, toda essa luta e história terá um final feliz!


Por: Gustavo Rodrigues
De: São Paulo - SP
Email: gu@revistafriday.com.br

Você já curtiu a Revista FRIDAY no Facebook? faça como eles ;)

29 de janeiro de 2014

Dia Nacional da Visibilidade Trans

Nessa quarta-feira (29/01), Dia Nacional da Visibilidade Trans, nem tudo são flores, gliter e purpurina. O respeito pela comunidade Trans ainda está longe de ser o ideal, a tolerância ainda é artigo de luxo para muitos cidadãos despreparados para o mundo de diversidade que sempre existiu, mas que hoje mostra a sua cara. 
Ilustração: Reprodução/Fanpage Indiretas Transfeministas


Em 2012, o Brasil registrou 338 assassinatos motivados por homofobia ou transfobia, segundo o Grupo Gay da Bahia, o mais antigo do Brasil. Os casos vem aumentando anualmente e, desde 2008, de acordo com o relatório da Transgender Europe, organização europeia, os casos do nosso país representam quase a metade do total de homicídios de transexuais no mundo. 

Estes números assustam e afloram uma indignação sem tamanho, sobretudo pelo pouco que se vê por parte do governo para garantir o básico, que é a dignidade e o direito se ser quem se é sem que seja alvo de agressões. Muitas pessoas são ativas nesta luta, como a Rebecka de França. 
O Deputado Federal Jean Wyllys e Rebecka de França - Foto: Reprodução

Rebecka tem 28 anos é um exemplo de perseverança. Nascida e criada em Natal, no Rio Grande do Norte, a loira ingressa neste ano, em São Paulo, no curso de pedagogia. Conheça melhor ela e saiba mais da comunidade Trans no próximo dia 07/02, aqui na Friday.

Por: Gustavo Rodrigues
De: São Paulo - SP
Email: gu@revistafriday.com.br

Você já curtiu a Revista FRIDAY no Facebook? faça como eles ;)

7 de fevereiro de 2013

Num universo paralelo.



     Recentemente (domingo) o pastor e senhor da verdade Silas Malafaia deu uma entrevista na Marília Gabriela. Defendendo a família (pode-se casar quantas vezes quiser), o que está na bíblia (incluindo o salmo "bem aventurado aquele que pagar o dízimo para o Silas"), os princípios científicos que comprovam que um homem não nasce gay (dos mesmos cientistas que descubriram a localização exata onde Deus mora no céu). Tem como debater com uma pessoa assim? Dá para chamar o Silas de viadinho e sentar a mão na cara dele sem ele ficar ofendido? Ah... Lek lek lek lek?



     Falar mal de gay é fácil, quero ver ter que discutir com alguém que não gosta da sua diva favorita.  Num universo paralelo, segue em anexo as fotos de um Silas mais amoroso, mais inteligente (#apontam #estudos), com melhor gosto para música, mais atualizado com as tendências, mais POP, de bem com a vida.

Silas veste bolsa transversal.

Silas da fila da Mother Monster, PAWS UP!

Silas rei momo da parada gay.

Silas vindo da Espanha depois de 5 anos trabalhando como modelo, agora como madrinha da parada gay.

Silas com cuequinha "bunda de fora" # HOJE #TEM


Silas depois de levar um soco por que estava caminhando ao lado do seu namorado na rua.

    Uma pena que um universo paralelo é apenas uma ilusão, a ideia do soco não é tão ruim. Não existem argumentos para combater o pensamento de gente ignorante, que vive ainda num feldo, onde Deus é um grande financiador de "bençãos" e os pastores são os senhores feudais. ACORDA CRENTES

  Ao findar desse post tudo o que tenho a dizer é: Silas, vai dar meia hora de c*.

Por: Cassiano Brezolla
De: Caxias do Sul - Rio Grande do Sul
Email: contato@revistafriday.com.br

Você já curtiu a Revista FRIDAY no Facebook? faça como eles ;)