Uma das maiores lembranças da
minha infância na cozinha são os caldos e sopas preparados pela minha família
quando eu ou os meus irmãos ficavam doentes. Tinha até uma formulazinha: quando
o problema era dor de barriga, a sopa era praticamente só de batatas. Para
todos os outros males valia quase tudo, desde que o prato ficasse colorido no
final e permitisse ser batido no liquidificador se o problema fosse dor de
garganta.
Lembro também que as sopas da minha avó eram (e ainda são!) de longe as minhas preferidas: sempre roxas muito escuras por conta da beterraba e cheias de macarrãozinho parafuso, quase desmanchados. Para sustância extra valia até engrossar o caldo com um pouquinho de fubá.
Lembro também que as sopas da minha avó eram (e ainda são!) de longe as minhas preferidas: sempre roxas muito escuras por conta da beterraba e cheias de macarrãozinho parafuso, quase desmanchados. Para sustância extra valia até engrossar o caldo com um pouquinho de fubá.
Fonte: www.wellnessonline.com
Há séculos, as “refeições
restauradoras” estão ligadas principalmente aos caldos e sopas, que ainda hoje
são sinônimos de restauração e aconchego - ou, como dizemos hoje em dia, fazem parte das comfort
foods. Era comum haver caldo para tudo quanto fosse tipo de doença, até as
"mais brabas". Várias dessas receitas tradicionais, no entanto, provavelmente não
agradariam muito o paladar atual...
Vasculhando o livro "O Cozinheiro Imperial", editado em 1840 e redescoberto em 1995, ganhando adaptação de Vera Sandroni, em meio a algumas receitas populares e outras internacionais que estavam sendo trazidas ao Brasil da época, achei uma sessão dedicada aos "caldos medicinais". Entre eles, um que acabaria com um grande problema da maioria das pessoas (pelo menos das corajosas): o "Caldo para Dores de Cabeça". O tal caldo é feito com filé de vitela, folhas de betônica, erva cidreira, sabugueiro, chicória brava e pés e rabos de lagostins. A recomendação é ferver tudo, coar e tomar até a dor passar. Alguém com enxaqueca aí?
Outra receita, desta vez ótima para estes tempos de clima instável, é o "Caldo de Rãs e Caracóis para Tosse Seca". Além das rãs e caracóis (moídos), acompanha alho poró, nabo, cevada e açafrão - para ser consumido em jejum e três horas depois do jantar.
Vasculhando o livro "O Cozinheiro Imperial", editado em 1840 e redescoberto em 1995, ganhando adaptação de Vera Sandroni, em meio a algumas receitas populares e outras internacionais que estavam sendo trazidas ao Brasil da época, achei uma sessão dedicada aos "caldos medicinais". Entre eles, um que acabaria com um grande problema da maioria das pessoas (pelo menos das corajosas): o "Caldo para Dores de Cabeça". O tal caldo é feito com filé de vitela, folhas de betônica, erva cidreira, sabugueiro, chicória brava e pés e rabos de lagostins. A recomendação é ferver tudo, coar e tomar até a dor passar. Alguém com enxaqueca aí?
Outra receita, desta vez ótima para estes tempos de clima instável, é o "Caldo de Rãs e Caracóis para Tosse Seca". Além das rãs e caracóis (moídos), acompanha alho poró, nabo, cevada e açafrão - para ser consumido em jejum e três horas depois do jantar.
Se dão resultado ou não, aí já é
ocupação para os médicos. O fato é que a medicina popular das sopas e caldos influenciou
as cozinhas brasileiras e é um elemento que permanece vivo até hoje, mesmo com a eficácia nem sempre comprovada e a aquisição fácil de tantos remédios. Torçamos para que mais famílias continuem com esta
cultura – mesmo sem caracóis, rãs e pés
de lagostins. O carinho que essas preparações carregam já é suficiente para
abrandar muitas dores de cabeça, tosses e gripes por aí...
E viva a saúde! :)
Por: Raul Altran
De: São Paulo/SP
Email: raul.altran@gmail.com
























