6 de julho de 2012

A Procura da Espiritualidade


Não busque a espiritualidade dos empresários do sagrado. 
Ela sofre com os aidéticos e as epidemias. 
Não se engane com a fisionomia alegre dos falsos espirituais. 
Ela não tem teto e vive a procura de um pedaço de terra. 

Não procure nos grandes templos. 
Ela perambula nas cracolândias da vida. 
Não fique decepcionado se não encontrar. 
Ela está nas lágrimas de sangue, suor e dor. 
Não busque este caminho espiritual nas nuvens. 
Ela caminha nos becos, vinhelas e favelas. 


Esqueça a espiritualidade da condenação. 
Ela se faz presente no olhar carinhoso e no aperto de mão
Apague os caminhos espirituais do fanatismo e da discriminação. 
Ela não tem sexo, religião, etnia, classe social ou política. 
Não exija uma experiência extraordinária. 
Ela acontece no ordinário da vida.  

Não pinte o seu rosto ou o seu caminhar. 
Ela vive com os índios, os negros e marginalizados. 
Não busque em livros ou ritos. 
Ela não se deixa aprisionar em teologias ou dogmas. 
Não tente aprisioná-la em crenças ou igrejas. 
Ela ultrapassa os muros da religiosa. 
Não tenha medo de procurá-la nas grandes metrópoles. 
Mas não se esqueça de contemplá-la na zona rural e nas aldeias. 
Veja o brilho dos seus olhos no verde das florestas e nas aves. 
Mas saiba ouvir o seu grito de morte na poluição dos rios.
Não busque uma espiritualidade silenciosa 
Ela grita na vida dos presidiários e drogados.


Não procure a espiritualidade nos templos televisivos. 
Ela caminha com o mendigo no silêncio da noite 
Fuja das promessas espirituais dos marqueteiros da religião
Ela silencia na dor dos índios e na saudade dos migrantes. 


Frei Petrônio de Miranda, Padre Carmelita da Ordem do Carmo, estudante de Jornalismo da Fapcom - Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação. 
- Contatos: Twitter, Site e Facebook. 
- Escrito no Convento do Carmo, São Paulo, 05 de julho-2012.

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