12 de março de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #7 - Ele voltou

The Next Day
David Bowie
Columbia
2013
8.1/10

Foi num finzinho do show do David Gilmour, em 2006, que ele apareceu na frente de uma câmera pela última vez. A lenda que já foi andrógino, já foi funk, pop, rock cantava ali uns versos de “Confortably Numb”, depois um sorriso, um aceno e tchau. Quase sete anos de total reclusão do mundo inteiro, talvez fritando panquecas com sua mulher em uma cidade qualquer do interior americano. Talvez Kentucky, talvez Nova York (ninguém nunca soube ao certo).
Mesmo assim ninguém – eu disse NINGUÉM- se esqueceu do camaleão. E eis que, numa bela manhã de janeiro, ele volta. Tanto que o frenesi pelo novo clipe de Bowie simplesmente parou o mundo da música por uns dias. O primeiro álbum de inéditas do britânico em dez anos foi lançado sexta e sim, vamos dar uma canja dele pra você.


Bowie é a personificação do músico-artista: Tal como Van Gogh ou Picasso, teve sua carreira divididas em fases, algumas com obras-primas e outras com derrapões (quem não se lembra de "Let's dance"?). Uma das fases mais premiadas do cantor, que foi aquela dos álbuns gravadosno hansa Studios, em Berlim, deu a inspiração do The Next Day, título do novo álbum. Para deixar claro a inspiração, a capa nada mais é do que o álbum “Heroes” com um quadrado branco no meio. O tempo passa, mas as coisas não mudam.
Pra quem busca aquele som de mestre, não vai se desapontar em nenhuma maneira com o que veio nesse novo trabalho: da agitação de The Next Day (que ouvi perto de 20 vezes consecutivas) até os aforismas meio melancólicos de Where are we now?, o álbum realmente lembra a fase berlinense do cantor (que além de “Heroes” contava com “Low” e “Lodger”). Sintetizadores e solos de guitarra se mesclam em alguma coisa próximo do krautrock, o rock alemão de gente como o Kraftwerk e Tangerine Dream. Mesmo com 66 anos nas costas, David Robert Jones- sim, David Jones-  ainda dá um banho de produção, letra e arranjo.
Para todas as bandas indies que insistem em fazer da inspiração dele um argumento pra música chata de hoje. Pra Lady Gaga que roubou o raio de Alladin Sane da cara dele, vem uma enxurrada de composições que relembram os bons tempos – caso de Valentine’s Day. O Jesus Cristo da música levou dez anos para ressucitar, e o mundo sentiu falta disso. Finalmente, alguém vai colocar ordem no barraco. Aí embaixo o enigmático clipe, quase caseiro, onde o desgraça avisa que está voltando.







(P.S.: Essa semana também sai o novo do Eric Clapton, chamado Old Sock. Tem seguido a linha de “mais covers, menos meus” do cantor, que dessa vez sai do jazz do último disco e vai pro blues e reggae, com gente como JJ Cale, Chakha Khan e Paul McCartney. Mas as duas inéditas são dignas do rei da guitarra: Gotta Get Over e Every Little Thing. Fora o cover de Still Got The Blues, de Gary Moore, que deve ter feito o próprio ficar de olhos marejados).




Por: G. L. Mendes
De: Carapicuíba - SP


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