Há um mês a gente começou a discutir aqui sobre os queridos
discos de vinil. Muito mais charmosos que CD's ou arquivos de mp3, os bolachões
ensaiam um retorno triunfal para as casas de todos, saindo do fundo dos sebos
direto para as estantes de casa (eu mesmo joguei a TV do meu quarto fora para
um desses entrar).
Antes,
tentamos passar algumas dicas sobre como comprar discos antigos, onde achar e
quem sabe, até umas formas de barganhar. Mas elas são voltadas pra quem quer
discos antigos, antes da década de 90. Agora vamos a uma ótima notícia: bandas
novas também estão lançando seus álbuns novos em disco!
Só que essa boa notícia tem preço. E não é lá tão barato.
*
Depois
de discutir com vocês sobre os discos e como comprá-los, fiquei com a triste
conclusão de que fazia muito tempo que não comprava discos. O último, há
três meses, tinha sido um disco do Don McLean, que tinha pagado R$ 7 num sebo da Rua Augusta e que mal tinha ouvido desde então. Então tentei decidir qual seria o novo mimo da coleção e cometi o
inocente erro de estar ouvindo o OK Computer, um álbum ótimo do Radiohead de
1997. Então decidi que ia ser esse o próximo.
O único
problema é que os discos entraram em colapso nos anos 90 graças ao CD. Com
capacidade bem maior e custo mais baixo, os compact
discs foram deixando os vinis caírem em decadência até 1996, quando as
últimas grandes linhas de produção pararam. O OK é um CD relativamente comum nas prateleiras, mas em discos é extremamente complicado de ser encontrado.
A partir daí a produção se tornou
uma coisa quase artesanal, reservada a poucas unidades – comparadas com as
novas mídias. Até 2007, 2008, era esse o cenário.
Então
os discos sofreram um revival, voltando
à moda com aparelhos antigos restaurados ou então vitrolas novas e tecnológicas
– e que chegam a custar mais de R$ 1 mil! Com isso grandes gravadoras voltaram a
lançar seus títulos em disco: The Strokes, Muse, Rush, Daft Punk e David Bowie,
para citar alguns nomes, são os discos que eu vi nas vitrines de algumas lojas
do centro de SP à caça do OK Computer.
Porém,
com a procura alta e produção ainda baixa, o preço dispara. O LP mais novo do
Rush, o excelente Clockwork Angels,
está por R$ 210,00; o Random AccessMemories, o tão aguardado disco do Daft Punk, está na promoção por
R$ 120,00, mesmo preço do The Next Day,
o álbum do Bowie que já falamos aqui. Outros chegam a ser ainda mais caros – o
álbum mais recente do Neil Young, Psychadelic
Pill, é um box que não sai por menos de R$ 300,00.
![]() |
| Uma porrada de coisas - inclusive um disco. |
A
vantagem desses discos é que são novos, sem nenhum risco ou deformação
provenientes de donos antigos, que podem ter passados anos a fio escutando-os.
Os álbuns antigos que hoje viraram disco sofreram grandes remasterizações – a maioria
dos títulos da Captiol Records sofreu
esse processo – e mesmo em toca-discos velhos o som é puro e sem chiados. Além
disso, alguns dos títulos mais novos vêm com combos: alguns brindes e senhas para baixar as músicas de graça no site da gravadora, em mp3 de alta qualidade.
Por
isso é necessário relevar demais a compra de um disco novo. A maioria deles oferecem bem mais que um
disco e são verdadeiras peças de coleção. O Pink Floyd lançou, em 2011, a
coleção Immersion, revivendo os grandes álbuns da banda: além das gravações
originais em três mídias (CD, mp3 e discos), vinham gravações de conversas da
banda, takes de estúdio e coisas como adesivos e um xale com um dos símbolos do álbum. Apenas para citar um entre vários
exemplos.
*
Enquanto
isso, eu consegui encontrar o tal disco do OK Computer - depois depois umas horas de pesquisa. Importado, novo e ainda
lacrado, na loja da Baratos Afins, dentro da Galeria do Rock, que eu considero uma
das principais para quem quer comprar discos novos em SP (outras são a
Locomotiva Discos, na Galeria Nova Barão e a Livraria Cultura da
Paulista). O preço, 165 reais, realmente
é salgado demais e faz a gente ficar pensando se, realmente, um investimento
desses vale a pena.
Esse
pensamento dura até a hora que você abaixa a agulha do toca-discos para tocar “No Surprises”. Aí nada mais importa mesmo.
Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: guilherme@revistafriday.com

















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