23 de julho de 2013

Não se fazem mais passados como antigamente #16 – Os bolachões (2)

                 Há um mês a gente começou a discutir aqui sobre os queridos discos de vinil. Muito mais charmosos que CD's ou arquivos de mp3, os bolachões ensaiam um retorno triunfal para as casas de todos, saindo do fundo dos sebos direto para as estantes de casa (eu mesmo joguei a TV do meu quarto fora para um desses entrar).

                Antes, tentamos passar algumas dicas sobre como comprar discos antigos, onde achar e quem sabe, até umas formas de barganhar. Mas elas são voltadas pra quem quer discos antigos, antes da década de 90. Agora vamos a uma ótima notícia: bandas novas também estão lançando seus álbuns novos em disco!

                Só que essa boa notícia tem preço. E não é lá tão barato.

*

                Depois de discutir com vocês sobre os discos e como comprá-los, fiquei com a triste conclusão de que fazia muito tempo que não comprava discos. O último, há três meses, tinha sido um disco do Don McLean, que tinha pagado R$ 7 num sebo da Rua Augusta e que mal tinha ouvido desde então. Então tentei decidir qual seria o novo mimo da coleção e cometi o inocente erro de estar ouvindo o OK Computer, um álbum ótimo do Radiohead de 1997. Então decidi que ia ser esse o próximo.
                O único problema é que os discos entraram em colapso nos anos 90 graças ao CD. Com capacidade bem maior e custo mais baixo, os compact discs foram deixando os vinis caírem em decadência até 1996, quando as últimas grandes linhas de produção pararam. O OK é um CD relativamente comum nas prateleiras, mas em discos é extremamente complicado de ser encontrado.
                A partir daí a produção se tornou uma coisa quase artesanal, reservada a poucas unidades – comparadas com as novas mídias. Até 2007, 2008, era esse o cenário.
                Então os discos sofreram um revival, voltando à moda com aparelhos antigos restaurados ou então vitrolas novas e tecnológicas – e que chegam a custar mais de R$ 1 mil! Com isso grandes gravadoras voltaram a lançar seus títulos em disco: The Strokes, Muse, Rush, Daft Punk e David Bowie, para citar alguns nomes, são os discos que eu vi nas vitrines de algumas lojas do centro de SP à caça do OK Computer.
                Porém, com a procura alta e produção ainda baixa, o preço dispara. O LP mais novo do Rush, o excelente Clockwork Angels, está por R$ 210,00; o Random AccessMemories, o tão aguardado disco do Daft Punk, está na promoção por R$ 120,00, mesmo preço do The Next Day, o álbum do Bowie que já falamos aqui. Outros chegam a ser ainda mais caros – o álbum mais recente do Neil Young, Psychadelic Pill, é um box que não sai por menos de R$ 300,00.
Uma porrada de coisas - inclusive um disco.
                A vantagem desses discos é que são novos, sem nenhum risco ou deformação provenientes de donos antigos, que podem ter passados anos a fio escutando-os. Os álbuns antigos que hoje viraram disco sofreram grandes remasterizações – a maioria dos títulos da Captiol Records sofreu esse processo – e mesmo em toca-discos velhos o som é puro e sem chiados. Além disso, alguns dos títulos mais novos vêm com combos: alguns brindes e senhas para baixar as músicas de graça no site da gravadora, em mp3 de alta qualidade.
                Por isso é necessário relevar demais a compra de um disco novo. A maioria deles oferecem bem mais que um disco e são verdadeiras peças de coleção. O Pink Floyd lançou, em 2011, a coleção Immersion, revivendo os grandes álbuns da banda: além das gravações originais em três mídias (CD, mp3 e discos), vinham gravações de conversas da banda, takes de estúdio e coisas como adesivos e um xale com um dos símbolos do álbum. Apenas para citar um entre vários exemplos.

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                Enquanto isso, eu consegui encontrar o tal disco do OK Computer - depois depois umas horas de pesquisa. Importado, novo e ainda lacrado, na loja da Baratos Afins, dentro da Galeria do Rock, que eu considero uma das principais para quem quer comprar discos novos em SP (outras são a Locomotiva Discos, na Galeria Nova Barão e a Livraria Cultura da Paulista). O preço, 165 reais, realmente é salgado demais e faz a gente ficar pensando se, realmente, um investimento desses vale a pena.

                Esse pensamento dura até a hora que você abaixa a agulha do toca-discos para tocar “No Surprises”. Aí nada mais importa mesmo.

Por: Guilherme Mendes
De: Carapicuíba - SP
Email: guilherme@revistafriday.com

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