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10 de abril de 2013

Quando a haute couture se rende à fast-fashion


Recentemente, Karl Lagerfeld lançou sua linha de calçados de plástico em parceria com a brasileira Melissa. É a primeira contribuição que o Kaiser faz com uma marca brasileira, mas colocou todo o bom humor da Melissa e o arrojamento de Lagerfeld. A coleção tem até salto com sorvete e promete esvaziar as prateleiras.

Só para refrescar a memória do leitor, a Melissa é aquela marca que fez o inesperado de ter renascido das cinzas e se tornar reconhecida pelos sapatos que, na minha época, eram exclusividade das crianças.

Muitos designers já deram seus pitacos nas coleções da Melissa, como Pedro Lourenço, Vivienne Westwood, Jason Wu, Alexandre Herchcovitch (qual fast-fashion não fez parceria com ele?) e muitos, muitos outros.

Vale lembrar que essa “democratização” da haute couture não é vista só aqui no Brasil. A originalmente sueca H&M faz isso a todo tempo, com estilistas e grifes como Versace, Martin Margiela, Comme des Garçons, Jimmy Choo, Lanvin e outros, incluindo também Karl Lagerfeld.

Mas, até que ponto as parcerias da alta moda com lojas populares são benéficas?
Bom, um sapato de plástico da Melissa por Karl Lagerfeld não é um sapato Chanel. Um acessório Lanvin para H&M não é um acessório Lanvin. O que eu quero dizer é que estes produtos criam (e se aproveitam) de uma falsa ideia de exclusividade, eles dão ao consumidor um gostinho do paraíso, mas sem sequer tirar os pés da vida real. É como vender o aroma de uma fruta da qual, na verdade, você nunca poderá dar uma mordida.

Por outro lado, há coleções que são incríveis, como a que a Versace fez para a H&M há uns anos. O ponto é: não adianta comprar apenas pelo nome na etiqueta, compre pela peça, pois se não, você estará sendo enganado pela indústria.

Por: Rafael Trocatti
De: Embu das Artes - SP
Email: rafaeltrocatti@gmail.com

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