#05: Visibilidade Trans

Confira na capa do mês de fevereiro da Revista Friday, uma entrevista sobre os desafios de uma pessoa trans, com a ativista LGBT Rebecka de França.

INTERNET: Mudanças, tecnologia e Google+

Confira algumas mudanças que o google+ realizou para agradar os usuários.

Conexão Canadá: Vancity- The Journey begins

Camila Trama nos conta um pouco de seu intercâmbio em alguns lugares do Canadá.

CINEMA: Sassy Pants

Rebeldia, insatisfação e as paixões fazem parte do cotidiano de todos os adolescentes, confira a resenha do filme Sassy Pants.

VITRINE: O universo feminino de Isadora Almeida

Inspirada por ilustrações de moda, estamparia e coisas que vê por aí, conheça o trabalho da ilustradora mineira Isadora Almeida.

8 de março de 2014

O mundo bissexual

Quem nunca ouviu alguns falando por aí que o mundo é bissexual? Esta afirmação seria de fato verdade? Até que ponto um hétero assumiria já ter sentido alguma vez na vida curiosidade no mesmo sexo?
Primeiro vamos entender a bissexualidade: O psicoterapeuta sexual Ítor Finotelli Jr, que vive em Campinas, já acompanhou muitos casos em que as pessoas questionavam a própria orientação sexual e tentavam descobrir se eram bissexuais, geralmente por sentirem prazer com determinadas práticas sexuais que podem ser consideradas "diferentes" ou relacionadas aos homossexuais ou bissexuais. Dúvidas, preconceitos e definições erradas dificultam no entendimento da bissexualidade, podendo gerar conflitos internos até para o próprio bissexual.

Não existem regras concretas quando o assunto é sexualidade. Conceitos são conceitos, não necessariamente algo que se deve seguir fielmente.  Faz o que te deixa bem sem atingir a moral do próximo, vivendo cada dia como único, sem se prender ao falso moralismo que corrói nossa sociedade e lhe impõe dezenas de preceitos a seguir.
Você sabe realmente o que é a bissexualidade? De acordo com o site Wikipédia (Sim, dei uma passadinha por lá) a bissexualidade consiste na “atração afetiva (romântica, sexual ou emocional) por pessoas de ambos os sexos independente do gênero.”

Preconceito

Vocês podem não acreditar, mas há muito preconceito contra os bissexuais. E isso não é exclusivo dos héteros, os gays também são preconceituosos. Por qual motivo? Bom, é simples. Muitos acreditam que a bissexualidade é uma transição, uma fase, sendo que tal fato não procede sempre. Outros acham que bissexuais são tudo sem-vergonha, que quer abraçar o mundo com as pernas, ficar com qualquer um e transformar o mundo numa suruba. NÃO! Isso não faz NENHUM tipo de sentido! Entendeu? Ah, tem por aí alguns que acham que o bissexual vive em um meio-termo confortável, negando sua homossexualidade, se “protegendo” do preconceito por ser “metade hétero”. Obviamente, algo que também não procede.

Modinha?

Muitos, sim, MUITOS, dizem ser bissexual por “modinha”. Hoje em dia é “cool”, “bonitinho”, “moderno” ficar com meninas e meninos. Eu digo pra esse tipo de gente, SAI FORA, DESISTE.  Não é difícil perceber quem realmente é bissexual e quem se faz. Felizmente esse tipo de moda está se dissipando aos poucos. 

O mundo é bissexual...

Está aí uma teoria que deve ser questionada! Muitos dizem que não vai demorar muito até o mundo ser bissexual. Livre de princípios sociais e religiosos, a liberdade sexual será muito maior, destruindo de vez esta restrição e intolerância que hoje em dia ainda permanece com tanto vigor.

Na verdade, não se faz necessário que o mundo seja bissexual. O melhor mesmo é que o preconceito desapareça de uma vez, que todos tenham seus direitos iguais, independente do que faz e do que vive. Ninguém é obrigado a gostar ou aceitar, mas respeito é um princípio essencial para vivermos em harmonia.






Eduardo Albuquerque
Niterói RJ
e-mail: eduaardo.albuquerque@hotmail.com

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7 de março de 2014

Artes Plásticas: Touch Mind Art é pernambucana, é do Brasil


Hoje trago para coluna um pouco de arte para vocês, mais precisamente, artes plásticas. Já ouviu falar em Touch Mind Art? Essa é uma técnica criada em 2008 e patenteada pelo artista plástico, pernambucano, Gérson Guerreiro. Formado em artes visuais, pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, Gérson tem um vasto conhecimento na área. É professor e pesquisador, pós-graduado em História da Arte.

Touch Mind Art: “Touch” significa toque, contato e “Mind” mente. A técnica foi registrada pelo artista em 2010. Depois de um trabalho de pesquisa, feito em 70 países por uma empresa internacional, especializada em arte, foi comprovado ninguém utiliza essa técnica, apenas Guerreiro. Ou seja, só tem no Brasil, de exclusividade do pernambucano. 
                                        
O trabalho de Gérson tem a proposta principal de expressar ideias, sentimentos, a visão sobre o mundo, o cotidiano. Ele leva o observador a tocar a obra com a mente, com as emoções, com os sentimentos.

É muito bacana a forma como ele dispõe as cores nas telas. São cores fortes e que não se misturam. Pontos em relevo marcam as formas e dão uma sensação bidimensional e tridimensional muito interessantes. A sensação que dá é que a tela foi costurada, às vezes, lembram vitrais religiosos da era medieval, período Gótico. Aliás, essa é uma das inspirações do artista.  Seu trabalho tem grandes influências, também, do pintor surrealista abstrato espanhol Joan Miró e de pintores Fauvistas, como por exemplo, Henri Matisse.

Gérson Guerreiro já faz oitos exposições na Europa, em 2013, França, Espanha, Portugal e Itália. Aqui para os nossos lados, já expos na Venezuela e Colômbia.

Dê uma olhada em duas obras. Clique aqui e veja outras.

Arte: 1- Amanhecer (Divulgação); 2- Juazeiro (Divulgação); Gérson Guerreiro, artista plástico (Divulgação)






































Quer divulgar o seu trabalho ou então sugerir algo bem legal? Mande um e-mail para contato@revistafriday.com.br ou então para o meu, logo abaixo. 



Por: Daniel Santos
De: São Paulo - SP
Email: santos.drs@gmail.com


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Cinema: "Caçadores de Obras-Primas"

George Clooney é um bom ator e uma grande estrela de cinema, mas as qualidades que fazem dele uma presença de tela tão atraente – seu carisma, seu toque light para a comédia, sua facilidade para gravitas – parecem abandoná-lo de imediato assim que ele pisa atrás de uma câmara. Os filmes que ele fez desde sua enérgica e criativa estreia com “Confissões de Uma Mente Perigosa” (que agora se parece com o trabalho de um diretor completamente diferente) foram imagens generosamente montadas, nostálgicas e de bom gosto, que lidavam com noções de honra e decência. Elas também têm sido bastante monótonas.

Foto: Reprodução/Internet
A vergonha de tudo isso é que Clooney tem um bom olho para uma grande história, ele simplesmente não tem a capacidade de realizá-la. Ele parecia ser o homem perfeito para fazer um screwball comedy (ou comédia maluca, como preferirem) dos anos 1930, mas a sua mão pesada na direção matou qualquer sentido de charme, humor ou diversão que poderia ter possuído, e Caçadores de Obras-Primas sofre um destino semelhante. Há muita promessa nesta história de soldados americanos sendo enviados para a Europa devastada pela guerra para salvar as grandes obras de arte que estão sendo sistematicamente destruídas ou roubadas por Hitler. Clooney define o filme como uma brincadeira no estilo “Onze Homens e um Segredo”, abrindo com uma elegante sequência de reunião de amigos, e nós introduz a um conjunto de artistas que parece nos prometer um bom tempo na poltrona.

Foto: Reprodução/Internet
George Clooney, Matt Damon, Bill Murray, Bob Balaban, John Goodman, Jean Dujardin e Hugh Bonneville estrelam como os soldados alistados para o serviço, com o britânico Dimitri Leonidas trazendo a idade média pra baixo e Cate Blanchett adicionando uma presença feminina insignificante. Os atores estão emparelhados em narrativas separadas que correm paralelas ao longo do filme, mas tudo o que fazem é sempre estranhamente suave e maçante. Damon e Blanchett fazem alguns gestos indiferentes acerca do romance entre os dois antes de, eventualmente, se deixarem levar, enquanto Bill Murray e Bob Balaban são configurados como uma dupla cômica que vive brigando, mas suas breves piadas são entregues com tão pouca faísca ou convicção, que é como se nós os observássemos em um ensaio inicial, lendo a primeira página.

Foto: Reprodução/Internet
Foto: Reprodução/Internet
Talvez o velho George esteja querendo nos dar a impressão de que o sentido de camaradagem que um filme como este nos propulsiona forma instantaneamente, através de grandes estrelas de cinema, algum tipo de alquimia. Ele não faz nenhum esforço para desenvolver esses personagens e suas relações anteriores com os outros através da narrativa; somos informados de que todos eles são tangencialmente ligados ao mundo da arte – curadores, restauradores, etc. – mas eles parecem ter pouco interesse ou perspectiva sobre as obras que estão procurando. Clooney mal nos dá toda a oportunidade de vê-lo por nós mesmos, a não ser alguns pares de close-ups apáticos e algumas breves cenas dos personagens de pé e totalmente mudos, na frente de qualquer obra intacta ou destruída. A única forma de arte em si que realmente conta no filme é através do tema central: se vale a pena arriscar a vida de um homem para salvar tais quadros. Uma pergunta que Clooney pede apenas via protuberâncias trabalhosas de narração, nunca realmente se envolvendo com ela de qualquer maneira que não seja a mais fácil.

Foto: Reprodução/Internet
Para falar a verdade, fácil é a melhor palavra para descrever Caçadores de Obras-Primas, e para descrever o trabalho de direção de George Clooney em geral. Ele faz uma pose séria, mas não faz nenhuma tentativa de se envolver com a complexidade ou a tragédia de seu assunto; ele está feliz em locomover sem esforço o filme junto à superfície das coisas, e permite que seus atores façam o mesmo. Isso possa talvez não ser um problema se você achou o filme envolvente e divertido de qualquer jeito, mas Caçadores de Obras-Primas é irregular e sisudo, com Clooney provando ser incapaz de infundir qualquer um dos momentos-chave com um sentimento de tensão ou excitação. Em particular, duas cenas me chamaram bastante a atenção: uma em que Goodman e Dujardin se encontram em apuros e que é encaminhada da forma mais frustrantemente inepta possível, e, mais tarde, outra cuidadosamente planejada e cômica em que um da equipe está em uma mina terrestre. Essas duas cenas possuem todo o seu potencial para o perigo e para o humor, mas são desperdiçadas por uma encenação e edição descuidadas que sugere que o velho George só quer tirá-las do caminho. O que pode ter o atraído para este projeto? É uma história de rachaduras, com certeza, mas não temos nenhum sentimento de paixão ou urgência de assisti-lo em si. Para um filme sobre o valor da arte, Caçadores de Obras-Primas é desconcertantemente ignorante.


Até mais ler.


Por: Pietro Tarantelli
De: São Paulo -SP
Email: tarantellipietro@gmail.com

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6 de março de 2014

Crônicaria de Bolso #8 - A relatividade da (des)igualdade social


(Imagem retirada do site)

Carlos é um cara jovem, sempre teve uma vida boa, nada nunca lhe faltou. Veio de uma família de classe média alta, estudou em uma escola e faculdade particular. Em alguns meses, completaria um ano que havia se formado no curso de Direito.
Como praticamente todo recém formado na área, ainda morava com os pais, com muita dificuldade, pagava as prestações do carro novinho que havia comprado para poder ir trabalhar (hoje em dia, ter carro se tornou pré requisito para ser contratado em um escritório de advocacia).
Apesar de possuir uma graduação e estar fazendo uma pós graduação (paga por seus pais), Carlos ainda não ganhava muito no escritório que trabalhava. Na verdade, ele estava ganhando menos do que custava a mensalidade da pós graduação que estava fazendo. Mas ele tinha sorte de ter pais que pudessem pagar para que ele pudesse estudar.
Em um dia, como outro qualquer, Carlos, como sempre, levantou bem cedo para ir trabalhar. Quanto antes ele chegasse ao escritório, mais fácil seria para conseguir achar uma vaga para estacionar o carro na rua.
Como sempre, Carlos tentou fugir do flanelinha que cuidava dos carros daquele quarteirão, só de pensar em ter que dar algum dinheiro para ele, a raiva tomava conta de Carlos completamente. Porém, mesmo tentando, foi inevitável, quando estava terminando de estacionar, o flanelinha já havia o alcançado.
- E ai, Dotô? Vão lavá o carro hoje? Tá precisando, hein... – disse o “flanelinha” em um tom animado.
- Hoje não, amigo. Fica pra próxima. – Carlos tentou ser direto, porém o mais simpático possível.
- E aquele trocado na volta, chefe? Vou dar aquela olhada no seu carro, beleza? Ai o sinhô traz o cafezin pra nós, né? 
- Beleza, cara. Mas acho que não vou ter nenhum trocado para te dar desta vez... Tô sem grana hoje...
- Não tá fácil pra ninguém, não é Dotô?
- É... Não tá mesmo não... – Carlos já estava totalmente sem paciência para continuar aquela conversa irritante e rotineira. Mas o flanelinha parecia interessado em continua-la.
- Sabe, Dotô, esses dias eu tava fazendo umas contas aí e parei pra pensar... Eu não terminei a escola, né... Muito menos estudei em uma faculdade chique assim, igual a sua, sabe... Não sou Dotô igual ao sinhô, mas to achando que eu ando me virando melhor do que todos esses engravatados engomadinhos ai do seu escritório...
Nessa hora, Carlos se virou rapidamente para o flanelinha e perguntou em um tom ríspido:
- Como é que é?  
O flanelinha se apoiou no carro de Carlos e continuou seu pensamento.
- Olha só, Dotô... O sinhô pagou pra estudar em uma escola e uma faculdade das boa, que não devem ter sido nada baratas, tô certo? - o flanelinha se antecipou em responder, antes mesmo que Carlos pudesse pensar na pergunta que lhe haviam feito. - Pois é... Eu estudei em uma escola pública, praticamente largada pelo estado, sabe... E nem sequer terminei o ensino médio. – o flanelinha foi se aproximando lentamente de Carlos. – Aí, outro dia eu tava pensando umas coisa, sabe... Que eu podia tentar terminar o colégio e tentar entrar em uma faculdade, né... Mas foi então que eu me dei conta que eu fiz menos esforço na vida pra ser alguém e ando ganhando muito mais do que quem se mata de estudar por aí... – o flanelinha soltou uma gargalhada bagunçada, deixando Carlos cada vez mais irritado.
- Mas o que você quer dizer com isso? Não tem como você ganhar mais que alguém que estudou a vida toda para ser bem sucedido... Acho que você está fazendo contas erradas... – Carlos respondeu com um tom de soberba e superioridade.
- Será mesmo, Dotô? Pensa comigo. Eu faço o meu horário de trabalho, não pago imposto porque, sabe como é, né... Pros nossos políticos aí eu não tenho um emprego, então não tenho renda, e o melhor de tudo, tenho certeza que ganho mais que o senhô anda ganhando nesse escritório de rico, aí.... – o flanelinha soltou mais um de suas gargalhadas desconcertantes.
Carlos já havia gastado toda a sua paciência com o flanelinha. Então, deu as costas para ele e subiu para o seu escritório.
Depois de uns vinte minutos que havia chegado em sua sala, Carlos não conseguia se concentrar. Só pensava no que aquele flanelinha insolente havia lhe falado, então resolveu fazer as contas.
Em uma média de trabalho baixa por dia, se um flanelinha cobra vinte reais para lavar um carro, e, em média, por dia, ele lavar quatro carros, então ele fatura, em um dia, oitenta reais. Em uma semana, trabalhada de segunda a sexta, ele ganha quatrocentos reais, então, em um mês, ele ganha mil e seiscentos reais. (neste valor não estão inclusos os trocados que recebem de algumas pessoas pela olhadinha no carro).
Carlos não podia se conter de tanta raiva. Mas tinha que admitir, trabalhando quase doze horas por dia, pagando com muito esforço as prestações do carro que comprou, ele ganhava, por mês do escritório em que trabalhava, mil e quatrocentos reais, com uma expectativa de aumento de mais trezentos reais quando finalizasse sua pós graduação, e mesmo assim, não teria condições de ir morar sozinho, teria que continuar a morar com seus pais.

Enquanto se contorcia de ódio por todas aquelas palavras que foi obrigado a ouvir do flanelinha folgado, só conseguia pensar em uma coisa: na vontade súbita que tinha de largar tudo o que havia construído até aquele momento e se tornar mais um flanelinha em uma das ruas perdidas da grande capital massificada pela desigualdade.

Por: Mariana Cardoso Magalhães
De: Belo Horizonte - MG
Email: m.cardosomagalhaes@gmail.com

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