Vista da cidade, foto tirada na praia Kistilano Foto: Camila
Quem vai fazer intercâmbio ou já fez sabe que alguns medos são comuns.
Será que meu inglês vai ser suficiente para me virar em situações de
emergência? Será que vou aprender a língua finalmente e vou voltar parecendo um
nativo da língua inglesa? Será que a família que eu vou ficar vai ser legal?
Será que vai sair muito caro a brincadeira? Será que eu vou conseguir voltar
com trezentos cremes do “Segredo da Vitória” para poder revender prazamiga?
Será, será, será...
Hoje, como uma vovó, irei dar dicas úteis dessa minha experiência para
que você possa ir para sua viagem com mais tranquilidade. É lógico que não sou
regra, cada caso um caso. Mas pode ser de grande ajuda também.
1. Socorro! Não sei
inglês, mas preciso aprender!
| Escola em que estudei, eram ao todo cinco prédios foto: Camila |
É inegável a necessidade do conhecimento de alguma
língua estrangeira em pleno século XXI. O mundo está mais globalizado que nunca
e saber uma língua a mais irá te abrir portas com certeza. Já temos um contato
natural com inglês, estamos rodeados pela cultura americana com lojas, restaurantes
de fast-food, nos filmes, na música. Não sei até que ponto isso é interessante
pela preservação da nossa cultura nacional, mas sem dúvidas isso é um grande
facilitador. Estar atentos à essas coisas pode te ajudar lá fora. Começamos a
estudar inglês desde pequenos nas escolas, é claro que o ensino não é o melhor,
e mesmo para quem fez aulas em uma escola de inglês na hora do vamos ver é outra
história. De todo modo, o seu esforço vai determinar o seu sucesso na hora de
aprender inglês ou qualquer outra língua. Não é uma corrida finita, sempre vai
ter algo novo para aprender, sempre uma pronúncia para trabalhar, uma palavra
nova, uma expressão idiomática e além de tudo sempre se esforçar para utilizar
depois que o intercâmbio acaba porque com certeza um monte de coisa acaba sendo
esquecida.
| Amiguinha internacional mostrando o seu kimono foto: Camila |
Quando fui viajar eu já havia feito alguns cursos de
inglês e, apesar de ter facilidade com a matéria na escola, não me sentia
confortável em falar. Antes de viajar eu
pirei. Comprei um monte de livro com dicas, gírias, gramática e tantos outros porque queria aprender tudo
antes de viajar. Comecei a me empolgar. Nos primeiros meses eu ainda tinha
muito receio de falar as palavras novas que aprendia em classe ou de tentar
debater um assunto mais polêmico que demandasse uma construção gramatical mais
sofisticada. Eu entendia algumas coisas e outras não. Ficava frustradíssima de
não conseguir me comunicar com a mesma habilidade que tenho usando o português.
Aos poucos fui percebendo uma melhora
gradativa, isso me emocionava muito. A cada conversa era sensacional conseguir
entender as pessoas e ser entendida. Tão básico e tão trivial. Uma das melhores
sensações era poder conversar com pessoas de países diferentes e conseguir
captar a cultura desses lugares. Jovens
com as mesmas ansiedades inerentes à idade e com educação tão distinta,
moradores de países com politicas diferentes, economia diferente, história
diferente. Descobri coisas maravilhosas de cada país, todos que estavam lá se
sentiam representantes e queriam passar uns aos outros um pouco do que é ser
japonês, brasileiro, turco, tcheco, espanhol.
Você não vai
sair de uma temporada de estudos sabendo tudo. Por isso é importante não dar
por acabado e sim continuar a estudar e a se desafiar.
2. A questão da
moradia
Existem diversas maneiras: homestay, apartamento,
ficar na residência da escola (caso você vá estudar em uma universidade). Quando fui eu fiquei em casa de família. Como
já havia escrito no segundo post minha família era Filipina e a maioria dos
estudantes lá estavam também em casa de filipinos. Ouvi dizer de gente que
morava com imigrantes italianos e até brasileiros. Minha família era composta
pela mãe “ Ana”, pai “Jomi” e os outros
estudantes que também estavam lá. Cheguei a morar com a Misaki do Japão,
Fernanda e Alisson do Brasil, Catharina
da Coréia (esse era seu nome em inglês, pela dificuldade que os ocidentais
tinham em pronunciar seu nome) Tractor da Tailândia e um menino alemão que
esqueci o nome, hehe.
| Meu quarto. Só tava arrumado para eu tirar a foto hehehe |
A casa, como
em qualquer outra, tinha regras. Não podia tomar banho por mais de dez minutos,
era interessante deixar o quarto sempre arrumado e não podia trazer visitantes
sem avisar a Ana. Tirando isso, ela era muito compreensível. Cozinhava para
gente coisas gostosas, comprava um monte de coisas para tomarmos no café da
manhã e não tinha problemas com sair e voltar tarde de festas. A Ana trabalhava
de voluntária em um abrigo para mendigos e o Jomi era enfermeiro, já moravam no
Canada fazia 20 e poucos anos pela facilidade de imigração e procura de uma
vida melhor. Eu pagava 730 dólares canadenses mensalmente e tinha incluso todas
as refeições e mais qualquer lanchinho que quisesse fazer de tarde, lavar a
roupa uma vez por semana, internet e um
quarto só para mim. Eu optei por ficar
na homestay durante o programa todo, mas muita gente juntava um grupo de amigos
e alugava um apartamento ou até um quarto só, o que era fácil. O valor de um quarto no centro girava em
torno de 600 dólares, já em uma casa em
um bairro mas distante ficava, mais ou menos, 400 dólares. Nessa conta você
precisaria incluir uns 100 dólares para supermercado mensalmente, mas a
lavanderia que deveria sair mais uns 50 mensais, mais internet. Alguns
apartamentos e casas já vinham mobiliados para quem fosse alugar com os itens
básicos de eletrodomésticos como fogão, geladeira, micro ondas, e alguns vinham
até com sofá, televisão, camas e armários. Bem prático.
3. Quanto vai sair essa brincadeira?
É um investimento sim. Não é a coisa mais barata do
mundo, mas acredito ser um dinheiro bem gasto. Só o programa da escola custava
em torno de 15 mil reais o que já incluía, se não me engano, dois meses de
moradia. Para tirar o visto de estudante
+ o de trabalho saiu em torno de 200 dólares. O seguro de saúde foi mais mil e pouco e a passagem aérea com desconto
de estudante mais uns 2.500. Mensalmente eu gastava 730 dólares com a moradia e
mais 81 dólares com o transporte. É um
pouco tenso, mas vale a pena!
4. Compras , compras, compras! MUHAHAH the world is
mine
Só que não meus caros. O valor da brincadeira já
estava bem caro para o meu gosto. Sim alguns itens como eletrônicos, produtos
de beleza,e algumas marcas de roupa são realmente mais baratos no Canadá do
que no Brasil, porém mais caro que os Estados Unidos. Entretanto, toda vez que eu via uma coisa que
achava barata eu convertia mentalmente para reais e acabava não sendo tão
barato assim. Só comecei a comprar um pouquinho mais, mas não pirei também,
quando comecei a trabalhar porque estava ganhando uma grana legal e aí algumas
coisas como câmera fotográfica e notebook realmente valiam a pena comprar lá, tirando as pirações de Black Friday, Boxing day, desconto aqui, desconto
ali... Ô nação consumista.
5. Vou viver de hambúrguer?
| Poutine, típico prato canadense feito com batata e gravy sauce |
| Tentando ser saudável, olha os rolinhos primavera! |
Eu engordei sim morando fora. É meio complicado mesmo
tendo tantas gostosuras com preços tão baratos e a emoção e sensação de estar
viajando parece aumentar o apetite ainda mais. Os canadenses tem o costume de
tomar um café da manhã caprichado e gorduroso assim como os americanos; um
almoço pequeno porque normalmente estão correndo de um lado para o outro
resolvendo problemas de trabalho ou na escola estudando, que pode ser um sanduíche, um hot dog ou uma quentinha do dia anterior, e então uma janta
super reforçada, só que cedo, a partir das seis horas. Na minha casa eu comia muita comida oriental em razão da minha host mother ser filipina. Tinha muito noodles com cogumelos e
vegetais, muito guioza mas também tinha bolo de carne e espaguete (com molho
adocicado típico oriental). Quando comia fora gostava de pegar pizza que
custava 1 dólar o pedaço e a minha favorita era a Hawaii que vinha com um pedaço
de abacaxi. Comia muito também lanches prontos da 7-11 (Seven- Eleven) lojinha
de conveniência que tinha em praticamente todo quarteirão. Outra coisa que
tinha em todo quarteirão praticamente era uma Starbucks. As pessoas tomavam
café enlouquecidamente de manhã, de tarde e de noite, acho que isso ajudava a
espantar o frio. Mas não só vivi de comida oriental e hambúrguer. Quando
comecei a trabalhar em um restaurante mexicano também pude desfrutar de cinco
meses comendo, cheirando e preparando burritos, risos, risos. Vancouver é na
verdade um lugar multicultural e isso reflete em sua gastronomia também.
Experimentei um Mongolian barbecue, comida coreana com os picantes Kimchi,
espetinhos de cordeiro em um restaurante grego, um calzone maravilhoso em um
restaurante italiano, e Pelmeni, que é um guioza da culinária russa. Nada mal né?
6. Love is in the air
| Eu não fui nessa, só tirei a foto. As baladas fechavam às 3 da manhã |
Em questão de namoricos: eu fui para o Canadá
namorando e permaneci assim durante toda a minha viagem. Foram momentos muito
difíceis, mas eu tenho a sorte de ter um namorado compreensível como o Ivan, que
sempre me deu muito apoio. Tivemos
nossas brigas e momentos de crise, mas fomos firmes e fortes porque realmente
nos amamos muito. Em razão disso eu optei por abdicar festas muito hardcore,
baladas e ficar saindo porque na verdade eu preferia usar esse tempo para
conversar com ele, contar as minhas novidades e escutar as dele.
Muita gente entretanto vai solteira e quer viver um
momento de rebeldia. O engraçado é que
vi muitas pessoas indo solteiras e que começaram a namorar lá um international
love. Outras foram namorando e acabaram não aguentando a pressão da distância e
terminaram. Outros casais que foram juntos e se amaram muito por ter essa
conquista juntos. E ainda houveram outros casais que ao morarem juntos viram
que isso não era para eles e acabaram terminando lá.
O que eu escutei bastante lá era os que os meninos de
Vancouver não gostavam das meninas de lá por elas se acharem top of the
top, e assim preferiam sair com as
meninas internacionais. Vi muito casal ser formado lá. O problema é quando o programa acaba e cada
um tem que voltar para o seu país de origem. Conheço casais que tentaram
continuar mas foram vencidos pelas diferenças culturais, mas ainda tem aqueles
que estão firmes e fortes mesmo com a barreira da língua, da cultura e da
distância, QUANTO AMOR! Outra coisa que escutei era de que os meninos pegavam as internacionais por ser mais fácil de ir
para cama com elas, boys will be boys.
7. Sardades do
Brasil sil sil
| Em Vancouver você encontrará escolas de capoeira! |
Natural! Vira e mexe eu me pegava assistindo o
Programa do Jô no Youtube, ou então colocava um samba e ficava sambando pela
casa sozinha. Isso acontece, mas não tenha medo! A probabilidade de você
encontrar brasileiros aonde você estiver nesse mundão é grande. Vancouver é uma
cidade que atrai muito intercâmbista brasileiro e confesso que isso me dava
uma certa raiva, ainda porque, na maioria das vezes, os grupos de brasileiros
estariam causando no ônibus, na rua, no shopping e aonde quer que fosse. Uma
dica que eu posso dar, e essa será a mais valiosa de todas, é não grudar no
grupo de brasileiros! Filhinhos de papai irão causar com os amiguinhos brasileiros
porque não estão a fim de aprender bulhufas. Se você preza seu dinheiro ou o
dinheiro que seus pais estão investindo em você, se arrisque a falar com pessoas
que não falam a sua língua. Isso vai ampliar o seu aprendizado e você terá
amigos de outros lugares do mundo! Se a saudade bater forte encontre seus
amigos brasileiros esporadicamente em um restaurante brazuca por exemplo. Em
Vancouver o Boteco Brasil fazia sucesso para os amantes de um bom guaraná e
coxinhas.
Espero que seja útil à vocês! Semana que vem tem mais!
That’s all folks!!!
Por: Camila Trama
De: São Paulo - SP
Email: camila.trama@hotmail.com















0 comentários: