14 de dezembro de 2013

Conexão Canadá: 7 dicas para os futuros intercambistas



Vista da cidade, foto tirada na praia Kistilano Foto: Camila

Quem vai fazer intercâmbio ou já fez sabe que alguns medos são comuns. Será que meu inglês vai ser suficiente para me virar em situações de emergência? Será que vou aprender a língua finalmente e vou voltar parecendo um nativo da língua inglesa? Será que a família que eu vou ficar vai ser legal? Será que vai sair muito caro a brincadeira? Será que eu vou conseguir voltar com trezentos cremes do “Segredo da Vitória” para poder revender prazamiga? Será, será, será...

Hoje, como uma vovó, irei dar dicas úteis dessa minha experiência para que você possa ir para sua viagem com mais tranquilidade. É lógico que não sou regra, cada caso um caso. Mas pode ser de grande ajuda também.

1. Socorro! Não sei inglês, mas preciso aprender!


Escola em que estudei, eram ao todo cinco prédios foto: Camila
É inegável a necessidade do conhecimento de alguma língua estrangeira em pleno século XXI. O mundo está mais globalizado que nunca e saber uma língua a mais irá te abrir portas com certeza. Já temos um contato natural com inglês, estamos rodeados pela cultura americana com lojas, restaurantes de fast-food, nos filmes, na música. Não sei até que ponto isso é interessante pela preservação da nossa cultura nacional, mas sem dúvidas isso é um grande facilitador. Estar atentos à essas coisas pode te ajudar lá fora. Começamos a estudar inglês desde pequenos nas escolas, é claro que o ensino não é o melhor, e mesmo para quem fez aulas em uma escola de inglês na hora do vamos ver é outra história. De todo modo, o seu esforço vai determinar o seu sucesso na hora de aprender inglês ou qualquer outra língua. Não é uma corrida finita, sempre vai ter algo novo para aprender, sempre uma pronúncia para trabalhar, uma palavra nova, uma expressão idiomática e além de tudo sempre se esforçar para utilizar depois que o intercâmbio acaba porque com certeza um monte de coisa acaba sendo esquecida. 

Amiguinha internacional mostrando o seu kimono foto: Camila
Quando fui viajar eu já havia feito alguns cursos de inglês e, apesar de ter facilidade com a matéria na escola, não me sentia confortável em falar.  Antes de viajar eu pirei. Comprei um monte de livro com dicas, gírias, gramática e tantos outros porque queria aprender tudo antes de viajar. Comecei a me empolgar. Nos primeiros meses eu ainda tinha muito receio de falar as palavras novas que aprendia em classe ou de tentar debater um assunto mais polêmico que demandasse uma construção gramatical mais sofisticada. Eu entendia algumas coisas e outras não. Ficava frustradíssima de não conseguir me comunicar com a mesma habilidade que tenho usando o português.  Aos poucos fui percebendo uma melhora gradativa, isso me emocionava muito. A cada conversa era sensacional conseguir entender as pessoas e ser entendida. Tão básico e tão trivial. Uma das melhores sensações era poder conversar com pessoas de países diferentes e conseguir captar a cultura  desses lugares. Jovens com as mesmas ansiedades inerentes à idade e com educação tão distinta, moradores de países com politicas diferentes, economia diferente, história diferente. Descobri coisas maravilhosas de cada país, todos que estavam lá se sentiam representantes e queriam passar uns aos outros um pouco do que é ser japonês, brasileiro, turco, tcheco, espanhol.

 Você não vai sair de uma temporada de estudos sabendo tudo. Por isso é importante não dar por acabado e sim continuar a estudar e a se desafiar.

 2. A questão da moradia


Existem diversas maneiras: homestay, apartamento, ficar na residência da escola (caso você vá estudar em uma universidade).  Quando fui eu fiquei em casa de família. Como já havia escrito no segundo post minha família era Filipina e a maioria dos estudantes lá estavam também em casa de filipinos. Ouvi dizer de gente que morava com imigrantes italianos e até brasileiros. Minha família era composta pela mãe “ Ana”, pai  “Jomi” e os outros estudantes que também estavam lá. Cheguei a morar com a Misaki do Japão, Fernanda e Alisson do Brasil,  Catharina da Coréia (esse era seu nome em inglês, pela dificuldade que os ocidentais tinham em pronunciar seu nome) Tractor da Tailândia e um menino alemão que esqueci o nome, hehe.
Meu quarto. Só tava arrumado para eu tirar a foto hehehe
   A casa, como em qualquer outra, tinha regras. Não podia tomar banho por mais de dez minutos, era interessante deixar o quarto sempre arrumado e não podia trazer visitantes sem avisar a Ana. Tirando isso, ela era muito compreensível. Cozinhava para gente coisas gostosas, comprava um monte de coisas para tomarmos no café da manhã e não tinha problemas com sair e voltar tarde de festas. A Ana trabalhava de voluntária em um abrigo para mendigos e o Jomi era enfermeiro, já moravam no Canada fazia 20 e poucos anos pela facilidade de imigração e procura de uma vida melhor. Eu pagava 730 dólares canadenses mensalmente e tinha incluso todas as refeições e mais qualquer lanchinho que quisesse fazer de tarde, lavar a roupa uma vez por semana,  internet e um quarto só para mim.  Eu optei por ficar na homestay durante o programa todo, mas muita gente juntava um grupo de amigos e alugava um apartamento ou até um quarto só, o que era fácil.  O valor de um quarto no centro girava em torno de 600 dólares, já  em uma casa em um bairro mas distante ficava, mais ou menos, 400 dólares. Nessa conta você precisaria incluir uns 100 dólares para supermercado mensalmente, mas a lavanderia que deveria sair mais uns 50 mensais, mais internet. Alguns apartamentos e casas já vinham mobiliados para quem fosse alugar com os itens básicos de eletrodomésticos como fogão, geladeira, micro ondas, e alguns vinham até com sofá, televisão, camas e armários. Bem prático.

3. Quanto vai sair essa brincadeira?
É um investimento sim. Não é a coisa mais barata do mundo, mas acredito ser um dinheiro bem gasto. Só o programa da escola custava em torno de 15 mil reais o que já incluía, se não me engano, dois meses de moradia.  Para tirar o visto de estudante + o de trabalho saiu em torno de 200 dólares. O seguro de saúde foi mais mil e pouco e a passagem aérea com desconto de estudante mais uns 2.500. Mensalmente eu gastava 730 dólares com a moradia e mais 81 dólares com o transporte.  É um pouco tenso, mas vale a pena!

4. Compras , compras, compras! MUHAHAH the world is mine

Só que não meus caros. O valor da brincadeira já estava bem caro para o meu gosto. Sim alguns itens como eletrônicos, produtos de beleza,e algumas marcas de roupa são realmente mais baratos no Canadá do que no Brasil, porém mais caro que os Estados Unidos.  Entretanto, toda vez que eu via uma coisa que achava barata eu convertia mentalmente para reais e acabava não sendo tão barato assim. Só comecei a comprar um pouquinho mais, mas não pirei também, quando comecei a trabalhar porque estava ganhando uma grana legal e aí algumas coisas como câmera fotográfica e notebook realmente valiam a pena comprar lá, tirando as pirações de Black Friday, Boxing day, desconto aqui, desconto ali... Ô nação consumista.

5. Vou viver de hambúrguer?


Poutine, típico prato canadense feito com batata e gravy sauce


Tentando ser saudável, olha os rolinhos primavera!
Eu engordei sim morando fora. É meio complicado mesmo tendo tantas gostosuras com preços tão baratos e a emoção e sensação de estar viajando parece aumentar o apetite ainda mais. Os canadenses tem o costume de tomar um café da manhã caprichado e gorduroso assim como os americanos; um almoço pequeno porque normalmente estão correndo de um lado para o outro resolvendo problemas de trabalho ou na escola estudando, que pode ser um sanduíche, um hot dog ou uma quentinha do dia anterior, e então uma janta super reforçada, só que cedo, a partir das seis horas.  Na minha casa eu comia muita comida oriental em razão da minha host mother ser filipina. Tinha muito noodles com cogumelos e vegetais, muito guioza mas também tinha bolo de carne e espaguete (com molho adocicado típico oriental). Quando comia fora gostava de pegar pizza que custava 1 dólar o pedaço e a minha favorita era a Hawaii que vinha com um pedaço de abacaxi. Comia muito também lanches prontos da 7-11 (Seven- Eleven) lojinha de conveniência que tinha em praticamente todo quarteirão. Outra coisa que tinha em todo quarteirão praticamente era uma Starbucks. As pessoas tomavam café enlouquecidamente de manhã, de tarde e de noite, acho que isso ajudava a espantar o frio. Mas não só vivi de comida oriental e hambúrguer. Quando comecei a trabalhar em um restaurante mexicano também pude desfrutar de cinco meses comendo, cheirando e preparando burritos, risos, risos. Vancouver é na verdade um lugar multicultural e isso reflete em sua gastronomia também. Experimentei um Mongolian barbecue, comida coreana com os picantes Kimchi, espetinhos de cordeiro em um restaurante grego, um calzone maravilhoso em um restaurante italiano, e Pelmeni, que é um guioza da culinária russa.  Nada mal né?


6. Love is in the air
Eu não fui nessa, só tirei a foto. As baladas fechavam às 3 da manhã

Em questão de namoricos: eu fui para o Canadá namorando e permaneci assim durante toda a minha viagem. Foram momentos muito difíceis, mas eu tenho a sorte de ter um namorado compreensível como o Ivan, que sempre me deu muito apoio. Tivemos nossas brigas e momentos de crise, mas fomos firmes e fortes porque realmente nos amamos muito. Em razão disso eu optei por abdicar festas muito hardcore, baladas e ficar saindo porque na verdade eu preferia usar esse tempo para conversar com ele, contar as minhas novidades e escutar as dele.
Muita gente entretanto vai solteira e quer viver um momento de rebeldia.  O engraçado é que vi muitas pessoas indo solteiras e que começaram a namorar lá um international love. Outras foram namorando e acabaram não aguentando a pressão da distância e terminaram. Outros casais que foram juntos e se amaram muito por ter essa conquista juntos. E ainda houveram outros casais que ao morarem juntos viram que isso não era para eles e acabaram terminando lá.
O que eu escutei bastante lá era os que os meninos de Vancouver não gostavam das meninas de lá por elas se acharem top of the top,  e assim preferiam sair com as meninas internacionais. Vi muito casal ser formado lá. O problema é quando o programa acaba e cada um tem que voltar para o seu país de origem. Conheço casais que tentaram continuar mas foram vencidos pelas diferenças culturais, mas ainda tem aqueles que estão firmes e fortes mesmo com a barreira da língua, da cultura e da distância, QUANTO AMOR! Outra coisa que escutei era de que os meninos pegavam as internacionais por ser mais fácil de ir para cama com elas, boys will be boys.

7.  Sardades do Brasil sil sil

Em Vancouver você encontrará escolas de capoeira! 
Natural! Vira e mexe eu me pegava assistindo o Programa do Jô no Youtube, ou então colocava um samba e ficava sambando pela casa sozinha. Isso acontece, mas não tenha medo! A probabilidade de você encontrar brasileiros aonde você estiver nesse mundão é grande. Vancouver é uma cidade que atrai muito intercâmbista brasileiro e confesso que isso me dava uma certa raiva, ainda porque, na maioria das vezes, os grupos de brasileiros estariam causando no ônibus, na rua, no shopping e aonde quer que fosse. Uma dica que eu posso dar, e essa será a mais valiosa de todas, é não grudar no grupo de brasileiros! Filhinhos de papai irão causar com os amiguinhos brasileiros porque não estão a fim de aprender bulhufas. Se você preza seu dinheiro ou o dinheiro que seus pais estão investindo em você, se arrisque a falar com pessoas que não falam a sua língua. Isso vai ampliar o seu aprendizado e você terá amigos de outros lugares do mundo! Se a saudade bater forte encontre seus amigos brasileiros esporadicamente em um restaurante brazuca por exemplo. Em Vancouver o Boteco Brasil fazia sucesso para os amantes de um bom guaraná e coxinhas.

Espero que seja útil à vocês! Semana que vem tem mais!
That’s all folks!!!


Por: Camila Trama
De: São Paulo - SP
Email: camila.trama@hotmail.com


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