Renato
Russo, Cássia Eller, Cazuza, David Bowie, Freddie Mercury, entrem outros, além
de terem o Rock como ligação, também, tinham outro fator em comum: mantinham
relações com pessoas do mesmo sexo.
Todo
mundo sabe disso. Estas eram e são estrelas do Rock, pois a fama destes
ultrapassava as barreiras do gênero musical. Porém... e no Heavy Metal? Como é
pouco conhecida pelas massas, muitos associam o fã de Metal com o estereótipo do
ser machista e rústico. Se “sair do armário” para um roqueiro é difícil,
imagine um headbanger?
Na
década de 80, o Metal era visivelmente dividido em duas partes. De uma lado
havia as bandas de Heavy e Thrash Metal que gostavam de ser agressivas e que vestiam
couro ou jeans. Do outro, tinha as bandas de Hard Rock do movimento Glam Metal
que usavam um visual andrógeno, ou seja, aparentavam um hibrido entre homem e
mulher. Agora dê uma olhada nas imagens abaixo.
Quem
você apontaria como gay? A banda da esquerda ou o vocalista da direita?
Se
você escolheu a imagem da esquerda, você se deixou levar pela aparência. A
banda Poison fez sucesso na década de 80, auge do Hard Rock (vulgarmente conhecido
como Metal Farofa), e seguiram o velho jargão “Sexo, drogas e Rock n´Roll” com
muitas mulheres (não só esta banda como muitas deste gênero). Era comum outras pessoas fazerem piadas com o
visual exagerado destes grupos, mas a sexualidade era inquestionável.
Em
1998, Rob Halford (o “Metal God”) veio a público e assumiu a homossexualidade. O
vocalista do Judas Priest foi o primeiro do estilo musical a se assumir. A notícia,
de certo modo, serviu para diluir preconceitos como os citados no começo deste
artigo. Halford era o oposto do que o público imaginava como músico gay, pois
utilizava roupas de couro, tachinhas e rebites nos shows. A verdade é que este
visual foi inspirado nas boates GLS que ele frequentava.
O Metal God deu uma entrevista, ao site
Pollstar, e o homossexualismo foi abordado. “Algumas pessoas estão preparadas para viverem
suas vidas de uma maneira invisível. Há milhões de pessoas como nós que mantém
suas vidas privadas e estão felizes em fazer isso. E há alguns de nós que
percebe que se você tem força - e eu acredito que é uma questão de força - você
tem que avançar e dizer a todos quem você é. Eu digo, você vai a lugares como
Amsterdã e é como 'Do que você está falando? Você é gay. Então, o que isso tem
a ver com qualquer coisa?' Eu queria que o mundo fosse todo assim, mas não é.
Eu penso, particularmente no metal, ainda há um nível de incompreensão. Ainda
há um nível de fobia e intolerância. Mas pra mim, e para nós no PRIEST, nós
nunca realmente - 'sofremos' não é a palavra - nós nunca fomos expostos a esse
tipo de reação. Porque nós ainda temos milhões de fãs que nos amam. Então aqui
vamos nós. Talvez eu seja o único - você conhece o show 'Little Britain'? -
talvez eu seja o único gay por aqui", afirmou. Porém ele estava errado, pois se
descobriu depois que não era o único.
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| Kristian Espedal, mais conhecido com Gaahl. |
Outro
músico que surpreendeu, ainda mais, quando revelou a homossexualidade foi
Gaahl, ex-vocalista do Gorgoroth. Esta que é uma das principais bandas do Black
Metal, gênero pertencente ao Metal Extremo. Em 2010, ele ganhou o prêmio “Homossexual
do Ano” da Bergen Gay Galla que premia
pessoas ou instituições que contribuem para a comunidade Gay desta cidade
norueguesa.
Em
entrevista a um jornal local afirmou: “Eu não preciso de um prêmio para ser eu mesmo. Mas se isso pode
ajudar outras pessoas na mesma cena que eu, é algo positivo”.
Mesmo assim, ao descobrirem isso, os fãs não deixaram de escutar ou
vestir a camisa destas bandas. A sexualidade ou a aparência de ninguém deve
servir como fator para se distanciar e se afastar de algo ou alguém. O ser
humano é repleto de características e estas são apenas duas delas.
Veja vídeos do Judas Priest e do Gorgoroth:
Por: Afonso Rodrigues
De: São Paulo - SP
Email: afonsorodrigues@revistafriday.com.br
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