Ganhador do Oscar de ~melhor~ filme estrangeiro.
Gente, escrevi esta assim que assisti, mas como não publiquei, envio agora. Apesar de não ser uma estreia, acredito que é legal dar os meus humildes créditos à produção.
Aqui:
Embriagante.
Apenas essa palavra cabe hoje, para mim, como definição pra este longa de Michael Haneke. O cineasta inicia o filme impactando. Seu perfil de dissecar situações/personalidade, mantem-se bastante ativo, obrigada. Mas em outra posição. Velhinhos sensíveis... não. Que se amam, sim. Mas sem fugas românticas pra esse tal amor.
Existe cumplicidade e parceria entre o casal, isso fica claramente exposto no início do filme, antes de Anne sofrer um derrame.
Haneke e sua capacidade de interiorizar na história o realismo do que se quer passar, é fascinante. Cabe salientar que a interpretação de Emmanuelle Riva como Anne, e Jean-Lois Trintignant como Georges, foram milimétrica e gentilmente cedidas um ao outro, pelos próprios. A capacidade não era dúvida, mas a maestria da interação nas cenas... foi surpreendente.
O toque gelado em alguns momentos é praticamente sentido fisicamente pelo público. Não por frieza, mas pela forma nua com a qual o amor ali se projeta, às vezes de forma inversa ao que se é consenso dele.
A dignidade, os conceitos de velhice, opções e liberdade de ação são foco. Giram em torno deles como que colocando-os como autossustentáveis.
Recursos de recorte das cenas com a interação de luz e formas retas - geralmente cômodos da própria casa - trazem a sensação de estar próximo do que ali acontece. A cadeira de rodas parece tornar-se um personagem, aparecendo, e acabando por direcionar o filme ao redor do que acontece com Anne. Fica como que observadora do que se passa ali no quarto.
As reações e surpresas durante o filme, ficam por conta das... reações. Limites são provados ali, um para o outro.
Escuridão e silêncios também são elementos ativos da produção, e moldam o sentimento. Traduzem a experiência do casal, e tudo que ela envolve.
As posições de câmera são trabalhadas de forma com que, apesar da proximidade que acabamos por deixar acontecer, mantêm o público como público, numa visão externa. Talvez isso explique a condição de susto em determinados momentos do filme. A proximidade condicionada pelo posicionamento que nos é colocado, e não uma identificação necessariamente.
E bom... ainda estou bêbada.
PS: O texto terminou mais ou menos como o filme é finalizado. Talvez isso possa ter acentuado essa minha... não sensibilidade, mas alcoolismo psicológico (existe? expressão ~neologística~?)
Enfim...
Até mais.
Por: Bárbara Argenta
De: São Paulo - SP
Email: babi.argenta@gmail.com




















