#05: Visibilidade Trans

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INTERNET: Mudanças, tecnologia e Google+

Confira algumas mudanças que o google+ realizou para agradar os usuários.

Conexão Canadá: Vancity- The Journey begins

Camila Trama nos conta um pouco de seu intercâmbio em alguns lugares do Canadá.

CINEMA: Sassy Pants

Rebeldia, insatisfação e as paixões fazem parte do cotidiano de todos os adolescentes, confira a resenha do filme Sassy Pants.

VITRINE: O universo feminino de Isadora Almeida

Inspirada por ilustrações de moda, estamparia e coisas que vê por aí, conheça o trabalho da ilustradora mineira Isadora Almeida.

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18 de agosto de 2013

Conexão Turquia - Comer, comer!

Baklavas e similares... Tanto amor!

Se tem uma coisa que eu AMO fazer – e quem me conhece sabe – é comer. Sou um saco sem fundo, sempre tô aceitando tudo, entro em depressão relâmpago se não consigo comer tudo que está no prato e adoro quando sobra comida e posso fazer mais um lanchinho depois. Pois aqui na Turquia, apesar dos meus planos de “boicote ao hábito Magali”, as deliciosidades daqui são tão boas (e baratas!) que acho que vou ter que mudar minha estratégia.

Em São Paulo, cidade onde nasci e cresci, costumava dizer que existiam só três comidas no mundo que eu realmente não ia com a cara: berinjela, pepino e pimentão. Agora, adivinha quais são os principais ingredientes das refeições aqui? É. Pois é. O interessante é que, quando você está num lugar diferente, quer experimentar todas as comidas. Então acaba o mimimi e você vai de “meu santo não bateu com essa comida” a “até que não é tão ruim, será que eu posso repetir?”.

Prato especial com berinjela, pepino e pimentão. Pois é.

Bom, vamos aos fatos. O café da manhã aqui é bem básico: pão de forma com queijo, umas azeitonas, tomate e um ovo cozido servido na mesa com casca e tudo. No almoço e jantar, o principal acompanhamento é o pão. MUITO pão. Imagina um pão francês, só que gigante. Tem gente que chega a comer um pão desses inteiro por refeição!

 Aqui a maioria da comida é líquida, ou como eles dizem pra me explicar, “Waterish dishes”, então haja pão pra mergulhar nos molhos, feitos com tomate ou iogurte, azeite e temperos, geralmente apimentados. E por falar em iogurte, além de ser muito consumido puro ou com pepino em conserva, eles tomam muito uma bebida chamada Ayran, iogurte batido com água(!) e sal(!?).Tem gosto de água do mar com clara de ovo. Sacomé, né...
Ayran
E no embalo de coisa boa, além dessa deliciosidade (-sqn), também fui convidada a experimentar um sabor famoso aqui: Damla, ou “Gota”, em português. Se você já foi à Sorveteria Alaska em SP e pediu para experimentar o sabor “Miski - resina de árvore árabe”, já sabe do que eu estou falando. Se não, peço que imagine qual é o gosto da seiva de uma folha de árvore comum de rua. Aqui se faz muito doce com isso; chiclete, sorvete, recheio e cobertura de bolo... E onde mais sua imaginação permitir colocar seiva de árvore. (hehe)

Mas no geral, as sobremesas são dignas de aplausos! Minha paixão assumida, o Baklava, é um doce feito com nozes e/ou pistache, e uma única unidade garante que você exceda os níveis de açúcar- e felicidade! - do dia todo (300 calorias num bloquinho de 3x4). Todos os tipos de nozes e oleaginosas são vastamente usados aqui e são encontrados no mercado com um preço bem simpático.




Na verdade, tudo aqui é mais barato mesmo. Um prato de shopping com bebida geralmente não passa de 10TL (Liras Turcas), o que equivale basicamente a R$10 (R$1 = 0.83 TL). Sorvete (aqui tem Kibon!) é um absurdo de barato, e destaque pro Cornetto a 1,50TL. As roupas, então, têm preço de brechó capenga. Algumas lojas têm como padrão roupas de 5 a 15TL, e a qualidade é bem razoável, estilo lojas de departamento. Eletrônicos não  impressionam pelo preço, mas ainda assim são, na média, mais em conta que no Brasil.



Agora, o que não é barato mesmo é a gasolina, cujo litro sai por até 6TL. Outra coisa que deprime um pouco é o preço dos produtos de banho, que às vezes saem até mais caro que no Brasil (um Shampoo tipo L’orèal de 360ml chega a custar 10TL). O salário mínimo daqui é 850TL, mas o salário ideal para cobrir gastos gerais aqui seria de cerca de 1600TL.

Nesse meu quase um mês de Turquia, não tive muitos gastos, e o que gastei não foi caro. Claro que existem as mega marcas internacionais que custam caro em qualquer lugar do mundo, mas como nem todo mundo segue esse padrão...

 Mas então é isso, agora chegou a hora do almoço e vou ali comer meu bandejão da empresa! Até semana que vem! ;)

Vai um arroz com frango aí?

Por: Bárbara
De: Babaeski - Turquia
Email: barbara.kaneko@aiesec.net

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12 de agosto de 2013

Conexão Turquia - Vida Social, Família e Religião

Merhaba! Tudo bem por aí no Brasil?


Na minha primeira semana na Turquia, alguns intercambistas e nativos turcos me ajudaram na adaptação ao país, me buscando no aeroporto, me hospedando na casa deles e me ajudando no que eu precisasse. Durante estes dias, conheci um pouco do que é a vida social jovem na Turquia, ou pelo menos como é em Kocaeli, uma das muitas cidades do país. Vale ressaltar que a Turquia é relativamente grande, e, assim como no Brasil, cada região tem seus próprios hábitos e cultura.

Cheguei na época do Ramadan, evento muçulmano no qual os religiosos devem permanecer em jejum durante todo o dia (enquanto houver sol, não podem comer nem beber água) e não podem se entregar à tentações como álcool ou “atividades pecaminosas”, como mentir, fazer sexo ou fazer o mal aos outros. No entanto, todas essas regras são opcionais, e não é raro ver muçulmanos quebrando várias delas, seja por apenas alguns dias, seja durante todo o Ramadan. Aqui, o que importa mesmo é a fé, então vale mais comer durante o dia e acreditar na religião, do que fazer o jejum e agir com hipocrisia – dizem os muçulmanos.

Levando isto em conta, as atividades diárias dos jovens, depois de saírem do trabalho, geralmente se baseavam em ir ao shopping, esperar o sinal de liberação para comer (um alto falante saindo das mesquitas declamando uma reza que muita gente não entende), comer MUITO e muito rápido, e depois ir à um café com música ao vivo, sentar em pufes ao redor de uma mesa baixinha, tomar o tradicional çay e, às vezes, jogar algumas partidas de gamão. Este jogo, bem esquisito e desconhecido para brasileiros, é realmente muito comum entre turcos, e é jogado como se fosse o nosso cotidiano jogo de cartas, Truco.


Nos finais de semana, a atividade não mudava muito, principalmente porque ninguém comia durante o dia, então a maioria das pessoas ficava em casa ou ia fazer compras, bem longe do cheirinho de comida das praças de alimentação. Os jovens mais corajosos, aventureiros e rebeldes, por sua vez, podiam fazer um churrasco durante o dia, jantar em algum lugar durante a noite e depois ir à uma festa na casa de amigos e ficar até o dia seguinte conversando. E por falar em conversa, aqui TODO MUNDO vai pra varanda lá pra umas 22, 23 horas, tomar çay, comer semente de girassol e algum doce estilo Baklava, e conversar, conversar, conversar... O povo aqui é muito faladeiro, ficam nessa de bater papo até umas 2h todos os dias, apesar de no dia seguinte todo mundo acordar às 7 ou 8h.

Depois dessa vida suuuper hard-core (-not), fui à minha verdadeira cidade onde ficarei durante o ano: Babaeski. É uma nano-cidade no meio de milhares de plantações de girassol e milho,com direito até a corvos, espantalhos e sapos no meio da rua! É aqui que estou conhecendo um pouco dos costumes da família tradicional turca. 

Fiquei sabendo onde moraria ainda no Brasil: na casa de uma funcionária do meu trabalho, de 30 anos, e de sua mãe, de 57 anos. Imaginei mil coisas, tive muitas dúvidas e não fazia ideia do que seria uma família turca. Pensei que chegaria e seria recebida com um “oi” distante, sem encostar muito nem chegar muito perto, e que a mãe seria muito rígida e antipática, com regras de etiqueta que eu não teria a mínima ideia de como seriam e como cumprí-las.


Pois quando realmente cheguei, fui recebida literalmente de braços abertos, com um abração de mãe, três beijos na bochecha, mil desejos de boas vindas -em turco, claro, ninguém da casa sabe inglês...- e muito amor no coração. Agora tenho meu próprio quarto na casa e uma família completa turca! No meu primeiro dia aqui, elas me apresentaram à tias, tios, primos e sobrinhos, sendo um deles o Burak, de três anos, que no começo se escondia de mim, mas depois veio dizer que eu era bonita e legal (risos, hehe), e que por isso queria brincar! E não tive problema nenhum com ninguém da família, porque apesar de ninguém falar inglês, adoraram fazer mímica e dizer coisas para eu repetir e aprender turco. 


Como família tradicional, eles obedecem mais às regras da religião, e uma tia mais religiosa sempre usa o lenço na cabeça para sair em lugares públicos. O casamento por aqui também é um grande evento: todo mundo espera que dos 25 aos 30 encontre alguém e se case, e se passar dessa época e ainda estiver solteiro(a), já começam os comentários e a pressão da família. Um dos meus amigos nativos me contou que existem três regras básicas essenciais no islamismo: não beber, não usar drogas e não ter relações sexuais antes do casamento.
Depois do mês do Ramadan, há um grande feriado festivo chamado “Bayram”. Durante 3 a 5 dias, eles festejam, com um clima que mistura carnaval e natal, onde visitam seus parentes, trocam presentes, festejam e passam o tempo com pessoas amadas. E como é feriado religioso e tudo pára, muita gente aproveita para viajar e aproveitar o verão ao sol.



E assim, entre responsabilidades com amigos e família, o pessoal turco vai vivendo, e apesar de alguns preconceitos globais ainda enraizados em algumas pessoas – sobretudo homens, no geral machistas que não economizam em comentários do tipo “eu não sou sua esposa pra ficar  trazendo comida”, ou “homem de verdade não deixa barato e não foge de briga” (comentários estes que já vi muitos brasileiros fazendo também) -, todo mundo aqui tem muito bom humor, simpatia e, o principal no momento, carinho por estrangeiros!

Por: Bárbara 
De: Babaeski - Turquia
Email: barbara.kaneko@aiesec.net

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3 de agosto de 2013

Conexão Turquia - Antes de chegar e primeiras impressões

Oi! Eu sou a Bárbara, paulistana, jovem estudante de Letras e tenho o sonho de explorar o mundo e conhecer o desconhecido. Meu primeiro destino: Turquia!


Praça na cidade de Babaeski (próximo à Istambul)
 com senhora Muçulmana
Antes de chegar na Turquia, recebi muitos conselhos e ouvi as mais diversas opiniões e conhecimentos sobre o país. Ouvi muito “Lá todo mundo é muçulmano, cada homem tem umas 3 esposas; mulheres não podem sair de casa à noite e têm que casar logo; na rua, o homem sempre anda na frente, e a mulher, cabisbaixa, fica para trás; não se pode usar saia, shorts nem vestido, e nem pense em levar roupas que não cubram a maior parte do seu corpo”.  Mesmo assim, resolvi tirar a prova e ver como seria viver num país tão diferente. Nem imaginava que me surpreenderia tão positivamente.

Me inscrevi no programa da AIESEC, uma organização para jovens de 18 a 30 anos, que, dentre outras coisas, auxilia no processo de viagens internacionais de trabalho, seja ele voluntário ou profissional. Eu escolhi o  intercâmbio de estágio profissional no ensino de línguas, minha área de formação. Por acaso, as melhores vagas e as mais recorrentes estavam todas na Turquia; então, apesar de até então eu saber pouquíssimo sobre o país, pensei: por que não? Me apliquei, fiz as entrevistas e todos os trâmites necessários e adivinha? Fui aceita e convidada a estar na Turquia em um mês!

Como seria minha primeira viagem internacional nem passaporte eu tinha. Então para estar na Turquia no tempo solicitado, eu tive que correr  – e muito! 
 para que tudo desse certo. Fiz o pedido de passaporte, que ficou pronto em 10 dias (depois de algumas filas e lentidão no sistema...), pedi o visto no Consulado da Turquia, comprei a passagem de ida e volta, solicitei o Seguro Saúde e fim! No fim, tudo foi mais simples do que eu imaginava e quando eu menos percebi já estava colocando os pés pela primeira vez dentro de um Free Shop no aeroporto!



A viagem de avião de São Paulo até Istambul dura em média 13 horas e como eu iria morar em outra cidade, ainda levei mais umas 2 horas na estrada. Passar 15 horas só em locomoção me exigiram muita criatividade para passar o tempo e manter meu conforto. Então agora acho que já posso até me considerar  um tanto experiente com viagens! Aprendi muito, inclusive, sobre fuso horário e clima mundial. Saí do inverno de São Paulo, cheia de casacos e uma mala pronta pra enfrentar o suposto verão friozinho da Europa, mas quando cheguei aqui na Turquia, tive que tirar todos os casacos, lenços, botas e blusas compridas que estavam comigo, trocar por uma regata fresquinha e um sapato aberto, e me deparar com 31°C em plena madrugada turca. Isso porque, como a diferença do fuso entre Brasil e Turquia é de 6 horas, em teoria chegaria à tarde no horário do Brasil, mas como “perdi” 6 horas, aqui já era noite quando cheguei.

Conheci, no aeroporto e no avião um turco e alguns brasileiros que restauraram imensamente minha fé na humanidade! Gente que quer ajudar não importa o que seja, que quer que você se sinta bem em todo lugar, que se preocupa com você mesmo nunca o tendo visto na vida. Brasileiros e turcos se assemelham nessa questão. Toda pessoa turca que eu falei até hoje quis me ajudar até o último segundo possível, compartilhou conhecimentos sobre o país e cultura regional, se esforçou ao máximo para falar de forma que eu entendesse... E assim também é com os brasileiros quando se trata de “gringos” no nosso chão caloroso do Brasil.

Descobri que aqui, ao contrário do que muitos me diziam, nem todo mundo usa lenço na cabeça (são mais as senhorinhas e pessoas mais religiosas, mesmo), não tem muito essa de casamentos multi-conjugais, todo mundo usa roupa curta sem problema nenhum, existe balada, bar e passeios noturnos onde tem tanto homem quanto mulher...Me surpreendi muito com essa galera, também muito calorosa, da Turquia! O mundo hoje é um só, e manter a cabeça fechada a preconceitos e opiniões parciais sem ter uma própria visão sobre o assunto é a pior coisa a se fazer se existe dentro de você alguma curiosidade  sobre o que quer que seja.
Tradicional Çay (lê-se "tchai") - Chá Preto Turco
Na verdade, o que realmente me fez parar pra pensar e me ver obrigada a usar profundamente meu cérebro por aqui foi o idioma. Sempre me orgulhei de saber inglês além da minha língua nativa, e pensava que como o inglês é a “Língua Universal”, conseguiria me comunicar sem problemas em qualquer lugar do mundo. Aqui, me vi sozinha num país desconhecido, onde todo mundo fala Turco e são poucos os que sabem inglês. Quando percebi que eu não conseguiria me comunicar com a maioria dos turcos a não ser que fosse na língua turca, comecei a ficar preocupada, mas, mais uma vez, as pessoas com as quais eu tive a sorte de passar o começo dessa jornada foram incríveis, e não mediram esforços para se comunicarem comigo da melhor maneira possível. Decidi então, não medir esforços também para aprender turco! Nada mais justo, né?

Foi a partir desses primeiros descobrimentos que uma cadeia de novidades e descobertas se abriu em mim, e parece que vai me acompanhar durante todos os 365 dias que passarei nessa terra do Leste Europeu. Tenho certeza que muitas surpresas estão por vir, mas agora só o que me resta saber é... Você vem comigo nessa? ;)  


Por: Bárbara

De: Babaeski - Turquia

Email: barbara.kaneko@aiesec.net


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