12 de agosto de 2013

Conexão Turquia - Vida Social, Família e Religião

Merhaba! Tudo bem por aí no Brasil?


Na minha primeira semana na Turquia, alguns intercambistas e nativos turcos me ajudaram na adaptação ao país, me buscando no aeroporto, me hospedando na casa deles e me ajudando no que eu precisasse. Durante estes dias, conheci um pouco do que é a vida social jovem na Turquia, ou pelo menos como é em Kocaeli, uma das muitas cidades do país. Vale ressaltar que a Turquia é relativamente grande, e, assim como no Brasil, cada região tem seus próprios hábitos e cultura.

Cheguei na época do Ramadan, evento muçulmano no qual os religiosos devem permanecer em jejum durante todo o dia (enquanto houver sol, não podem comer nem beber água) e não podem se entregar à tentações como álcool ou “atividades pecaminosas”, como mentir, fazer sexo ou fazer o mal aos outros. No entanto, todas essas regras são opcionais, e não é raro ver muçulmanos quebrando várias delas, seja por apenas alguns dias, seja durante todo o Ramadan. Aqui, o que importa mesmo é a fé, então vale mais comer durante o dia e acreditar na religião, do que fazer o jejum e agir com hipocrisia – dizem os muçulmanos.

Levando isto em conta, as atividades diárias dos jovens, depois de saírem do trabalho, geralmente se baseavam em ir ao shopping, esperar o sinal de liberação para comer (um alto falante saindo das mesquitas declamando uma reza que muita gente não entende), comer MUITO e muito rápido, e depois ir à um café com música ao vivo, sentar em pufes ao redor de uma mesa baixinha, tomar o tradicional çay e, às vezes, jogar algumas partidas de gamão. Este jogo, bem esquisito e desconhecido para brasileiros, é realmente muito comum entre turcos, e é jogado como se fosse o nosso cotidiano jogo de cartas, Truco.


Nos finais de semana, a atividade não mudava muito, principalmente porque ninguém comia durante o dia, então a maioria das pessoas ficava em casa ou ia fazer compras, bem longe do cheirinho de comida das praças de alimentação. Os jovens mais corajosos, aventureiros e rebeldes, por sua vez, podiam fazer um churrasco durante o dia, jantar em algum lugar durante a noite e depois ir à uma festa na casa de amigos e ficar até o dia seguinte conversando. E por falar em conversa, aqui TODO MUNDO vai pra varanda lá pra umas 22, 23 horas, tomar çay, comer semente de girassol e algum doce estilo Baklava, e conversar, conversar, conversar... O povo aqui é muito faladeiro, ficam nessa de bater papo até umas 2h todos os dias, apesar de no dia seguinte todo mundo acordar às 7 ou 8h.

Depois dessa vida suuuper hard-core (-not), fui à minha verdadeira cidade onde ficarei durante o ano: Babaeski. É uma nano-cidade no meio de milhares de plantações de girassol e milho,com direito até a corvos, espantalhos e sapos no meio da rua! É aqui que estou conhecendo um pouco dos costumes da família tradicional turca. 

Fiquei sabendo onde moraria ainda no Brasil: na casa de uma funcionária do meu trabalho, de 30 anos, e de sua mãe, de 57 anos. Imaginei mil coisas, tive muitas dúvidas e não fazia ideia do que seria uma família turca. Pensei que chegaria e seria recebida com um “oi” distante, sem encostar muito nem chegar muito perto, e que a mãe seria muito rígida e antipática, com regras de etiqueta que eu não teria a mínima ideia de como seriam e como cumprí-las.


Pois quando realmente cheguei, fui recebida literalmente de braços abertos, com um abração de mãe, três beijos na bochecha, mil desejos de boas vindas -em turco, claro, ninguém da casa sabe inglês...- e muito amor no coração. Agora tenho meu próprio quarto na casa e uma família completa turca! No meu primeiro dia aqui, elas me apresentaram à tias, tios, primos e sobrinhos, sendo um deles o Burak, de três anos, que no começo se escondia de mim, mas depois veio dizer que eu era bonita e legal (risos, hehe), e que por isso queria brincar! E não tive problema nenhum com ninguém da família, porque apesar de ninguém falar inglês, adoraram fazer mímica e dizer coisas para eu repetir e aprender turco. 


Como família tradicional, eles obedecem mais às regras da religião, e uma tia mais religiosa sempre usa o lenço na cabeça para sair em lugares públicos. O casamento por aqui também é um grande evento: todo mundo espera que dos 25 aos 30 encontre alguém e se case, e se passar dessa época e ainda estiver solteiro(a), já começam os comentários e a pressão da família. Um dos meus amigos nativos me contou que existem três regras básicas essenciais no islamismo: não beber, não usar drogas e não ter relações sexuais antes do casamento.
Depois do mês do Ramadan, há um grande feriado festivo chamado “Bayram”. Durante 3 a 5 dias, eles festejam, com um clima que mistura carnaval e natal, onde visitam seus parentes, trocam presentes, festejam e passam o tempo com pessoas amadas. E como é feriado religioso e tudo pára, muita gente aproveita para viajar e aproveitar o verão ao sol.



E assim, entre responsabilidades com amigos e família, o pessoal turco vai vivendo, e apesar de alguns preconceitos globais ainda enraizados em algumas pessoas – sobretudo homens, no geral machistas que não economizam em comentários do tipo “eu não sou sua esposa pra ficar  trazendo comida”, ou “homem de verdade não deixa barato e não foge de briga” (comentários estes que já vi muitos brasileiros fazendo também) -, todo mundo aqui tem muito bom humor, simpatia e, o principal no momento, carinho por estrangeiros!

Por: Bárbara 
De: Babaeski - Turquia
Email: barbara.kaneko@aiesec.net

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