Merhaba! Tudo bem por aí no Brasil?
Na minha primeira semana na Turquia, alguns intercambistas e
nativos turcos me ajudaram na adaptação ao país, me buscando no aeroporto, me
hospedando na casa deles e me ajudando no que eu precisasse. Durante estes
dias, conheci um pouco do que é a vida social jovem na Turquia, ou pelo menos
como é em Kocaeli, uma das muitas cidades do país. Vale ressaltar que a Turquia
é relativamente grande, e, assim como no Brasil, cada região tem seus próprios
hábitos e cultura.
Cheguei na época do
Ramadan, evento muçulmano no qual os religiosos devem permanecer em jejum
durante todo o dia (enquanto houver sol, não podem comer nem beber água) e não
podem se entregar à tentações como álcool ou “atividades pecaminosas”, como
mentir, fazer sexo ou fazer o mal aos outros. No entanto, todas essas regras
são opcionais, e não é raro ver muçulmanos quebrando várias delas, seja por
apenas alguns dias, seja durante todo o Ramadan. Aqui, o que importa mesmo é a
fé, então vale mais comer durante o dia e acreditar na religião, do que fazer o
jejum e agir com hipocrisia – dizem os muçulmanos.
Levando isto em conta, as atividades diárias dos jovens,
depois de saírem do trabalho, geralmente se baseavam em ir ao shopping, esperar
o sinal de liberação para comer (um alto falante saindo das mesquitas declamando
uma reza que muita gente não entende), comer MUITO e muito rápido, e depois ir
à um café com música ao vivo, sentar em pufes ao redor de uma mesa baixinha, tomar o tradicional çay e, às vezes, jogar
algumas partidas de gamão. Este jogo, bem esquisito e desconhecido para
brasileiros, é realmente muito comum entre turcos, e é jogado como se fosse o
nosso cotidiano jogo de cartas, Truco.
Nos finais de semana, a atividade não mudava muito,
principalmente porque ninguém comia durante o dia, então a maioria das pessoas
ficava em casa ou ia fazer compras, bem longe do cheirinho de comida das praças
de alimentação. Os jovens mais corajosos, aventureiros e rebeldes, por sua vez,
podiam fazer um churrasco durante o dia, jantar em algum lugar durante a noite
e depois ir à uma festa na casa de amigos e ficar até o dia seguinte
conversando. E por falar em conversa, aqui TODO MUNDO vai pra varanda lá pra
umas 22, 23 horas, tomar çay, comer semente de girassol e algum doce estilo
Baklava, e conversar, conversar, conversar... O povo aqui é muito faladeiro,
ficam nessa de bater papo até umas 2h todos os dias, apesar de no dia seguinte
todo mundo acordar às 7 ou 8h.
Depois dessa vida suuuper hard-core (-not), fui à minha verdadeira cidade onde ficarei durante o ano: Babaeski. É uma nano-cidade no meio de milhares de plantações de girassol e milho,com direito até a corvos, espantalhos e sapos no meio da rua! É aqui que estou conhecendo um pouco dos costumes da família tradicional turca.
Fiquei sabendo onde moraria ainda no Brasil: na casa de uma funcionária do meu trabalho, de 30 anos, e de sua mãe, de 57 anos. Imaginei mil coisas, tive muitas dúvidas e não fazia ideia do que seria uma família turca. Pensei que chegaria e seria recebida com um “oi” distante, sem encostar muito nem chegar muito perto, e que a mãe seria muito rígida e antipática, com regras de etiqueta que eu não teria a mínima ideia de como seriam e como cumprí-las.
Pois quando realmente cheguei, fui recebida literalmente de
braços abertos, com um abração de mãe, três beijos na bochecha, mil desejos de
boas vindas -em turco, claro, ninguém da casa sabe inglês...- e muito amor no
coração. Agora tenho meu próprio quarto na casa e uma família completa turca! No
meu primeiro dia aqui, elas me apresentaram à tias, tios, primos e sobrinhos, sendo
um deles o Burak, de três anos, que no começo se escondia de mim, mas depois
veio dizer que eu era bonita e legal (risos, hehe), e que por isso queria
brincar! E não tive problema nenhum com ninguém da família, porque apesar de
ninguém falar inglês, adoraram fazer mímica e dizer coisas para eu repetir e
aprender turco.
Como família tradicional, eles obedecem mais às regras da
religião, e uma tia mais religiosa sempre usa o lenço na cabeça para sair em
lugares públicos. O casamento por aqui também é um grande evento: todo mundo
espera que dos 25 aos 30 encontre alguém e se case, e se passar dessa época e
ainda estiver solteiro(a), já começam os comentários e a pressão da família. Um
dos meus amigos nativos me contou que existem três regras básicas essenciais no
islamismo: não beber, não usar drogas e não ter relações sexuais antes do
casamento.
Depois do mês do Ramadan, há um grande feriado festivo
chamado “Bayram”. Durante 3 a 5 dias, eles festejam, com um clima que mistura
carnaval e natal, onde visitam seus parentes, trocam presentes, festejam e passam
o tempo com pessoas amadas. E como é feriado religioso e tudo pára, muita gente
aproveita para viajar e aproveitar o verão ao sol.
Por: Bárbara
De: Babaeski - Turquia
Email: barbara.kaneko@aiesec.net




















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