Já que dia 6 de Setembro é dia do sexo e a Friday está tirando o atraso, nada mais justo que
falar disso aqui na Turquia também! Mas antes de começar, pode esperar.
Primeiro tem que ter casamento. Depois a gente conversa…
Já comentei que aqui na Turquia casamento é muito
importante e um grande evento para todos os envolvidos. Recentemente, fui a
alguns casamentos aqui na cidade e quero compartilhar com vocês essa
experiência.
Basicamente, o casamento tradicional é feito em dois dias. O
primeiro é o dia da Noiva: num salão de festas, os convidados se reúnem, ouvem
música, dançam, comem bolachinhas e bolo de casamento, tudo junto com os
noivos. Num certo momento da festa, todas as amigas da Noiva vão para uma sala
separada, amarram um lenço colorido em cada braço e colocam uma vela em forma
de flor na mão. Depois, entram no salão, que agora está escuro, decorado com
algumas luzes estrategicamente posicionadas para o centro da sala, onde há uma
cadeira vazia. As amigas dão três voltas ao redor da cadeira, com a vela na mão
e ao som de uma música instrumental bonita. Depois, a noiva, toda vestida com
uma roupa especial vermelha, com véu de renda quase fechada e um vestido todo
enfeitado cobrindo o corpo, entra no salão e senta na cadeira. Uma das amigas
coloca henna nas duas mãos da noiva, e essa henna é basicamente uma pasta
preta-esverdeada de vegetais, com cheiro e consistência de cocô de bebê que
deixa uma mancha marrom-claro nas mãos por alguns dias. Essa henna também é
distribuída às convidadas depois do ritual, e é símbolo de boa sorte e
prosperidade. Depois de colocada a henna nas mãos é colocado uma espécie de
saquinho de renda vermelha em cada mão, para proteger a henna. Nesse momento chega o noivo, pega a noiva no colo e sai correndo com ela! Neste casamento que
assisti, o casal era muito divertido, então o tempo todo eles estavam fazendo
coisas engraçadas, como nesse momento de pegar a noiva no colo – o noivo ficou
fazendo cara de “sou super forte”/segurando seu troféu de vencedor. Depois
disso, depois de um tempinho a festa acaba e todo mundo volta pra casa (por
volta da 1h da manhã)
No segundo dia, a tradição começa à tarde. Todos os amigos e
familiares pegam seus carros, vão até a casa do noivo, buscam o noivo e seus
pais, e vão até a casa da noiva, buzinando e fazendo festa pela cidade toda. Os
carros participantes do evento são sinalizados por uma toalha branca amarrada
no retrovisor do motorista, e, à frente de todo os carros, uma caminhonete com
fotógrafos e músicos acompanha todo o percurso. Quando chegam na casa na noiva,
todo mundo sai dos carros e espera o noivo ir até a casa da noiva, buscá-la e
sair com ela para o lado de fora, onde eles dançam ao som dos músicos e palmas
dos amigos. A noiva, nesse dia, usa vestido de noiva branco, normal, como o
nosso do Brasil.
Depois disso, todos entram no carro de novo e vão passeando
pela cidade até um outro lugar (meio aleatório pra mim, era tipo um posto de
gasolina no meio da estrada), onde saem do carro e assistem à dança dos noivos
– ou dançam junto - de novo. Finalmente, todo mundo vai pra casa do noivo,
dançam uma última vez, os pais dos noivos jogam um saquinho com sementes,
quebram um vaso cheio de balinhas, “simpatia” para fertilidade, e o noivo leva
a noiva para sua casa.
À noite, tem festa de novo, e, ao fim da festa, começa a zoeira sem limites (hihi). Os amigos começam a fazer brincadeirinhas com o noivo, falando “é hojeee”, “a gente sabe, a gente sabee!”, ou cantando algum grito de guerra de faculdade que fala alguma coisa do tipo “ tô quase lá, vamos lá”. Isso porque, obviamente, depois da festa os noivos finalmente morderão a maçã do pecado pela primeira vez na vida, já que antes do casamento é proibido e a maioria das pessoas aqui seguem o ensinamento à risca nesse quesito.
Finalmente os noivos vão de carro até sua nova casa,
acompanhados uma última vez pelos amigos, e na porta de casa, os amigos homens
fazem um “túnel da morte” pro noivo entrar,
dando socos nas costas dele para
dar força e parabenizar pelo que está por vir.
Os noivos sobem, vão até o quarto e… enfim. O esquisito é que
todos os amigos acompanham os noivos até o ultimo segundo possível e quando
vão embora sabem exatamente o que está acontecendo, o que aumenta muito o
nervosismo dos noivos. Ouvi dizer que o número de tentativas falhas na primeira vez
aqui é particularmente maior devido à toda a situação.
Tenho amigos turcos que dizem que depois do casamento pode
(quase) tudo, então posições novas, submissão e fetiches são permitidos,
apesar de o pessoal turco não ser tão criativo assim. O que não pode mesmo é adicionar
um terceiro elemento ao jogo, já que seria considerado adultério, mesmo se os
dois estiverem de acordo. Maaas, por outro lado, tenho outros amigos turcos que
são bem reservados, e consideram o sexo permitido só e unicamente para
reprodução. E aí toda a discussão de camisinha, aborto e gravidez na juventude
se aplica aqui também. E se o negócio não der certo, infelizmente divórcio não
é muito bem visto, principalmente por algumas senhoras donas de casa que ficam
na varanda bisbilhotando a vida alheia e falando mal da vizinhança (o que é bem
engraçado de ver, haha), então muitos casais vivem a vida toda juntos e
infelizes por medo.
Mas no geral todo mundo vive bem! Muito amor, companheirismo
e família unida são coisas que estou conhecendo melhor aqui na Turquia, já que
às vezes essas três coisas juntas são difíceis de encontrar no Brasil. Então,
se quiser tudo isso já sabe um lugar no mundo que com certeza vai encontrar!
E vou ficando por aqui essa semana, até logo! Beijos ;)
E vou ficando por aqui essa semana, até logo! Beijos ;)
Por: Bárbara Bittencourt Kaneko
De: Babaeski - Turquia
Email: barbara.kaneko@aiesec.net












































