#05: Visibilidade Trans

Confira na capa do mês de fevereiro da Revista Friday, uma entrevista sobre os desafios de uma pessoa trans, com a ativista LGBT Rebecka de França.

INTERNET: Mudanças, tecnologia e Google+

Confira algumas mudanças que o google+ realizou para agradar os usuários.

Conexão Canadá: Vancity- The Journey begins

Camila Trama nos conta um pouco de seu intercâmbio em alguns lugares do Canadá.

CINEMA: Sassy Pants

Rebeldia, insatisfação e as paixões fazem parte do cotidiano de todos os adolescentes, confira a resenha do filme Sassy Pants.

VITRINE: O universo feminino de Isadora Almeida

Inspirada por ilustrações de moda, estamparia e coisas que vê por aí, conheça o trabalho da ilustradora mineira Isadora Almeida.

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8 de setembro de 2013

Conexão Turquia - Casamento!

Já que dia 6 de Setembro é dia do sexo e a Friday está tirando o atraso, nada mais justo que falar disso aqui na Turquia também! Mas antes de começar, pode esperar. Primeiro tem que ter casamento. Depois a gente conversa…

Já comentei que aqui na Turquia casamento é muito importante e um grande evento para todos os envolvidos. Recentemente, fui a alguns casamentos aqui na cidade e quero compartilhar com vocês essa experiência.

Basicamente, o casamento tradicional é feito em dois dias. O primeiro é o dia da Noiva: num salão de festas, os convidados se reúnem, ouvem música, dançam, comem bolachinhas e bolo de casamento, tudo junto com os noivos. Num certo momento da festa, todas as amigas da Noiva vão para uma sala separada, amarram um lenço colorido em cada braço e colocam uma vela em forma de flor na mão. Depois, entram no salão, que agora está escuro, decorado com algumas luzes estrategicamente posicionadas para o centro da sala, onde há uma cadeira vazia. As amigas dão três voltas ao redor da cadeira, com a vela na mão e ao som de uma música instrumental bonita. Depois, a noiva, toda vestida com uma roupa especial vermelha, com véu de renda quase fechada e um vestido todo enfeitado cobrindo o corpo, entra no salão e senta na cadeira. Uma das amigas coloca henna nas duas mãos da noiva, e essa henna é basicamente uma pasta preta-esverdeada de vegetais, com cheiro e consistência de cocô de bebê que deixa uma mancha marrom-claro nas mãos por alguns dias. Essa henna também é distribuída às convidadas depois do ritual, e é símbolo de boa sorte e prosperidade. Depois de colocada a henna nas mãos é colocado uma espécie de saquinho de renda vermelha em cada mão, para proteger a henna. Nesse momento chega o noivo, pega a noiva no colo e sai correndo com ela! Neste casamento que assisti, o casal era muito divertido, então o tempo todo eles estavam fazendo coisas engraçadas, como nesse momento de pegar a noiva no colo – o noivo ficou fazendo cara de “sou super forte”/segurando seu troféu de vencedor. Depois disso, depois de um tempinho a festa acaba e todo mundo volta pra casa (por volta da 1h da manhã)


No segundo dia, a tradição começa à tarde. Todos os amigos e familiares pegam seus carros, vão até a casa do noivo, buscam o noivo e seus pais, e vão até a casa da noiva, buzinando e fazendo festa pela cidade toda. Os carros participantes do evento são sinalizados por uma toalha branca amarrada no retrovisor do motorista, e, à frente de todo os carros, uma caminhonete com fotógrafos e músicos acompanha todo o percurso. Quando chegam na casa na noiva, todo mundo sai dos carros e espera o noivo ir até a casa da noiva, buscá-la e sair com ela para o lado de fora, onde eles dançam ao som dos músicos e palmas dos amigos. A noiva, nesse dia, usa vestido de noiva branco, normal, como o nosso do Brasil.
Depois disso, todos entram no carro de novo e vão passeando pela cidade até um outro lugar (meio aleatório pra mim, era tipo um posto de gasolina no meio da estrada), onde saem do carro e assistem à dança dos noivos – ou dançam junto - de novo. Finalmente, todo mundo vai pra casa do noivo, dançam uma última vez, os pais dos noivos jogam um saquinho com sementes, quebram um vaso cheio de balinhas, “simpatia” para fertilidade, e o noivo leva a noiva para sua casa.




À noite, tem festa de novo, e, ao fim da festa, começa a zoeira sem limites (hihi). Os amigos começam a fazer brincadeirinhas com o noivo, falando “é hojeee”, “a gente sabe, a gente sabee!”, ou cantando algum grito de guerra de faculdade que fala alguma coisa do tipo “ tô quase lá, vamos lá”. Isso porque, obviamente, depois da festa os noivos finalmente morderão a maçã do pecado pela primeira vez na vida, já que antes do casamento é proibido e a maioria das pessoas aqui seguem o ensinamento à risca nesse quesito.

Finalmente os noivos vão de carro até sua nova casa, acompanhados uma última vez pelos amigos, e na porta de casa, os amigos homens fazem um “túnel da morte” pro noivo entrar, 
dando socos nas costas dele para dar força e parabenizar pelo que está por vir.


Os noivos sobem, vão até o quarto e… enfim. O esquisito é que todos os amigos acompanham os noivos até o ultimo segundo possível e quando vão embora sabem exatamente o que está acontecendo, o que aumenta muito o nervosismo dos noivos. Ouvi dizer que o número de tentativas falhas na primeira vez aqui é particularmente maior devido à toda a situação.






Tenho amigos turcos que dizem que depois do casamento pode (quase) tudo, então posições novas, submissão e fetiches são permitidos, apesar de o pessoal turco não ser tão criativo assim. O que não pode mesmo é adicionar um terceiro elemento ao jogo, já que seria considerado adultério, mesmo se os dois estiverem de acordo. Maaas, por outro lado, tenho outros amigos turcos que são bem reservados, e consideram o sexo permitido só e unicamente para reprodução. E aí toda a discussão de camisinha, aborto e gravidez na juventude se aplica aqui também. E se o negócio não der certo, infelizmente divórcio não é muito bem visto, principalmente por algumas senhoras donas de casa que ficam na varanda bisbilhotando a vida alheia e falando mal da vizinhança (o que é bem engraçado de ver, haha), então muitos casais vivem a vida toda juntos e infelizes por medo.




Mas no geral todo mundo vive bem! Muito amor, companheirismo e família unida são coisas que estou conhecendo melhor aqui na Turquia, já que às vezes essas três coisas juntas são difíceis de encontrar no Brasil. Então, se quiser tudo isso já sabe um lugar no mundo que com certeza vai encontrar!

E vou ficando por aqui essa semana, até logo! Beijos ;)



Por: Bárbara Bittencourt Kaneko
De: Babaeski - Turquia
Email: barbara.kaneko@aiesec.net

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31 de agosto de 2013

Conexão Turquia - Festival, Música e Dinheiro

Já estou na Turquia há um mês e nove dias. Quando tomei a decisão de ficar um ano por aqui, imaginei que seria um ano infinito, mas esse primeiro mês já passou, e passou voando! 
Garden Pub com amigos turcos

Todo ano, entre o fim de Julho e começo de Agosto, acontece o Festival Agrícola de Babaeski, evento mega importante para os moradores, que se reúnem no local do evento e assistem shows de celebridades (ou não celebridades), bebem, conversam e se divertem. Eles juntam atrativos para todas as faixas etárias no festival, então dá pra ver desde pula pula, carrossel e similares (eles trazem todas as máquinas só para o festival, depois tudo vai embora) até o Garden Pub servindo bebidas e dando amendoim e amêndoas de graça para comer com cerveja! Como eu não bebo, devo ter dado um prejuízo pro Pub por ter jantado amendoim todos os dias, haha!

O máximo que consegui capturar dos Shows do Festival...

Uma coisa interessante aconteceu nesse Garden Pub: como aqui é uma cidade pequena, todo mundo meio que se conhece, e um dia desses todos estávamos conversando lá no Pub, e de repente chegaram três homens bem engravatados. Todos falaram boa noite pra eles, e alguns se levantaram e os cumprimentaram, conversando brevemente. Quando perguntei quem eram, me responderam que eram o prefeito e mais duas pessoas mega importantes da cidade, e que foram lá no Garden Pub pra socializar, como qualquer outra pessoa! Eu que sou de São Paulo fiquei levemente chocada e achei graça, e depois ainda descobri que, como eu trabalho numa multinacional, a única de Babaeski, meu chefe faz parte desse grupo seleto de celebridades e o mesmo acontece com ele se ele vai a locais públicos (todo mundo vem cumprimentar e tentar conversar). Mas a pessoa que mais me surpreendeu dentre todas essas celebridades foi... EU! Hahahah, estive nesse pub durante 3 dos 5 dias de festival, e como ninguém aqui está acostumado a ver pessoas falando inglês, todo mundo me olhava, e no dia seguinte o garçom já veio falando inglês e misteriosamente sabia meu nome, assim como algumas outras pessoas desconhecidas que vieram me conhecer! Então já sabe né, pode ir se preparando pra me ver nos holofotes em breve, e lembre-se sempre de andar com um caderninho na mão pra pegar meu autógrafo caso você venha pra cá! Hahahahaha :P

Bom, mas voltando ao festival: este ano, Babaeski contou com a magnífica presença de Gülşen, hit do verão da Turquia, que canta uma música que me lembrou o funk “ela senta e levanta” mas com ritmo pop. A música se chama “deitar e levantar”, e todo mundo AMA! Olha aí o clipe:


E já que estamos no mundo dos hits, aproveito para falar sobre a indústria musical e sistema econômico. A influência Americana aqui também é forte. Frequentemente ouço Miley Cyrus, Daft Punk e Selena Gomez na rádio, mas também toca muita música turca. Aqui também existe o conceito “música brega”, e é engraçado como alguns artistas são considerados maravilhosos e outros são considerados cantores de “música de pobre” (sic), mas produzem o mesmo estilo musical. Aqui é bem difícil gostarem de rock, todo mundo pende bem mais pro lado pop ou eletrônico, então fica difícil falar de outros tipos musicais...

Nos clipes e shows, é super normal ver as mulheres seduzindo de roupinha apertada e curta, e também fazem muitas coreografias tipo video dance e boy band. E, para a minha supresa, os modelitos não ficam só nos clipes: tem muita menina usando saia justa e vestidinho periguete #festivalBabaeski #baladaTop #agoravai #procuroMarido!

Gülşen à la Deborah Secco!
Sobre o sistema econômico, a Turquia é um país capitalista, tanto quanto o Brasil, mas a desigualdade social aqui é menor. O salário mínimo, como já comentei antes, é 850 TL, mas as coisas aqui são mais baratas, o que torna o fato de ser um valor baixo mais aceitável.
E falando em dinheiro, tive o privilégio de passar um bom tempo sem gastar nenhum centavo, cheguei até a me esquecer que dinheiro existia, visto que não precisava comprar nada no dia a dia. E isso me deu uma sensação tão boa! Pensar que tem gente que realmente não usa dinheiro até hoje, que planta sua própria comida, que nunca precisa ir muito longe de casa, e se precisar, vai a cavalo...Tive vontade de viver assim! Mas aí quis comprar um laptop novo e passou, beijos.



Nessa parte europeia da Turquia, é comum vermos pessoas chamadas de "çingene", ou ciganos, que moram em casas improvisadas que me lembram nossas favelas; na verdade, o termo aqui é bem generalizado, já que chamam de "çingene" qualquer pessoa que se encaixe em qualquer uma dessas alternativas: negro(a), morador de rua, de classe econômica mais baixa, pedinte... Muitos são verdadeiros ciganos, mas a mistura é tanta que só dá pra ter certeza perguntando, mesmo.

Já em Istanbul, a desigualdade aumenta, e por isso o perigo aumenta também. Na parte do leste da Turquia, a influência religiosa e mediterrânea é maior, e por isso o machismo é bem maior, aumentando muito as chances de estupros e violência.

Mas por aqui em Babaeski, segurança realmente não é o problema. Em uma de minhas aulas de inglês na empresa, perguntei aos meus alunos quais eram as profissões mais perigosas. Eles falaram de tudo, esquiador, patinador, rally, MMA... E nada de polícia. Quando perguntei para eles se ser policial não era uma profissão perigosa, eles responderam "nossa, polícia? Imagina, aqui eles só cuidam das burocracias, trabalham só em escritório!". Que bonito, né? :)

Então é isso, fica por aqui o post da semana, e até a próxima! 
Beijos e abraços brasileiros! ;)


Por: Bárbara
De: Babaeski - Turquia
Email: barbara.kaneko@aiesec.net

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18 de agosto de 2013

Conexão Turquia - Comer, comer!

Baklavas e similares... Tanto amor!

Se tem uma coisa que eu AMO fazer – e quem me conhece sabe – é comer. Sou um saco sem fundo, sempre tô aceitando tudo, entro em depressão relâmpago se não consigo comer tudo que está no prato e adoro quando sobra comida e posso fazer mais um lanchinho depois. Pois aqui na Turquia, apesar dos meus planos de “boicote ao hábito Magali”, as deliciosidades daqui são tão boas (e baratas!) que acho que vou ter que mudar minha estratégia.

Em São Paulo, cidade onde nasci e cresci, costumava dizer que existiam só três comidas no mundo que eu realmente não ia com a cara: berinjela, pepino e pimentão. Agora, adivinha quais são os principais ingredientes das refeições aqui? É. Pois é. O interessante é que, quando você está num lugar diferente, quer experimentar todas as comidas. Então acaba o mimimi e você vai de “meu santo não bateu com essa comida” a “até que não é tão ruim, será que eu posso repetir?”.

Prato especial com berinjela, pepino e pimentão. Pois é.

Bom, vamos aos fatos. O café da manhã aqui é bem básico: pão de forma com queijo, umas azeitonas, tomate e um ovo cozido servido na mesa com casca e tudo. No almoço e jantar, o principal acompanhamento é o pão. MUITO pão. Imagina um pão francês, só que gigante. Tem gente que chega a comer um pão desses inteiro por refeição!

 Aqui a maioria da comida é líquida, ou como eles dizem pra me explicar, “Waterish dishes”, então haja pão pra mergulhar nos molhos, feitos com tomate ou iogurte, azeite e temperos, geralmente apimentados. E por falar em iogurte, além de ser muito consumido puro ou com pepino em conserva, eles tomam muito uma bebida chamada Ayran, iogurte batido com água(!) e sal(!?).Tem gosto de água do mar com clara de ovo. Sacomé, né...
Ayran
E no embalo de coisa boa, além dessa deliciosidade (-sqn), também fui convidada a experimentar um sabor famoso aqui: Damla, ou “Gota”, em português. Se você já foi à Sorveteria Alaska em SP e pediu para experimentar o sabor “Miski - resina de árvore árabe”, já sabe do que eu estou falando. Se não, peço que imagine qual é o gosto da seiva de uma folha de árvore comum de rua. Aqui se faz muito doce com isso; chiclete, sorvete, recheio e cobertura de bolo... E onde mais sua imaginação permitir colocar seiva de árvore. (hehe)

Mas no geral, as sobremesas são dignas de aplausos! Minha paixão assumida, o Baklava, é um doce feito com nozes e/ou pistache, e uma única unidade garante que você exceda os níveis de açúcar- e felicidade! - do dia todo (300 calorias num bloquinho de 3x4). Todos os tipos de nozes e oleaginosas são vastamente usados aqui e são encontrados no mercado com um preço bem simpático.




Na verdade, tudo aqui é mais barato mesmo. Um prato de shopping com bebida geralmente não passa de 10TL (Liras Turcas), o que equivale basicamente a R$10 (R$1 = 0.83 TL). Sorvete (aqui tem Kibon!) é um absurdo de barato, e destaque pro Cornetto a 1,50TL. As roupas, então, têm preço de brechó capenga. Algumas lojas têm como padrão roupas de 5 a 15TL, e a qualidade é bem razoável, estilo lojas de departamento. Eletrônicos não  impressionam pelo preço, mas ainda assim são, na média, mais em conta que no Brasil.



Agora, o que não é barato mesmo é a gasolina, cujo litro sai por até 6TL. Outra coisa que deprime um pouco é o preço dos produtos de banho, que às vezes saem até mais caro que no Brasil (um Shampoo tipo L’orèal de 360ml chega a custar 10TL). O salário mínimo daqui é 850TL, mas o salário ideal para cobrir gastos gerais aqui seria de cerca de 1600TL.

Nesse meu quase um mês de Turquia, não tive muitos gastos, e o que gastei não foi caro. Claro que existem as mega marcas internacionais que custam caro em qualquer lugar do mundo, mas como nem todo mundo segue esse padrão...

 Mas então é isso, agora chegou a hora do almoço e vou ali comer meu bandejão da empresa! Até semana que vem! ;)

Vai um arroz com frango aí?

Por: Bárbara
De: Babaeski - Turquia
Email: barbara.kaneko@aiesec.net

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12 de agosto de 2013

Conexão Turquia - Vida Social, Família e Religião

Merhaba! Tudo bem por aí no Brasil?


Na minha primeira semana na Turquia, alguns intercambistas e nativos turcos me ajudaram na adaptação ao país, me buscando no aeroporto, me hospedando na casa deles e me ajudando no que eu precisasse. Durante estes dias, conheci um pouco do que é a vida social jovem na Turquia, ou pelo menos como é em Kocaeli, uma das muitas cidades do país. Vale ressaltar que a Turquia é relativamente grande, e, assim como no Brasil, cada região tem seus próprios hábitos e cultura.

Cheguei na época do Ramadan, evento muçulmano no qual os religiosos devem permanecer em jejum durante todo o dia (enquanto houver sol, não podem comer nem beber água) e não podem se entregar à tentações como álcool ou “atividades pecaminosas”, como mentir, fazer sexo ou fazer o mal aos outros. No entanto, todas essas regras são opcionais, e não é raro ver muçulmanos quebrando várias delas, seja por apenas alguns dias, seja durante todo o Ramadan. Aqui, o que importa mesmo é a fé, então vale mais comer durante o dia e acreditar na religião, do que fazer o jejum e agir com hipocrisia – dizem os muçulmanos.

Levando isto em conta, as atividades diárias dos jovens, depois de saírem do trabalho, geralmente se baseavam em ir ao shopping, esperar o sinal de liberação para comer (um alto falante saindo das mesquitas declamando uma reza que muita gente não entende), comer MUITO e muito rápido, e depois ir à um café com música ao vivo, sentar em pufes ao redor de uma mesa baixinha, tomar o tradicional çay e, às vezes, jogar algumas partidas de gamão. Este jogo, bem esquisito e desconhecido para brasileiros, é realmente muito comum entre turcos, e é jogado como se fosse o nosso cotidiano jogo de cartas, Truco.


Nos finais de semana, a atividade não mudava muito, principalmente porque ninguém comia durante o dia, então a maioria das pessoas ficava em casa ou ia fazer compras, bem longe do cheirinho de comida das praças de alimentação. Os jovens mais corajosos, aventureiros e rebeldes, por sua vez, podiam fazer um churrasco durante o dia, jantar em algum lugar durante a noite e depois ir à uma festa na casa de amigos e ficar até o dia seguinte conversando. E por falar em conversa, aqui TODO MUNDO vai pra varanda lá pra umas 22, 23 horas, tomar çay, comer semente de girassol e algum doce estilo Baklava, e conversar, conversar, conversar... O povo aqui é muito faladeiro, ficam nessa de bater papo até umas 2h todos os dias, apesar de no dia seguinte todo mundo acordar às 7 ou 8h.

Depois dessa vida suuuper hard-core (-not), fui à minha verdadeira cidade onde ficarei durante o ano: Babaeski. É uma nano-cidade no meio de milhares de plantações de girassol e milho,com direito até a corvos, espantalhos e sapos no meio da rua! É aqui que estou conhecendo um pouco dos costumes da família tradicional turca. 

Fiquei sabendo onde moraria ainda no Brasil: na casa de uma funcionária do meu trabalho, de 30 anos, e de sua mãe, de 57 anos. Imaginei mil coisas, tive muitas dúvidas e não fazia ideia do que seria uma família turca. Pensei que chegaria e seria recebida com um “oi” distante, sem encostar muito nem chegar muito perto, e que a mãe seria muito rígida e antipática, com regras de etiqueta que eu não teria a mínima ideia de como seriam e como cumprí-las.


Pois quando realmente cheguei, fui recebida literalmente de braços abertos, com um abração de mãe, três beijos na bochecha, mil desejos de boas vindas -em turco, claro, ninguém da casa sabe inglês...- e muito amor no coração. Agora tenho meu próprio quarto na casa e uma família completa turca! No meu primeiro dia aqui, elas me apresentaram à tias, tios, primos e sobrinhos, sendo um deles o Burak, de três anos, que no começo se escondia de mim, mas depois veio dizer que eu era bonita e legal (risos, hehe), e que por isso queria brincar! E não tive problema nenhum com ninguém da família, porque apesar de ninguém falar inglês, adoraram fazer mímica e dizer coisas para eu repetir e aprender turco. 


Como família tradicional, eles obedecem mais às regras da religião, e uma tia mais religiosa sempre usa o lenço na cabeça para sair em lugares públicos. O casamento por aqui também é um grande evento: todo mundo espera que dos 25 aos 30 encontre alguém e se case, e se passar dessa época e ainda estiver solteiro(a), já começam os comentários e a pressão da família. Um dos meus amigos nativos me contou que existem três regras básicas essenciais no islamismo: não beber, não usar drogas e não ter relações sexuais antes do casamento.
Depois do mês do Ramadan, há um grande feriado festivo chamado “Bayram”. Durante 3 a 5 dias, eles festejam, com um clima que mistura carnaval e natal, onde visitam seus parentes, trocam presentes, festejam e passam o tempo com pessoas amadas. E como é feriado religioso e tudo pára, muita gente aproveita para viajar e aproveitar o verão ao sol.



E assim, entre responsabilidades com amigos e família, o pessoal turco vai vivendo, e apesar de alguns preconceitos globais ainda enraizados em algumas pessoas – sobretudo homens, no geral machistas que não economizam em comentários do tipo “eu não sou sua esposa pra ficar  trazendo comida”, ou “homem de verdade não deixa barato e não foge de briga” (comentários estes que já vi muitos brasileiros fazendo também) -, todo mundo aqui tem muito bom humor, simpatia e, o principal no momento, carinho por estrangeiros!

Por: Bárbara 
De: Babaeski - Turquia
Email: barbara.kaneko@aiesec.net

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3 de agosto de 2013

Conexão Turquia - Antes de chegar e primeiras impressões

Oi! Eu sou a Bárbara, paulistana, jovem estudante de Letras e tenho o sonho de explorar o mundo e conhecer o desconhecido. Meu primeiro destino: Turquia!


Praça na cidade de Babaeski (próximo à Istambul)
 com senhora Muçulmana
Antes de chegar na Turquia, recebi muitos conselhos e ouvi as mais diversas opiniões e conhecimentos sobre o país. Ouvi muito “Lá todo mundo é muçulmano, cada homem tem umas 3 esposas; mulheres não podem sair de casa à noite e têm que casar logo; na rua, o homem sempre anda na frente, e a mulher, cabisbaixa, fica para trás; não se pode usar saia, shorts nem vestido, e nem pense em levar roupas que não cubram a maior parte do seu corpo”.  Mesmo assim, resolvi tirar a prova e ver como seria viver num país tão diferente. Nem imaginava que me surpreenderia tão positivamente.

Me inscrevi no programa da AIESEC, uma organização para jovens de 18 a 30 anos, que, dentre outras coisas, auxilia no processo de viagens internacionais de trabalho, seja ele voluntário ou profissional. Eu escolhi o  intercâmbio de estágio profissional no ensino de línguas, minha área de formação. Por acaso, as melhores vagas e as mais recorrentes estavam todas na Turquia; então, apesar de até então eu saber pouquíssimo sobre o país, pensei: por que não? Me apliquei, fiz as entrevistas e todos os trâmites necessários e adivinha? Fui aceita e convidada a estar na Turquia em um mês!

Como seria minha primeira viagem internacional nem passaporte eu tinha. Então para estar na Turquia no tempo solicitado, eu tive que correr  – e muito! 
– para que tudo desse certo. Fiz o pedido de passaporte, que ficou pronto em 10 dias (depois de algumas filas e lentidão no sistema...), pedi o visto no Consulado da Turquia, comprei a passagem de ida e volta, solicitei o Seguro Saúde e fim! No fim, tudo foi mais simples do que eu imaginava e quando eu menos percebi já estava colocando os pés pela primeira vez dentro de um Free Shop no aeroporto!



A viagem de avião de São Paulo até Istambul dura em média 13 horas e como eu iria morar em outra cidade, ainda levei mais umas 2 horas na estrada. Passar 15 horas só em locomoção me exigiram muita criatividade para passar o tempo e manter meu conforto. Então agora acho que já posso até me considerar  um tanto experiente com viagens! Aprendi muito, inclusive, sobre fuso horário e clima mundial. Saí do inverno de São Paulo, cheia de casacos e uma mala pronta pra enfrentar o suposto verão friozinho da Europa, mas quando cheguei aqui na Turquia, tive que tirar todos os casacos, lenços, botas e blusas compridas que estavam comigo, trocar por uma regata fresquinha e um sapato aberto, e me deparar com 31°C em plena madrugada turca. Isso porque, como a diferença do fuso entre Brasil e Turquia é de 6 horas, em teoria chegaria à tarde no horário do Brasil, mas como “perdi” 6 horas, aqui já era noite quando cheguei.

Conheci, no aeroporto e no avião um turco e alguns brasileiros que restauraram imensamente minha fé na humanidade! Gente que quer ajudar não importa o que seja, que quer que você se sinta bem em todo lugar, que se preocupa com você mesmo nunca o tendo visto na vida. Brasileiros e turcos se assemelham nessa questão. Toda pessoa turca que eu falei até hoje quis me ajudar até o último segundo possível, compartilhou conhecimentos sobre o país e cultura regional, se esforçou ao máximo para falar de forma que eu entendesse... E assim também é com os brasileiros quando se trata de “gringos” no nosso chão caloroso do Brasil.

Descobri que aqui, ao contrário do que muitos me diziam, nem todo mundo usa lenço na cabeça (são mais as senhorinhas e pessoas mais religiosas, mesmo), não tem muito essa de casamentos multi-conjugais, todo mundo usa roupa curta sem problema nenhum, existe balada, bar e passeios noturnos onde tem tanto homem quanto mulher...Me surpreendi muito com essa galera, também muito calorosa, da Turquia! O mundo hoje é um só, e manter a cabeça fechada a preconceitos e opiniões parciais sem ter uma própria visão sobre o assunto é a pior coisa a se fazer se existe dentro de você alguma curiosidade  sobre o que quer que seja.
Tradicional Çay (lê-se "tchai") - Chá Preto Turco
Na verdade, o que realmente me fez parar pra pensar e me ver obrigada a usar profundamente meu cérebro por aqui foi o idioma. Sempre me orgulhei de saber inglês além da minha língua nativa, e pensava que como o inglês é a “Língua Universal”, conseguiria me comunicar sem problemas em qualquer lugar do mundo. Aqui, me vi sozinha num país desconhecido, onde todo mundo fala Turco e são poucos os que sabem inglês. Quando percebi que eu não conseguiria me comunicar com a maioria dos turcos a não ser que fosse na língua turca, comecei a ficar preocupada, mas, mais uma vez, as pessoas com as quais eu tive a sorte de passar o começo dessa jornada foram incríveis, e não mediram esforços para se comunicarem comigo da melhor maneira possível. Decidi então, não medir esforços também para aprender turco! Nada mais justo, né?

Foi a partir desses primeiros descobrimentos que uma cadeia de novidades e descobertas se abriu em mim, e parece que vai me acompanhar durante todos os 365 dias que passarei nessa terra do Leste Europeu. Tenho certeza que muitas surpresas estão por vir, mas agora só o que me resta saber é... Você vem comigo nessa? ;)  


Por: Bárbara

De: Babaeski - Turquia

Email: barbara.kaneko@aiesec.net


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