Motivado pela “solidão que todos nós possuímos e a sensação de fazer, ou não, parte de algo ainda em transformação”, Antônio LaCarne começou a escrever quando era adolescente. Hoje, aos 30 anos de idade, continua expressando sua visão sobre o mundo através das palavras, enquanto escreve seu segundo livro.
Seus textos abordam os "exageros da noite, os amores e ex-amores, a pós-modernidade que oprime e deprime”, define LaCarne. “Misturo crises existenciais com temas simples, até fúteis, como se eu formasse uma colcha de retalhos”, completa.
É com essa leveza e mistura de temas que LaCarne escreve seu segundo livro. “Salão Chinês” não foge à sociedade moderna e aborda, em suma, a ascensão, glória e decadência do homem moderno.
Antônio mantém um blog onde publica seus textos, imagens e sentimentos diários sob sua visão única do mundo.
Confira abaixo alguns textos do autor:
obsessão no. 17
num charminho de coração monossilábico tracei o game over da obsessão no.17 enquanto você dormia & eu me estilhaçava de cabo a rabo. space is only noise do nicolas jaar tocava ao fundo. as entranhas do quarto pintadas de azul noite estrelada deslizavam dentro de quadrados onde me pus a perceber que space is only noise if you could see. pedi uma chance ao silêncio dos homens de fina estirpe. você me decorou tantas vezes, noites, o telefone que toca sem parar: eu me pergunto se miss misterious é realmente sincera. ascendente em escorpião, dizimada no calor do sertão central ao invés de me pedir desculpas - colorir os fios negros da voz contra o universo. pedi massagem nos pés após longas horas sem descanso. eu simplesmente acordei durante o caos que a chuva proporcionou à cidade que não é fofa. não obtive resposta desejada, por isso tratei de me resolver enquanto era tempo: obsessão no.16 riscada do caderninho. sonhei que dividíamos a estante de livros mais uma vez. aí você oscila como se eu me impedisse de me perder. trocamos dicas, livros, sinopses de filmes, & ao invés do agradecimento, interpretamos zumbis na carniça.
AOS 30 COM AMOR
O tempo continua sendo uma ilusão. Reencontrar a vida, analisá-la com outros olhos, não é dica aprendida em livro de autoajuda, é conspiração a favor de si mesmo. Eu me tranco no quarto, penso nos dias, no cansaço, na rotina, nos amigos, nas esperanças, nas neuroses e tudo ainda soa muito importante. Eu ainda tenho forças. Eu ainda sou parte do mundo. Não quero, nem preciso me perder antes do tempo. Acendo um cigarro e acredito que eu preciso ser eu. Dessa vez não há dúvida, rancor, frustração de desocupado. Aos 30, o coração é a melhor fortaleza, já não me destruo sem demora, ando por aí de boa, uso jeans, interpreto de vez em quando um papel, volto pra casa repleto de mim mesmo, curo a ressaca, leio um livro, escrevo, tenho sonhos. Pela primeira vez no mundo, abro os braços e percebo o que é incrível. Todas as mortes corriqueiras se transformam num ponto onde ninguém, além de mim, traça um futuro. Mas a verdade que prevalece é que hell is other people. ❤
•
E aí, curtiu?
O vitrine é um espaço aberto para você divulgar seu trabalho. Envie sua arte, vídeo, música e/ou projeto para contato@revistafriday.com.br.
Por: Jayne Oliveira
De: São Paulo - SP
Email: contato@revistafriday.com.br
















0 comentários: