31 de outubro de 2013

Kapetan Dimitris - Koyzina Paradosikh

Foi na Grécia antiga que o termo “gastronomia” foi usado pela primeira vez. É daí que vem a certeza de que na Grécia come-se bem. Muito bem, por sinal. E quando o assunto é prato típico, cada região ou ilha tem o seu, mais ou menos como na Itália. Em Santorini, por exemplo, o prato tradicional é tomato keftedes, e eu tenho a impressão de que encontrei o lugar onde servem o melhor deles…




Eu passava férias na ilha, em julho de 2012, quando fiz essa refeição verdadeiramente memorável. Em um fim de tarde, depois de conhecer o farol de Akrotiri, em Faros, a fome apertou. Achava que não encontraria nada aberto por perto, quando uma placa de concreto, à beira da estrada, pintava: “Taverna Capitão Dimitris – Comida Tradicional”.
O local estava vazio, e senti como se estivesse invadindo a casa de alguém. Continuei entrando e descobri, numa espécie de terraço, um senhor que lia jornal, uma senhora que tomava café e uma moça morena de tranças que tivara os pratos da mesa. Aquela era, obviamente, a família que vivia ali. Estava pronta para sair me desculpando quando o senhor baixou o jornal e pediu que eu me sentasse, que eles haviam acabado de almoçar e já iam me atender.
Sua esposa, Dona Bárbara, logo arrumou uma mesa com toalhas de papel e trouxe um cardápio – que permaneceu fechado. Ela explicou com um sotaque carregado que não teve tempo de ir ao mercado naquele dia, mas que seu marido, o Capitão Dimitri, havia pescado logo cedo e o peixe estava fresco, bom para comer. Dizendo isso, me arrastou pela cozinha, insistindo para que eu desse uma boa olhada nos peixes. Ela abriu orgulhosa uma gaveta metálica de onde exalava um forte cheiro de mar – sem dúvidas, estava bem fresco.

Quando chegou à mesa, o peixe esava absolutamente divino - e não poderia ser mais simples. Foi colocado na grelha com cabeça e tudo, e devorado em instantes, temperado apenas com azeite e limao siciliano. 




 Para acompanhar, os Tomatos Keftedes. Fiquei intrigadíssima com aquela espécie de bolinho vermelho e frito na minha frente. Após provar -  e aprovar com méritos, perguntei exatamente o que era aquilo, ao que Dona Bárbara, com a maior paciência do mundo e se esforçando ao máximo para falar em uma língua que eu entendesse, me explicou que era uma massa feita de molho de tomate, temperos, farinha e cerveja. 

Os tomates, fez questão de ressaltar, eram provenientes de sua própria horta. O orgulho nos olhos dela quando conta isso se deve ao fato de que é realmente uma tarefa difícil crescer tomates numa ilha de solo vulcânico como Santorini.
 Ainda em extase pela descoberta gastronômica mais inusitada dos últimos tempos, provei a sobremesa. Outra surpresa ao descobrir que o acompanhamento melado e laranja que me foi servido com um autêntico iogurte grego era um – quem diria – doce de cenoura!
Terminei o almoço simplesmente maravilhada por ter comido tão bem pagando um preço tão justo. Esta foi, sem sombra de dúvidas, a melhor refeição da viagem. Não sei ao certo se foi a vista e o ambiente agradável do restaurante, o sabor autêntico e delicioso da comida ou a simpatia e cordialidade dos novos amigos gregos, mas a experiência valeu os 10108km de distância e a re-descoberta do sentido da palavra “gastronomia”.


Por: Bianca Chaer
De: São Paulo - SP
Email: bianca.chaer@gmail.com

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