26 de fevereiro de 2013

Não se fazem mais passados como antigmente #6- O "quarentão"

Dark Side of The Moon
1973
EMI
Nota: 10/10

                 Nunca vou conseguir negar que Pink Floyd é, de longe, minha banda favorita. Também não vou conseguir falar de Dark Side of The Moon sem ser piegas ou parcial. Então não considerem o relato abaixo como sério (se quiserem):


                Nesta sexta, 1º de Março, o Dark Side of The Moon completa 40 anos. Talvez esse seja um fato para apenas os ouvintes da Kiss ficarem sabendo, ou apenas os mais aficionados em rock progressivo, aqueles barbudos loucos, terem uma vaga lembrança da data. Marca não apenas o ressurgimento da banda, mas um marco na indústria fonográfica, nos índices de vendas e na estética dos álbuns.
Esse sou eu sendo imparcial com os
álbuns que escrevo.
                Sobre as faixas, não se tem muito a dizer: dez canções, ligadas umas às outras -característica de um álbum conceitual-, com os vocais do guitarrista da banda, David Gilmour, e outras harmonias brilhantes do engenheiro de som da banda, Alan Parsons. O baixista e “dono” da banda, Roger Waters, canta as duas últimas, Brain Damage e  Eclipse, em um tom quase religioso, quase que como uma oração. Dois dos melhores solos de guitarra da banda saem dali: Money e Time tem batidas estranhas, correm em tempos diferentes, tem, respectivamente, barulho de dinheiro e de despertadores em sua introdução. Até hoje algo vanguardista.
                Outra faixa, The Great Gig In The Sky, que fecha o lado 1, mostra um sentimentalismo ímpar no grupo: Após gravarem a parte instrumental, sugeriram a Clare Torry, uma das backing vocals do grupo, que gravassem um improviso por cima. Sem saber muito o que fazer,  ela começou a gritar. O que sai dali são cinco minutos que muitos fãs da banda dizem lembrar ao sexo – ou a algo tão bom quanto. O álbum é um retrato de várias fases da banda: da psicodelia muito louca de Any Color You Like até a a calma super produzida de Us and Them- talvez a minha favorita entre todas ali dentro.
                Roger Waters, o criador do conceito do álbum, desenvolveu letras sobre amor, tempo, dinheiro, ganância e, óbvio, a morte.  Como disse no livro “Bastidores do Pink Floyd”, o sentido do Lado Escuro da Lua eram as vozes que permeiam  as canções.  Gente como Paul e Linda McCartney responderam às questões feitas por Waters, mas acabaram não entrando na produção final. Sobrou a Gerry O’Driscoll, zelador da Abbey road Studios – sim, o álbum foi gravado lá- a dar grande parte das vozes sombrias, e a fechar o álbum, filosofando gravemente: “There’s no dark side of the moon really, matter of fact she’s all dark” (“Não há lado escuro da lua. Na verdade ela toda é escura).
                Com o álbum pronto, a banda agindo como de costume (diga-se: faltando à entrevistas e criticando a imprensa), o álbum chegou às lojas em 1/3/1973. Os fãs e não-fãs se surpreenderam com a capa, hoje junto com a Sgt. Peppers’ Lonely Heart Club Band a mais famosa e funcional em todos os tempos: nada além de um prisma em fundo preto, refratando uma luz em um arco-íris. A ideia veio do designer da banda, Storm Thorgerson, que queria representar o poder da humanidade. Nada mais simbólico e gracioso.
                Antes do DSoTM, o Pink Floyd era uma banda de festivais underground, com excelentes álbum de música psicodélica. Ao mesmo tempo, os quatro garotos de Cambridge tentavam desvincular-se da imagem do antigo vocalista, Syd Barrett, que não aguentou as pressões da fama (o que viria a ser o mote do álbum seguinte, Wish You Were Here, de 1975). Graças a singles como Money, a banda ganhou status, fama, shows com casas lotadas - e um pequeno complexo de deus, que acabaria agravando as tensões entre os membros, e provocando o fim da formação original uns oito anos depois. 
                As vendas dificilmente encontram paralelo: Mais de 40 milhões de álbuns vendidos, 741 semanas entre os mais vendidos da Billboard – 15 anos! As lendas são muitas: De que a EMI, a gravadora, teve de criar novas fábricas apenas para o disco, de que a banda não precisaria mais trabalhar depois dali (o que é meia verdade), entre muitas outras. Mas a principal, sem dúvida alguma, é a estranhíssima relação do álbum com o filme “O Mágico de Oz”. A banda nega veementemente, mas assista e tire suas próprias conclusões.
                   40 anos depois, a incógnita permanece: seria mesmo o Dark Side of The Moon a obra mais influente da música moderna? A capa, conhecida e visível de longe, é a mais conhecida entre as capas? Não se sabe. Talvez se precise de mais 40 anos para que se descubra o real valor dessa obra.




Por: G.L. Mendes
De: Carapicuíba

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